quarta-feira, 3 de junho de 2009

Metapostagem


É incrível como existem assuntos para serem abordados nas postagens. Mas às vezes dá receio de escrever tudo, sabe. De escancarar assim os sentimentos, expor as opiniões. E tenho notado que não sou a mesma pessoa quando falo e quando escrevo. Não que eu tenha personalidade dupla, ou que eu seja do tipo duas caras. Quero dizer, não tenho apenas duas caras, tenho mais, tenho muitas, tenho várias, dependendo da hora e do agrado. E nem venha se admirar que todo mundo é assim. Ninguém é estático. E se você for, fique bem longe de mim. Não gosto de pessoas que nunca mudam.

Na descrição do meu perfil no Orkut a primeira pergunta eu respondo assim: quem sou eu: depende de quem é você. É verdade. Se você for o Bruno, vou ser carinhosa, manhosa, fingir de nenê, falar que nem uma idiota e sairá coraçõeszinhos apaixonados dos meus olhos toda vez que me fizer cafuné. Isso se estiver tudo bem. Se não vou ser ranzinza e sarcástica e desagradável e descontar alguma frustração em você sem motivo aparente, como uma esposa chata, porque afinal de contas, ninguém é perfeito. Então a resposta está incompleta. Não depende só de quem é você, mas de quem é você e de quando eu sou eu.

Papo maluco. Vamos mudar de assunto. Estava dizendo que são infinitos os temas que eu poderia abordar neste meu diário, para que ele deixe de ser apenas um mero, um reles, um ridiculozinho diário como é a maioria dos diários. Escrever sobre fatos políticos, sobre aberrações da natureza como polidactilia aproveitando a deixa do Sexto Dedo. Escrever sobre desastres aéreos, sobre jogos de azar, sobre a inconsistência da sorte, sobre a teimosia da grama que cresce nas areias quentes do deserto e do capim que agoniza mas sobrevive às geleiras congelantes dos pólos. Escrever sobre a vontade de ser e de deixar de ser cantora, escritora, jornalista, detetive, astronauta, serial killer, sobre o quanto uma banda ou música ou sonoridade te agrada ou te irrita, escrever sobre a inconstância dos humores e da necessidade de todos nós de sempre estarmos nos auto-rotulando e auto-medicando. Escrever sobre os esquilos, como para nós eles são fofinhos e para os americanos eles não passam de larápias pragas como os ratos, as baratas e os pombos.

Escrever sobre os livros que leio, filmes que assisto, histórias que ouço, como aquela horrível do necrófilo com quem a filha da irmã de uma amiga da minha irmã ficou numa boate em São Paulo, ui, que horror, quase que ela era a próxima vítima do doente que fazia medicina e mantinha em casa relações sexuais com cadáveres e os fungos que deterioram a carne dos cadáveres estavam all over the body dessa pobre guria filha da irmã da amiga da minha irmã. Infeliz e sortuda, claro, fora o trauma e alguns fungos de cadáver na pele ela saiu ilesa e o cara foi preso, morava em Jardins e o Bruno disse que rico é que é louco, pobre não tem tempo de enlouquecer. Não, pobre já nasce meio doido, mas não passa de uma loucura breve, tem que se focar na sobrevivência. Rico não tem muito o que pensar daí já viu, cabeça vazia oficina do Diabo, minha vó ia dizer se ouvisse o Bruno dizendo aquilo.

Escrever sobre o ato de escrever. Qualquer coisa se pode dizer. Mas sempre heverá aqueles que vão te ler e te julgar. On the other hand, sempre haverá os que te lêem por te adorar e acham tudo o que você escreve lindo. E a grande maioria, a imensidão esmagadora nunca vai te ler, porque afinal de contas, o que você escreve, whatever darling, they don't give a shit e eu também não tô nem ligando - ou sei fingir bem, ou nem isso.

Ah... e de pensar que mesmo assim tem tanta gente que se apropria do meu discurso e eu aqui dizendo tanta abobrinha! Melhor mesmo ficar calada.

Ps: me li como alguém de fora e me julguei 1) prepotente 2)maluca 3)original 4)potencialmente psicopata

13 comentários:

Anônimo disse...

Cruisincredo nem acredito, primeirona!
Sorry, fiquei meio fora do ar uns dias, mas catoeu de novo.
Ainda não li tudo que tenho pra por em dia, mas hoje realmente você tá meio assim como eu diria, tipo assim, meio assim assim...sei lá. Vou só dizer um alozinho cheio de saudades e ler os outros dias para quem sabe entender este final apoteótico, meio assim assim...
Beijos mil do sul do Brasil

Talita disse...

PRIMEIRONAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!rsrs
Não tem pra ninguém, rsrs nem pro sogrão, nem pra Pilar, hehe...
É isso aí Xandinha, não importa o tema, navegar é precisooo, e escrever o é também...vc é das letras, e tá no sangue, né mess?
Não querendo me valer da premissa de estar entre as pessoas que te adoram, e já me aproveitando, rsrs digo, vc tem "felling", pode crer, vá em frente e não se intimide ante as críticas!
Bjs até dia 08, tá perto heim?!!!

Talita disse...

Ah doce ilusão!!!tomém quem manda cê lesa!!!mas a máquina daqui é ruim e lenta qui nem qui o dono, rsrs

fatima disse...

Não entendi nada, que historia é esta que você espera que o Ivo te atualize...a Talita se achando...primeirona???E o meu comentario meio assim bobo, mas foi o primeiro....sei não acho que é mehlor eu ir dormir e ver amanhã o que mais não vou entender...to morta de inveja da Talita, dia 8 ta aí e dia 22 de agosto ainda tá tãããão longe....mas é uma invejinha boa... só do bem!
Beijos de novo, com muita saudade

Panda disse...

Fátima! Acho que o meu texto maluco provocou reações adversas à sanidade! Será que acabo de descobrir um estilo literário que causa maluquice nas pessoas? ó! que grande descoberta! Onde tá isso do Ivo atualizar alguma coisa? Mó di quê eu mêmu num tô lembrânu!

Mami, vc tem que estar preparada para o bote! primeiro tu garante a pole, só então depois é que tu escreve e divagueia! sacou? fica pra próxima postagem.

Mas tb se não conseguir na próxima postagem, lembre-se de que a Pole pra chegada na casa da Panda e do Bruno em Charlotte já tá garantida!!! Uhuuuu!!! Estarei no aeroporto dando as bandeiradas.

Fatiminha, agosto vai chegar num piscar de olhos. Eu sei porque logo depois do dia dos namorados já é aniversário do Bruno e eu fico p da vida porque não tenho idéias pra presente, esse menino tem de um tudo!

Beijos e viva as mulheres que conquistaram a pole.

Ivo e Fátima disse...

Pandinha linda

Sendo bem pouco original, e parodiando aquele famos Jack, vamos por partes.

1 - A Fátima leu o meu e o teu comentário do Arrigo Barnabé, mas sem prestar muita atenção no objeto do post. Assim, ela ficou, mais uma vez sendo "bem" original, mais perdida que cego em tiroteio sobre a questão da atualização dos fatos que prometi te fazer (que por sinal, ainda estão em compasso de espera, sem definições adequadas). Agora ela entendeu.
2 - Tadinha da Talita. Ela não foi a pole aqui no post, e nem no quesito visita a Bruno e Xanda em Charlotte!!! Posso perder a pole da casa NOVA, mas fui até agora o único a já ter visitado a CASA do Bruno e Xanda em Charlotte. Não interessa se era outra casa, mas ao seu tempo era a casa do Bruno e Xanda em Charlotte. Essa pole ninguém me tira. A Talita vai ficar com a pole consolação, de ser a primeira na casa atual.
3 - Texto da Panda! Impressionante! Maluco? Talvez. Prepotente? Nem achei. Original? Sem dúvida. Potencialmente psicopata? Que atire a primeira pedra quem não o for! A melhor definição é de que foi efetivamente uma metapostagem, seja lá o que isso signifique, pois o teu texto efetivamente abrange todos os lados da "meta", seja pela mudança, pela transcendência ou pela reflexão crítica.

O melhor de tudo, Pandinha, é que os teus textos despertam em todos o melhor de cada um, e até o teu materialista engenheiro Sogrão se mete aqui a filosofar.

Beijos mil do sul do Brasil (mais uma vez desinspirado, tendo aqui que parodiar a Sogrinha).

E vamos para Bristol em 22 de agosto. Ou não (orra meu, agora dando uma de Caetano? - melhor parar por aqui).

Sogrão

P.S.: e hoje não tomei nem uisquinho nem vodiquinha - imagine se tivesse...

Ivo e Fátima disse...

Em tempo

Aaaa dooooo reeeeiiii (olha o meu lado gay aqui de novo) a foto que você escolheu para a tua metapostagem.

Absurdamente adequada a tudo aquilo que veio depois.

Sogrão de novo

Panda disse...

Sogrão, Sogrão! O que seria deste blog sem você? Sempre elucidando os lados obscuros dos comentários que, sem brincadeira, dariam um livro interessantíssimo, ainda que sem pé nem cabeça!

Esta foto está oátima mesmo, eu com cara de maluca desesperada com um quê de indignação, dando um berro que não sai.

Victor Miguel disse...

Oi Panda, vc disse que gostou do meu blog, mas acho que o seu (pelo menos na estrutura é muito melhor),quanto ao conteúdo, achei interessante a idéia de escrever sobre o escrever. Porque no fundo tudo o que o leitor pede é um pouco de coerência, a respeito de qualquer coisa. Enfim te visitarei mais vezes, e espero que você passe no meu blog de vez em quando também !hehe
Saudações da terra do frio eterno
Victor

Panda disse...

Victor! Seja bem vindo ao meu diário de bordo e volte mais vezes. Gostei muito do seu blog e já o incluí na minha lista de blogs legais, como você deve ter notado. Um beijo e até as próximas postagens!

=)

eliza disse...

como diria meu primo (um pobre que já nasceu maluco). Mude! Mesmo que prá pior.

Panda disse...

Elaiza, donzela dos cabelos de ouro, volte sempre com seu bom humouro!

beijos

Flávio Jacobsen disse...

hahahahah.. óááááátima como sempre!