terça-feira, 31 de março de 2009

As I Walk These Broad Majestyc Days

Walt Whitman (tradução minha)

Enquanto caminho pela imensidão majestosa dos dias de paz,
(Já que a guerra é luta de sangue extinto, em que esvai-se o Ideal fantástico
Contra probabilidades que até então sempre alcançaram gloriosa vitória),
Você caminha impaciente, talvez ainda em tempo de travar mais densas guerras,
Talvez para empenhar no tempo ainda mais terríveis desavenças, perigos,
Longas campanhas e crises sem precedentes.
Enquanto caminho solitário, desapercebido
À minha volta declaram a glória do mundo, a política, a produção,
Os anúncios das coisas legítimas, a ciência,
A aprovação do crescimento das cidades e a propagação das invenções.

Vejo os navios, (eles vão durar alguns anos)
As grandes fábricas com seus capatazes e operários,
E ouço o aval de todos, e não me oponho a eles.

Mas também eu anuncio coisas substanciais,
Ciência, navios, política, cidades, fábricas, não são nada.
Como de um grande cortejo nos chegam sons distantes de trombetas triunfantes que se movem aclamando grandes esforços,
Eles defendem esta realidade - tudo é como deveria ser.

Então a minha realidade;
O que mais é tão real quanto ela?
Libertação divina e de todos, liberdade a cada escravo na face da terra,
Fascinantes promessas de profetas iluminados, o mundo espiritual, as canções que nunca se apagam,
Os nossos sonhos, e as visões dos poetas, mais substanciais do que quaisquer outras.

Porque aguentamos tudo, digerimos tudo
E depois de todo resto estar pronto e acabado
Nós permanecemos;
Não resta nenhuma dependência a não ser no que está acima de nós
A Democracia finalmente repousa sobre nós
(Eu, meus irmãos, nós começamos isto)
E nossas visões atravessam a eternidade.

Original em http://www.americanpoems.com/poets/waltwhitman/13293

Como é difícil traduzir poema. Principalmente poemas com grau de complexidade como este. Mas ele me chamou atenção pelo tom profético. Walt Whitman (1819 - 1892) foi um dos maiores poetas norte americanos, um verdadeiro revolucionário das palavras que viveu durante a Guerra Civil nos EUA. Este poema, escrito há quase 200 anos, faz parte daquelas canções universais, que nunca se apagam... e sua visão de mundo realmente atravessou fronteiras de tempo e espaço, permanecendo verdadeira até os dias de hoje. O homem era um gênio!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Festival Curitiba Calling


Este fim de semana Curitiba me chamou. E, como não poderia atender pessoalmente, nada melhor para uma roqueira exilada como eu comemorar os 316 anos da minha cidade acompanhando online o festival. Foram 40 bandas em 3 dias, mas eu confesso que não consegui assistir a todas. Algumas simplesmente por não me agraderem, outras por não estarmos em casa no horário em que tocaram. Mas para mim seria indispensável ver a performance dos meus pupilos da Cosmonave e das minhas ex-companheiras no Gianninis, que estreiaram sua nova banda Uh La Lá! Também não poderia perder a volta do Mosha, uma das minhas bandas prediletas da cidade durante os anos 90, que estava há 6 anos sem tocar e que em 2007 sofreu a perda do baixista Mário Baena, de quem todos nós que tivemos a oportunidade de conhecê-lo, sentimos falta.

A transmissão pela net foi a grande novidade do festival. Quem não podia (ou não queria) comparecer, teve a opção de assistir aos shows no conforto de casa. Nem por isso deixei de cantar, dançar, tomar uma cerveja, exatamente como eu faria se estivesse lá no 92 graus, o espaço lendário do rock curitibano, que marcou e muito a história de tantas bandas, inclusive da minha, Criaturas.

O primeiro dia não me agradou tanto. Perdi o show que eu queria ver, do Giovanni Caruso e o escambau. Das bandas que vi, nenhuma me saltou aos olhos ou aos ouvidos com excessão talvez do Pão de Hamburger, pois eu realmente não esperava nada de uma banda com esse nome. Surpreendentemente, o som era bom, as músicas boas, e os músicos competentes, conseguiram fazer um show conciso. Narciso e nada é a mesma coisa. Easy Players é tão tosco que a gente até simpatiza. Our Gang tem um som eletrônico dançante muito bom, mas o show foi comprometido pelo grau de bebedeira de alguns integrantes. Heitor e Banda Gentileza não me agradou, embora eu reconheça que os caras conseguiram fazer soar uma big band mesmo com o som embolado no palco. Mas pop demais pro meu gosto. No geral, me surpreendeu a quantidade de vocalistas desafinados. Eu até entendo que a concepção do belo na pós modernidade admite sonoridades dissonantes, mas eu ainda acho que a falta preparo vocal da grande maioria das bandas curitibanas é algo que compromete, em muito, a qualidade musical de nossa cidade.

O segundo dia foi melhor. O som que chegava no computador não estava mais rachando nos alto-falantes, e a quantidade de bandas boas foi bem maior. Uh La Lá! arrazou. Composições boas, execução quase impecável, sonoridades diversas que não deixaram de conferir uma unidade sonora à esta banda que foi uma das estreiantes da noite. Nevilton, de Umuarama, também me agradou. Boa comunicação com o público, músicas legais, vozes afinadas e a simpatia que só a gente do interior tem. Terribilles, outra estreiante cujos músicos têm entre 17 e 20 anos de idade, muito me surpreendeu. Boas composições em inglês, bem arranjadas e bem executadas. Ponto para o vocalista, que retrucou um comentário maldoso do público com uma resposta rápida e afiada. Esta banda foi a vencedora do último concurso promovido pela Gazetinha, o mesmo que a Cosmonave ganhou em 2007. O que só aumenta a credibilidade do prêmio.

O Mosha foi um caso à parte. Muita emoção. Embora na minha opinião o som do baixo - que melhorou no final do show - estava agudo, muito aquém do que a gente costumava ouvir com o Mário. Mas Mário no céu, Mosha na terra, a reunião após 6 anos de espera só trouxe boas lembranças. Anacrônica sem dúvidas faz juz ao sucesso na cidade. Suas músicas são cantadas em coro pelo público e o som é executado com muita pegada. Sandra tem uma presença de palco excelente, mas pecou pelo figurino. Uma banda do porte da Anacrônica não pode relaxar nesses quesitos mais bobos. Tocar com moletom amarrado na cintura é só em ensaio e olhe lá!

Mordida sempre agita e dispensa comentários. A formação baixo, bateria e guitarra deu mais peso pras canções. E embora, na minha opinião, o teclado tenha feito falta em algumas músicas, o show foi excelente! Charme Chulo é outra banda famosa da cidade. Apesar de o som não ser muito do meu agrado, tenho um carinho muito grande por eles e acredito que em matéria de originalidade, eles são nota 10! A peculiaridade na performance de palco do Igor é sempre algo a se reparar. Mas cover de Tonico e Tinoco (Moreninha linda do meu bem querer...) foi demais pro meu gosto. Assim e já com sono, não consegui assistir Dissonantes...

Domingo eu só vi o finzinho do show do Red Tomatoes e, óbvio, Cosmonave. Eu sei que sou suspeita, afinal sou tia, produtora e muito fã dos meus sobrinhos. E talvez também pelo som estar chegando quase perfeito no computador após 2 dias de progressos sonoros na transmissão, na minha opinião Cosmonave certamente figurou entre as melhores bandas do festival. Deu saudade. Deu orgulho. Deu aquela sensação de que eu sempre fui acessório, pois os meninos caminham muito bem sozinhos. Performance de palco cada vez melhor, melhor comunicação com o público, talento, humildade e simpatia que lhes são característicos. Os garotos são espertos...

Enfim, como disse em comentários anteriores, nunca me senti tão em casa em terra estrangeira como neste fim de semana. Deu pra dar uma de comentarista e pra curtir uma balada curitibana a milhas de distância. Parabéns aos organizadores do festival pela excelente iniciativa! Sei que vocês deram duro não somente nos 3 dias de festa e infelizmente, sei que pouco ou nada receberão em troca de tanta dedicação e trabalho. Mas fica aqui o meu reconhecimento como forma de agradecimento a todos vocês que proporcionaram este fabuloso e internacional encontro!

Tudo sobre o Festival em www.mondobacana.com.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Vida de Panda...

Vim de uma terra distante, próxima à província de Shaanxi, na China. Lá eu gozei de uma infância feliz, junto de minha família de Pandas Gigantes. Eu adorava subir nas árvores mais altas e de lá contemplar a magnitude do céu e as pequenices das coisas chãs.


Um dia, porém, em uma de minhas caminhadas que iam cada vez mais longe, me perdi nas montanhas. Passei dias vagando pela floresta e finalmente encontrei uma aldeia. Mas os homens daquela aldeia eram maus, e eles me prenderam num cubículo e lá me deixaram, numa dieta de apenas um bambuzinho por dia.



Perdi a conta de quanto tempo fiquei ali aprisionada. E confinada em minha solidão, já tinha perdido as esperanças de reencontrar os meus amigos e familiares. Foi então que comecei a cantar... os homens, irritados com os meus lamentos sonoros, resolveram me deixar partir. E segui vagando, novamente, pela floresta. Mas a floresta já não era a mesma. Os homens haviam destruído grande parte do verde para construir suas vilas.


Fiquei desolada. Quase sem esperanças, fui em busca dos meus, tentando imaginar se a civilização teria chegado em nossa terra sagrada e o que teria acontecido com minha adorável família. Caminhei durante dias, cada vez mais tendo de me embrenhar na mata fechada, evitando assim a rota dos homens. Estava exausta!

Foram dias penosos. Os suculentos bambus eram raros... felizmente, algumas vezes encontrava um oásis de eucaliptos para saciar a fome. Tive de manter uma dieta vegetariana, uma vez que os rios estavam poluídos e os peixes me causavam intoxicação alimentar.


Foi numa dessas pausas para o descanso, enquanto eu cantava destraidamente e me servia de folhas frescas de eucalipto, que encontrei o Panda da minha vida. Ele se aproximou, fazendo um hã-ham, para que eu notasse sua presença.


O que faz uma Panda sozinha por essas bandas? Ele perguntou, todo galante. Então eu expliquei minha triste história... e ele, comovido, me assegurou que dali para frente eu não tinha mais o que temer, pois ele jamais me deixaria sozinha. Assim começou nossa história de amor.


Ele me ensinou muitas coisas. Me mostrou o lado bom da civilização. Juntos, éramos completos! Eu me sentia tão feliz quanto na infância. E por mais que a saudade da família fosse grande, aprendi a conviver com ela.


Nós éramos felizes. Dividíamos tudo em todos os momentos. E o amor, cada dia mais, só crescia entre nós. Ele gostava de me ouvir cantar. E sempre que podia, me acompanhava improvisando sons percussivos com o corpo e com varetas de bambu nas madeiras ocas das árvores.


Até que um dia montamos uma banda com outros Pandas roqueiros. Fizemos muito sucesso. Vejam a capa de nosso primeiro álbum!


E, com o sucesso, veio o dinheiro e a fama. O que tinha seu lado bom. As mordomias, o carinho do público, a satisfação ouvir uma multidão de pandas cantando suas músicas!



Fui convidada até a fazer parte do clipe de abertura do Pandástico, nos anos 80.



Mas os paparazzi não nos deixavam mais em paz. Estavam sempre a nos espreitar, mesmo em nossos momentos mais íntimos.


Assim não dava pra ser. Nossa privacidade não tinha preço. Resolvemos partir para algum lugar onde não mais nos incomodassem. E hoje desfrutamos das delícias do anonimato, num país muito distante, e vivemos felizes para sempre!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Um Poema de Drummond

Drummond! Drummond! O poeta das inquietudes... dos desencontros de quadrilha... das pequenices da vida... dos palavrões, das putas... das notícias de jornal. De José e Raimundo, dos amores e sentimentos do mundo, desse mundo, mundo, vasto (e i)mundo! Há um Drummond em cada um de nós.

Os ombros suportam o mundo

Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Querido diário...



Estou muito frustrada. Vou lhe contar por quê.
Hoje acordamos cedo pra ir tirar a carteira de motorista.
Chegando lá, o Bruno foi no banheiro e bem nessa hora chamaram a senha dele.
Eu, muito espertinha, troquei as senhas e fui no guichê de número 3, como o solicitado.
A oficial era uma jovem mal humorada com cara de quem comeu e não gostou.
Saímos para o teste prático, uma vez que eu já havia passado com louvor no exame teórico, sem errar nenhuma questãozinha sequer.
Eu não estava nervosa. Nervosa pra que? Carro automático nunca morre.
Fiz tudo direitinho, até a oficial me pedir pra eu encostar e fazer o three point turn. Só que eu não sabia fazer, ou melhor, quer dizer pior, eu não sabia o que ERA three point turn.
E aí, meu querido diário, ela deu um sorrisinho sarcástico e me perguntou, com um tom de impaciência: você não é capaz de fazer um three point turn?
Me senti um lixo. E suando frio, respondi que se eu soubesse o que era, eu seria capaz. Mas como não sei o que three point turn significa, não sou capaz de fazê-lo.
E foi assim, caro diário, que não passei no teste de direção.
Chegando no escritório, o Bruno viu a minha cara de bunda e perguntou o que tinha acontecido. Daí eu disse: o que você acha? E ele perguntou, como? E eu respondi: não sei o que é o three point turn. E ele: e o que é? E eu: não sei, oras! Se soubesse eu teria passado.
Então ele, muito educadamente, pediu para a oficial explicar o que era. E ela explicou.
Conclusão: o Bruno saiu para a prova com outra oficial, mais velha e mais boazinha e mais bem-humorada, fez o three turn point certinho e, pelo menos ele, passou no teste de direção.
E foi isso!

terça-feira, 24 de março de 2009

Fora, Povo!


Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente do que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais bem-vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!

A pesquisa reforça uma tese que tenho há anos, segundo a qual o Brasil, para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo brasileiro só envergonha a sua elite.

Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de empatados com Botsuana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego, subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.

Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.

Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton…

***

Eu adoro esta crônica do Luis Fernando Veríssimo. Ela ironiza, de uma vez só, o povão, a elite e o governo. Mas é de se questionar se, por trás de tanta ironia, não há um quê de verdade nesta vontade de mandar embora o povo. Eu confesso que às vezes trago comigo um profundo desprezo pela humanidade - não só pelo povão, mas também pela elite e pelo governo. Fora, todos!

Enquanto o povo, mesmo passando fome, se multiplica, a elite se ocupa com regras de etiquetas e com falsas aparências. O governo, por sua vez, fica livre para continuar se corrompendo e reforçando este modelo patético de sociedade. O patético em si não é o modelo tripartido em governo, elite e povo, mas sim, que tipo de governo, que tipo de elite, e que tipo de povo. Afinal, há de se lembrar que transformar a sociedade numa massa homogênea de poder é algo, mais que utópico, estúpido. Vide todas as tentativas de se implantar regimes socialistas e comunistas na Rússia, em Cuba e na China, por exemplo. A Rússia ainda conseguiu se recuperar. Mas Cuba está num buraco até hoje. E na China todo mundo, exceto aqueles que estão no poder, é miseravelmente igual.

Aqui a gente ainda pode desfrutar dos prazeres democráticos de liberdade. A gente pode falar mal do povão e da elite, e também pode falar mal do governo, de sua incompetência para administrar o país. Não seremos fuzilados e nossos pais nunca terão de pagar pela bala de fuzil que o governo usou para te matar (o que, ouvi, acontece na China). Vivemos uma democracia! E assim sendo, o povo elege o governante que merece. Se o Lula está aí, é porque, antes dele, o povo é burro. Culpa do povo! Fora, povo!

Nós, que somos parte da elite, cheia de dentes, de boa educação, de hábitos comedidos, somos a camada da população de onde deveriam surgir cabeças pensantes para provocar uma mudança, antes, em nossa própria classe, para quem sabe depois tentar mudar o povo e governo. Mas daqui não sai mais muita coisa não.

É que o sujeito pós-moderno é individualista, perdeu a noção do todo. A elite pós-moderna é indiferente a tudo. E o povo aquela calma, a calma da ignorância. Bem aventurados os ignorantes, pois deles será o reino dos céus. A gente, da elite, vai queimar no mármore do inferno. Porque supostamente temos subsídios maiores para tomarmos atitudes para o bem comum, mas não hoje não, muito obrigado.

Tem uma música do meu sobrinho Yan que diz: "Vejo que o mundo inteiro poderia explodir nas suas costas e você não daria a mínima" e outra parte diz "A indiferença pronta pra trazer o fim, tanto faz, tanto fez pra mim".

É esse o sentimento atual da juventude elitizada, pensante. Apenas se constata que um fim está próximo, mas, e daí? Tanto faz pra ele, pra mim, pra você que está lendo este blog ou vendo TV, ou bebendo no boteco. Não temos mais vontade de mudar nada. Porque descobrimos, com tanta informação, que o mundo não tem mais jeito. Não há uma gota de esperança.

Estamos apenas completando mais um ciclo que em breve findará, dando início , quem sabe?, a uma harmoniosa nova era. As histórias se repetem. Usando a alegoria bíblica, antes era o caos. Depois veio o Eden. Depois do pecado original, as tribos, que se tornaram grandes civilizações que, hoje decadentes, estão imersas no caos da pós-modernidade.

Quem sabe se novo Eden se formará? Quem sabe se haverá juízo final? Ninguém sabe, e quer saber mais? É óbvio que não! Ninguém quer saber! Fora, Panda! Vai estudar que você ganha mais.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Charlotte Goes Green


Sábado a cidade estava em festa. Todo mundo vestido de verde, pra street parade do St. Patrick's Day. E durante a tarde teve um festival de música (que não irlandesa, mas bem meia boca), organizado por um pessoal que gosta de verdade do verde. Lá tinha todo tipo de artigos de canabis: barra nutricional de canabis, roupas de fibra de canabis, pomada de canabis, creme, sabonete, shampoo de canabis, menos, é claro, a erva em si. Mesmo assim, tinha uns malucos beleza marcando presença... e alguém deve ter botado fogo em alguma coisa perto dali... vejam com seus próprios olhos. Hehehe...


video

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sobre as Pessoas de Curitiba


Achei esse texto nos arquivos do meu computador... e como não estou tendo muito tempo pra escrever, aí vai mais um prontinho. Hehehe... E olha que linda que eu era quando tinha 2 aninhos!

d
e
s
encontros
cu
ritibanos

Curitiba, cidade modelo, cidade ecológica, cidade da gente, cidade sorriso? RÁ RÁ, não sei da onde! Nunca vi curitibano mostrar os dentes. Tá, NUNCA também é demais. Mas a maioria do povo daqui não ri à toa não, pra qualquer pessoa.

Moro nessa cidade há 28 anos dos quais 15 passei na mesma rua, na mesma casa.
Conto nos dedos quantas vezes entrei nas casas vizinhas ou quantas vezes um vizinho me sorriu.

Mas criança eu entrava. Tinha a maior boa vontade pra descobrir a casa dos vizinhos. Que segredos tinha, quantos quartos, qual o cheiro, que imagens, de que religião, que tipos de móveis, etc. Mas provavelmente intrometida, barulhenta e estabanada, nunca fui convidada a voltar para nova visita.

Então cresci. E fui me curitibando com os anos. Hoje sou isso aí.

Vejo minha vizinha da frente pela janela da cozinha e me limito a movimentar assertativamente a cabeça, bem séria.

Oi mesmo, só digo quando encontro no elevador.

Depois espero aquele silêncio incômodo.

4

3

2

1

Térreo.


Tsc, ah! Que incômodo nada.
Normal.
Aquele silêncio natural, que se instaura entre dois ou mais curitibanos, dentro do elevador.

Não sei, mas talvez curitibano seja chucro só porque seja tímido e encabulado demais. E medroso.
Eu por exemplo. Tenho medo de dar oi. Medo de sorrir, só por educação, e de não ser correspondida.

Mas do que eu tenho mais medo é de já ter sido apresentada várias vezes e putz! não lembrar o nome.

Melhor nem olhar.

Vou fingir que não vi.


Meu primeiro sorriso pra uma vizinha - outra criança barrigudinha e bem criada como eu
foi retribuído com uma língua torta e uma cara feia.

Nunca mais, daí.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Sobre as Pessoas de Charlotte


Quem nos conhece sabe o quanto a gente repara nas pessoas a nossa volta. Que coisa feia, ficar reparando nos outros. Mas vamos falar a verdade, né: a gente adora comentar a vida alheia, falar mal dos outros, achar defeitos, dar opinião onde não é chamado. É quase uma necessidade humana. Hehehe... Bem, depois de um mês e alguns dias de observação, eis a conclusão a que chegamos.

As mulheres de Charlotte não seguem o profile americano de pouca bunda e muito peito. Aqui elas têm quadril, são bonitas, e raras são as muuuuito peitudas, ou queixudas demais. Tem muita mãe gostosa, magrinha, malhada. E é frequente vê-las guiando com seus maridos no banco do passageiro.

Já os homens são muito feios. Muitos parecem ter síndrome de down, com os olhos puxados e aquele olhar meio tonto. Eles andam largados, com as roupas amassadas, pelo menos os que são solteiros. Os casados são mais arrumadinhos. Mas igualmente feios.

Com os negros, o Bruno está revoltado. É que aqui eles parecem mesmo ser meio sem noção. Longe de ser racista, amo os negros, os brancos, os amarelos e os latinos, sou pela paz e absolutamente! Não trago comigo nenhum preconceito racial. O próprio Derick, um amigo do trabalho do Bruno, que também é negro, foi quem nos chamou atenção para isso.

Eles são geralmente mal educados. Vi algumas vezes jogarem lixo no chão, um deles inclusive se deu o trabalho de enfiar bem enfiadinho uma garrafa de refrigerante no meio do arbusto da praça. Daria menos trabalho dar cinco passos e jogar a garrafa na lixeira.

No cinema uma mãe, com seus dois filhos do lado, não parou de passar mensagens de texto durante o filme todo, sendo que na porta tem um aviso bem grande: TURN OFF YOUR CELLPHONE. NO TEXTING! E este aviso é reforçado antes do filme começar. Realmente incomoda ver uma luzinha piscando do meio da escuridão. Além do que, o que ela está ensinando aos seus filhos? Não obedeça as regras, as regras são para otários. Tsc tsc.

Por fim, 99% das negras alisam alisam alisam, esticam até não poder mais os seus cabelos, e algumas até tingem de loiro. E andam super produzidas, geralmente com roupas um ou dois números menores do que deveriam vestir. Mas é claro que existem excessões. E que também têm brancos porcos, amarelos mal educados, latinos sem noção... somos todos iguais. Mas sempre uns serão mais iguais que os outros.

No trânsito, não importa sexo, raça ou credo. Muita gente não tá nem aí pra semáforo ou limites de velocidade. Mas incondicionalmente, se tiver um pedestre, eles diminuem a velocidade e o esperam passar. Pelo menos isso!

Já os latinos são os que se ferram mesmo. São os que estão limpando o chão, as mesas, tirando o lixo, carregando caixa. E trabalham, como trabalham!

Os brasileiros que até agora conhecemos são gente fina. Pais de família, todos mais velhos do que nós e com bons empregos. Ainda bem, pois no Colorado, algumas pessoas já sabem, fiquei com vergonha de ser brasileira. Enfim. Estes são os profiles que temos reparado desde que chegamos, há um mês e meio atrás.

O mais difícil pra gente aqui é não ter família, ou nenhum amigo de verdade. Somente essas relações superficiais, quase "fakes", com um limitadíssimo grupo social que se resume a brasileiros que nunca conhecemos antes e o pessoal do trabalho do Bruno. E a vida sem vocês é triste, incompleta, não faz muito sentido...

Analisando nosso comportamento, sinto que ambos (eu e Bruno) estamos segurando a barra, mas um fazendo mais esforço que o outro pra demonstrar que tudo vai bem, obrigado, quando na verdade o vazio é devastador.

Bem, ante-ontem nós tivemos nossa primeira briga num restaurante irlandes, então nossas comemorações do St. Patrick's Day foram meio indigestas. Por motivos tão bestas. É o nosso emocional, começando a desabar. Normal.

Mas não é uma boa brigar numa hora dessas, em que você não tem ninguém pra conversar e fingir que não tá nem aí, até esquecer. Ficar de cara amarrada por cinco minutos quando só se tem um ao outro, pode parecer uma eternidade. Daí fizemos as pazes. E voltamos pra casa apenas com a comida entalada na garganta, o resto, a gente já tinha botado tudo pra fora no resturante. Melhor assim!

Saudades imensas de vocês!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Azar no Cinema

Em nossas duas últimas idas ao cinema, sentimos por termos jogado nosso rico dinheirinho fora. Foram 40 dólares que poderiam ter sido investidos em livros, CDs, temporadas dos Simpsons, ou tudo em cerveja - teria valerido mais a pena.


The Wrestler - ou O Lutador - é de chorar. Não chorar por comoção, chorar de raiva mesmo. Mickey Rourke, total final de carreira, parece encarnar a história decadente da própria vida. O filme já começa com um movimento clichê de câmera, que vai focando notícias de jornal de forma ascendente e depois descendente. E a história se resume num profissional de luta livre que envelhece, sofre um enfarto e se vê obrigado a trabalhar num sub-emprego de supermercado para pagar o aluguel de seu muquifo. Apaixonado por uma prostituta também final de carreira, o cara só faz burrada, não toma banho e é incapaz de reatar os laços com sua filha lésbica revoltadinha. As cenas de luta causam ojeriza e o filme, ainda bem, termina sem final feliz. Porque daí já seria demais!


Watchmen o Bruno detestou, mas eu achei que tem lá seus pontos altos. A trilha sonora é certamente um deles, ela dá um certo ar de ironia às situações. Outro seria a fidelidade aos quadrinhos, criados por Alan Moore no contexto da Guerra Fria. Mas para nós, que não somos ligados em HQ, aquela história de anti-super-heróis foi comprida demais, melosa demais e, diga-se de passagem, completamente obsoleta. Guerra Fria, USA x URSS, afe, coisa do passado, desde os anos 80! E anti-heróis-semi-deuses com traços sentimentais humanos é coisa lá da mitologia grega. O tal Mr. Manhattan, um ex-físico vitimado por um acidente nuclear, vira um semi-deus azul e sofrido que vive nu com a benga pendurada balançando, uma imagem incômoda de muito malgosto, que nunca, jamais, deveria ter saído dos quadrinhos! Monólogos filosóficos também fazem parte do script. O vilão dá pra sacar logo de cara que é um dos super-heróis. Previsibilidade. Não gosto disso no cinema.

Eu sei que gosto é gosto, que gosto não se discute, blá blá blá. Mas ao contrário do que a crítica especializada tem falado destes dois filmes, para mim eles não passaram de quatro horas e alguns minutos desperdiçados da minha vida. Não vale a pena, a não ser é claro que seja de graça. De graça, dizem, até injeção na testa e ônibus errado.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sobre a Reforma Ortográfica



A língua portuguesa é a quinta mais usada no mundo. São aproximadamente 190 milhões de falantes no Brasil e 30 milhões nos demais países lusófonos, a saber: Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Este acordo vem sendo discutido desde 1990 pela CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) e o Brasil será o primeiro país a implementar as regras oficialmente. As mudanças valem a partir de 1º de janeiro de 2009, admitindo-se quatro anos de transição. Até lá o decreto determina que sejam válidas as duas formas de escrita.

Embora assustem num primeiro momento, as mudanças vão atingir somente cerca de 0,5% das palavras adotadas no Brasil. Já nos demais países as alterações podem alcançar 1,6%.


Breve perspectiva histórica

Em 30 de abril de 1931, Brasil e Portugal assinaram o primeiro acordo de unificação ortográfica. No entanto, a diferença intercontinental da língua continuou. Oficializado no Brasil somente em 1933, o acordo de 31 foi derrubado pela Constituição Brasileira de 1934, que pretendia recuperar a ortografia da Constituição de 1891, causando grande polêmica, uma vez que a língua estaria sofrendo um retrocesso. Em 1938, com a volta do acordo de 31, iniciou-se um processo de uniformização da ortografia brasileira e portuguesa, que culminou em um novo acordo, assinado em 1943. Porém, em 1971, a ortografia estabelecida no acordo de 43 sofreu novas alterações. Essa foi a última reforma determinante das regras de ortografia que perduram até os dias de hoje em nosso país.

A verdade é que vários projetos já foram apresentados, mas nenhum deles foi totalmente implantado. Agora todos os passos burocráticos para a ratificação deste último acordo no Brasil já foram dados. Cabo Verde e São Tomé e Príncipe também já assinaram e a adesão desses três países seria suficiente para que as alterações ortográficas ocorressem. Entretanto, Portugal ainda demonstra severa resistência ao acordo.


O que vai mudar

A primeira alteração é no próprio alfabeto, que passa a ter 26 letras: o K, o W e o Y, foram oficialmente incluídos. O acordo especifica os casos especiais em que elas podem ser empregadas: em antropônimos (nomes de pessoas), topônimos (nomes de lugares), em siglas que representam unidades de medida e nas demais palavras deles derivadas, por exemplo, Shakespeare/shakespeariano; Kwait/kwaitiano; W/Watt, etc. Tal alteração parece ser justa e redundante, uma vez que tais caracteres já são de uso corrente na nossa língua.

O acordo prevê utilização de combinações gráficas não peculiares à nossa escrita em “vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros” . Ex.: comtista, de Comte.

O trema é abolido (de fato, já o havia sido em 1931) dos segmentos gue/gui que/qui para indicar a pronúncia do u, mas permanece nas palavras estrangeiras e suas derivadas, como por exemplo Müller/mülleriano.

Regras de Acentuação

As mudanças afetam palavras paroxítonas (ou seja, com a penúltima sílaba tônica) que trazem os ditongos abertos éi e ói. Alcatéia passa a ser grafado alcateia, apóia / apoia. MAS, palavras oxítonas (ou seja, com a última sílaba tônica) que apresentam ditongos abertos continuam a empregar o acento agudo: dói, anéis, troféu, herói, etc.

Ainda, as paroxítonas que apresentam as letras i e u precedidas de ditongo também não serão mais acentuadas: Bocaiúva/Bocaiuva, feiúra/feiura. No entanto, as oxítonas que apresentam estas ocorrências manterão o acento agudo. Exemplo: Piauí.

Palavras terminadas em êem e ôo não empregarão mais o acento circunflexo: magôo/magoo (do verbo magoar), crêem/creem.

Acentos de diferenciação foram também suprimidos nos pares pára/para, pêra/pera, pélas/pelas, pelo/pêlo, pólo/polo. Logicamente que "polo" e "pera" são formas arcaicas do português brasileiro, de praticamente nula utilização, uma vez que já foram substituídas pelas formas mais modernas "pelo" e "para".

Porém, o acento diferencial de pôde/pode, mantém-se para indicar formas verbais de passado e presente. Ontem ele não pôde, hoje pode. Também para diferenciar a preposição por do verbo pôr, mantém-se o acento. Bem como mantêm-se os acentos de diferenciação entre singular e plural: ele vem, eles vêm; ela tem, elas têm. Há ainda um caso facultativo nas palavras forma e fôrma, se o emprego do sinal for semanticamente mais esclarecedor: Qual a forma da fôrma?

Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas no presente dos verbos argüir e redargüir, ou melhor, arguir e redarguir. Assim, eles arguem, tu arguis. Penso que palavras como estas, pouco utilizadas na língua, podem modificar sua atual pronúncia, pois contam com a queda do trema em suas formas infinitivas e correm sérios riscos de perder sua tonicidade original. Para os falantes menos atentos pode ocorrer facilmente a redução de três para duas sílabas, mantendo-se paroxítonas. Mas isso é apenas uma especulação.

Os verbos terminados em guar, quar e quir podem apresentar variação na pronúncia em suas formas do presente do indicativo, presente do subjuntivo e também do imperativo. Palavras como enxáguo/ enxaguo, enxágues/ enxagues, delínquem/ delinquem, se forem pronunciadas com a ou i tônicos serão acentuadas. Já se a pronúncia for com o u tônico, não levam acento (enxaguam, delinquo, sendo o u pronunciado mais fortemente que as demais).

Fica facultativo o emprego lusitano do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito, para diferenciar a grafia do presente do indicativo. Exemplos: Antes de nos separarmos, nos amámos intensamente. Em 2004 cantámos num festival. Também é facultativo o uso das formas lusitana e brasileira de acentuar palavras cujo acento tônico seja precedido de uma sílaba iniciada por m, como por exemplo: econômico/económico, acadêmico/académico, fêmur/fémur. Cá entre nós, quem é que no Brasil vai se incomodar em diferenciar tempo de verbos com acento lusitano! Já temos regras demais pra nos darmos ao luxo de considerarmos estes facultatismos inúteis, só por serem politicamente corretos.

Hífen

O uso do hífen, este sim, deveria ser facultativo. Mas infelizmente, ele ainda é matéria mal resolvida pela língua. O acordo não é claro em muitos aspectos e gera controvérsias. Por exemplo, palavras compostas por elementos que têm uma unidade sintagmática e semântica, trazem hífen: arco-íris, carro-chefe, caça-palavras, guarda-chuva. No entanto, o acordo elimina seu uso em “certos compostos em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição”; mandachuva, rodapé, girassol, paraquedas. Ora, tal regra é muito subjetiva, afinal, noções de composição podem variar de um sujeito para outro. E as demais regras estipuladas sempre trazem exceções. O uso facultativo seria a melhor saída.

Mas vamos lá! Emprega-se o hífen quando a segunda palavra começa com h (com exceção de subumano; neste caso, a palavra “humano” perde o h), como por exemplo, pré-história. E também usa-se o hífen quando a segunda palavra inicia com a mesma vogal que encerra a primeira: micro-ondas.

Exclui-se o hífen quando a segunda palavra inicia com r ou s ou com vogal diferente da que encerra a primeira, em alguns casos gerando dígrafos. Ex.: antissemita, antirreligioso, autoestrada, interestadual, aeroespacial, semianalfabeto. Há aqui mais uma exceção: quando o prefixo termina em r, como em “super-rápido”. E ainda o prefixo sub, seguido de palavra iniciada por r, emprega o hífen: sub-raça, sub-regional.

Não se usa hífen quando o prefixo terminado em vogal é seguido de elemento começado com consoantes que não r e s: anteprojeto, autopeça, coprodução, semideus.

Há também que se decorar uma lista de prefixos que sempre empregam o hífen: vice-(presidente), recém-(lançado), além-(mar), pré-(produção), pró-(vida), pós-(graduação), sem-(terra), ex-(namorado), e por fim, sufixos de origem tupi-guarani, tais como (guará)–mirim, (capim)–açu.

Por fim, na junção de duas ou mais palavras que eventualmente se combinem, também se emprega o sinal: ponte Rio-Niterói. Há ainda uma regra de clareza gráfica: se no fim da linha a partição de palavras compostas coincidir com o hífen, ele deve ser repetido no início da próxima linha.


Concluindo...

O principal motivo alegado para a instauração do acordo é a unificação da escrita. Os que defendem a proposta alegam que ela facilitaria o ensino do Português para estrangeiros, tornaria desnecessária a tradução de documentos internacionais e científicos para as duas línguas (português brasileiro e português lusitano), aumentaria as possibilidades editoriais e promoveria maior intercâmbio entre os países.

Ora, embora as diferenças de representação ortográfica existam, elas jamais impediram a compreensão semântica entre as duas línguas. Além disso, as diferenças mais relevantes residem no léxico e na estrutura sintática, ou seja, tais diferenças não se resolveriam com uma mesma representação ortográfica.

Creio ter deixado clara minha posição contrária à instauração da presente reforma, mas ainda gostaria de salientar que minha oposição não está baseada numa atitude tradicionalista. Acredito que nossa língua deva sim, passar por uma reforma, inclusive mais radical do que a que foi proposta, em prol da simplificação e da objetividade na representação da escrita. Em minha opinião, a “unidade intercontinental do português” não passa de um mito e, como toda questão de prestígio linguístico, é determinada por funções unicamente políticas.

Ainda considerando as possibilidades de maior ou menor prestígio da língua, o português continuará a ser uma língua periférica, mesmo ocorrendo uma suposta unificação na escrita. Economicamente, a proposta só traz prejuízos, uma vez que a elaboração de novos materiais didáticos tem custo elevadíssimo, o que não se justifica num país carente de tantas outras reformas, como o nosso. E, por fim, lembrar que as normas que regem a gramática não correspondem ao modo de falar do povo, este sim, fator relevante na cultura de uma nação.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Desafio Cobrão



Alguém aí sabe o que é "gávea"? Gávea não é só uma pedra no Rio de Janeiro. É o ponto mais alto de um veleiro. Ah! As palavras cruzadas são uma fonte inesgotável de saberes curiosos.

E me peguei encurralada numa questão como essa: "pontos erógenos femininos". Ora, conheço alguns. Mas mais de um e só com 5 letras? Não dá nem pra colocar ponto G. A resposta era SEIOS. Poxa vida! Às vezes dá vontade de jogar as palavras cruzadas pela janela.

Odeio aquelas que confundem verbo com substantivo. Por exemplo, "chefia". Estaria se referindo ao verbo, ao ato de liderar, eu chefio, tu chefias, ele chefia? Ou simplesmente à autoridade em si? Muito ambíguo!

Uma questão deveras interessante, foi a "designação popular da presbiopia". Presbiopia pra mim é grego. E é mesmo. Vem do grego présbys, que significa velho, e de óps, ou opos, que é olho, vista. Mas assim, de primeiro, foi inviável adivinhá-la. Porém, com 12 letras na vertical, aos poucos o significado foi se revelando: vista cansada! Todo mundo que estuda muito ou fica horas no computador sofre de presbiopia e nem sabe. Mas você, leitor(a) deste blog, quando estiver cansado(a) de ler essas letras miudinhas, saberá: ah, estou com ficando presbíope. Melhor descansar a vista. E, para descansar a vista, nada melhor que olhar para um ponto no além. Para o nada. Aquele mesmo olhar de quando você come muito, que eu carinhosamente chamo de zóio parado. É o melhor remédio para a presbiopia.

E quem aqui sabia que "pira" é fogueira mortuária? Aliás, convenhamos, fogueira mortuária é coisa do passado, da época da Ilíada de Homero. Pira para mim era tocha olímpica. Ou então uma viagem qualquer, ou algo legal, tipo, uma pira, saca? Que viagem...

Bem, meus caros, é chegada a hora das despedidas. Não mais irei enfastiá-los com cultura inútil. Mas infelizmente nessa época de estudos só escrevo aqui para esfriar a cabeça mesmo, portanto, não esperem nada de muito substancial durante os próximos dias. Pelo menos estou me esforçando para atualizar o blog quase diariamente, pra vocês saberem que eu continuo aqui, com o humor a mil, ao lado do meu maridão, firme e forte.

Obs.: ofereço este textículo às pessoas que enviaram palavras cruzadas para mim, a saber, mami, vó Vivinha, Teté e família (embora as que foram enviadas por correio de Guaratuba não tenham chegado ainda).

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Constant


Aposto que todo mundo já ouviu falar em Benjamin Constant. Tem rua Benjamin Constant, Colégio Benjamin Constant, Instituto Benjamin Constant. Mas duvido que alguém aí saiba quem foi esse cara. Não sei por que, esses dias fui falar do filme do Brad Pitt e ao invés de Benjamin Button saiu Benjamin Constant. Daí me questionei. Google nele!

Mas ora vejam vocês que, para minha surpresa, encontrei dois Benjamins Constant na Wikipédia. Um deles (ilustrado acima) foi um filósofo e líder político suíço que teve grande destaque durante a Revolução Francesa, iniciada em 1815. O outro, Benjamin Constant Botelho de Magalhães (abaixo ilustrado), foi um engenheiro militar nascido no Rio de Janeiro que participou, em 1865, da Guerra do Paraguai.



Eis aí o curioso caso de Benjamin Constant. A qual deles a rua perpendicular à Mariano e Francisco Torres, pela qual eu passei diariamente durante 4 anos de minha vida para ir para a faculdade, se refere? Ó dúvida cruel! E inútil, diga-se de passagem. Afinal, é o tipo de sabedoria que não vai te levar a lugar nenhum. Mas é curioso!

Por aqui tudo tranquilo. Hoje não estudei quase nada, somente li alguns artigos na revista Times e fiquei com vontade de fazer uma postagem bem política, sobre o Obama. Mas ainda é muito cedo para tirar conclusões precipitadas. E não me sinto capaz de escrever um bom texto, com conteúdo reflexivo, sobre nada. Vou aguardar o momento certo para defender o meu ponto de vista.

Só digo uma coisa: o Obama não tá me cheirando nada bem! Eu que já caí do cavalo com o Lula, hoje tenho meu pé atrás com esses líderes muito populares e carismáticos. É óbvio que muita gente vai dizer que entre Obama e Lula não tem comparação. Em muitos sentidos, não tem mesmo. Mas em outros, há que se admitir, vemos muita semelhança. Vamos ver se consigo elaborar um bom texto durante essa época de estudos. Enquanto isso, aproveito para relembrá-los de que, certamente, daqui pra frente, minhas postagens vão ser mais raras. Não é fácil estudar e ser dona de casa! Dá um trabalho danado... e já tá na hora do Bruno chegar, vou preparar uma janta bem delícia. Bom fim de semana a todos e até segunda!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Acho que sou bipolar!




Ontem, antes de escrever no blog, eu tava toda jururu infurnada nos estudos. Depois da postagem, fiquei mais animada, uma vez que comecei a fazer os exercícios de aritmética básica e acertei quase todos, errando apenas 3, e deixando 4 sem fazer por não ter idéia por onde começar. Mas uma alegria imensa foi invadindo o meu ser porque sim, dominei a maioria dos exercícios. Cada um que eu conferia e acertava, era uma festa. Uhuu! Yeah! Yupi! Fichinha! Eu sou demais.

Finalizei a fase de aritmética ontem, e comecei a álgebra hoje pela manhã. Com exceção das variáves, a álgebra funciona mais ou menos igual a aritmética. Mas o grande problema é que eu não consigo transformar os problemas em equações! Uma vez a equação pronta, tudo bem, eu resolvo. Equações lineares ou de segundo grau, uma vez que dadas, eu me viro. Menos b mais ou menos raiz quadrada de b ao quadrado menos 4ac sobre 2a. Lindo, nunca me esqueci dessa fórmula maluca. Por que 4? Nunca soube, mas agora no youtube descobri que equações de segundo grau são quadráticas, ou seja, se referem a quadrados, que por sua vez têm 4 lados. Por que sobre 2a? Daí já é demais né. Bão. O youtube é uma forma legal de aprender matemática básica. Você digita lá: fatoração, e aparece um monte de videozinho sobre o assunto. Mas enfim, parti pros exercícios, e pasmem, não consegui acertar nenhum, porque na hora de montar a equação, montei tudo errado! Buááááá. Ontem eu estava tão confiante, hoje estou me sentindo uma idiota. Minha cabeça deu nó. Daí resolvi parar um pouco e escrever aqui pra arrefecer o cérebro.

E vejam só, já tô mais alegrinha. É, gente, acho que eu sou bipolar. Mas vocês me amam mesmo assim, né? Bom, deixa eu ir no banco, aproveitar que dei um tempo na maratona matemática. Resolver problemas de ordem pessoal, que não envolvam equações quadráticas, no momento, parece ser muito mais interessante. E que se danem, por agora, as equações quadráticas fatoráveis! Bbléééé.

terça-feira, 10 de março de 2009

Quem diria!


Olha, eu pensei que já tivesse passado pela fase mais chata dos estudos, ou seja, a fase pré-vestibular. Eu ainda nem tinha cansado de me vangloriar pros meus amigos que estão tendo de passar por essa prova(ção). Ingenuamente eu pensava: Ufa! Graças aos céus que eu não preciso mais me preocupar com isso.

Rá rá. Mal sabia eu que, para conseguir minha vaga de mestrado, eu teria que enfrentar uma prova bem semelhante ao vestibular. Embora eu não tenha que estudar química, física, biologia, geografia ou história, vou fazer uma prova de inglês (que envolve exercícios de analogia e lógica) e de matemática (que envolve exercícios de álgebra, aritmética, geometria)... glup!

Tenho menos de 1 mês para estudar. O problema todo é que sou muito tosca em matemática. Adepta da calculadora, tenho dificuldades em realizar as operações mais essenciais de soma, subtração, multiplicação e divisão. Números decimais me assustam. Aliás, os números nem precisam ser decimais para dar nós em meu pobre cérebro limitado. Ave Maria, benza-me Deus! Como posso ter nascido tão burra para os números, sendo filha de meu pai? Aliás, todas as vezes em que levei puxões de orelha do meu pai foram quando ele tentava, em vão, me ensinar matemática! Tudo que eu ouvia era blá blá blá blá blá blá, nunca tive capacidade para me concentrar em números. Haja paciência! Agora quem tá sofrendo pra me ensinar é o Bruno e o Ivo, via skype. Pelo menos eles não me dão puxões de orelha, apesar de que aposto que eles morrem de vontade! Hehehehe...

Bom, estou utilizando este meu tempo de almoço para atualizar o blog e dizer que sim, estou desesperada, já tive sonhos malucos com essa prova e não tenho tempo a perder. Por isso, já vou me despedindo. Um beijo a todos e não estranhem se as postagens a partir de agora forem assim, escassas ou rápidas e malucas.

Um beijo e desejem-me sorte, porque vou precisar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher



A mulher, por não ter a força física e a brutalidade viril masculinas, sempre foi considerada o sexo frágil. Pois geralmente a mulher é mais delicada, emotiva e mais sensível do que os homens. Mulher chora por qualquer coisinha. Chora quando tá feliz, chora quando está triste, e às vezes até chora sem nenhum motivo aparente. Mas no fundo, toda mulher é forte.

Mulher foi feita a prova de dor. Quem tem cólica todo mês, faz depilação na virilha ou teve filhos, sabe bem. As dores não são páreo para as mulheres. No meio disso tudo, ainda arranjam tempo para cuidar de si, fazer as unhas, arrumar o cabelo, passar um creme pra atenuar as rugas e deixar a pele macia e perfumada. Mulher que é mulher, é vaidosa. Porque toda mulher, pra ser feliz, tem que se sentir bonita e desejada.

São as escolhas que definem as mulheres. Há as mulheres santas, que escolhem doar suas vidas para ajudar o próximo, esquecendo-se, muitas vezes, de ajudarem a si próprias. Elas só são felizes quando se sentem úteis e não ligam muito para vaidade, embora passem longe de serem desleixadas. Dentre as mulheres santas que conheço, cito minha mãe e a Tia Cati.

Há as mulheres práticas. Aquelas capazes de realizar trabalhos com a agilidade e o raciocínio masculinos, mas com a perfeição e o capricho característicos dessas mulheres. Geralmente virginianas, as mulheres mais práticas que conheço são a minha sogrinha Fátima e as minhas irmãs Tati e Evi.

Há as mulheres artistas. Quase sempre instáveis, as mulheres artistas não gostam de rotina e sempre estão inventando alguma coisa pra sair dela. A estabilidade é algo que não lhes apetece, pois é somente nas horas instáveis que a mulher artista consegue estravazar o turbilhão de sentimentos que povoa sua mente maluca. Eu e minha irmã mais velha, Cris, somos mulheres artistas.

Há as mulheres marias, que vivem suas vidas para a casa, para os filhos e para os maridos. As mulheres da vida, que vivem nas ruas a saciar a sede de sexo dos homens. Há as mulheres que gostam de outras mulheres, enfim, existem mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores... hehehehe...

Não dá pra classificar, simplesmente, as mulheres. Todas elas, dependendo da hora, têm que assumir maneiras diferentes de lidar com a vida. E é assim, com essa capacidade maleável e mutante, que se fazem as super mulheres. A vocês, maravilhosas mulheres de minha vida, rendo minha homenagem!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Meu passado me condena!

PAIXÃO. Gazeta do Povo, 21/02/09.

Devo admitir que, exceto na última eleição, só votei no Lula. Como alguns já sabem, adquiri tendências esquerdistas na minha mocidade, quando costumava freqüentar os porões do CEFET, para reuniões no Diretório Central dos Estudantes . Durante a era Collor, lá ficávamos preparando cartazes, faixas e adesivos para a grande passeata do Impeachment. Eu não manjava nada de política, só queria mesmo era me divertir, e naquela época em que a maioria não tinha computador nem TV a cabo, a gente não ficava com a bunda sentada no sofá o dia inteiro. Assim tínhamos tempo para ficar maquinando revoluções que julgávamos úteis à sociedade.

O Plano Collor ferrou com a nossa vida e com a vida de muita gente. Meu pai, que foi obrigado a se aposentar devido a um derrame que paralisou parte de seu corpo, acabou ganhando uma bolada da Volvo, empresa em que trabalhou durante anos. Sempre muito precavido, não era de arriscar investimentos e preferiu quitar a casa e guardar o resto na poupança. E assim, de um dia pro outro, ele se viu pobre. Não que a gente fosse rico, pois meu pai, sustentando sozinho uma casa com 4 filhos e um neto recém vindo ao mundo, não conseguiria jamais enriquecer. Mas ele sempre nos deu muito conforto, pudemos estudar em bons colégios, frequentamos aulas de natação e piano, jantávamos fora...

Quando as poupanças foram confiscadas, meu pai, que já estava doente, ficou ainda mais abatido. Até Yakult, que eu tomava todo dia, teve que ser banido da nossa lista de compras. Ele, que sempre fumou uma marca determinada de cigarro e gostava de saborear uma Antártica geladinha no fim da tarde, passou a comprar aqueles maços de cigarro mata-rato, e Caninha 51, cuja garrafa ele sorvia aos poucos, fazendo-a durar mais de mês... e vivia nos pedindo: apague a luz! Saia do banho! Feche bem a torneira!

Ele não tinha mais condições nem físicas, e muito menos financeiras, para sustentar a família que ele tanto, e com tanto carinho, cuidou. Infelizmente eu só sei disso agora, passados mais de 10 anos de sua morte. Porque na época eu não enxergava desse jeito. Adolescente e burra como uma porta, quantas vezes não lhe dei as costas, muito brava, por ele não me deixar viajar com as amigas, ou ir em festas, e batia a porta do meu quarto para não ter de ouvi-lo “resmungando”... sinto vergonha e fico muito triste comigo mesma por só ter compreendido o seu amor por mim depois que ele se foi.

Mas voltando aos fatos políticos, eu tive os meus motivos pessoais para com o movimento do impeachment, e por mais que hoje eu saiba que somente graças a esse plano que o Fernando Henrique conseguiu de uma vez estabilizar a nossa moeda, igualando-a com o dólar, na época, tudo o que eu queria – e mais da metade do Brasil (inclusive e muito por causa da TV Globo!) – era tirar aquele cara do governo. O Lula era a grande sensação. O working class hero de que o Brasil precisava.

Eu entrei na luta. Mas luta? Que luta? Aquelas passeatas eram a maior festa! A gente matava aula, bebia muito litrão (coca-cola com pinga), pintava a cara e ficava que nem uns loucos seguindo os caminhões de som, importunando a vida dos estudantes na Reitoria, para que eles também se juntassem a nós. E a multidão só aumentava. Até policiais aproveitavam para gritar: PC PC, vai pra cadeia e leva o Collor com você! Não foi exatamente uma luta. Mas houve um movimento, pelo menos.

Depois disso o Itamar assumiu, não fedeu nem cheirou. E desde então o Lula taí. Nunca antes na história desse país tivemos um governante tão... como posso dizer... pecurliar. Como alguém sabiamente já observou, o Lula foi único presidente semi-analfabeto do mundo que assinou um acordo ortográfico! E ainda se atreveu a aconselhar “inteligência” a Obama, que é formado em Harward. Também deve ter sido o único alcoólatra a instituir uma Lei Seca. Ê, lerê! Lulalá! Definitivamente, muito peculiar.

Estamos assistindo, sim, o espetáculo do crescimento. O espetáculo do crescimento da população pobre, o espetáculo do crescimento de casos da dengue, o espetáculo do crescimento de taxas e juros, da violência, do desemprego, da corrupção. Todos estamos assistindo, de camarote, este desastroso espetáculo. Mas ainda assim, com tantos outros atrativos muito mais interessantes, como internet, vídeo-game, carnaval e big brother, não estamos muito afim de nos engajar em nada que nos faça sair de nossa imbecilizadora rotina eletrônica.

Assim, enquanto a gente não mudar, o Brasil não vai mudar. Vamos continuar a emburrecer e a aceitar tudo sem mover uma palha. Afinal, sobreviver dá um trabalho danado e não sobra tempo para refletir sobre mudanças.

"É preciso que a nossa geração reconquiste as coisas... É preciso que entre as coisas pensadas e as coisas em si não haja mais diferença. Então seremos felizes." (Italo Calvino)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Charlotte Bobcats X Chicago Bulls


Ontem fomos pela primeira vez num jogo de basquete. O jogo nem foi tão emocionante, visto que o Chicago Bulls não é mais aquele, e os Bobcats (antigo Charlotte Hornets) venceram com facilidade seus adversários. Compramos o ingresso mais barato e ficamos lá looooonge, mas depois, como bons brasileiros, sentamos em outro lugar mais perto, uma vez que a arena não estava lotada e havia muitos assentos vazios. É claro que não pudemos chegar tãããão perto, pois nestes setores ficam uns fiscais que conferem os tickets. Também não conseguimos assistir ao jogo inteiro devido aos imprevistos enfrentados. Só vimos os últimos dois quartos.

Quanto aos imprevistos enfrentados... bom, acordamos cedo e fui levar o Bruno no trabalho, para poder ficar com o carro e ir buscá-lo no fim da tarde, para então dar tempo de vermos as casas com a mocinha da imobiliária. Deu a hora de eu sair, o carro não ligou. Subi em casa pra ligar pro Bruno e avisar que o carro não funcionava, então expliquei o que estava acontecendo e ele pediu para eu descer, pegar o manual do carro e ligar para a concessionária. Voltei lá, tentei dar a partida de novo e de novo nada, peguei o manual e tentei encontrar o tal telefone da concessionária sem sucesso.

Seguindo então os conselhos do Bruno, após outra ligação ofegante e nervosa, busquei no manual algumas informações como trouble shutter, ou malfunction, e também nada. Desci de novo, tentei nova partida e novamente nada. Notei então que poderia ser a bateria, pois sempre que eu acionava a ignição fazia um barulhino, tec-tec-tec.

Desespero. Depois de muitos sobes e desces e ligações para o Bruno, cruzei com uma de nossas vizinhas e ela me aconselhou a ligar pra segurança aqui do condomínio, que eles me ajudariam. De fato, eles me deram um telefone de uma empresa de confiança. Liguei lá e falei num inglês macarrônico: Hi, this is Alexandra, I think my car's battery is dead and I need you to jump it out. Jump out é uma expressão que a minha vizinha, Tamy, acabara de me ensinar. Porque eu não fazia a menor idéia de como explicar, em inglês, o que diabo tinha ocorrido com o carro e de que serviço eu precisava!

Mas deu certo. Euforia! A atendente, do outro lado da linha, entendeu bem o que eu precisava e falou: The service bla bla bla bla and its gonna cost bla bla bla ten dollars. Bla bla bla bla 30 minutes. Ok, eu disse, I dont have cash, can I pay by card? Yes, sure. E assim, em 30 minutos ela me assegurou que a pessoa chegaria aqui pra me ajudar. Daria tempo pra eu ver, pelo menos, uma das 3 casas - pensei, e chegaremos no jogo a tempo. Nesta altura do campeonato o Bruno já estava com a menina da imobiliária, ele ligou pra ela contando do ocorrido e ela foi buscar ele no trabalho, o que me deu ainda mais raiva porque ela é novinha, bonita e peituda! Assim não vale né.

Uma hora depois, já eram mais de sete então, o carinha chegou, fez a chupeta e o carro finalmente funcionou. Na hora de pagar, dei o meu cartão, ele perguntou se eu queria recibo e eu disse que não, besteira recibo de 10 dólares. Daí ele me olhou e disse: Mam, its not 10 bucks. Its one hundred and ten. Caraaaaaaaaaca. ONE HUNDRED AND TEN!? Really? Eu perguntei, com cara de boba. Ele levantou as sobrancelhas e afirmou: Yep. Agora já era. Whatever.

Enfim, fui buscar o Bruno, deprimida, humilhada, suada, tinha me arrumado tão linda, tomado banho, arrumado o cabelo, feito maquiagem, passado perfume. Cheguei descabelada, com asa, maquiagem borrada e a maior cara de bunda que eu posso ter. Contei pro Bruno do pavoroso misunderstood e ele não pôde fazer nada além de rir da minha cara e dizer pra eu me acalmar, que isso acontece. Nhé.

Enfim, foi um dia meio frustrante!!! Mas pelo menos rendeu uma boa história pro blog.

terça-feira, 3 de março de 2009

Bye, bye sogrão!


A neve mudou a paisagem, deixando tudo bem branquinho e mais bonito! Amanheceu uma segunda-feira gelada, mas pelo menos com sol e céu azul para animar este dia chato, de despedida.

Era quase meio dia e o Ivo ainda não tinha arrumado as malas, nem tomado banho, eu já agoniada pensando que ele poderia perder o vôo mas também não falei nada porque ia gostar bastante se ele ficasse mais um dia com a gente, hehehe. Mas que nada, em menos de meia hora ele já estava de malas prontas e banho tomado, pronto pra embarcar rumo aos braços da Fatiminha!

Tudo deu certo, conseguimos resgatar o triturador que o Ivo encomendou antes de vir pra cá e que, para variar, ainda não tinha sido entregue. Já com o triturador em mãos, seguimos para o aeroporto com tempo de sobra pra almoçar. Mas infelizmente não tinha nenhum restaurante no lado de fora do embarque, assim, o sogrão se foi e eu voltei pra casa dirigindo com cautela, pois as estradas depois da neve ficam com o chamado gelo preto (black ice), ou seja, a neve derrete, mas o frio congela a água que foi derretida, deixando camadas de gelo na pista e provocando muitos acidentes.

De tardinha fui buscar o Bruno no trabalho e fomos ver a casa que nos interessou, mas só por fora. É linda, fica bem no final de uma rua sem saída e parece estar bem conservada. Hoje vamos com a mocinha da imobiliária e poderemos conferir ela por dentro.

Assim que chegamos em casa, o Bruno preparou um prato fenomenal ao qual chamamos de Batorta Suíça Feliz (sim, uma torta de batata suíça enfeitada com uma carinha feliz). Nossa, ficou delicioso, leve, saboroso, aromático, de belo preparo e ótima apresentação. Bruno quando cozinha me deixa no chinelo!

E aí ficamos vendo um especial do The Who que está passando essa semana toda num dos canais abertos de televisão. Essas são as pequenas coisas que diferem da vida aí no Brasil. Nunca, jamais em nenhum canal brasileiro poderíamos esperar um especial do The Who. É ou não é?

Outra coisa boa da vida nos States é que aqui sim tem rádio rock! Só rockão! Das antigas! Tudo bem que sempre tocam as mesmas bandas (Led Zeppelin, Pink Floyd, ACDC, Tom Pety, Guns'n'Roses, Aerosmith) e geralmente as mesmas músicas, mas de vez em quando também rola um The Who, um Stones, um Beatles...

Isso é uma beleza para nós, que desde o falecimento da Estação Primeira, ficamos carentes de rádio. Porque o que eles chamam de Rádio Rock aí é uma das maiores piadas de mau gosto que eu conheço! Disso, podem ter certeza, eu não sinto saudades. Mas de vocês eu tenho!

domingo, 1 de março de 2009

Fim de semana com o sogrão!

Bruno jururu de cama

Sexta-feira o Bruno acordou dodói demais e não foi trabalhar. Ao meio dia ele saiu para buscar o Ivo no aeroporto enquanto eu fiquei em casa para esperar a parte da mudança que veio de avião e era para ter chego entre onze e meio dia, mas só chegou uma e meia da tarde, junto com o Bruno e o sogrão!

De almoço preparei uma saladinha especial para nós e esquentei a sopinha do Bruno, que ele mexeu de lá pra cá e não comeu nem meia tigela. De tarde saímos para ir ao mercado e o Bruno ficou em casa dormindinho. Chegamos e eu preparei os camarões com molho de coisinhas gostosas, que o Bruno também rejeitou, tadim. Assistimos a alguns episódios da segunda temporada dos Simpsons e fomos dormir.

No sábado o Bruno foi o primeiro a acordar, uma vez que passou a sexta-feira dormindo e já se sentia melhor. Saímos para ir em uma imobiliária embaixo de uma chuva chata que não iria parar até domingo. Depois fomos almoçar num ristorante italiano muito bonitinho e delicioso, até um pedaço de papelão que veio no meu prato tinha um sabor especial!

Chegamos em casa e ficamos fazendo hora até irmos ao cinema aqui do lado assistir ao filme mais premiado no Oscar 2009 - Slumdog Milionare, ou em português, Quem quer ser milionário. O filme é realmente maravilhoso e retrata uma realidade de pobreza bem semelhante - ainda que um tanto pior - à que temos aí no Brasil. E a lição de moral que o filme me passou, longe de ser a de quem espera sempre alcança, foi a de que as lições que a vida nos passa serão aquelas que ficam pra sempre encrustradas na memória. De noite fizemos pizza de peperoni e de champignon com azeitonas pretas.

Panda Gourmet

Domingo de novo o Bruno acordou cedinho e bem animado. Fomos tomar o nosso brunch no IHOP (International House of Pancakes) e o sogrão pôde conferir de perto as delícias dessa refeição tão tipicamente americana. Depois fomos ao Mint Museum ver uma exposição do Andy Warhol que trazia suas obras mais recentes (1986, um ano antes de sua morte). As outras mostras eram também muito interessantes. Descobrimos um artefato asteca que provavelmente inspirou o criador do personagem de desenho animado Bob Esponja!

Antepassado Asteca de Bob Esponja

Depois de termos alimentado o estômago com um belo brunch americano e a alma com belas obras do museu, fomos passear no shopping pra ver se a gente encontrava um Ray Ban específico pro Caetano, tão específico que não encontramos. Mas o sogrão comprou umas calças na Levis e um licotinho* de controle remoto, com o qual os dois ainda estão brincando neste exato momento. Eu comprei um bambolê por 1.99 pra ver se volto a ter cinturinha de pilão.

O frio começou a piorar e assim que chegamos em casa a neve começou a cair. Quando tudo ficou branquinho eu e o Ivo descemos e começamos uma verdadeira guerra de bolas de neve! Foi muito divertido! E aproveitando a inspiração artística do museu, fizemos algumas esculturas de altíssimo expressionismo!

Sogrão e nossa escultura de neve

Agora a pouco fomos passear na vila - que fica ainda mais bonita coberta de neve - e jantamos num restaurante aqui perto. Só a gente mesmo pra ficar andando na neve de noite! Segundo a previsão do tempo vai nevar até às 4 da matina (informação recém fornecida pelo Ivo).

Bruno e Panda em Charlotte!

Por enquanto é só, pessoal! Amanhã quero ver se convenço o Ivo a contar o fim de semana do jeito dele. Aposto que vai ser muito mais engraçado!!!!

*Licotinho = Helicopterozinho