sábado, 16 de agosto de 2008

Jueves: La Provincia de Buenos Aires

Hoje saímos da capital federal argentina, a cidade de Buenos Aires, para conhecer suas cercanias, outras cidadezinhas que ficam na Buenos Aires província. Ao todo, o país é formado por 23 províncias, o que corresponderia aos nossos estados. A longo da Avenida 9 de Julho - a mais larga da América do Sul - há 23 praças entre as pistas, que representam as províncias do país.

Ao sair da cidade, beiramos o Rio da Prata, que separa a Argentina do Uruguai e cuja margem oposta não se pode ver. Na região mais periférica da cidade está o Aeroporto para vôos domésticos e o gigantesco estádio do River Plate, com capacidade para mais de 80 mil torcedores.

As cidadezinhas na província são mais parecidas com lugarejos europeus. A vegetação ajuda a criar esse clima "Europa". Geralmente elas têm somente uma rua principal, uma avenida que é o centro comercial da cidade, e as ruas transversais e paralelas são residenciais. Casas muito chiques, por sinal.

Em Tigre, fizemos o famoso passeio pelo delta do rio Paraná. Uma hora de barco para percorrer 15 km de micro-ilhas, onde os argentinos mais abonados têm sua casa de campo e seu barco. No começo o passeio é legal, mas depois foi ficando entediante. O Bruno até dormiu, tadinho.

Culpa do guia que não parava de se repetir. Poxa, nem tem muito o que falar... é um rio, umas ilhas, umas casas, pronto. Cala a boca! Mas não. Ele não parava de falar, e falava dez vezes as mesmas coisas. Dez vezes! As mesmas coisas! Como eu disse, ele falava dez vezes as mesmas coisas. Vêem? Era assim que ele fazia.

Voltamos pra BsAs ciudad às duas da tarde, e pedimos pra ficar perto dos museus. Fomos no MALBA, no Museo Nacional de Belas Artes, no Museo de Design e no cemitério da Recoleta, que além da arquitetura dos mausoléus, oferece a curiosidade de ser habitado por dezenas - ou quem sabe centenas - de gatos. Serão as almas penadas? O Bruno diz que sim.

De noite fomos só no La Diosa, uma casa noturna que fica num lado meio obscuro da cidade (na beira do Rio da Prata), e que mais parece ser um bar de beira de estrada, pra caminhoneiros. Só jantamos e caímos fora.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Miércoles: caminando!




Amanheceu um dia lindo de sol. Depois de acordar, fazer xixi, tomar banho, escovar os dentes, tomar o desayuno, saímos caminhar pela cidade. Passamos no Banco do Brasil para resolver assuntos financeiros que poderiam ter sido resolvidos sem termos ido ao banco, e isso mordeu uma fatia de nosso precioso tempo. Primeiro revisitamos a praça do governo, entramos na catedral e seguimos caminhando até Puerto Madero. Fomos num museu flutuante e almoçamos no El Gatto.


Depois andamos até San Telmo, o bairro dos antiquários, artesanatos e chapéus. A arquitetura antiga encanta, mas os prédios não estão lá no melhor estado de conservação. Há muitas ruelas e becos, as calçadas são estreitas e me fizeram lembrar Tremembé, a cidade onde passei todas as férias de julho da minha infância e que também traz uma arquitetura colonial.


De noite fomos pra Palermo, jantamos no El Preferido, que não é exatamente um restaurante, mas sim uma venda, um armazém praticamente. Seguimos então caminhamos pelo bairro, percorremos as ruas mais agitadas, onde estão os bares e casas noturnas que são o principal atrativo do local.


O fim da noite foi divertido, fomos numa casa noturna chamada Te mataré Ramirez, um restaurante afrodisíaco cujo cardápio oferece pratos sensuais, como fatias de salmão em formato de vulva e pro aí vai. Os saleiros são em forma de espermatozóide e o ambiente é excitante por si só.






As paredes, o teto, tudo é de veludo vermelho, com espelhos, luz de velas, almofadas, e o cardápio ilustrado com temas sexuais é um convite ao prazer. Como já tínhamos jantado, comemos só a sobremesa. Fondue de chocolate com frutas da estação, lascas de brownie e trufas. Assistimos a um show teatral muito interessante! Apesar da proposta "erótica" e literária (paródias e citações de Shakespeare e outros escritores consagrados), a encenação cômica dos atores foi o forte do show, que está há cinco anos em cartaz.

Depois de andar tudo isso, pegamos um táxi pro hotel e nos entregramos aos braços de Morfeu.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Segundo dia de lua de mel

Bom, não aguentei esperar... porque já estou ficando apavorada com a possibilidade de esquecer alguma coisa desta viagem que está sendo tão linda. Já que o Bruno continua roncando aqui do meu lado, vou descrever como foi nossa terça-feira.

Às sete e meia da matina o telefone tocou. Era nossa agente de viagens, dizendo que às nove eles viriam nos buscar para o city tour. Horário estranho, mas ela justificou dizendo que nós não atendemos o telefone na noite anterior, enquanto andávamos na tempeestade sob o mesmo guarda-chuva.

Nos arrumamos, tomamos o café mais gostoso do mundo - café de hotel é sempre um banquete - e um argentininho bonitinho, mas com os dentes levemente comprometidos, veio nos chamar para o nosso tour. Era um ônibus grande, quase cheio, de turistas brasileiros e de outras nacionalidades. Passamos pelos principais pontos da cidade, e a guia ia explicando primeiro em espanhol, depois em portunhol, depois em inglês, cada detalhe interessante do passeio.

Fomos na praça das nações, onde uma flor mecânica gigante abre de dia e fecha de noite, fomos na plaza del gobierno, onde está a casa rosada (você sabia que a casa rosada é rosada porque fora pintada com gordura e sangue animal para protegê-la da umidade e que continua sendo pintada de rosa por tradição?). Fomos no Caminito, en La Boca, lá onde fica o estádio do Boca Juniors. Passamos pelos belos bairros de Palermo e da Recoleta, zonas requintadas onde ficam as embaixadas, os museus, os monumentos principais da cidade. A idéia deste tour era mesmo de conhecer o que a cidade oferece, pra depois você escolher onde ir com mais calma. E olha... deu pra perceber que cinco dias é pouco.

Voltamos pro hotel e fomos almoçar em um dos restaurantes mais tradicionais da cidade. E lá eu saboreei a coisa mais deliciosa que já comi na minha vida: Lomo à Parisiense... era uma carne com molho branco e purê de batatas, simples, mas que sabor!

De tarde ... hmmm... não lembro o que fizemos de tarde! Fomos às compras? Sim, sim, Bruno acabou de confirmar que na terça saímos torrar nossos reales, nossos pesos, nossa plata. Gastamos sem nenhum pudor. Sobretudo de couro, paletós, blusas de lã... fomos de personal shopper, um guia que te busca no hotel, te carrega as sacolas, te induz a gastar seu dinheirinho sem o menor escrúpulo e depois de devolve no hotel, tudo com muita simpatia. O nosso guia era argentino, mas falava um português impecável, sem aquele sotaque irritante de argentino, mas com um sotaque igualmente irritante de carioca.

Perdoem! Mas para mim não há nada mais pedante do que sotaque carregado. Um certo afetamento. Hum.

Depois que chegamos no hotel, acho que minha ficha caiu. Notei que estava podre, cansada talvez desde muito tempo, com toda aquela ansiedade que precedeu o casório, a canseira da festa seguida da noite de núpcias, depois fazer malas, viajar, chegar, sair, passear. Caí na cama antes das oito e só acordei no dia seguinte.

Falar nisso, vou acordar o Bruno pra gente ir pra balada: vamos no cassino ver se estamos com sorte no jogo, e depois, se ganharmos algo, gastar tudo no La Diosa, uma boate em Palermo. Brinde da agência de viagens. Buenas noches mi queridos. Y hasta luego.

Impressões de Viagem

Enquanto o Bruno dorme eu aproveito pra descansar ao seu lado... li mais um belo capítulo da biografia do Hendrix e agora resolvi atualizar minhas impressões de viagem. Sim, pois se não as ponho num papel ou na web, elas vão sumir da minha memória de peixe, cedo ou tarde.

Chegamos aqui na segunda-feira, no horário previsto de aterrissagem, mais precisamente, três e nove da tarde. No entanto, tivemos que esperar na pista para alguns aviões decolarem antes de desembarcarmos. Ao chegarmos no saguão do aeroporto, ninguém da agência estava esperando por nós, como era pra ser, então resolvemos buscar informações. Isso demorou mais ou menos uma meia hora... até que descobrimos que eles nos esperavam às duas da tarde, e não às três e meia... assim, tivemos que pegar um táxi pro hotel.

Ainda no aeroporto me dei conta de que os argentinos são pessoas muito argentinas. Quero dizer com essa frase estúpida de que eu poderia, olhando para todo aquele povo que ia e vinha de diferentes lugares do mundo, apontar quem era e quem não era argentino. O argentino é, em primeiro lugar, elegante. Não importa o quão esdrúxulo seja seu corte de cabelo. A elegância do argentino é inquestionável.

No hotel: nosso quarto é uma reconfortante mistura do clássico com o moderno. TV LCD, cômodas art noveau e um quadro impressionista na parede. Cama king size delícia, banheira hidromassagem maravilhosa... enfim. Um hotel 4 estrelas.

Obs.: Bruno começou a roncar.

Saímos pra comer às seis da tarde, porque até então só tínhamos degustado aqueles cereais e amendoinzinhos chinfrins que essas companhias aéreas nos dão. Para recompor os ânimos e o bom humor, nada do que uma dica quente do Caetanão: fomos comer o famoso chorizo jugoso con papas fritas do El Establo, que fica a três quarteirões de onde estamos. Eu não fazia a menor idéia do que era um chorizo jugoso. Na verdade, podia ser qualquer coisa, que no estado de fome em que nos encontrávamos... enfim. O tal chorizo é um pedaço descomunal de uma carne saborosíssima, o jugoso é o adjetivo divinal para mal passado; a carne meio cruda, sagrando, uma carnona de verdade, não esses bifinhos que a gente no Brasil pensa que é carne.

Depois de jantar e de ficar com o zóio parado e a barriga pesando, fomos caminhar pela peatone Florida (rua de pedestre, eu acho que peatone é pedestre, Caetano me diga se eu estiver errada). Tava garoando, mas a garoa apertou, fomos então atrás de uma sombrinha, ou como dizem aqui, un parágua. Fomos numas 10 lojas e nada. O jeito foi então ir ao shopping. Um lugar chique, requintado, onde certamente pagamos uma fortuna por um guarda-chuva bengala da Voghe. E assim que saímos, adivinhem: a chuva parou? Não. Mas tinha um cara vendendo sombrinhas por uma bagatela. E durante a caminhada, cada lojinha que a gente passava tinha mil paráguas pra vender, de todos os preços, cores, estampas. Pffff!

Em nossa caminhada, fomos observando a suntuosidade dos prédios antigos, a elegância anteriormente citada dos argentinos em ternos de risca de giz, paletós de lã, chapéus, casacos de couro, seus cortes de cabelos curto-compridos - como bem observou nossa querida Eliza - enfim, esse jeito argentino de ser. Os velhinhos são os mais elegantes. As senhoras, sempre muito bem vestidas e penteadas, maquiadas... chiques. Um povo bonito de ficar olhando e admirando.

Nas ruas, além do espanhol e do português, ouvimos francês, italiano e inglês. Buenos Aires é uma cidade cosmopolita! O mundo inteiro está querendo respirar os bons ares daqui. Dizem que tudo é muito barato. Mas eu não achei muuuuito barato. Achei que alguma coisa ou outra é mais barata do que no Brasil. Mas dizer que tudo é barato, hmmm, não sei não... eu acho que é exagero. E como não entendo nada de economia, detesto fazer contas e não sou de economizar, vou ficar bem quieta. Um aviso aos naufragantes: aqui é fácil de afundar em dívidas!! Tudo é lindo e dá vontade de levar pra casa.

Amanhã tem mais. Beijos!

Cultivando el panzón!


Apesar de estarmos caminhando bastante, creio que as calorias ainda nos vencem. Também... com esses pratos carnívoros - muito mais afrodisíacos que os pratos eróticos do restaurante de ontem à noite - fica impossível almejar uma dieta. Nham nham. Chorizo jugoso, lomo al hierbas... hmmmm... sem falar nas cervejas. Apesar de eu não ter provado toda a variedade de cervejas aqui existentes - por un precito muy bajo - as cervejas nacionais Quilmes e Isenbeck já estão na minha lista de preferidas, entre a Heineken e Stella Artoir.





Lua de Mel em Buenos Aires

Uhuuuuuuu... seguramente una ciudad muy bela! Estamos ótimos. Nossos celulares não funcionam. Mas nosso portunhol até que tá funcionando, hehehe... ontem fomos a um restaurante afrodisíaco onde assistimos a um teatro-cômico-erótico muito legal! Beijos a todos...















Seguem algumas fotos da nossa lua de mel... não vou escrever nada porque não temos muito tempo, uma semana é pouco e Buenos Aires é uma cidade com muita coisa pra se fazer; e como uma imagem vale mais do que mil palavras...