quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O Café e a Fé

Confesso que tenho estado desmotivada no trabalho. Toda manhã é uma luta pra estudar, ler e escrever sobre os mais de 300 livros que preciso saber para passar nos meus exames. Então, para animar a lida, comecei o dia fazendo uma quantidade, talvez exagerada, de café. Aqui nos Estados Unidos temos “pequenos canecos” térmicos que refletem a mania de grandeza do país. O tamanho do artefato é justificável por ser inversamente proporcional à intensidade do “cháfé” americano. Mas o café que eu compro não é fraco, é bem forte, colombiano, tipo o tradicional cafezinho brasileiro. Hoje com mais sono por estar tomando remédios para gripe (faz 12 dias que estou doente), resolvi encher o caneco. Parte de mim achava que isso era uma ótima ideia. Você precisa estar atenta e esse café vai te manter acordada e te deixar alerta. Outra parte me autocondenava: minha filha, pra que tudo isso, você tem certeza de que todo esse café vai te fazer bem? Ignorei. Trabalho em primeiro lugar. Enfim.
Trouxe o café para o meu “home office” que consiste de uma pequena escrivaninha abarrotada de livros canetas e computadores no fundo do meu grande quarto. Mas recém passado, o café ainda estava muito quente, assim pelando, então resolvi tirar a tampa da caneca térmica para que esfriasse um pouco. Repousei o caneco na mesa, atrás do laptop. Estava bom. Aroma perfeito! Comecei meu trabalho, e entre um livro e outro, e algumas linhas escritas, eu dava uns golinhos, que prazer, que prazer enorme é tomar um café gostoso e quentinho logo cedo. Mas não sei o que aconteceu, acho que esbarrei num livro, ou puxei o fio do computador prum lado, só sei que quando vi o meu copão de café virou na mesa, e ele estava sem tampa, e cheio até praticamente a boca. Foi aquele splésh. Que merda! Que MEEERDAAAA! Eu gritava ao mesmo tempo que saí correndo pegar uns panos na lavanderia para limpar o estrago. Mas no meio do caminho, ao invés de começar a chorar, eu ri. Ri e me senti idiotamente bem. Acho que era aquela parte de mim que julgava ser ruim tomar muito café.
Limpando primeiro a mesa, fiquei aliviada pois os livros que molharam eram meus e ufa! Não os da biblioteca. O meu computador estava intacto. Nem um pingo de café aqui. No pé do monitor auxiliar, sim, tinha café pra todo lado, mas tinha também muita poeira, daquelas que estavam precisando há tempos de um pano e, agora, bem, agora já não precisam mais. O chão debaixo da mesa também estava uma vergonha, precisava ser limpo. Dos meus seis porta-lápis e canetas (eu não estou exagerando) apenas três molharam e só por fora. O café que estava pelando não me queimou. Ou seja. Minha reação de rir pode ter sido irracional, mas foi a mais correta, pois considerando o potencial do acidente, realmente, tive muito mais motivos para rir do que para chorar. E ainda por cima sobrou um pouquinho de café. A quantidade certa? Talvez isso já seja polianar demais. Mas sim! Tenho mais sorte que juízo e não só isso, tenho muito mais sorte que azar!
Acendi uma vela e um incenso para os meus anjinhos musicais e agradeci por esse dia cinza e chuvoso e por tudo que eu tenho, inclusive, por meu trabalho. Nessa breve meditação, lembrei que amo o que eu faço, que eu escolhi isso para minha vida, e que mesmo se eu me revoltar e não querer mais seguir carreira acadêmica, um Ph.D. não vai me fazer nenhum mal. Não sei o que foi, se o santo para quem o café caiu me iluminou, mas me sinto ótima e estou mais motivada. Até a sinusite melhorou. Amém! Que assim seja. Obrigada universo. E cosmos, desculpe por mandarem um carro para nosso espaço ontem. Eu também achei o lançamento muito legal, mas por outro lado, esse lance do Starman no Tesla foi uma bruta desnecessidade. O que passa na cabeça desses homens muito poderosos? Por que eles gastam dinheiro com essas excentricidades espaciais quando a terra onde vivemos tem tanta coisa para mudar? Por que eles fazem essas coisas para agradar o próprio ego em nome da promoção do bem e do avanço da humanidade? Devemos perdoá-los? Oh well. Melhor voltar ao trabalho. Pelo menos as perguntas dos meus exames, todas elas terão uma resposta!  

No blog 2018 começou assim: depois de janeiro, mas antes do carnaval.



Uma das metas do ano é escrever todos os dias, não no blog, mas também no blog que andava largado. O Diário de Bordo fez dez anos ano passado e eu nem comemorei, que boba! Só porque fiquei com o ciático atacado por seis meses, dos quais três fiquei paralítica quase aleijada, tomando boletas fortes que me deixaram muito mal e deprimida? Estar viva e inútil, hm, não tinha mesmo o que comemorar. Fiquei afastada da universidade por um semestre, isso me deixou ainda mais pobre, de espírito e de dinheiro. Andei enfim muito abatida e me sentindo inútil e incompetente. Eu me culpei muito, e quando fui ficando boa e finalmente parei de tomar os remédios, bebi tudo o que não tinha podido tomar durante a fase mais aguda da crise. Ou seja. Não me tratei muito bem, não fiz muito para me ajudar. Para não ser assim tão injusta, eu me dediquei mais à minha família, eu fiz os exercícios da fisioterapia, eu voltei a estudar, então não, eu não me fiz só mal. E tudo bem se perder um pouco. O melhor de tudo é que tudo isso está no passado.

Minha coluna está bem melhor, tenho dor mas só na lombar (nunca achei que fosse achar isso bom), não preciso ir mais duas vezes por semana na fisioterapia, já consigo pegar meu filho no colo, correr, caminhar, dirigir, limpar a casa, ou seja, voltei a ter autonomia e a não mais depender da ajuda de outras pessoas. E que pessoas maravilhosas me ajudaram, e tanto! Vamos lá: meus orientadores, Tom, Jeff e Yanna, me apoiaram muito. Meu marido mais ainda, emocional e financeiramente. Minha mana Cris, minha mamãe me deram colo e colo pro Anthony, meus sogros Ivo e Fátima me cuidaram e cuidaram do Anthony, Flavinha e Caetano também vieram nos visitar e me animaram muito, minhas amigas da universidade, principalmente a minha amiga Audrey veio em casa quando pôde, cozinhou e faxinou enquanto eu não conseguia me mexer e não tinha nenhum familiar aqui. Também a Hannah me levou ao hospital quando eu não conseguia dirigir, enfim... se esqueci de alguém, pode me lembrar que eu edito isso aqui e incluo o nome. Sou rica de amigos. Amo vocês. Obrigada por tudo!

Das Postagens que não fiz em 2017:

2017 - Dezembro

  • Ano Novo em família, só nós (Bruno, eu e Bonitony) Ivovô e Vovó. Queijos e vinhos e champagne. Lindo.
  • Natal foi aqui em Atlanta e contou com a presença em peso da família do meu amor. Além do sogrão e da sogrinha, vieram a bisa Diva, a Marina, a Berna, o Gustavo e o João Pedro. Nosso amigo (e ex- vizinho) Josh também passou o Natal aqui. 
  • Aniversário, festa de última hora? Não. Um girls night out na véspera com Audrey, Danielle, Jeniffer, e Jen, muitos drinks e ostras, chique, me lambuzei. No dia 15 saí jantar com meu amor, fomos comer sushi no Tomo! Lambuzei-me mais.
  • Teve show de Natal dos Criaturas, foi live stream e mais de 2000 vizualizações. 


2017 - Novembro

  • Teve aniversário de 2 aninhos do Anthony, com todos os vovós! Vó Lita, Vó Fátima, vô Ivo, e muitos amigos.
  • Teve muita festa e rota da cerveja com Caetano e Flávia.


2017 - Julho/ Agosto

  • Viagem ao Brasil. Não consegui fazer minha pesquisa no Rio, São Paulo e Brasília como estava programado, porque não conseguia nem sentar nem caminhar nem ficar de pé sem urrar de dor. 
  • Foram seis semanas de cama e fisioterapia, idas ao terreiro, curandeiro, quiropata, acupunturista, e muito tramol, mas nada ajudou muito... voltei pra casa e mal conseguia andar


2017 - Maio

  • Conhecemos Seattle e o Alaska para comemorar os 40 anos de casados da Fátima e do Ivo! 
  • Tirando a dor nas costas que começaram aí, e o voo direto que perdemos em Atlanta, o que nos fez esperar 6 horas até nos colocarem num avião para Los Angeles, e de lá para Seattle, foi tudo lindo. 
  • Fiz um diário de bordo no caderninho sobre as aventuras no cruzeiro. Quem sabe tirarei fotos para postar aqui.

terça-feira, 28 de março de 2017

Senta que Lá Vem A Nossa História

Greg Weeks, meu professor de Ciências Políticas durante o Mestrado na UNCC, me pediu uma música para a vinheta introdutória pro seu podcast. Eis o resultado. Mandei "A Nossa História" -- já que o programa é sobre a política na América Latina... então agora senta, que lá vem a nossa história!

Two Weeks Notice: A Latin American Politics Blog: Podcast Episode 29: Venezuela and the OAS: In Episode 29 of Understanding Latin American Politics: The Podcast , I consider the obstacles to the OAS taking some sort of action with re...

domingo, 8 de maio de 2016

Primeiro Dia das Mães


Mãe! Este é o primeiro dia das mães em que eu consigo compreender a dimensão do amor e do sacrifício seu por nós. Quando o Anthony estava no hospital, a dor que eu sentia só não doía mais porque a minha gratidão de chorar por um filho que eu podia abraçar não deixava... Naquele momento vi a sombra de uma vaga ideia da sua dor ao perder um filho, e por isso, quando chorei no seu colo, soluçava por medo, mas também por você e por ele, numa epifania dolorosa de saber a grandeza enorme do seu coração de mãe que, mesmo pequeno e partido, arranjou espaço para nós  e mais oito netos. Nunca nos faltou cuidado e zelo. Nunca nos faltaram sorrisos seus. Seu amor, mãezinha, é o maior presente que temos. Obrigada!!!

sábado, 30 de abril de 2016

Fotonovela

Anthony ficou muito feliz com a chegada do vovô.


-- Vovô!!! Não me lembrava desse seu sorrisão tão grande! Foi bem de viagem? 


Vovô o abraçou e respondeu que sim, que a viagem tinha sido oááaaatima! 

-- Mas vovô, disse Anthony, me conta uma coisa... é verdade mesmo que você só veio pra ficar um pouquinho e ainda por cima vai levar a vovó embora?


Vovô ficou sem palavras e os dois choraram! 

**** The End ****

terça-feira, 26 de abril de 2016

Primeiros Ranguinhos


O baby tá fazendo um regime de engorda porque da última vez em que fomos à pediatra ele havia baixado a curva de crescimento. 

Desde terça-feira passada (20 de abril) ele está fazendo uma refeição nova. 

Terça e quarta ele comeu cenoura cozida com carne. Não gostou nadinha. Mais cuspia que engolia. No terceiro dia mudamos o menu. 

Quinta, sexta, sábado, domingo e segunda ele comeu abacate. Adorou. Mas dava um trimilique na hora de engolir. 

Hoje ele comeu batata doce cozida com franguinho. Adorou também! Nem fez careta. E só deu siricutico pra engolir depois de várias colheradas. 

Meninão forte da mamis. Já tá bem mais gordinho!!! 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Quase Cinco Meses do Nosso Bebê!



Sou mãe! Ser mãe, mulher, e estudante de PhD são as melhores coisas mais difíceis do mundo. Ainda bem que tenho um marido e um filho maravilhosos, e duas vós dedicadas que têm me ajudado muito a enfrentar essas aventuras!!!

Talvez por isso não haja nenhuma crise de identidade aqui. Às vezes acho que sempre fui mãe, só me faltava o filho. E o filho veio. Lindo, lindo!



Anthony é um anjo, feliz da vida! E quando aqueles olhinhos sorriem pra mim meu mundo pára e eu transbordo de felicidade -- quem precisa de cruzeiro no Caribe quando se pode mergulhar diariamente naquele azul?


Às vezes custa pra ele dormir, resmunga de olhos fechados, no colo se joga pra trás com os bracinhos abertos, parece que quer pular de pára-quedas e na queda lutar com o anjo do sono... mas aos poucos cede, dorme tranquilo. A noite toda, tem dia que por 12 horas ininterruptas. Que bebê bonzinho!


Ele gosta de passear a pé no canguru. Adora! Parece que lembra de quando eu caminhava muito  durante a gravidez. E agora ele está começando a prestar mais atenção em tudo, olha pro céu, pras flores, pro chão, e até arrisca uns comentários vez em quando.


O banho é uma festa. Mas vá botar a roupa... Meu bebê curte mesmo é ficar peladão.


E descobriu as mãos. Essas impressionantes mãozinhas.

Meu nenem tem a cabeça quente e faz uns barulhinhos muito legais puxando a voz assim pra dentro.

No dia 4 de abril descobri um dentinho prestes a romper a gengiva inferior. O dentinho incomodou... eram dois. Despontaram em menos de duas semanas.

Anthony tem muita sorte, pois tem as melhores vovós do mundo!

O primeiro sol da primavera com vovó Talita!
Inclusive esse post dedico pra vocês, vovós. Às que vieram cuidar do Anthony, e ao vovô que ficou sozinho láááááááááá longe, só pro netinho ficar no zelo do melhor colinho de todos, que é colo de vovó. Quem tem vovó tem tudo!!!

Vovó Fátima e Anthony com seu passaporte!!!

Amamos vocês, vovós! Muito obrigada por tudo que fazem por nós!

E Vovô Ivo, estamos em contagem regressiva para sua chegada!!!


domingo, 27 de dezembro de 2015

O Primeiro Mês do Nosso Bebê


Anthony já sem a cânula no colo da sua amiga/irmã/prima de coração
A comemoração do primeiro mês de vida do Antony foi muito especial! Primeiro porque caiu no dia de Natal e depois porque o vovô Ivo e tio Caetano chegaram para alegrar ainda mais a nossa festa! As vovós prepararam uma ceia deliciosa, afinal tínhamos muito o que celebrar neste Natal!

E este foi praticamente um Natal tropical, com chuvas torrenciais e muito calor. Estamos de shorts e camiseta em pleno dezembro americano. Até que veio a calhar, pois minha mãe não suporta frio. E por ser tão pequenininho, e ter passado os primeiros dias na UTI, e ter vindo pra casa conectado às máquinas, o Anthony não pôde aproveitar o restinho de outono fora de casa. Então nesses últimos dias em que ele está "wireless" e a chuva deu uma trégua saímos passear! E hoje ele até pegou uns rainhos de sol! Vitamina D sempre muito bem vinda.

Falando em raios de sol, ouça só essa música que o Lydio Roberto fez pro Anthony e pra Alice! Que presentão nosso pequeno ganhou deste titio talentoso e inspirado!


O primeiro mês do nosso bebê passou voando! E embora atribulado, foi cheio de coisas boas! Aqui estão os highlights dos primeiros 30 dias...

  • Anthony veio pra casa conectado a máquinas e monitores, sob a supervisão periódica de uma enfermeira que nos visitava em casa 3 vezes por semana. Foi assim que nós conhecemos a Omo Lola, uma enfermeira nigeriana muito querida que cuidou muito bem dele e até nos ensinou uma canção de ninar em Yoruba.
  • Na terceira semana de vida ele fez circuncisão e já está praticamente 100% recuperado. Acho que nós sofremos bem mais do que ele, eu até fiquei doente, chorei um dia antes, no dia D, e nos dois dias seguintes, toda vez que tinha que trocar a fralda e fazer o curativo... e o danadinho só chorou durante o procedimento e na primeira troca de fraldas. 
  • Falando em chorar... Anthony não era assim muito amigo do banho. Ele se esguelava toda vez que sentia a água bater na bunda. A gente então fez uma terapia progressiva. Primeiro dava banho só a cada três dias, depois dois dias, depois dia sim, dia não, até que completou 1 mês e quase não chorou no banho. Ontem não chorou nem um pouquinho! E hoje até curtiu a água...
  • A terapia progressiva funcionou também com o oxigênio. No hospital o volume era de 5 litros. Antes de vir pra casa, cortaram para 2,5 litros. E depois para 1. Chegando em casa, a gente abaixou para 0,75. Na próxima semana para 0,5. Depois para 0,25 e na semana da circuncisão ele passou o primeiro dia sem a cânula e segurou muito bem a saturação de oxigênio em 99 e 100%. Agora só usamos o medidor de oxigênio e de batimento cardíaco durante noite pra monitorá-lo enquanto estamos dormindo.
  • Anthony é um comilão, mama no peito e na mamadeira! Na mamada da meia-noite, geralmente o papai dá uma mamadeira com fórmula e leite do peito. A fórmula é mais pesada e demora mais pra ser digerida -- assim ele pode dormir por mais tempo sem ficar com fome... o que provavelmente colabora para que o nosso bebê seja um...
  • Dorminhoco! Ele dorme que é uma beleza e não acorda toda hora de noite para mamar. Aliás, quem o acorda pra mamar de noite sou eu. Ele mama e dorme, e eu troco a fralda, coloco-o no bercinho e ele continua dormindo! Um santo.
  • É óbvio que de vez em quando ele chora. Ou porque está com a fralda suja, ou porque está com fome. Ou quando tem cólica. As cólicas começam geralmente de tardinha. Essa é a única hora em que ele chora e nada o consola... então damos um remedinho, fazemos massagem, botamos de bruço, ele se retorce, faz careta, e chuta e soca a gente... e passa de colo em colo até se acalmar nos braços de uma das vós. Aliás colo de vó tem alguma coisa de muito especial, porque a cólica sempre termina no colo de uma delas! 
  • Ele só faz cocô em fralda limpa. Incrível. É trocar a fralda com xixi e não dá cinco minutos, o cocô vem. Aí a gente espera um pouquinho pra ver se continua e nada... Só depois quando terminamos a nova troca é que ele termina o serviço, na fralda recém-trocada. O guri também adora fazer xixi enquanto estamos o trocando. E o alcance da parábola do xixi dele é supreendente. 
  • Anthony é um bebê muito forte, sorridente e esperto. Ele sustenta e controla bem o pescocinho, olha pra todos os lados, responde a estímulos sonoros e visuais, e até "conversa"com a gente, balbuciando sons enquanto estamos falando com ele. Ele presta atenção nas historinhas que lemos e contamos para ele. Ele gosta de ouvir música. Ele não se assusta com barulhos altos. Pode falar, cantar, ligar processador, aspirador, liquidificador, pode passar o trem, tocar alarme e o telefone. Ele não se incomoda... 
Menino de ouro! Foram tantas emoções! Como pode caber tanto amor, tanto medo, tantas alegrias e tantas dúvidas e certezas em apenas 4 semanas? E que outras emoções nos esperam? Em breve saberemos...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

É o Tony na Área!


Chegou nosso pequenino! Após uma gravidez de 41 semanas e 1 dia, e um parto de 52 horas, nosso Anthony veio ao mundo com a ajudinha de Dr. Bootstaylor e um fórceps. Papai que puxou ele pra fora junto com o médico, e ele também cortou o cordão umbilical. 

Anthony Lemos Zagonel nasceu com 50cm e 3.5kg no dia 25 de novembro de 2015, em Atlanta no estado da Georgia, Estados Unidos. Nosso gringuinho guerreiro! Nasceu grandão e forte pronto pra enfrentar uma semana de UTI. 


Já os primeiros exames mostraram baixa saturação de oxigênio -- e a pediatra do hospital recomendou fazer uma eco do coração e do pulmão. Os pulmões estavam normais. Mas encontraram uma anomalia no coraçãozinho dele, chamada hipertrofia do ventrículo direito. 


Ficamos arrasados. Vê-lo todo entubadinho, com as coxas e os calcanhares picados de agulha, as enfermeiras drenando e drenando sangue para exames diários era de cortar o coração. Eu só chorava. Nas palavras do Bruno, eu tinha ido embora.

É realmente uma ausência que eu sentia. O útero vazio, e o quarto também vazio. Na UTI a gente podia vê-lo sem restrições. Era um ir e vir incessante. Meu colostro custava pra sair. Bruno ia com duas gotas numa colher e passava as gotinhas na gengivinha dele. 


Com a ajuda de profissionais lactantes, aprendi técnicas para extrair e estimular mais colostro. Aos poucos já ia levando mais e mais gostosura pro meu bebê. No terceiro dia também já estava mais confiante. E talvez acostumada com o ambiente do hospital. Mas voltar pra casa sem ele foi de partir o coração. Chorei muito mais. Mas felizmente, nem as lágrimas e nem o leite secaram.


Meu amor me apoiou em cada momento. E quando às vezes ele esmorecia, eu o incentivava. Juntos, e com o amor e a ajuda das vovós e do vovô, e o carinho e a torcida dos familiares e amigos, a gente enfrentou essa barra. 

Na quarta-feira em que nosso amor maior nasceu, tios Caetano e Zé Ivan compuseram essa música que diz: fique de boa, é o Tony na área! A carinha do Anthony também parecia nos estar dizendo isso. Fiquem de boa... Tudo vai dar certo, logo eu vou pra casa e em breve vou estar pronto para muitas aventuras! 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Baby Moon e Bodas de Neném

Dizem que sete anos é boda de lã, né. Que coisa mais jacu, bodas de lã... Então eu resolvi que para nós essa foi a Boda do Nenem. Afinal, o que mais faz realmente este sétimo aniversário ser tão perfeito, senão o fato de que finalmente! Depois de 3 anos intensos tentando, agora sim temos um amor muito maior, crescendo cada dia mais, para a gente cuidar, curtir, sentir e cultivar?

Daí, né, na semana passada, largamos nossa mudança pela metade e resolvemos nos brindar com uma deliciosa Baby Moon -- a última viagem que faremos assim nesse formato familiar "só nós dois." Quer dizer. O formato só nós dois já está em estado avançado de mutação. Hercules Netuno que está crescendo aqui, na minha barriga enorme e redondona, não me deixa mentir.



Agora o formato é "só nos três" mamãe!


O destino: primeiro uma parada em Savannah, na Georgia, depois um resort em Hilton Head Island, na Carolina do Sul. Foram quatro dias de muito sol, amor, muita praia, piscina, virgin drinks, comida boa, diversão. Levantamos cedinho pra ver o sol nascer, deitamos na areia pra olhar as estrelas, e cada uma que riscava o céu rendia um pedido, que eu não mais fazia pra mim, mas pro nosso bebê, que logo estará aqui pra encher as nossas vidas de milhões de motivos para continuarmos felizes!

E na volta, aquele clima: um fim de férias, uma casa ainda por montar, uma cidade nova pra conhecer e se adaptar, uma semana de Bruno lá (em Charlotte) e eu cá (em Altanta) com muitas caixas que nem mexi, um barrigão, um violão, um primeiro trabalho do PhD pra terminar, um leão por dia pra enfrentar na complicada busca de um novo obstetra e uma clínica pra fazer as consultas restantes da minha gestação...

Mas eis que no meio de tudo isso, eu ganho ontem um presente lindo da minha prima Gracinha, lá de Belo Horizonte. Abro meu email e uma mensagem bem assim:
veja o que eu encontrei aqui nos meus guardados!!!!
rachei de rir...

Era um relato completo do nosso casório que ela, na época, mandou por email, logo depois da festa, para sua irmã Glau. Começa assim:

Olha vou te contar as novidades do casamento:
foi tudo lindo demais.
Amanheceu um dia frio, com muita neblina e uma chuvinha fina.
Mas o clube estava totalmente enfeitado com balões vermelhos
nas árvores, e o povo foi chegando.
Eu cheguei com a Talita e a Aluá trazendo os bolos ... 4.
Sendo...
Dois bolos com massa de nozes, e recheio de damasco
O outro com massa de pão de ló, recheado de chantilly e morangos...
o outro com massa de pão de ló, com recheio de cerejas vemelhas
com abacaxi...
Enfeitados com tules vermelhos e brancos...
Sobre a noiva:  
A Xanda chegou arrazando.. com a sombrinha colorida...
vestida totalmente NOIVA RETRÔ...
AFINAL DE CONTAS ELA É UMA ARTISTA RECONHECIDA NA
CAPITAL PARANAENSE... e pode ousar!!! ... rs rs

Vestido preto com bolas brancas...
chapéu tipo anos 60.. (das madames).. com telinha cor de gelo..
um verdadeiro show.. sapatinho vermelho e bouquet com botões
enormes... vermelhos...
e uma cara linda.... meiga... parecia uma boneca.
Ela é a prima mais 10.....inteligente, feliz, autentica...

Nas descrições da roupa, da sombrinha colorida, do lugar e nos elogios, Gracinha acertou em quase tudo. Exceto a cor do sapato, que era preto. O que agora me fez lamentar não ter calçado um sapatinho tipo Dorothy, bem vermelho, para ornar com os balões e o buquê.

Sobre a cerimônia que precedeu a festa, ela conta:
A cerimonia religiosa (os parentes do Bruno são todos super católicos)
foi linda.. Os noivos escolheram os textos biblicos que foram todos
comentados pelo padre (novinho.. deve ter uns 35 anos)...
Escolheram textos super especiais, que falavam de relacionamento
e de amor para sempre.... amei...
O jovem Padre Ricardo, que realizou a breve cerimônia, terminada
ao som de Aleluia, hare krishna, hama hama, etc., do George Harrison. 

E o relato ainda descreve emocionados reencontros da Gracinha com seu primo, meu legendário Tio Bacana (outra história em que ele aparece eu narro aqui), com as primas lindas Aluá e Érica, com o tio Saul, e até com sua irmã Mafalda, que disse que não vinha, mais veio! A família comparecendo em peso foi realmente um dos pontos altos da festa!
A nossa maior surpresa foi ver o Bacana.. ele está muito bem..
consertou os dentes.. está mais gordinho... quase choramos quando
nos encontramos...
As meninas do Saul são fofas demais.. e gostam muito da gente e
da mamãe.
A Fal me surpreendeu também em aparecer lá, porque ela tinha
me falado que nao ia.. foi ótimo.. eles são todos doidos com ela.
Eu e meu tio Bacana, os dois pra lá de Mahakesh, cantando
a música Super Bacana do Caetano Veloso no final da festa

Gracinha também conta do show de lançamento do disco Alma Brejeira, do meu cunhado Lydio! O show foi no Teatro Paiol, um dia antes do casamento, eu nem lembrava disso! Mais gratificante ainda, é ver ela citar a homenagem que ele faz, no disco e no show, pro nosso tio Joel, vulgo Joé, que homenageado ainda em vida, não pôde ir no casamento, nem no show. Infelizmente, o tio Joel faleceu faz pouco tempo... A Gra termina essa parte com os momentos mais tocantes do espetáculo, em que o Lydio, a Cris, o Yan e o Yuri cantaram juntos. Segue:
O Lydio da Cris, é o homem mais lindo e amável que eu já vi..
[... ele] fez lançamento também de um CD com modas de viola
e canções regionalistas.. tipo da novela Pantanal.. eu adorei!.
é lindo demais.. e tem
uma musica em homenagem ao Tio Joel..  nome> Joé....
muito legal..
os meninos da Cris, Yan e Yuri, são roqueiros... e se apresentaram
com o pai também.. desde pequenos eles cantam com ele...
Cantaram a música mais bonita do CD que se chama Versos e
quintais..
A CRis canta com eles também.. .
todo mundo chorou no show, depois da homenagem ao tio Joel.
infelizmente ele nao foi...
A Xanda casou no outro dia.


(AI AI AI, GRACINHA!!! TO CHORANDO MUITO OUVINDO ESSA MÚSICA AGORA!! QUE LINDA, QUE LINDO, QUE LINDOS ELES SÃO!!)

Agora, a chiqueza ou a simplicidade de um casamento está nos olhos de quem vê. Na nossa concepção, a festa foi uma coisa simples. Balões no formato de coração foram decorações baratas, principalmente se comparadas aos arranjos ornamentais próprios dessas ocasiões. Já o almoço não teve nada de frescura, canapezinhos, suflezinhos, bobózinhos, nada disso. Teve sim um grande churrascão -- buffet do KF -- o que aos olhos "elite curitibana" poderia ter soado até algo bem grosseiro. Não, porém, para nós. E muito menos pra Gracinha:
As comidas estavam um show.. aparecem nas fotos...depois voce ve as fotos aqui..
o povo do noivo é podre de rico..... arrazaram.... e os enfeites
das mesas? ... com toalhas de cetim... todas brancas,
com bolas pretas grandes, médias e pequenas...
vixe.. arrazou geral mesmo...
Arrazamos sim, Gracinha. Pra nós a festa foi perfeita!!! Mas pra algumas madames que estiveram presentes, nem tanto. Bruno me contou que umas foram explorar a cozinha buscando docinhos miúdos. Afinal os quatro bolos, preparados e confeitados com muito amor e talento pela minha mãe, e levados à festa por você, por ela e pela Aluá, estavam "demorando muito para serem servidos. Na verdade, elas queriam ir embora porque "a música estava muito alta." A banda contratada, presente do nosso padrinho querido, Faustinho que está no céu, foi a Relespública.

Foi um dia lindo! Nunca vou me esquecer. Mas lembrar assim, com tantos detalhes, só foi possível graças a você, Gracinha! Um verdadeiro documento histórico... que assim termina:

As crianças estão lindas... veja no meu orkut.. coloquei lá umas
fotos...
bom acho que já falei demais.. nem sei se voce vai conseguir
ler tudo..
beijos.. te amo.. continue orando..

bye
  gracinha
Pois é. Analisando o fim da mensagem, pode-se concluir que 1) as crianças crescem muito rápido; 2) somos da época do Orkut... e 3) os parentes da noiva são todos (ou melhor, quase todos) super crentes.

Obrigada, Gra. Que presente gostoso de receber! Como diz a Bíblia e minha vó, sua tia Kilda, recitava: "Até aqui nos ajudou o Senhor!" Sete anos de amor cada vez maior!



Beijos, Gra! Meus, do Bruno, e do Hercules Netuno. Que agora poderá se chamar ou Ulysses ou Tobias. Com cara de que nome será que ele vai nascer?

Esta postagem é dedicada à nossa colaboradora, Gracinha. Da direita pra esquerda, ela com sua mãe (Tia Santa) e o Tio Joel -- que estão no céu...