quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

As últimas aventuras de 2009!



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Hoje acordamos bem cedinho. Marina sussurra pra vó: tá acordada? E a vó: sim, acordei faz um tempão. Da outra cama sussurro eu: eu também tô acordada. E Bruno voz de trovão: tá todo mundo acordado e quieto pra não acordar os outros!

Bom dia Boone! Levantamos, tomamos café bem gostoso e saímos para Hawksnest pra fazer tubing, vulgo bóia-cross, só que na neve. É claro que a vó não pôde se aventurar nas pistas, mas ela foi com a gente e quando a gente voltou estava ela lá, bem formosa comendo um pretzel e tomando suco de laranja! Não é que a danadinha foi lá na lanchonete e comprou tudo direitinho?

Fomos almoçar num restaurante em Banner Elke - uma outra cidadezinha no meio das montanhas - e voltamos para o Hotel. No hotel, resolvemos ligar pra recepção pra ver se eles não traziam um colchão melhorzinho... coitadas da vó da Marina! O colchãozinho de campanha do sofá-cama do quarto era fiiiino, e tinha uns buracos no meio, se elas dormissem lá mais uma noite ficariam tortas pra sempre! E elas não queriam dormir na cama. Não, o Bruno é muito grande e não cabe no sofá... enfim. Era um problema e precisava ser resolvido.

Aí o Bruno ligou na recepção, explicou a situação e o rapazinho nos transferiu para um quarto maior, com duas camas queen!!! Agora aqui estamos, após a mudança para o outro quarto, no andar superior, discutindo o que faremos logo mais para o nosso Reveillon!

E esta foi a última postagem do ano!



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Up in the mountains!


Malas prontas, pegamos a interstate 77 sentido norte rumo às montanhas da Carolina do Norte. Duas horas de viagem para chegarmos até Boone, o coração do que eles chamam High Country. Tudo ia bem, Bruno guiando nessas estradas maravilhosas, verdadeiros tapetes norte-americanos, até que ele falou: xiiii, acho que vou levar uma multa. Radar? Nããão. Aqueles guardinhas de beira de estrada, que saem do nada, bem quando você ultrapassa o limite de velocidade. Paramos o carro e, seguindo o protocolo, Bruno esperou o "officer" nos abordar com as duas mãos no volante.

Ele mui educadamente nos cumprimentou e disse o motivo da abordagem, pediu os documentos do Bruno e do carro, conferiu no seu computador de bordo se éramos ou não criminosos, e voltou com um papelzinho. Multa? Nããão, apenas uma notificação, uma advertência! Em meio a tudo o guardinha foi muito amável, perguntou se íamos esquiar, e nos desejou uma boa viagem: drive safe! Polícia de primeiro mundo. Very polite e muito ética.



Após a primeira emoção da viagem, paramos num desses "rest area" para um cigarro (eu e Bruno), um xixi (vó e Marina), e de quebra achamos este boneco de neve desmantelado! Quase boneco de gelo, é bem verdade. Que a neve depois que cai vai empredando, adquirindo uma consistência assim estranha, nem neve nem gelo...




Chegando em Boone, uma cidadezinha no meio do nada, lotada de carros e de gente - porque no inverno é que isso aqui bomba - fomos procurar nosso hotel, onde havíamos reservado uma suíte double standard para toda a semana.

A cidade em si é feia, está tudo em construção, "revitalização" do centro turístico-montanhístico, então além do estado caótico daquela neve meio marrom degelando na beira da estrada, tem o caos dos cones, das máquinas, das manilhas, guias e guindastes. Assim, nenhum glamour como imaginamos. Mas isso não foi nada.

Ao chegarmos no nosso hotel - o High Country Inn - ficamos um pouco desapontados. A recepção escura, feia, velha, caindo aos pedaços, e tudo com uma decoração de gosto duvidoso. Mas enfim. Já que estamos aqui né, vamos ver o que dá. Pegamos a chave do quarto e fomos conferir. O Bruno nem deixou a vó sair do carro. Entramos eu, ele e Marina, no chiqueirinho. Nem arrumado o quarto estava! Ah, não, aqui não dá pra ficar, disse o Bruno indignado. Ele então pegou a lista telefônica no próprio quarto, ligou para outro hotel e conseguiu fazer uma reserva no Comfort In, muito mais chique, com lareira na recepção, piscina aquecida, café da manhã...


Chegamos no nosso quarto, colocamos nossas roupas de banho e fomos tomar um banho de piscina! Como a vó e a Marina não trouxeram maiôs, eu emprestei um biquininho meu - que ganhei da Fátima logo que comecei a namorar o Bruno e que portanto não cabe mais no meu bundão há alguns anos - e a vó teve que comprar um maiô pra ela. Que modelito! O maiô vem com um saiotinho muito charmoso, a vó ficou parecendo uma coelhinha da play-boy, ou uma das garotas do calendário.



Subimos, tomamos banho e saímos jantar num lugar bem bacaninha, buffet de saladas, sopas, pizzas e sobremesa... enchemos a pança e agora estamos no quarto prontos pra dormir e descansar, pois amanhã, quem sabe quais aventuras nos esperam?

Uma casa habitada...


Nunca na história desta nossa casa o banheiro de visitas foi tão vastamente ocupado! Agora o nome deste cômodo da casa é "o banheiro das meninas", que mesmo sendo azul - e sendo azul a cor estereotipada dos meninos - não mais lhe faltam toques femininos! Laquê, escovas para mil e uma utilidades, creminho, maquiagens, bobes! Não é demais?

Agora estamos em processo de arrumação de malas. Vamos passar a semana nas montanhas! Esquibunda na neve, menos 14 graus, hot-tub e diversão garantidos. Vou tentar atualizar o blog das montanhas, ok?

Se não nos falarmos, até ano que vem.

E claro!

Feliz Ano Novo!!!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Vó e Marina Chegaram em Charlotte!!!


Apesar do quase desencontro - elas desembarcaram na zona E e a gente estava esperando na zona A, no outro extremo do aeroporto - as nossas visitantes chegaram bem e já estão devidamente adaptadas!

Metade das malas eram presente para nós! Ô coisa boa! Obrigada a todos que mandaram mimos! Agora o nosso Natal finalmente se completou! E com a Vó e a Marina aqui, vamos fechar 2009 com chave de ouro e começar 2010 com o pé direito!

Beijos beijos!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Festinha pós-natalina na casa do John

Ontem a gente foi na casa do John para um open house! Estavam lá eu, Bruno, John, sua filha Jennifer, a netinha Julia e o amigo Bob.


Depois chegaram mais 3 casais, um deles pai dessa linda bebezona de 10 meses, que já anda!!!


Bruno, Robert e John conversando na confortável varanda, ao lado da lareira... a casa do John é muito massa!!!


Atiramos com pistola e espingarda de chumbinho, jogamos ping-pong, sinuca... foi muito divertido!

Christmas Evening!


Nossa noite de Natal foi na casa dos Maldonado! Olha o capricho da Ana na arrumação da mesa! Mas não tava só bonito... tava tudo muito bom também! A gente tá aqui tudo no mesmo barco né. Primeiro Natal em Charlotte, longe da família... mas mesmo assim nos divertimos bastante. O Bruno muito sacana, pra ser o engraçadão da mesa, contou do incidente ocorrido comigo em casa, antes de irmos pra ceia.

Então. Após acordar cedo, preparar salpicão, sobremesa, deixar tudo pronto pra de noite e ainda por cima limpar tudo antes de sair sem deixar uma bagunça em casa, olhei para as minhas mãos e fiquei com vergonha. Estavam horríveis, as cutículas enooormes, uma vergonha. Também né, desde que vim pra cá nunca fui no salão. Nem pcortar cabelo, quanto mais fazer a unha. Então resolvi fazer minha unha, eu mesma.

Tava tudo indo bem, até que eu resolvi me levantar fazer não sei quê, mas esqueci que estava com o vidrinho de acetona entre as pernas. Ele virou imediatamente, enxarcando minha calça, calcinha, e consequentemente, queimando tudo nos países baixos.

Comecei a gritar de dor e o Bruno arrancou minhas calças. Subi as escadas com o Bruno me abanando, entrei na banheira e o Bruno me salvou - uma vez que com minhas unhas feitas eu fiquei só com as mãos pra cima e o Bruno que fez o resto!

Mas só porque ele me salvou, ele se achou no direito de contar isso na mesa de Natal. Pelo menos a história rendeu umas boas risadas. Eu fiquei mais vermelha que as minhas unhas, agora bem feitas. Mas enfim. Hohoho. Já passou!


Quero que você me aqueça neste inverno!



Assim amanheceu o dia no sábado 19 de dezembro em Charlotte. Tudo branquinho de gelo. Neve mesmo, só nas montanhas. Não tem feito muito frio ultimamente. Acho que o dia da foto foi o mais frio até agora, mas a gente nem sentiu... porque neste dia foi a festinha de aniversário meu e do Arthur aqui em casa, com direito à Feijoada, Capirinha, Cuba Libre, jogo de dardos, violão e cantoria! E para desfrutar de tudo isso, a presença indispensável dos amigos, é claro!


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Esteve tudo muito bom... comida boa, companhia agradável, só sucesso!!! E ainda por cima ganhei de aniversário muitos bons presentes! Desde roupas, bolsas e acessórios, até - por incrível que pareça - um Ipod do John! Fiquei de cara! Mas o que me impressionou mesmo sobre o John neste dia foi o fato de que ele, sendo das Bermudas, conheceu o John Lennon enquanto morava lá, pouco antes de ele voltar pra NY e ser assassinado... diz o John que foi nas Bermudas que John Lennon compôs seu último album. Incrível!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Véspera de Natal


Véspera de Natal! Acordei cedinho e comecei a fazer um salpicão. Vou fazer também mousse de maracujá para a nossa ceia. Figurarão nesta primeira ceia internacional de Charlotte: eu e Bruno, Paula e Luis, Ana, Welson, João e Giovani (os filhos da Ana e do Welson).

A vocês aí no Brasil, um ótimo Natal! Por aqui asseguramos que nossa noite será muito agradável, ao lado de pessoas muito queridas! Já que a gente não tem família em Charlotte, damos um jeito de montar nossa família postiça. Tipo pinheirinho artificial. Não é de verdade, mas também é bonito e cumpre a função.

Pinheirinho de alegria tralalalala lalalalá! Sinos tocam noite e dia tralalalalala lalalalá!

Agora, minha mensagem de Natal para os meus amados amigos e familiares:

Irmãããããos!

Lembrai-vos de celebrar o verdadeiro sentido do Natal! Não é presente! Não é comilança! Não é fartura! É o nascimento do Menino Jesus!

Ps.: Pobrezinho, nasceu em Belém, num estábulo. Mal podia dormir por causa das vacas mugindo. Maria e José, exaustos da jornada de alguns dias pelo deserto, deviam estar morrendo de fome. E os magos do Oriente nem pra trazer um peruzinho de presente! Mas trouxeram ouro, incenso e mirra. E você sabe o que é mirra? Mirra é tipo um óleo que se usava no embalsamento de cadáveres! Tadinho de Jesus... isso é presente que se ganhe no nascimento? Mas voltando...

Queridos pais e futuros pais! Não enchei vossas crianças de presentes! Antes, ensinai-as a repartir, fazendo-as doar os brinquedos que se acumulam nos baús e nos armários, presenteando as criancinhas pobres que mal têm o que comer, quanto menos com o que brincar!

Ensinai as nossas crianças o valor da gratidão e do merecimento. Educai-as para que se tornem adultos responsáveis, honestos, e mais ou menos equilibrados para, no mínimo, encarar o mundão com facilidade e, se possível, mudá-lo para melhor.

Aos irmãos que têm esgotado tempo e saúde com sentimentos negativos de raiva, inveja, ódio, lembrai-vos dos ensinamentos de Jesus! E disse Jesus: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!

Queridos irmãos! Lembrai-vos de que a vida é demasiado curta para vivê-la se lamentando! Deixai, pois, de lado todas as birrinhas, briguinhas, mesquinharias, ranzinzices! Sede felizes!

São os votos da Panda, a pastorinha!

Que a paz esteja convosco!

Feliz Natal e um oáááátimo 2010!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Reflexões do Exílio


Após quase um ano de exílio voluntário, creio que já seja possível relacionar os prós e contras de ter deixado a terrinha. Não considerando os motivos óbios que são as saudades dos amigos e da família, há certas coisas que só a pátria-mãe nos pode proporcionar.

O primeiro e mais óbvio fator é aquele que te pega pelo estômago. A comida! Ah! Como comer é bem melhor e mais barato em Curitiba! Aqui na terra do hambúrguer e da coca-cola, das comidas prontas e pasteurizadas, não é possível desfrutar de um bom menu sem gastar, no mínimo, 15 dólares por pessoa. Convertendo a moeda, dá pra ter uma noção de que comer bem custa bem caro por aqui! Frutas e verduras não têm o mesmo sabor, e ainda assim são bem mais caras. Assim sendo, fica tão mais cômodo passar num fast-food e pedir por um "dólar mêniu",que antes mesmo de considerar a duvidosa conveniência do fato, você já está uns quilos mais pesado.

O peixe morre pela boca, diz o ditado. A ambiguidade da expressão - que tanto pode ser relacionada ao fator "alimentação", quanto às palavras que se deixam escapar de nossa boca, ora atribuindo-nos uma culpa que não gostaríamos de assumir, ora evidenciando uma faceta de personalidade que prezamos por ocultar - vem bem a calhar como elemento de transição
para o próximo item de meu compêndio. A língua!

Tudo na língua-mãe é mais fácil. Expressar sentimentos, sensações, fatos, acontecimentos. A língua é um fator importantíssimo na construção do indivíduo. É, portanto, mais do que um instrumento de comunicação, é uma questão de identidade. De forma que, em inglês, jamais atingi a totalidade de ser eu mesma. Eu não me sinto Xanda Lemos em inglês. Antes, sou Alex (Éliks), um ser esquisito, estranho, incompleto, com os mesmos 31 anos de idade, mas a competência linguística de uma criança americana de 3. E um sotaque idiota.

Na universidade,tal barreira é deveras desanimadora. Como estudante, os montes de livros e textos para ler - em inglês - tomam muito mais tempo do que eu pensava. Ler, reler, buscar significados no dicionário, e muitas vezes não entender tudo. Porque significar em uma língua não se resume em traduções de palavras isoladas; dependendo do contexto, das cosntruções idiomáticas, uma mesma palavra pode ter sentidos diversos. Uma luta árdua travada com uma língua estranha, que mesmo depois que você a domina, nunca, nunca será sua língua.

Escrever e apresentar trabalhos também são tarefas ingratas. Seria tão mais fácil se tudo fosse em português! Ser, seria, mas não é. Então todos os meus escritos, antes de serem entregues aos professores, precisam passar por uma revisão feita por alguém nativo da língua, para melhorar as construções sintáticas do meu inglês aportuguesado.

Como professora, procuro falar em Português o máximo que posso. Mas quando vejo os olhinhos assustados de meus alunos, sinto que algumas explicações - principalmente de pontos gramaticais - são melhores em inglês. E aí tenho que me virar. Isso quando eles não vêm com perguntas as quais - por serem feitas em inglês - eu não entendo! Tenho que me desculpar, pedir para repetir a questão, quando não preciso da ajuda de outros alunos, para que eles, parafraseando o colega, me ajudem a compreender o que diabos estão perguntando!

Ainda às sombras da questão linguística, tem aquela fase interlinguística, em que você ao mesmo tempo em que tenta se aperfeiçoar na língua-alvo, passa a se esquecer da própria língua. Fogem as palavras. Apagam-se as expressões. Você sabe que tem o conhecimento do que quer dizer na ponta da língua, mas ele não sai. Assim, você começa a inventar uns termos, como por exemplo: você quer dizer algo como sair passear com o cachorro, e acaba dizendo andar o cachorro (walk the dog); economizar ou guardar dinheiro se transforma em salvar dinheiro (to save money). Pronto! Sua identidade está fortemente abalada, à medida em que se sente incapaz de uma boa performance em qualquer que seja a língua!

Outro fator que pesa mais aqui do que no Brasil é a condição de trabalho. Aqui não existe décimo terceiro, aqui não tem abono de férias, e nem as férias podem ser tiradas por 30 dias corridos, como no Brasil é comum ocorrer. Não. Nada disso. Assim, se tirar férias, tem que ser por no máximo dos máximos 15 dias, e usar o dinheiro com que você conta todo mês, nada mais. Para as compras de Natal, o bom é ir economizando desde o começo do ano. Porque senão o Natal é magro, como será o nosso, sem presentes pra mim ou para o Bruno. Assim sendo, meus queridos, não esperem este ano lembrancinhas natalinas. Por ser nosso Natal de primeira viagem, não salvamos dinheiro! E assim começamos a perceber as desvantagens do primeiro mundo.

Para finalizar, todo o conforto desta terra é merecedor de grandes elogios sim, mas pensando bem, pesando bem, as vantagens de morar nos States custam muito. Custam a distância, a saudade, a solidão, a monotonia, a falta de opção, e a sua própria identidade. Daí a pergunta: vale a pena?

Tal resposta depende tão somente de nós. Somos "nozes" que vamos decidir se esta estadia aqui nos valerá a pena ou não. Vai depender de nossa habilidade de reconstrução. Porque no atual momento, estamos ainda nos desconstruindo. Estamos fragamentados, divididos entre aqui e aí. Ora achamos que tudo aqui é lindo. Ora reconhecemos o quão maravilhoso é o nosso país. Ora nos orgulhamos de aqui estarmos, ora nos questionamos: o que é que eu tô fazendo aqui? E assim vamos.

Mas uma coisa é certa: sem desafios, a vida não tem graça. Se tudo é muito fácil, a gente nunca cresce, não sai da sombra da mediocridade. As adversidades podem ser um pé no saco, mas serão sempre a força propulsora da humanidade. É isso que devemos ter em mente quando nada parece ter sentido. Porque tudo na vida faz sentido, basta a gente querer enxergar. E nunca ter medo de agir, de mudar, de abandonar um barco pra construir outro. A mediocridade, a apatia e o comodismo são as únicas coisas que devemos temer.

Porque a vida é curta demais pra esperar que bênçãos caiam dos céus. Pra ficar chorando sobre o leite derramado. Pra passar a vida inteira se arrependendo de algo que fez ou deixou de fazer. Pra ficar pensando como teria sido se, quando na verdade, o tempo não pára pra pensar. É tempo de agir. De encarar os fatos, e de buscar o melhor deles para dar sentido às nossas vidas.

Nós somos atores, autores de nossa própria história. O que queremos que ela conte depois, no futuro, só depende do que escrevemos agora, no presente.

Viver é uma oportunidade que temos para fazer a diferença, para escrever uma história memorável. O que não é fácil. Exige muito. Por isso que 99% das pessoas preferem se acomodar, se recolher nas suas vidinhas, nos seus mundinhos. Eu muitas vezes tendo à inércia. Tenho preguiça, e frequentemente me nego a colocar todo meu esforço nas coisas que me proponho a fazer, ou nas coisas que a vida me impõem.

Outras vezes, acho que sou muito convencida, que é petulância da minha parte pensar de que vim ao mundo para escrever uma história. Este senso de inferioridade e de anonimato que marca a era pós moderna é o grande mal da humanidade. Precisamos botar mais fé no nosso taco. Fazer acontecer não somente para desfrutarmos de uma vida mais abastada, sem dificuldades sejam elas financeiras, sociais, emocionais. Mas para vivermos uma vida feliz, vitoriosa, da qual você possa se orgulhar, e dizer: Amigos, eu vivi!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ladri di Biciclette

Acabei de assistir a esta belíssima obra do Cinema Italiano e fiquei tão apaixonada que resolvi fazer uma postagem especial sobre o filme. Se você ainda não assistiu, não deixe de ver!

"Ladrões de Bicicleta" foi produzido em 1948 e narra a história de um pai de família que, em meio a uma crise econômica pós-segunda-guerra, finalmente consegue um emprego. No entanto, para realmente ser contratado, Antonio Ricci precisa ter uma bicicleta!

Aflito, uma vez que ele penhorara a magrela já havia algum tempo, ele e a esposa decidem vender as roupas de cama para readquirir a bicicleta. Empregado e com bicicleta, a família agora tem perspectivas de um futuro promissor! Entretanto, logo no primeiro dia de trabalho, enquanto Ricci está trepado na escada colando seus posters nos muros de Roma, um malandro foge com a bicicleta. Pega ladrão! E ninguém se mexe! Ninguém pára o delinquente! Dá uma réiva!


Assim Antonio, com a ajuda de alguns amigos e principalmente de seu filho Bruno - que aliás rouba a cena do filme! - começarão uma busca por toda a cidade, afim de resgatar a bicicleta que, mais que um meio de transporte, é a condição de trabalho, a comida, é a vida desta família.

O plot é mais ou menos este... não conto mais porque senão perde a graça! E não deixem se enganar só porque o filme é antigo e em preto e branco... eu nunca tinha assistido a nenhum filme do Vittorio de Sica, e acabo de descobrir que ele foi um dos precussores do movimento neorrealista do cinema italiano, com mais de 40 filmes produzidos.

Graças às aulas de cinema cubano estou tendo curiosidade de conhecer outros cinemas fora do mainstream de Hollywood! Enfim, para alguém que nunca foi muito fã de cinema como eu, evoluí bastante, vocês não acham?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Our First American Football Game

Estamos no auge da temporada de Futebol Americano , um campeonato de grandeza proporcional ao Brasileirão, no Brasil.


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E a final está por vir, é o que eles chamam de Super Bowl, e adivinha quem vai tocar? The Who!!! Sim, porque aqui nos intervalos do super bowl sempre tem um showzasso... mas a final é só em fevereiro... dependendo de onde for, e de quanto for, a gente até vai.

Eu como nunca torci para nenhum time de futebol Americano, simpatizei com o time de Charlotte... agora sou Panthers até morrer.

Go Panthers!

Ps.: Após informações do sogrão sobre o preço do ingresso para o Super Bowl, que será na Flórida, a parte em que digo que "a gente até vai" é totalmente mentira!!! Mais de 4 mil dólares por pessoa. Ma nem que eu fosse rica!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Homenagem de Final de Ano

Aqui vai minha humilde homenagem de fim de ano! Hohoho! Feliz Natal e um excelente 2010 para todos nós! Beijos beijos, Panda de Belém.



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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Zum Zum Zum... Trinta e Um.


Trinta e um na veia, véia! Tia-avó! Professora Lemos Zagonel! São tantas emoções que fico tonta, zuretinha! Zum zum zum... eu já tô com trinta e um. Lembro-me como se fosse ontem. Eu, Tati e Amanda no aniversário de 29 anos do meu irmão Gu, cantando, as 3 pentelhas: zum zum zum, para trinta falta um! Era 6 de julho de algum ano distante. A Amanda nem era minha cunhada. Ou era? Lembro como se fosse ontem, mas minha memória é curta, infelizmient. Passa rápido demais. E a vida é tããããão legal!

Então, meu querido diário. Como você deve saber, ontem foi meu aniversário. Quase ante-ontem. Acordei às 7:30 da matina, assim que o Bruno saiu pro trabalho. Fiz xixi, escovei os dentes, voltei pra cama e comecei a estudar. Estudei, tomei banho, tocou o telefone, era a Paula - minha amiga e fiel escudeira e assessora para assuntos aleatórios em Charlotte - me dando os parabéns.

Depois de estudar mais, me arrumei e saí almoçar com o Bruno e o Arthur, que também é nascido neste belo dia 15 de dezembro. Almoçamos no italiano Macarroni e o Bruno me deixou na Universidade. Atendi dois alunos durante minhas office hours, e mais um telefonema, desta vez da Ana, outra amiga brasileira que conheci aqui em Charlotte, com quem iremos passar o Natal.

Às 5 da tarde, fui aplicar a prova final para uma das minhas adoráveis turmas de Português. Depois da prova teve uma festinha para comemorar o aniversário meu e da Lavonda, uma aluna muito querida, que é também nascida neste belo dia 15 de dezembro

O John, meu aluno mais velho, comprou um bolão, confeitado com as palavras: "As Senhoras do Feliz Aniversário". É uma pena que não tirei nenhuma foto. A festinha serviu também de despedida, pois agora as aulas terminaram. Em janeiro começa a Spring Season... o segundo semestre escolar. Além da festinha e do bolo, ganhei dos meus alunos um cartão musical (passarinho quer dançar, o rabinho balançar, pois acaba de nascer, tchurururu... só intrumental, óbvio), uma caixa de bom-bons de uma das minhas alunas, e um kit-coquetel de outra aluna muito querida, junto com um cartão especial!

Ao chegar em casa, tinha surpresa do sogrão e da sogrinha me esperando! Era um kit-flores. Uma caixa verde, direto do Quênia. Dentro, um vaso, as flores bem enroladinhas num plástico, um cartão e um balãozinho. Veio também com as instruções de como montar e uns sais minerais para colocar na água. Rosas do Quênia, enviadas para os Estados Unidos por encomenda do Brasil. Um amor global, certamente!

Assim que terminei de montar o vaso, o telefone tocou. Vó Diva do Brasil, sil, sil! Dando os parabéns e contando as novidades... vai pra Foz no Natal, e em seguida voa pra Charlotte, pra passarmos o ano novo juntos, eu, Bruno, vó e Marina! Algum tempo depois, nova ligação. Sogrão e sogrinha!

Via skype eu, Cris e Lydio improvisamos um fado, uma versão "purtuguesa di Purtugal di Juáum i Meria", do Chico. Também via skype, liguei pro Du e pra Keith pra eles não se esquecerem de me dar os parabéns. No Canadá tá nevando. Eu quero neve, mas aqui não tem! O jeito é ir pra Quebec... Quebec... Quebec to where you once belonged... ah, os Beatles!

Só faltaram os Betles para animar meu aniversário mesmo! Porque os amigos e familiares marcaram presença via e-mail, orkut, facebook... obrigada a todos que animaram meu dia! Que lembraram de mim, que me enviaram felicitações, e principalmente, obrigada ao Bruno que, aqui do meu lado, tem amado uma mulher mais velha, com TPM, estressada, mas nota A em todas as matérias do mestrado. A lôco!

Ontem estreiei o hobby e a camisolinha super sexy que a vó me mandou pelo Caetano... mas isso só foi possível porque meu marido fez uma depilação pró nas minhas pernocas não mais peludas. Ele disse que a experiência foi boa. Meio que se vingou de todas as minhas pequenas maldades durante esses quase 9 anos de convivência. A dor foi a mesma. Mas com a diferença de que com a depiladora desconhecida a gente aguenta sem dar xilique. Que saudades do Brasil! Que saudades de um salão Marly nessas horas.

Bom, agora que as aulas terminaram, e que eu estou com 31, prometo fazer uma retrospectiva dos eventos marcantes desses últimos dias - incluindo show dos Criaturas em Charlotte, o primeiro jogo de futebol americano, e mais uma seção da Panda Gourmet com bolinho de caranguejo inventado pelo Bruno, sem esquecer é claro da canção de fim de ano em homenagem aos queridos amigos e familiares do Brasil.

E essas são as cenas das próximas postagens...

Até mais!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Querido Papai Noel:


Este foi um ano ambíguo. Um ano paradoxo. Por um lado, um oáááátimo ano, certamente. Por outro, um ano um pouco triste e de intensa saudade. Muitas mudanças. Muitas conquistas. Muitas perdas. Muitas alegrias, muitas novidades, nascimentos na família (separação também, é bem verdade). Momentos de completa impotência, de imensa felicidade e de eterna saudade. Este foi um ano maluco. Deve ter a ver com o zodíaco. Foi um ano em que todos os erros que cometemos foram admitidos. Humildemente pedimos perdão, crescemos, aprendemos. Inutilmente nos penitenciamos, nos culpamos, nos arrependemos e enfim a redenção do pecado, tão ingenuamente cometido, nos vem como uma bênção dos céus: “Num berço de palha dormia Jesus...” Já é Natal... Faço 31... E eu nem percebi! Estive muito ocupada em minha missão de ser boazinha o ano todo (não que eu faça isso só para ganhar bons presentes). Mas ufa! Até aqui nos ajudou o Senhor, amém benza Deus, oxalá graças aos céus! Com Maná, adubando dá, e das sementes do bem, só colhemos bons frutos. Isso em plena crise econômica, hein? Muitas provações. Algumas intempéries. Tsc, ah. Histórias a mais pra contar.


Um ano novo logo vem... tudo vai recomeçar. Somos seres abençoados! Ao menos uma vez por ano, temos oportunidade de repensar a vida, e de pensar no que mudar para ficar melhor, na busca do aperfeiçoamento de pelo menos uma instância, do corpo, da alma e do coração. A vida é curta. O tempo escapa. Precisamos fazer escolhas, tomar decisões o quanto antes. E muito mais importante que isso, precisamos ter força de vontade e coragem para tornar escolhas, atitudes. Esse ano o meu pedido para o Papai Noel é: leva no teu saco a minha preguiça embora, e junto com ela alguns quilos e pneuzinhos. Dá-me mais paciência e mais disciplina. E também, se possível, essa listinha:


- Camisas de botão e manga comprida (temo que o tamanho seja G)
- Sobretudo quentinho nas cores bege ou verde-escuro
- Uma bota peluda por dentro (Maria Sapatão, 37-38).
- O livro Cartas ao Mundo, de Glauber Rocha
- Revolução do Cinema Novo, de Glauber Rocha
- Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, de Glauber Rocha
- O Século do Cinema, de Glauber Rocha.
- Riverão Sussuarana, de Glauber Rocha.
- Obra completa de Machado de Assis
- Meia Calça 40 fios (preta GGGG)
- Cacharréus (marrom, preta, bordô)
- Aquela blusa de meia calça, que chamam de “segunda pele” (preta)
- Perfume Tati, dO Boticário.
- Própolis Spray (extrato puro, sem essa de mentol e hortelãzinho...)


E assim, Papai Noel, lhe desejo um ano novo cheio de atitudes revolucionárias, ao invés dessa paz que todo mundo deseja desde a época de Abraão, de Caim e Abel, e que enfim é uma falsa paz, que o mundo jamais conseguiu. Isso que chamam de paz é puro comodismo. Desejo um ano de conscientização revolucionária do indivíduo, principalmente dos jovens, para que eles passem a pensar e parem de se acomodar com a atual conjuntura social, cultural e política. Que voltem a estudar, e a enxergar na educação os horizontes de um futuro melhor. Desejo um GlauberiAno Novo, um Ano Ítalo Calvino, e claro, um ano cheio de esperança, amor, trabalho e perseverança! Feliz 2010!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Clipe da Cosmonave

Esta minha família é muito talentosa... filhos do Lydio Roberto, Yan e Yuri, e meus adoráveis sobrinhos da Cosmonave incluindo Mateus e Ricardo... you're aaawwweeeesome!!!!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Alô Brasilia!


Ana, este convite é especialmente para você que está em Brasília! Aproveite para convidar os seus amigos brasilienses, pois este show é im-per-dí-vel! Sotaque, alma, música paranaense de finíssimo bom gosto e competência. Recomendo mooooinnntooo!!!

Beijos

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Clicando no título desta postagem, você verá como eu estou internacionalmente famosa!