quarta-feira, 18 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Sexta-feira treze

Quinta-feira é o dia mais lindo da semana. Sexta não tenho aula, não dou aula, precede o sábado, pre-precede o domingo... quinta-feira é um dia oáááátimo. Aaaawesome!
Já é uma da manhã, portanto, já é sexta-feira e fui pra cama mas não dormi. Dor na consciência de não atualizar blog, não responder comentário. Mas não é por preguiça... juro.
Gente eu tô ficando velha. E foi-se o tempo em que eu estava ficando pra titia. Agora eu tô mais pra tia-avó.
Verdade verdadeira. Não é metáfora. Nem manha. Realmente, SEREI tia-avó! Grand-aunt, very soon.
Consegui terminar meu final draft de Cinema Cubano a tempo. Estudo comparativo entre os Cinemas Revolucionários Cubano e de Glauber Rocha.
Cuban Imperfect Cinema and Brazilian Cinema Novo. This is the title of my final project. Glauber Rocha foi o Chê do Brasil. Acho que ele queria que o Brasil fosse uma grande Cuba.
Em Charlotte chuva e frio já tem três dias. Final de semestre. Natal chegando. Propagandas natalescas pipocando nas vitrines da TV.
No dia que eu descobri que eu serei tia-avó eu fiquei bipolar. E ainda estou.
Por aqui não se fala em outra coisa que não o apagão no Rio. Sim, porque o Rio sendo a sede das próximas Olimpíadas, o Paraguai e os demais estados brasileiros - palcos do blecautchi - não viram notícia.
Piada jornalesca da charlótea: como o Rio quer ser sede das Olimpíadas se não paga as próprias contas? Neste caso, a conta de luz, caso alguém não tenha entendido a piada.
Hmmm... que mais? Acho que só. Tem mais novidade não.
Neste very moment 1:18 AM. Na sala, downstairs. Barulho do aquecimento, tic-tac do relógio, plecplecplec das teclas do computador. E uma cervejinha pra dar sono.
Mas o sono não vem. Vou produzir umas idéias. Carpe madrugadem.
Já é uma da manhã, portanto, já é sexta-feira e fui pra cama mas não dormi. Dor na consciência de não atualizar blog, não responder comentário. Mas não é por preguiça... juro.
Gente eu tô ficando velha. E foi-se o tempo em que eu estava ficando pra titia. Agora eu tô mais pra tia-avó.
Verdade verdadeira. Não é metáfora. Nem manha. Realmente, SEREI tia-avó! Grand-aunt, very soon.
Consegui terminar meu final draft de Cinema Cubano a tempo. Estudo comparativo entre os Cinemas Revolucionários Cubano e de Glauber Rocha.
Cuban Imperfect Cinema and Brazilian Cinema Novo. This is the title of my final project. Glauber Rocha foi o Chê do Brasil. Acho que ele queria que o Brasil fosse uma grande Cuba.
Em Charlotte chuva e frio já tem três dias. Final de semestre. Natal chegando. Propagandas natalescas pipocando nas vitrines da TV.
No dia que eu descobri que eu serei tia-avó eu fiquei bipolar. E ainda estou.
Por aqui não se fala em outra coisa que não o apagão no Rio. Sim, porque o Rio sendo a sede das próximas Olimpíadas, o Paraguai e os demais estados brasileiros - palcos do blecautchi - não viram notícia.
Piada jornalesca da charlótea: como o Rio quer ser sede das Olimpíadas se não paga as próprias contas? Neste caso, a conta de luz, caso alguém não tenha entendido a piada.
Hmmm... que mais? Acho que só. Tem mais novidade não.
Neste very moment 1:18 AM. Na sala, downstairs. Barulho do aquecimento, tic-tac do relógio, plecplecplec das teclas do computador. E uma cervejinha pra dar sono.
Mas o sono não vem. Vou produzir umas idéias. Carpe madrugadem.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O Aniversário!
Uma das minhas turmas de Protuguese Classes resolveu comemorar o aniversário de um aluno na sala. Foi uma festa surpresa planejada pelo John, meu aluno mais velho (de camisa azul no lado direito da foto).
Ele mandou fazer um bolo especial para a ocasião, e olha que bonitinho que ficou!
Eu achei engraçado, "O Aniversário", mas pelo menos foi bem didático. E não disse nada sobre o que geralmente se escreve nos bolos (o nome do aniversariante, ou ainda, Parabéns, Fulano!) , porque afinal de contas, aula é aula... festa é festa.
E agora eles já sabem cantar "Parabéns pra você". Na próxima festinha vou ensinar "Com quem será", hehehehe...
Me acharam na foto? Uma dica: estou com a jaqueta de couro bege que ganhei da Vó Vivinha.
Me acharam na foto? Uma dica: estou com a jaqueta de couro bege que ganhei da Vó Vivinha.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Carta Outonal

E assim o tempo vai passando, e o vento sussurando sucessivas estações. E nestas folhas de plátano que se deixam cair rubras e graciosas no gramado do quintal, escuto lamentos, canções. Uma sensação de saudade inevitável sempre invade as horas vagas do meu coração. No meu pulso, o relógio sibila os segundos que vagarosamente - por ínfimos que sejam - aumentam tic-tac tic-tac tic-tac alimentam tic-tac tic-tac o meu amor, tic-tac a minha saudade.
Falo por mim, mas façam também do Bruno as minhas nostálgicas palavras. No calor da distância, na ausência das visitas, na fria constatação de que há de se levar a vida, não importa onde, nem o tamanho da ferida, sim temos de constatar que vamos bem, obrigado! Contudo, todavia, dentro da medida, desconsiderando aquela dorzinha de não tê-los por perto, nunca antes na nossa história tivemos tanta convicção de nossas conquistas. Somos felizes! E estamos com saudades.
Trabalhando muito, se divertindo um pouco, aos poucos a gente vai se agregando à nova realidade, se acostumando com ela e, para tornar tal processo um pouco mais fácil, vai assim deixando de lado as atualizações do que era para ser um diário de bordo, as visitinhas premiadas com comentários nos blogs prediletos, os chats eletrônicos via twitter, msn, orkut ou skype. A vida exige demais da gente. A gente exige demais da vida.
A verdade é que o tempo vai passando sem deixar tempo pelo caminho. E nessas horas que não passam tic-tac-tic-tac nove meses já se foram tic-tac-tic-tac muitas águas já rolaram tic-tac-tic-tac mas nenhuma novidade tic-tac tic-tac. Já são meia noite e cinco tic-tac-tic-tac e o Bruno está dormindo tic-tac-tic-tac eu bebendo vinho tinto tic-tac-tic-tac nesta noite de outono.
As baratas rarearam, se bem que ante-ontem uma apareceu para encarar o destino trágico fatal do aerosol. Amanhã é dia de Maria, mais dois trabalhos para fazer de Cinema Cubano, aula pra preparar, e ainda por cima festinha na casa do Arthur que mora logo ali na Carolina do Sul. Conseguirá Panda Lemon cumprir com todas as suas tarefas domésticas estudantis docentes e sociais? Provavelmente não. Para que fazer no sábado o que se pode fazer no domingo e na segunda?
Limpamos o terreno da horta na semana passada. Agora jazem ali um pé de hortelã e um de manjericão, já ficando queimados da friaca charlotteana. Ano que vem espero Dondaliet nova em folha para plantar nova horta, desta vez com menos pepinos... mas antes disso, esperamos Caetano, para dar mais graça ao nosso primeiro feriado de Ação de Graças. E por enquanto é só, pessoal! Até a próxima carta - quiçá outonal.
Falo por mim, mas façam também do Bruno as minhas nostálgicas palavras. No calor da distância, na ausência das visitas, na fria constatação de que há de se levar a vida, não importa onde, nem o tamanho da ferida, sim temos de constatar que vamos bem, obrigado! Contudo, todavia, dentro da medida, desconsiderando aquela dorzinha de não tê-los por perto, nunca antes na nossa história tivemos tanta convicção de nossas conquistas. Somos felizes! E estamos com saudades.
Trabalhando muito, se divertindo um pouco, aos poucos a gente vai se agregando à nova realidade, se acostumando com ela e, para tornar tal processo um pouco mais fácil, vai assim deixando de lado as atualizações do que era para ser um diário de bordo, as visitinhas premiadas com comentários nos blogs prediletos, os chats eletrônicos via twitter, msn, orkut ou skype. A vida exige demais da gente. A gente exige demais da vida.
A verdade é que o tempo vai passando sem deixar tempo pelo caminho. E nessas horas que não passam tic-tac-tic-tac nove meses já se foram tic-tac-tic-tac muitas águas já rolaram tic-tac-tic-tac mas nenhuma novidade tic-tac tic-tac. Já são meia noite e cinco tic-tac-tic-tac e o Bruno está dormindo tic-tac-tic-tac eu bebendo vinho tinto tic-tac-tic-tac nesta noite de outono.
As baratas rarearam, se bem que ante-ontem uma apareceu para encarar o destino trágico fatal do aerosol. Amanhã é dia de Maria, mais dois trabalhos para fazer de Cinema Cubano, aula pra preparar, e ainda por cima festinha na casa do Arthur que mora logo ali na Carolina do Sul. Conseguirá Panda Lemon cumprir com todas as suas tarefas domésticas estudantis docentes e sociais? Provavelmente não. Para que fazer no sábado o que se pode fazer no domingo e na segunda?
Limpamos o terreno da horta na semana passada. Agora jazem ali um pé de hortelã e um de manjericão, já ficando queimados da friaca charlotteana. Ano que vem espero Dondaliet nova em folha para plantar nova horta, desta vez com menos pepinos... mas antes disso, esperamos Caetano, para dar mais graça ao nosso primeiro feriado de Ação de Graças. E por enquanto é só, pessoal! Até a próxima carta - quiçá outonal.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Eu, me, comigo.
Chamaram-me Alexandra desde o dia em que nasci.
O tempo foi passando e, é claro, eu cresci.
Passou o tempo, passou o ônibus, passou o Halley, mas eu não vi.
Aliás, perdi muita coisa.
E na insignificância de minha existência, ainda não fiz nada de muito importante.
Mas ao longo do caminho eu, errante,
aprendi que – como tudo – o muito importante
é muito relativo.
Mesmo assim, não entendo nada sobre a relatividade das coisas.
Para mim, ela é somente uma explicação simples pra tudo.
E talvez seja por isso que simplicidade resida nas coisas mais belas do mundo.
Mas peraí! O mundo não é complexo?
E existe coisa mais relativa do que as coisas mais belas do mundo?
Não, definitivamente! Não posso discorrer sobre a complexa relatividade de tudo.
Do belo, do mundo, de mim e de todos.
O paradoxo é inevitável.
Todos os caminhos são ruas sem saída.
Sei que minha história será apenas mais uma parábola.
Uma repetição de tudo que nasce, cresce, fortalece, reproduz, enfraquece e depois morre.
E assim, recolhida em minha finitude, ajudo a expandir o infinito circundante.
Explosões de constante mudança pulsam em mim agora e a cada segundo.
Nunca fui a mesma pessoa.
Nunca serei.
O tempo foi passando e, é claro, eu cresci.
Passou o tempo, passou o ônibus, passou o Halley, mas eu não vi.
Aliás, perdi muita coisa.
E na insignificância de minha existência, ainda não fiz nada de muito importante.
Mas ao longo do caminho eu, errante,
aprendi que – como tudo – o muito importante
é muito relativo.
Mesmo assim, não entendo nada sobre a relatividade das coisas.
Para mim, ela é somente uma explicação simples pra tudo.
E talvez seja por isso que simplicidade resida nas coisas mais belas do mundo.
Mas peraí! O mundo não é complexo?
E existe coisa mais relativa do que as coisas mais belas do mundo?
Não, definitivamente! Não posso discorrer sobre a complexa relatividade de tudo.
Do belo, do mundo, de mim e de todos.
O paradoxo é inevitável.
Todos os caminhos são ruas sem saída.
Sei que minha história será apenas mais uma parábola.
Uma repetição de tudo que nasce, cresce, fortalece, reproduz, enfraquece e depois morre.
E assim, recolhida em minha finitude, ajudo a expandir o infinito circundante.
Explosões de constante mudança pulsam em mim agora e a cada segundo.
Nunca fui a mesma pessoa.
Nunca serei.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Fantasmas do Largo

Num dos casarões mal-assombrados do Largo da Ordem, num boteco bem sujo mas muito bem frequentado por uma freguesia de bêbados, artistas e burocratas das classes média e burguesa-decadente curitibanas, encontrei Ruan e Taiana. Era o fim de uma tarde sem vento, de um céu carregado e um calor incomum para a paisagem.
Ruan era a mesma pessoa: baixo, jambo, invocado, mal-humorado. Taiana fisicamente não mudara também, baixinha, magrinha, bocuda, sorridente, dentes bem grandes mas alinhados, cabelos escorridos pretos, com franja. Casados recentemente. Namoraram desde crianças. Na época do colégio, viviam brigando e fazendo as pazes, e pelo que pude notar nesta ocasião, as coisas continuavam as mesmas. Ruan estúpido, Taiana sorridente. Em cada dentão de Taiana reluziam boas doses de paciência para com seu par. E Ruan não fazia questão mesmo de ser simpático, e sua sinceridade às vezes irritava.
Agora já beirando os 30, as convenções da sociedade o tornaram um Ruan mal-humorado e meio mudo. Pra não ter que ser sincero, preferiu se calar, mas demonstrava no corpo uma certa indiferença forçada, um desprezo pelas pessoas e pela mulher, porque sentado assim meio largado na cadeira, com um braço esticado alcançando o copo, e o outro apoiando a cabeça, dava pra ver que ele ainda era a mesma criança triste e enfadonha, só que agora ele não dizia tudo que pensava e isso o deixara mais velho e um pouco calvo.
Taiana ninguém podia imaginar que passava dos 30, seu sorriso pueril e rostinho anjelical enganavam bem. Eu nunca confiei muito nela, confesso, e além de paciência, via nos seus dentões sempre à mostra um quê de falsidade, porque para mim não era possível alguém sempre estar feliz às sete horas da manhã fazendo fila pra cantar o hino nacional. Talvez eu tivesse inveja de sua disposição matinal. Talvez eu tivesse uma pontinha de ciúmes porque ela era bonita e tinha namorado, e eu era feia e todos caçoavam de mim e me chamavam de juruna, e porque eu, e não ela, era alvo das bulers, amigas da minha irmã.
Talvez eu invejasse sua capacidade para comer e não engordar; ela sempre comia bom-bons, pipoca, salgadinho, e no almoço, daquele prato feito - salada, bife acebolado e uma montanha de arroz e feijão - não sobrava nada, ela ainda trazia uma banana na lancheira e comia junto. Eu também devia ter inveja de ela gostar de salada e ter coragem de comer uma banana assim, na cantina, na frente de todo mundo. Eu tinha vergonha de comer banana porque sempre achei que juruna era um tipo de macaco e as pessoas iriam caçoar ainda mais de mim; assim, minhas bananas apodreciam na mala, embolorando meus cadernos e cartilhas, fazendo a professora, minha mãe e meu pai brigarem comigo.
Mas agora eu não lembrava dessas coisas, eu estava feliz de reencontrá-los assim, do nada, naquela tarde curitibana pesada e escura, naquele bar decadente frequentado por fantasmas da burgesia do Largo da Ordem. Tomei uma cerveja com eles e trocamos frases feitas, fizemos perguntas retóricas como o que tem feito, tem visto o fulano?, você não mudou nada, quem te viu quem te vê, e conversa vai, conversa vem, copos de cerveja vazios, cheios, vazios, cheios, a noite foi caindo e as luzes se acendendo, aquela garoinha sem-vergonha deixando a tarde ainda mais surreal, indecisa agora entre o chumbo e o vermelho de um sol de outono prestes a nos deixar.
Vinte e poucos anos depois, e ainda assim sem assunto, nos pusemos a observar aquele véu de cerração que não molhava nada além dos paralelepípedos, fazendo brotar no chão um limo que ora ou outra quase derrubava o sujeito desavisado. Ruan olhava as pessoas destraído da mulher e de mim, e disse, com seu falar satsibissatsi, que asssim que alguém esscorregassse ele ia se levantar para ir ao banheiro. Foi uma das poucas coisas que ele disse sorrindo. E como não fosse mais possível, Ruan desistiu de esperar e foi ao banheiro, mas antes de alcançar os degraus do boteco, escorregou e levou um tombo fenomenal, daqueles em câmera lenta.
De pronto eu e Taiana levamos um susto, tentamos segurar o riso mas não conseguimos, e ele ficou puto, não aceitou a ajuda dela para se levantar e foi pisando pesado pro banheiro. Na volta ele pegou a mulher pelo braço e disse que se visse ela se engraçar de novo pra outra mesa lhe dava uma surra, deixou uma nota de 50 e os dois se foram, ele andando rápido, ela correndinho atrás, olhando pra mim e dando tchauzinho, sempre sorrindo.
As luzes amareladas acentuavam ainda mais a neblina-quase-garoa curitibana, e o calor abafado fazia uma fumaça rala emanar dos paralelepípedos. Eu continuei ali, olhando os dois sumirem no Largo. Achei tão bonita minha cidade surreal, embaçada num sorriso sarcástico que no canto dos meus lábios se desenhava, como num alívio... alívio saudoso... de não mais fazer parte daquela cena, de não mais pertencer à paisagem que insistia em me apagar daquela mesa úmida. Alívio de naquele momento ter compreendido, numa epifania meio embriagada, de que eu acabara de exorcisar os meus fantasmas do Martinus.
Ruan era a mesma pessoa: baixo, jambo, invocado, mal-humorado. Taiana fisicamente não mudara também, baixinha, magrinha, bocuda, sorridente, dentes bem grandes mas alinhados, cabelos escorridos pretos, com franja. Casados recentemente. Namoraram desde crianças. Na época do colégio, viviam brigando e fazendo as pazes, e pelo que pude notar nesta ocasião, as coisas continuavam as mesmas. Ruan estúpido, Taiana sorridente. Em cada dentão de Taiana reluziam boas doses de paciência para com seu par. E Ruan não fazia questão mesmo de ser simpático, e sua sinceridade às vezes irritava.
Agora já beirando os 30, as convenções da sociedade o tornaram um Ruan mal-humorado e meio mudo. Pra não ter que ser sincero, preferiu se calar, mas demonstrava no corpo uma certa indiferença forçada, um desprezo pelas pessoas e pela mulher, porque sentado assim meio largado na cadeira, com um braço esticado alcançando o copo, e o outro apoiando a cabeça, dava pra ver que ele ainda era a mesma criança triste e enfadonha, só que agora ele não dizia tudo que pensava e isso o deixara mais velho e um pouco calvo.
Taiana ninguém podia imaginar que passava dos 30, seu sorriso pueril e rostinho anjelical enganavam bem. Eu nunca confiei muito nela, confesso, e além de paciência, via nos seus dentões sempre à mostra um quê de falsidade, porque para mim não era possível alguém sempre estar feliz às sete horas da manhã fazendo fila pra cantar o hino nacional. Talvez eu tivesse inveja de sua disposição matinal. Talvez eu tivesse uma pontinha de ciúmes porque ela era bonita e tinha namorado, e eu era feia e todos caçoavam de mim e me chamavam de juruna, e porque eu, e não ela, era alvo das bulers, amigas da minha irmã.
Talvez eu invejasse sua capacidade para comer e não engordar; ela sempre comia bom-bons, pipoca, salgadinho, e no almoço, daquele prato feito - salada, bife acebolado e uma montanha de arroz e feijão - não sobrava nada, ela ainda trazia uma banana na lancheira e comia junto. Eu também devia ter inveja de ela gostar de salada e ter coragem de comer uma banana assim, na cantina, na frente de todo mundo. Eu tinha vergonha de comer banana porque sempre achei que juruna era um tipo de macaco e as pessoas iriam caçoar ainda mais de mim; assim, minhas bananas apodreciam na mala, embolorando meus cadernos e cartilhas, fazendo a professora, minha mãe e meu pai brigarem comigo.
Mas agora eu não lembrava dessas coisas, eu estava feliz de reencontrá-los assim, do nada, naquela tarde curitibana pesada e escura, naquele bar decadente frequentado por fantasmas da burgesia do Largo da Ordem. Tomei uma cerveja com eles e trocamos frases feitas, fizemos perguntas retóricas como o que tem feito, tem visto o fulano?, você não mudou nada, quem te viu quem te vê, e conversa vai, conversa vem, copos de cerveja vazios, cheios, vazios, cheios, a noite foi caindo e as luzes se acendendo, aquela garoinha sem-vergonha deixando a tarde ainda mais surreal, indecisa agora entre o chumbo e o vermelho de um sol de outono prestes a nos deixar.
Vinte e poucos anos depois, e ainda assim sem assunto, nos pusemos a observar aquele véu de cerração que não molhava nada além dos paralelepípedos, fazendo brotar no chão um limo que ora ou outra quase derrubava o sujeito desavisado. Ruan olhava as pessoas destraído da mulher e de mim, e disse, com seu falar satsibissatsi, que asssim que alguém esscorregassse ele ia se levantar para ir ao banheiro. Foi uma das poucas coisas que ele disse sorrindo. E como não fosse mais possível, Ruan desistiu de esperar e foi ao banheiro, mas antes de alcançar os degraus do boteco, escorregou e levou um tombo fenomenal, daqueles em câmera lenta.
De pronto eu e Taiana levamos um susto, tentamos segurar o riso mas não conseguimos, e ele ficou puto, não aceitou a ajuda dela para se levantar e foi pisando pesado pro banheiro. Na volta ele pegou a mulher pelo braço e disse que se visse ela se engraçar de novo pra outra mesa lhe dava uma surra, deixou uma nota de 50 e os dois se foram, ele andando rápido, ela correndinho atrás, olhando pra mim e dando tchauzinho, sempre sorrindo.
As luzes amareladas acentuavam ainda mais a neblina-quase-garoa curitibana, e o calor abafado fazia uma fumaça rala emanar dos paralelepípedos. Eu continuei ali, olhando os dois sumirem no Largo. Achei tão bonita minha cidade surreal, embaçada num sorriso sarcástico que no canto dos meus lábios se desenhava, como num alívio... alívio saudoso... de não mais fazer parte daquela cena, de não mais pertencer à paisagem que insistia em me apagar daquela mesa úmida. Alívio de naquele momento ter compreendido, numa epifania meio embriagada, de que eu acabara de exorcisar os meus fantasmas do Martinus.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
O SEXTO DEDO UNIVERSAL!

Agora o nosso disco pode ser inteiramente comprado/downloadeado no I-Tunes, no Tune-Core e na Free Amazon.
Mas não é só isso! Se você ou seu amigo exilado preferirem adquirir apenas algumas falanges, ou seja, somente algumas músicas, não tem problema. O ambiente democrático da net faz com que seja possível adquirir quantas músicas quiser sem pagar a mais por isso!
Ao adquirir um produto Criaturas você estará ajudando a banda a se reunir para uma série de shows com músicas inéditas no Brasil no início do ano que vem. Por isso, ajude a divulgar o Sexto Dedo!
Não deixem o sonho acabar!
O Homem-Mosca ainda voa!
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Paranoia #1: A vingança das baratas.
Chovia muito aquela noite e eu não pude ir fumar no quintal. Chovia torrencialmente. E eu não pude dormir sem antes fumar um cigarro. Mas fumar dentro de casa podia eu tampouco. Fui para a garagem. Resolvi não acender a luz, não sei por que cargas d'água. Acendi o cigarro. A primeira tragada sempre me arranca uma careta, que apesar de estar no escuro, longe de qualquer reflexo, pude visualisar perfeitamente. De repente me dei conta de que o escuro me desviava o prazer das tragadas, como se não ver a fumaça fosse prejudicial à saúde. A garagem cheia de tralhas, e eu no escuro. Vai que uma aranha...
Assim que acendi a luz, vi uma barata. Ela estava andando, tive nítida impressão, em minha direção; fez meia volta assim que a luz se acendeu. Por sorte tinha na prateleira um aerosol para baratas, formigas e outros insetos. Não hesitei. Cheguei com a lata bem perto da cascuda e lancei o spray nas suas costas, ela tentou voar mas só andou rapidinho, tonteou, subiu na parede, caiu de costas. Mais spray na barriguinha, morre filha da puta, olha o laquê, eu sarcástica pensava baixinho e ao mesmo tempo lembrava do clássico de Kafka. Um pouco sufocada do veneno e das rajadas de fumaça que eu soprava na barata ofegantemente, dado que a garagem era fechada, resolvi apagar o cigarro e a luz, chega de inalantes venenosos por hoje, eu pensei, vou tomar um leite antes de dormir. Amanhã varro a defunta.
Abri a geladeira e cheirei a caixinha do leite, não tava azedo ainda - curioso porque já devia estar aberto há mais de uma semana. Tomei um gole meio grosso, viscoso, quase iogurte. Resolvi segurar a ânsia porque aprendi na sétima série que leite era básico e que fazia bem para ácidas intoxicações, equilibrava o PH e essa merda toda, just in case o veneno da barata se voltasse contra a envenenadora.
Subi as escadas. Como de praxe, quando cheguei no último degrau, lembrei de pegar o isqueiro na garagem, dado que aquilo é uma estufa e que o calor é infernal, vai que vaza ou explode... abri a porta, desci os dois degraus e tateei a prateleira pra procurar o isqueiro, mas não senti nada na mão, e bem estranhamente, senti algo no pé. Chutei o ar com veemência, meu chinelo voou longe, será que a porra da barata... acendi a luz. Não era a barata. Era uma legião delas, uma legião de cinco ou seis, eu confesso, mas o suficiente pra me arrancar um berro no romper da madrugada.
Peguei o veneno e jateei aos sete ventos, sacudi a roupa, comecei a me coçar inteira e estapear as pernas, a cabeça, os braços, tamanha a paranóia de que mil baratas me escalavam o corpo, tipo Indiana Jones. Tudo isso eu fazia com uma mão - e enquanto pulava como um pajé em cerimônia de cura, cuidando bem pra não pisar na barata morta e sentir aquele cleque - a outra acionava o aerosol em mim, no ar, no chão. Fiquei naquela dança patética bem umas frações de segundo até retomar o controle da situação. Muito bem! Baratas tontas, eu também. Esqueci do isqueiro e voltei pra cama só com um pé de chinelo.
Aquela noite tive muitos pesadelos e no dia seguinte acordei um caco. Vomitei uma gosma verde e espumante no chão. Na garagem, mil formigas devoravam as baratas envenenadas, e eu pensei, que porra de veneno que também mata formiga uma ova! e resmunguei escárnios inteligíveis enquanto pegava meu chinelo virado num canto. Mais veneninho, agora nas formigas. Algumas morriam, outras dispersavam, algumas nem tchum.
Maldito calor, maldito veneno, malditos insetos, preciso de um cigarro, cadê meu isqueiro?
Assim que acendi a luz, vi uma barata. Ela estava andando, tive nítida impressão, em minha direção; fez meia volta assim que a luz se acendeu. Por sorte tinha na prateleira um aerosol para baratas, formigas e outros insetos. Não hesitei. Cheguei com a lata bem perto da cascuda e lancei o spray nas suas costas, ela tentou voar mas só andou rapidinho, tonteou, subiu na parede, caiu de costas. Mais spray na barriguinha, morre filha da puta, olha o laquê, eu sarcástica pensava baixinho e ao mesmo tempo lembrava do clássico de Kafka. Um pouco sufocada do veneno e das rajadas de fumaça que eu soprava na barata ofegantemente, dado que a garagem era fechada, resolvi apagar o cigarro e a luz, chega de inalantes venenosos por hoje, eu pensei, vou tomar um leite antes de dormir. Amanhã varro a defunta.
Abri a geladeira e cheirei a caixinha do leite, não tava azedo ainda - curioso porque já devia estar aberto há mais de uma semana. Tomei um gole meio grosso, viscoso, quase iogurte. Resolvi segurar a ânsia porque aprendi na sétima série que leite era básico e que fazia bem para ácidas intoxicações, equilibrava o PH e essa merda toda, just in case o veneno da barata se voltasse contra a envenenadora.
Subi as escadas. Como de praxe, quando cheguei no último degrau, lembrei de pegar o isqueiro na garagem, dado que aquilo é uma estufa e que o calor é infernal, vai que vaza ou explode... abri a porta, desci os dois degraus e tateei a prateleira pra procurar o isqueiro, mas não senti nada na mão, e bem estranhamente, senti algo no pé. Chutei o ar com veemência, meu chinelo voou longe, será que a porra da barata... acendi a luz. Não era a barata. Era uma legião delas, uma legião de cinco ou seis, eu confesso, mas o suficiente pra me arrancar um berro no romper da madrugada.
Peguei o veneno e jateei aos sete ventos, sacudi a roupa, comecei a me coçar inteira e estapear as pernas, a cabeça, os braços, tamanha a paranóia de que mil baratas me escalavam o corpo, tipo Indiana Jones. Tudo isso eu fazia com uma mão - e enquanto pulava como um pajé em cerimônia de cura, cuidando bem pra não pisar na barata morta e sentir aquele cleque - a outra acionava o aerosol em mim, no ar, no chão. Fiquei naquela dança patética bem umas frações de segundo até retomar o controle da situação. Muito bem! Baratas tontas, eu também. Esqueci do isqueiro e voltei pra cama só com um pé de chinelo.
Aquela noite tive muitos pesadelos e no dia seguinte acordei um caco. Vomitei uma gosma verde e espumante no chão. Na garagem, mil formigas devoravam as baratas envenenadas, e eu pensei, que porra de veneno que também mata formiga uma ova! e resmunguei escárnios inteligíveis enquanto pegava meu chinelo virado num canto. Mais veneninho, agora nas formigas. Algumas morriam, outras dispersavam, algumas nem tchum.
Maldito calor, maldito veneno, malditos insetos, preciso de um cigarro, cadê meu isqueiro?
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Ilustríssimo sogrão

Em foto oficial no Skywalk - Grand Canyon
Tendo em vista vossa alegação de que minha resposta anterior fora insuficiente, venho por meio desta retificar-me junto à vossa adorável pessoa, postando, desta vez, uma mensagem mais cuidadosamente elaborada.
Confesso que meus olhos nem sequer notaram, na primeira e ávida lida, tal volume de equívocos linguísticos cometidos em vosso primeiro comentário, uma vez que atentei não para a forma, mas sim para o conteúdo da mensagem.
Ainda agora me recuso a reparar em tais detalhes, com excessão talvez de "Paninha", que ficou deveras engraçado, lembrando-me de "Flanelinha" - designação daquele tipo de trabalho informal existente no Brasil e demais países em desenvolvimento (sempre fui contra os termos "países subdesenvolvidos" ou "de terceiro mundo". Aliás, existem países de segundo mundo? Haveria uma lacuna semântica em tão injusta nomenclatura?).
Pois bem, tão estimado sogrão! Como tu sabes, impossível não ficar saudosa dos eventos familiares e das especialidades gastronômicas oferecidas nestas ocasiões, mas tal sensação pouco se assemelha ao ciúme ou à inveja, sentimentos esses que fazem mal ao coração podendo até causar gastrite. A saudade, por sua vez, pode doer um pouco, mas com o tempo se torna um estado emocional de certa forma até agradável, de modo que algumas vezes, quando não mais temos motivos para sentir saudades, sentimos saudades de sentir saudades, não é mesmo?
Quanto à nossa foto no Skywalk, tanto ela merece uma postagem especial que o farei tão logo eu a receba em algum formato compatível (gif ou jpg), caso a técnica que me utilizei para extraí-la do PDF não obtenha sucesso.
Sem mais para o momento e certa de que o trabalho não apenas dignifica o homem como também lho proporciona memoráveis aventuras, despeço-me com o ávido desejo de que muitas obras se façam cumprir no decorrer deste ano, para que no vindouro possamos desfrutar do prazer de vossa companhia, quem sabe, no Alasca?
De sua sempre saudosa norinha,
Panda.
Confesso que meus olhos nem sequer notaram, na primeira e ávida lida, tal volume de equívocos linguísticos cometidos em vosso primeiro comentário, uma vez que atentei não para a forma, mas sim para o conteúdo da mensagem.
Ainda agora me recuso a reparar em tais detalhes, com excessão talvez de "Paninha", que ficou deveras engraçado, lembrando-me de "Flanelinha" - designação daquele tipo de trabalho informal existente no Brasil e demais países em desenvolvimento (sempre fui contra os termos "países subdesenvolvidos" ou "de terceiro mundo". Aliás, existem países de segundo mundo? Haveria uma lacuna semântica em tão injusta nomenclatura?).
Pois bem, tão estimado sogrão! Como tu sabes, impossível não ficar saudosa dos eventos familiares e das especialidades gastronômicas oferecidas nestas ocasiões, mas tal sensação pouco se assemelha ao ciúme ou à inveja, sentimentos esses que fazem mal ao coração podendo até causar gastrite. A saudade, por sua vez, pode doer um pouco, mas com o tempo se torna um estado emocional de certa forma até agradável, de modo que algumas vezes, quando não mais temos motivos para sentir saudades, sentimos saudades de sentir saudades, não é mesmo?
Quanto à nossa foto no Skywalk, tanto ela merece uma postagem especial que o farei tão logo eu a receba em algum formato compatível (gif ou jpg), caso a técnica que me utilizei para extraí-la do PDF não obtenha sucesso.
Sem mais para o momento e certa de que o trabalho não apenas dignifica o homem como também lho proporciona memoráveis aventuras, despeço-me com o ávido desejo de que muitas obras se façam cumprir no decorrer deste ano, para que no vindouro possamos desfrutar do prazer de vossa companhia, quem sabe, no Alasca?
De sua sempre saudosa norinha,
Panda.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Grand Canyon Experience
Passeio obrigatório para quem vai a Vegas é visitar a famosa represa Hoover Dam. Famosa mesmo, você certamente já deve tê-la visto no filme do Superman, naquela cena clássica em que ele salva um garotinho que cai de uma barragem. Lembrou? Então.

Esta é a Hoover Dam, que represa o Rio Colorado, cuja nascente fica lá nas montanhas rochosas do estado que leva o mesmo nome (onde eu estava no final de 2007), percorrendo vales e cannions nos desertos de Utah e Arizona, ali fazendo divisa com o estado de Nevada, a mais ou menos umas 30 milhas (aproximadamente 50 quilômetros) de Las Vegas.

Las Vegas, por sua vez, não seria a mesma sem o Rio Colorado e a Hoover Dam. Toda a energia que abastece a cidade e seus incontáveis milhões de luzinhas vem de lá. A represa é de fato a divisa entre os dois estados, e para ir de Nevada para o Arizona em direção ao Cannion, você obrigatoriamente tem que passar pela barragem. A estrutura impressiona. É um gigante no meio do deserto.

Construída no início da década de 30 - época em que o país ainda era assolado pela Grande Depressão - a Hoover Dam ficou pronta em 1936, dois anos antes do planejado. Toneladas de pedras tiveram que ser removidas dando lugar às toneladas de concreto necessárias para levantar o paredão que represa o rio. É, sem dúvida, uma das maravilhas da engenharia moderna.

Chegando no estado do Arizona, a paisagem já começa a ficar diferente, e paredões de rochas e montanhas levantam-se no horizonte do deserto, já nos dando uma noção da magnitude do Grand Cannion e, inevitavelmente, nos lembrando daqueles filmes de bang-bang que assistíamos na Seção da Tarde em nossa infância. Eu olhava praquilo ali e só ficava esperando pra ver um índio surgir no topo de uma pedra, ou quem sabe, um cowboy daqueles do mundo de Marlboro.

Mais uns bons 50 quilômetros de highway e estrada de terra, você chega na reserva dos índios Hualapai, que construíram a mais nova atração do deserto, o Sky Walk.

Uma estrutura metálica e de vidro que, presa a um dos paredões do cannion, avança para o precipício em direção à outra margem, que fica a uns 5 quilômetros de distância. Além de desembolsar alguns dólares, você precisa de uma boa dose de coragem pra encarar a aventura. Dá um frio no saco!

Impressionante que antes de entrar nesta atração você fica ali, no topo do cannion, e entre você e o abismo não tem nenhuma gradezinha sequer. O único dispositivo de segurança é um aviso mui amigo do guia turístico: não se aproxime demais da margem e não ande fora da via asfaltada, o deserto tem cobras e escorpiões e o hospital mais próximo fica em Las Vegas!
Mesmo assim, impossível não se aventurar e escalar as formações rochosas para se sentir no topo do mundo. Ta aí uma das paisagens mais encantadoras que nossos olhos já viram, da qual certamente jamais nos esqueceremos!

Agradecimentos mais que especiais ao sogrão e à Fatiminha, que além das fotos desta postagem nos propriciaram estes grandes e memoráveis momentos para enriquecer o conteúdo do meu humilde e desatualizado Diário de Bordo!
Las Vegas, por sua vez, não seria a mesma sem o Rio Colorado e a Hoover Dam. Toda a energia que abastece a cidade e seus incontáveis milhões de luzinhas vem de lá. A represa é de fato a divisa entre os dois estados, e para ir de Nevada para o Arizona em direção ao Cannion, você obrigatoriamente tem que passar pela barragem. A estrutura impressiona. É um gigante no meio do deserto.
Construída no início da década de 30 - época em que o país ainda era assolado pela Grande Depressão - a Hoover Dam ficou pronta em 1936, dois anos antes do planejado. Toneladas de pedras tiveram que ser removidas dando lugar às toneladas de concreto necessárias para levantar o paredão que represa o rio. É, sem dúvida, uma das maravilhas da engenharia moderna.
Chegando no estado do Arizona, a paisagem já começa a ficar diferente, e paredões de rochas e montanhas levantam-se no horizonte do deserto, já nos dando uma noção da magnitude do Grand Cannion e, inevitavelmente, nos lembrando daqueles filmes de bang-bang que assistíamos na Seção da Tarde em nossa infância. Eu olhava praquilo ali e só ficava esperando pra ver um índio surgir no topo de uma pedra, ou quem sabe, um cowboy daqueles do mundo de Marlboro.
Mais uns bons 50 quilômetros de highway e estrada de terra, você chega na reserva dos índios Hualapai, que construíram a mais nova atração do deserto, o Sky Walk.
Uma estrutura metálica e de vidro que, presa a um dos paredões do cannion, avança para o precipício em direção à outra margem, que fica a uns 5 quilômetros de distância. Além de desembolsar alguns dólares, você precisa de uma boa dose de coragem pra encarar a aventura. Dá um frio no saco!
Impressionante que antes de entrar nesta atração você fica ali, no topo do cannion, e entre você e o abismo não tem nenhuma gradezinha sequer. O único dispositivo de segurança é um aviso mui amigo do guia turístico: não se aproxime demais da margem e não ande fora da via asfaltada, o deserto tem cobras e escorpiões e o hospital mais próximo fica em Las Vegas!
Mesmo assim, impossível não se aventurar e escalar as formações rochosas para se sentir no topo do mundo. Ta aí uma das paisagens mais encantadoras que nossos olhos já viram, da qual certamente jamais nos esqueceremos!
Agradecimentos mais que especiais ao sogrão e à Fatiminha, que além das fotos desta postagem nos propriciaram estes grandes e memoráveis momentos para enriquecer o conteúdo do meu humilde e desatualizado Diário de Bordo!
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