terça-feira, 29 de março de 2011

Atualizações!

 Minha linda sobrinha-neta: seu sorriso me completa!

Sim, eu sei. Ultimamente não tenho tido tempo para postar aqui. As tarefas são muitas, incessantes.

Como de costume, dois livros pra ler por semana, trabalhos para escrever, pesquisa de mestrado, planos de aula, dar aula, cuidar do meu amor e da nossa casa, da saúde, do tratamento vip das visitas, do visual. Simplesmente muita coisa. Muita coisa boa, não posso reclamar de nada! Mas também não posso postar mais com tanta frequência, o que me deixa jururu e com muitas saudades de vocês, dos seus comentários!

Como se não bastassem todos os meus afazeres, sabe, eu sempre arrumo mais sarna pra me coçar. Inventei de apresentar em conferências, a minha primeira foi sábado passado. A convite de minha supervisora, dei uma palestrinha de 20  minutos na AATF-AATSP Conference sobre como incorporar cultura na sala de aula. Mostrei o trabalho de alguns alunos e algumas atividades para uma plateia de professores de língua estrangeira. Sendo minha primeira vez, não foi perfeito, mas foi oááátimo! Pois além de compartilhar, aprendi muito com as outras apresentações. E de quebra fui convidada pelo presidente da associação (americana de teachers de spanish e português) para apresentar num encontro maior, que será em outubro, em Winston-Salem. Ainda preciso escrever meu abstract. Amanhã, provavlemente!

O lance é que tudo é meio em cima da hora, e na sexta passada ainda fui com o Bruno, o Mike e a Belinda no show do Yes. Confesso que esse show seria mais para eu conhecer a banda, porque eu nunca ouvi Yes em toda a minha vida. Além do mais, eu tava precisando de um show de rock, e acreditei que uma banda clássica dos anos 70 poderia acalmar meus nervos acadêmicos. Tirando "Owner of a Lonely Heart" (que sinceramente nunca achei que fosse deles), não dancei e não curti. Mas também não me arrependi. Foi bom sair de casa, ir num lugar diferente com amigos queridos, e depois flanar pela cidade em busca de uma padaria-armazém-livraria bacana 24 horas.

Neste lugar trabalha a Hope, aquela vizinha com quem voei, no último verão, de parasailing. Falando nisso, mês passado passou voando. E eu e o Bruno fomos passar um fim de semana na casa deles lá em North Myrtle Beach pra comemorar nosso aniversário. Mesmo lá, tive que ler e escrever um trabalho, óbvio. Mas ainda assim molhar os pés no atlântico norte e congelar os ossos ao som das ondas, pisar na areia... deu pra dar uma recarregada nas energias!

Nesse ínterim, algumas ofertas e oportunidades de emprego já apareceram, pra dar aula em outra instituição, pra traduzir capítulos de livros pro português. Trabalhos que tenho negado mui polidamente, na lucidez de precisar focar, e de dizer um não de quando em vez.

Nem só de sins viverá o homem. Mas também nem só de nãos, né. Então pensei, por que não apresentar em uma conferência de estudos latino americanos? Por que não sobre música, algo que mais se relacione à área da minha tese? Então o Lydio, dia desses no skype, me deu um toque das palestras-show dele, que estão fazendo o maior sucesso por aí.

E aí tem essa conferência anual da UNC, William Brown Jr, que este ano será sobre "displacement." O palestrante convidado é um diretor de cinema cubano de quem sou fã, Sergio Giral (serrrio riral)! Na hora que recebi o email divulgando me deu uma vontaaaade de mandar uma proposta. Depois de muito matutar e ruminar a ideia, cheguei à conclusão de que eu estava mesmo era com uma saudade louca de tocar e cantar. Plim! Não exitei.


Essa história de não dar tempo é um saco, mas é muito verdade. Em tempos em que o tempo falta, temos que unir o útil ao agradável. Por isso minha tese ser sobre o rock brasileiro. E por isso mandei uma proposta - que já foi aprovada!!! - de tocar e falar do disco do exílio do Caetano Veloso (1971). O disco a que eu e a Tati nos referíamos, nos velhos tempos, como "o disco da ovelha", por causa do casaco de pele que ele está usando na capa.

Por que este disco?

1. Por ser aaaaall about displacement. O título da minha palestra vai ser "Songs of Exile."

2. Por trazer canções em inglês.

2,5. Por razões óbvias.

3. Por significar tanto para mim, neste exílio voluntário, ter um banquinho, um violão, e uma plateia ávida por escutar coisas velhas-novas.

4. E para subverter, tropicalizar um pouquinho esse meio acadêmico, meio autoritário e formal demais.

E é claro, para o meu currículo, essas apresentações fazem a diferença. Meu próximo passo é publicar em jornais acadêmicos. Em inglês vai ser meio difícil, mas tá, tamanduá, devagarinho eu chego lá.


E agora vou voltar a corrigir as pilhas de provas, composições, e ler os livros, e treinar canções, e fazer os resumos, as reflexões, e poxa vida... dormir que é bom? Escrever no blog que é bom? A vida passa tão rápido!

Vai me dando um desespero, e vou dando muito pitaque porque sério, minha cabeça está borbulhando, meu cérebro fervendo, e vai me dando uns ataques sentimentais e filosóficos e as patadas da Panda rolando soltas no Twitter, aqui no blog, no facebook, por email... desculpem àqueles a quem minha prepotência impulsiva tenha magoado. Afinal quem sou eu... só estou procurando ser alguém melhor e muitas vezes não tenho ajudado. Não importa quantos livros a gente leia, quantas teorias aprenda, ou desenvolva, ou ou ou, caralho, a gente sempre erra.

E errar é a forma mais humana de aprender.

Porque a universidade é MUITO desumana. Hahaha.

E Parabéns, Curitiba veia! 318 anos. Rio Belém Rio Belém, nunca mais to de bem. Não sei se perceberam mas o novo visu do blog agora tem um novo feed, em que vocês podem ler minhas últimas patadas em tempo real. É o primeiro ícone grandão no canto superior direito. Mesmo quando não tiver notícias no blog, terão 4 frases minhas pendendo ali. E sigam-se os bons!

Gente me internem. Estou mesmo dando choques. Bzzz. Bbzzz.

Daqui a pouquinho estarei aí.

quarta-feira, 23 de março de 2011

É Primavera!


E as camélias do meu quintal desabrocharam para dar as boas vindas às visitantes do mês, vó Diva e Terezinha. Que se foram ontem, e que devido à loucura escravagista universitária mal tive tempo de paparicá-las... Mas enfim pude me divertir um pouco em meio aos trabalhos e leituras.

Fase turbulenta individual e coletiva, semana de desastres e como se não bastasse mais as frustrações com Obama e outra guerra...

Mas isso nao é tudo. As camélias desabrocham no nosso quintal e enchem meus olhos de otimismo! Dias melhores virão!

E a rapidez com que as pétalas se desmancham soa mais como um aviso: aproveite as belezas e as delícias da vida porque são/somos breves!!!
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quarta-feira, 2 de março de 2011

O que acontece em Curitiba?

Mesmo estando longe, tenho mergulhado fundo nas mudanças pelas quais Curitiba tem passado. É tanta notícia maluca!!! Tudo começou com o Fábio largando a Reles pra seguir carreira solo, de Sertanejo Universitário. Um baque! Uma ironia quase perversa. Tudo bem que ser brejeiro, alegre, cantador e contador de histórias - e até meio brega - o Fábio Elias sempre foi:

"E quando o tempo se distrair/ Deixando a cicatriz no meu sentinmento" - rimando com  -"Verei um mundo novo em mim . . . deixando um lamento", é um romantismo ingênuo e humilde, e sim, brega.*

Mas era o máximo, porque era rock, e principalmente, porque era a Reles. Nada a ver com Sertanejo Universitário,  um estilo que  pela própria inconsistência do nome (porque sertanejo, que devia ser, não é, e universitário, que não podia ser, é), condena e denuncia uma decadência não somente estética e musical, mas moral e ideológica. Não do Fábio, mas do Brasil. E não só no Brasil. Aqui nos States não é diferente. Decadence avec elegance é coisa do passado.

Falar em passado, não contarei aqui a velha história dos grandes festivais (que não vivi), em que os universitários não somente consumiam, mas produziam o fino da bossa, o chumbo grosso da música de protesto, a inovação estética de uma fusão da MPB consagrada com a rebeldia alienígena do rock na tropicália. Ou dos conceitos inrotuláveis de um Neima (Ney Matogrosso), ou da contracultura polêmica de um Lobão. Definitivamente, hoje carecemos de discurso, de inovação criativa, de massa cinzenta mesmo, na música. Imbecilizamo-nos todos, quando na verdade temos muito mais ferramentas e informação para evoluir do que aqueles velhos nomes tiveram quando jovens. Mas nós nos acomodamos. E nesse contexto, se apegar à erudição pra dizer que tem bom gosto é um ato um tanto quanto óbvio, e não menos medíocre.

Mas agora vamos focar no que há de bom... outra grande mudança aí na terrinha, desde que me mudei pra aqui, foi a eclosão do Garibaldis e Sacis na cidade.

Voice over narration: Em biologia, eclosão refere-se à abertura natural de um ovo incubado fora do corpo da mãe, uma vez completo seu desenvolvimento embrionário.

Resumindo, eclosão nada mais é que a ruptura de uma casca - a casca do ovo em que Curitiba por muitos anos se confinou, e a qual malucos, Garibaldis e Sacis quebraram com a maior descontração carnavalesca. Simples assim? Uma ova! Demorou anos. Desde 98 se não me engano. O que era contra-cultura virou mainstream, mas passou  primeiro por um processo, e foi crescendo aos poucos.

O mesmo não se pode dizer da Rádio Paraná Educativa em 2011. Quando recebi aqui via skype, blog e e-mail,  a notícia de que a Educativa revolucionou a música paranaense, fui na fonte conferir. Passei dias ouvindo a rádio pela internet, e apesar de ter escutado Criaturas (ainda que só as antigas) e muitas outras bandas das quais eu gosto por simples obrigação suspeita, eu achei a programação uma grande merda. Ultimamente estava melhorando. Mas careceu de planejamento, cuidado e estratégia.

Confesso!!!

Eu sempre tive um gosto musical meio elitista - em casa era só alta e nacionalista cultura, caetano e chico buarque - e bem por isso fui ouvinte e telespectadora da Educativa por muitos anos, e fiquei feliz quando consegui inflitrar algumas de minhas músicas na programação de uma rádio pela qual cultivava laços afetivos, tanto de amor como de ódio (no que se refere ao ódio, mais à TV por exemplo, quando o Ciclojam saiu do ar e o Enfoque passou a ser uma só vez por semana, na gestão do Requião). 

Subitamente, na gestão Richa, os paranaenses que passaram a tocar, aos montes, na rádio Educativa, lembraram aos ouvintes de como somos "xaropes," amadores, e de como a imensa esmagadora maioria ainda está longe de atingir um patamar radiofônico! Eis aí a  primeira grande lição que essa história nos passou. Músicos, aprendamos a encarar a arte como um trabalho - dediquemos no mínimo 4 horas por dia para isso, e procuremos sempre a ajuda de profissionais. Não de amigos. 

Abro um parêntesis: (É claro que tem coisa boa, interessante, bem gravada, e que merece ser tocada. Mais do que simplesmente merecer serem tocadas, no entanto, essas músicas que são excessão à regra de amadorismo não merecem ser colocadas no mesmo "balaio de gatos," num random sem nexo, sem nenhum critério de estilo!)

Que critério usaram? Tocar o Paraná? Um bairrismo anêmico, nocivo, forçado, inútil, que nunca fez parte da nossa cultura - mas que agora, com Garibaldis e Sacis, já começa a se modificar NATURALMENTE. Cultura não se enfia "goela a baixo." Cultura se negocia constante e lentamente.

O que aconteceu na Rádio Educativa foi um laspo convulsivo - vamos vomitar a música do Paraná! - uma falta completa de tato e inclusive de estratégia política. Foi também uma falta de respeito não somente com o ouvinte de anos, mas inclusive com o prórpio artista paranaense, cuja música se utilizou em vinhetas, sem no entanto ter autorizado sua utilização para tal fim. O que seria crime, vira favor ao artista.  E assim, não podemos reclamar, porque afinal, estamos tocando na rádio. Isso é meio insultante! Favorece-se, enfim, a perpetuação de um sistema nepótico e clientelista que  vem impedindo - desde a era colonial - o nosso país de sair da mediocridade!!!

Mas voltemos ao que há de bom... Quem imaginaria que depois da feirinha estariam os curitibanos de todas as espécies - os hippies, os punks, os Mods, os conservadores, os intelectuais, os artistas, os anônimos, e todos juntos, cantando e dançando e fazendo ciranda no Largo da Ordem? Curitiba está quebrando sua casca!

Eu acredito na força da música do Paraná. Mas acredito que ela caberia em programas especiais, de acordo com estilos que se justificam, dentro de uma programação direcionada tanto a ouvintes antigos, como novos. Já apitei desde o início e repito agora: gosto do Tupan, mas ele não previu as consequências antes de mudar bruscamente uma rádio que é - sempre foi - patrimônio da elite paranaense. Não precisa ser expert nem em arte, nem muito menos em política, pra saber que contra elites nada se impõe, tudo se negocia. Toda mudança exige um período de transição, pela qual a Educativa nunca passou. Simplesmente mudou. E a saída de Tupan na rádio agora refletiu a mesma mudança brusca. Para toda ação, uma reação.

Eu lamento o que aconteceu, e acho que agora que o elástico esticou e arrebentou, perdeu muito da flexibilidade. Espero que a música paranaense que tocava antes da gestão Tupan continue, e que mais espaços se abram, mas favorecendo uma aproximação QUALITATIVA, ao invés de QUANTITATIVA.  Clamo pela volta do CICLOJAM, e por que não do CALEIDOSCÓPIO (de mesmo produtor, mas o último na extinta Estação Primeira).
 
 
*RELESPÚBLICA, "Por Você," em As Histórias são Iguais, 2005. Nada contra o Fabelinha. Sim, não Parei! de ser fã e adimiro a coragem, a alegria e o talento dele, e principalmente, respeito seu direito de cantar o que quiser, onde quiser, pra quem quiser.