segunda-feira, 30 de maio de 2011

Já na Paulicéia



Andei uns dias perdida no mundo real, completamente desconectada do mundo cibernético - o que me deixou mesmo sem rumo, e até desesperada! Não tinha noção de como era dependente de skype, facebook, twitter, blog, e-mail!

Hoje peguei o ônibus no Rio e cheguei em Sampa às sete e meia. A viagem foi boa, apesar de cansativa, e já estou aqui super instalada na casa do meu querido primo Boaz, jantamos na Bella Paulista e agora estamos tocando, cantando, e tomando um vinho pra esquentar do friozim.

Assim que eu estiver mais descansada e tiver um tempinho, vou postar todas as aventuras do Rio com a minha irmã mais linda do mundo Cris Lemos e o pessoal do grupo vocal Brasileirão.

Depooooois eu volto!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Paul again and again!


Mesmo para uma beatlemaníaca sortuda como eu, que já viu esta Up and Coming Tour três vezes, o show de ontem foi uma surpresa e tanto. Uma sensação de ineditismo que não ficou somente no repertório, mas também em todo o processo pelo qual passei antes de sequer saber que iria ao show.

Bem, muito antes de eu chegar aqui no Rio, já estava conformada de que os ingressos tinham se esgotado, mas quando eu soube que meus sobrinhos não poderiam vir mais e precisavam se desfazer dos tickets, nem exitei. Afinal Paul é Paul. Posso ver again and again, e sempre vou me emocionar e surpreender.

O Paul McCartney é nosso!

Boua noitchi Brasil! Boua noitchi Rrriou! Com o "erre" aspiradinho, nada de sotaques retroflexos. Boua noitchi cariocaish! Com sotaque de carioca meijmo! Houdji vou tentar falar Portugueish! Maish também vou falar um poucu em ingleish! O povo ia ao delírio e ele agradecia: Obrigado!

Ao contrário das outras vezes em que ele abriu o show com Magical Mistery Tour, dessa vez ele começou com Hello Goodbye, seguida de Jet! E mais uma vez eu ali, quase pedindo pra alguém me belisca? que eu não estou acreditando? É muita emoção.

Brasileiros são os reis do ié ié ié!

Falar que Sir Paul McCartney encanta o público é redundância. Mas dizer que o público encantou - REALMENTE - o Paul, é sim, necessário. O público brasileiro, além de ter um carinho muito grande pelo ídolo, inventou moda. Rolaram campanhas na internet pra combinar pequenas surpresas pro Paul. Uma delas era cantar: We love you yeah, yeah, yeah! E não deu outra. Todos cantaram. A ponto de o Paul interromper a introdução de uma música - sempre imendada uma na outra, pois o show quase não pára! - e dizer, we love you too! Voceish sao maravilhosush!

Outra surpresinha reservada para o fim do show foram os balões em Hey Jude, e as plaquinhas com NA NA NA no refrão. Ele não acreditava, ele cantava e olhava pros músicos como que dizendo: vocês estão vendo isso? Thanks for the NA NA NA NAS, for the baloons, thank you! Obrigado! Estava visivelmente deslumbrado, encantadíssimo com o nosso público. Assim o show também me proporcionou um grande momento de orgulho de ser brasileiro. Meus glóbulos verde e amarelos se multiplicaram no meu sangue!

Agora também devo elogiar a organização do evento, a educação dos policiais e dos seguranças, a limpeza dos banheiros, o estádio super moderno e com estrutura de não dever nada pros estádios norte-americanos, e inclusive o sistema de transporte (se bem que os tickets da conexão de metrô e trem tinham se esgotado e demoraram um pouco pra chegar, mas este foi o único ponto negativo). Foi tudo nos trinques, não teve erro, apesar da muvuca, não teve empurra empurra, e no final todo mundo seguiu pra estação cantando All we are saying is give peace a chance porque o Rio, mesmo com essa história de favela pacificada, ainda precisa cantar muito esse refrão...

Surfista de Trem

Engenho de Dentro, quem não saltar agora só no Realengo. Essas letras maluquetes do Jorge Benjor ontem fizeram mais sentido que nunca. Pegamos o metrô em Copa e saltamos na estação Central do Brasil, e de lá pegamos o trem, passamos Engenho Novo até chegarmos no Engenho de Dentro, onde fica o estádio do Engenhão.

Aposto que ontem a malandragem batalhadora que pega o trem todo dia, ficou surpresa com a brancura dos passageiros que estavam nos trilhos da Central do Brasil junto com eles! Foi um contraste cultural muitíssimo interessante de observar. Lembrei daquela música do Chico, que fala da profissionalização do malandro carioca: "dizem as más línguas que ele até trabalha, mora lá longe e chacoalha, no trem da central!"

Ps.: Aguardando fotos. Assim que elas chegarem, posto aqui com um videozim.

domingo, 22 de maio de 2011

Carioca dreaming: a noite não pára!

Ói que bonita que eu sô! E sempre humilde.

Depois da jantinha Bruninha e João chegaram e jogamos duas rodadas de Quem Sou Eu: eu, Cris, Rondeau e o casal. Fomos na primeira leva Silvio Santos, Brad Pitt, Che Guevara, Ringo Star e Tiririca, e na segunda Pipoca (vide postagem posterior), Lula, Madona, Bart Simpson e Peter Pan.

Eis que o telefone toca e era Zé Ivan me avisando que estava já em solo carioca num boteco a duas quadras daqui. Ele, a Taísa, a sogra, a Lady Dai, o Eder (sem seus problemas) e mais uns amigos. Fui ao encontro deles, e de outra coisa importante que portavam: meus ingressos!!!

Tomei 4 tulipas da Brahma, conversamos muito sobre muitas coisas, lembramos de várias outras, contamos novidades, compartilhamos conquistas, angústias, crônicas da vida privada que dariam pelo menos uns quatro standout comedies diferentes. É. Amigos quando se encontram. Fechamos o boteco e fomos pro hotel levar as ladies e pegar os ingressos que lá estavam.

Caminhamos pela praia, um friozinho bom, fresquinho, fizemos ginástica nos equipamentos ishpéahrtuish de Copacabana dreaming, e fomos deixar o casal de amigos em casa. Subimos, tomei guaraná, conversamos papos maluquíssimos sobre Obama, Osama, Líbia, Egito, Moisés, buzinas e a bíblia, papo de borrachos com uma certa dose de massa cinzenta, e depois viemos me deixar sã e salva aqui na casa dos meus adoráveis hostes antes de seguir pra onde estão ficando, que é logo ali - mas não sei onde!

Seguindo o conselho de João bati o portãozinho com fúria pra acordar o porteiro, e realmente, ele não se demorou a dar um bom dia, como resposta ao meu descontraído boa noite. Fiquei surpresa. Quase amanhecendo! Eu sem relógio, ou celular, ou preocupação com que horas são. Fazia tempo que o tempo não passava assim tão rápido...

Mas também quando saí já era mais de meia noite, e o Rio estava fervendo a confortáveis 20 graus, de um jeito quase curitibano, maish malandramente carioca, burguês decadente, e mesmo assim estonteante! Carioca dreaming!

Só que o tal bondinho amanhã 9:30? Nem pensar! Quero descansar bem, dormir até mais tarde, ir pro Paul e cantar muito! Incrível como fazemos planos inalcançáveis quando bebemos. Pão de Açúcar às 9:30... hehehehe... ma nem se e for em sonho! Agora o Paul sim, será real. E o fim do mundo? Tst. Not for real!

sábado, 21 de maio de 2011

Sábado dia de descanso o k@#$%&*!

Hoje fiz mais duas entrevistas. A primeira com o meu host José Emílio Rondeau, marido da Cris, sogra da Bruninha, namorada do João Paulo, que ficou lá na nossa casa em Charlotte quando fez intercâmbio na UNC. E foi assim que começou toda essa história de eu aqui, na casa deles, no Rio. Quando o João chegou em Charlotte, viu na nossa estante o livro Sexo, Drogas e Rolling Stones, e exclamou: olha, vocês têm o livro do meu padrasto! 

Não acreditei. Por isso que eu sempre digo que nada acontece por acaso. Não foi por acaso que coloquei esse livro na minha lista de casamento, e que a Deborazinha e o Diego nos presentearam com ele. Não foi por acaso que o Bruno me levou pra Charlotte. Não por acaso, João ficou uns dias lá em casa. Não por acaso, eu resolvi fazer uma tese sobre o rock brasileiro. Ora! Agora tudo faz total sentido. Depois, mais de tardinha, conversei com outro roqueiro - fanzineiro, jornalista do JB, punk, formador de opinião e crítico musical... as entrevistas acabam por virar papos super descontraídos e interessantes, que o cartãozinho de memória do gravador não tá conseguindo comportar.



Sem falar que parte dessa família maravilhosa que está me recebendo de braços abertos e com todo carinho do mundo, é essa companheirona, linda, gata de olhos azuis, a Pipoca. Ela fica aqui ronronando do meu lado, me dando o maior apoio moral enquanto transcrevo as entrevistas e atualizo esse blog!

No mais, a saudade é grande mas quase não dá tempo pra resmungar, pois a alegria de estar conhecendo tantas pessoas maravilhosas, dispostas a acrescentar tanto pra minha pesquisa, e os papos deliciosos e papazinhos melhores ainda, brasileiros (hoje comi galeto e batata portuguesa no Galeto Piu Piu em Copacabana), estão enchendo minha vida de sabores jamais antes degustados e que ficarão, pra sempre, imprimidos nas papilas coronárias da memória!

Bruno! Não deixe de botar água nas plantinhas, tá? A do lado da mesa, a de cima da mesa, a do lado do armário, a de cima do armário, a do lado do sofá, a mini-rosa do vaso branco, e a que está pendurada na nossa sacadinha. E não fique triste, eu te amo muito. Já já você vem me buscar e vamos nos reencontrar.

Operação Tese de Mestrado: A Primeira Entrevista

Hoje oficialmente comecei as minhas entrevistas pra tese de mestrado. O primeiro entrevistado foi o jornalista, crítico musical e escritor Arthur Dapieve. Que ser humano incrível! Simpático, articulado, objetivo, foram 40 minutos de papo, com direito a um livro autografado no final, o que me deixou assim estonteante, pois o livro está esgotado nas lojas.


Como hoje de manhã devolvi o carro que tinha alugado, pela primeira vez me aventurei no transporte público do Rio. Entrei no ônibus e pedi pro motorista me dar um toque quando chegasse na rua das Laranjeiras, e o cara: claro, tudo bem.

O tempo foi passando e o ônibus desbravando ruelas cada vez mais suspeitas, e passando o túnel de Santa Bárbara era um favelão atrás do outro. Comecei a achar que o Dapieve não devia morar por lá... até que perguntei pro motorista: moço, ainda falta muito pra chegar nas Laranjeiras? E o cara botou as duas mãos na cabeça. Tinha me esquecido! Desci no próximo ponto, onde muitos milicos da PM estavam com suas metralhadoras em riste.  Puta da vida com o incompetente motorista, me joguei na frente de um táxi. O cara voou de volta pras Laranjeiras e ainda consegui chegar na casa do jornalista com 5 minutos de antecedência.

No fim tudo deu certo, e na volta vim conversando com um carioca malandro do morro, que ficou de me indicar o ponto em que eu deveria descer na Barata Ribeiro. Respondendo à sua pergunta se eu já tinha estado em uma favela, disse que não, e ele de quebra me convidou para ver o Cristo e a Lagoa de sua laje! De resto não entendi muito o que o cara dizia porque ele lhe faltavam alguns dentes. E Jesus não tem dentes no país do banguela... viemos comentando os novos armamentos da polícia civil, até que deu a hora de eu descer. Mas essa da laje foi oátima, com certeza a cantada de pedreiro mais original recebi. Malandro é malandro, mané é mané, e eu com o santo forte, sobrevivi às primeiras aventuras no Rio, e amanhã tem mais entrevista, e domingo tem show do Paul, e segunda Biblioteca Nacional.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Rio de Janeiro continua lindo.


Parada em Copacabana para refrescar a cuca: uma água de coco e exercício de respiração até tentar compreender o GPS do carro que aluguei e que quase não soube como dirigir. Mal acostumada com carro automático, direção hidráulica, ar condicionado, freio ABS, cruise control, e outros confortos da modernidade estadounidense.


Vista do pé do morro: Favela da Rocinha. Indo visitar minha ex-aluna em São Conrado. Eis que a Rocinha surge, imponente, mulata e sensual no seio cidade.



Lagoa Rodrigo de Freitas. E quem foi Rodrigo de Freitas? Um português playboyzinho que herdou terras de papai nos idos de 1600? Na parte mais alta da montanha, o Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara.


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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Onírico e Sulfúrico


Entre lendas e constatações
E o óbvio obsidiânico
E o amor telúrico

Entre o rio e a realidade
O inframundo e a cidade
Mora um livro.

Señales que precederán al fin del mundo
"irrepetível, precioso y frágil"

¡Fenomenal!

Review poética y plagio
por Xanda Lemos
para Señales que Precederán al Fin del Mundo:
una novela de Yuri Herrera.

domingo, 8 de maio de 2011

Another Mother's Day



Dia nublado em Cananeia. Mar revolto. Eu, sempre muito valente e metida a sabichona, não quis saber de mais nada, corri em direção ao mar dando barrigada nas ondas e me atirei no oceano - acho que tínhamos acabado de chegar na praia e a minha ansiedade pelo mar sempre me causou problemas.

[Como por exemplo a vez em que vi algo boiando nas marolas; o que julguei ser um boné inflável (????!!!) era uma água viva. Fiquei o verão inteiro com a mão direita inutilizada]

Mal entrei no mar, notei que não dava pé e que não importava o quanto eu nadasse, só via o carro cada vez mais longe. Sofri um afogamento mal sucedido. Meu pai me salvou, me arrancou do fundo das ondas e, tão logo descobriu que eu estava bem, me arrastou pra praia pela orelha, me dando uma bronca daquelas de eu me mijar toda!

Chegando viva no nosso spot, onde minha mãe e minha irmã nos aguardavam, vi meu pai se calar indignado, olhando pro horizonte com o cenho franzido, as mãos na cintura e o peito arfante. Tudo estava difuso, torto e embaçado, meus olhos queimando de sal do mar e das lágrimas. Perdida e humilhada no mormaço quente da areia, o sorriso calmo da minha mãe me veio soprar no rosto como brisa. Ela descascava uma laranja e me perguntou, docemente, se eu queria a "tampa."

Mãe é mãe.

Te amo, mãezinha. Tua simplicidade é a minha maior lição de vida.

sábado, 7 de maio de 2011

Desordem e Regresso


Queridos e abandonados leitores...

Ontem foi o meu último dia do semestre (enquanto mestranda) e posso dizer que, apesar dos pesares, ele terminou com relativo sucesso. Digo relativo porque relaxei, e porque sim, sempre acho que poderia ter feito melhor, que mandei meio mal.

De fato mandei meio mal, mas onde interessava acho que mandei bem, fiz meu trabalho, me superei, deixei de fumar, parei de negar fogo e de negligenciar as coisas boas da vida, e tudo isso se refletiu numa quantidade jamais antes atingida de Bs, com alguns raros As, mas whatever.

Nhé.

Cheguei à conclusão de que não se pode comprometer assim a sanidade mental em nome da perfeição acadêmica. Sogrão e sogrinha vieram pra Charlotte na fase mais critica deste processo e testemunharam minha precária condição física e psicológica. Mas sobrevivi.

Agora preciso organizar a minha vida, meus pensamentos, meus papéis, minha casa, minha mala pra North Myrtle Beach no final de semana que vem, e minha mala pro Brasil, faltam apenas 9 dias para o meu embarque. Mal vejo a hora.

Ontem foi o primeiro dia mais importante da minha vida acadêmica, e defendi minha proposta de tese com humildade, unhas e dentes. No fim tudo deu certo, foi tranquilo, não me senti insegura para responder nenhum dos questionamentos. Meu comitê está ansioso com a minha proposta, que eles todos definiram como "a fascinating project" Eles botam muita fé no meu taco.

Ou seja. Não vou decepcioná-los. Não posso, nem quero. Vou pro Brasil não para me divertir nem pra visitar vocês, amigos e família. Vou para mergulhar fundo na minha pesquisa, conseguir dados e entrevistas, ler, estudar, e escrever muito, pra fazer uma tese de mestrado virar livro e conseguir uma vaga de doutorado em Berkeley, Emory, Duke, Yale? Who knows.

Beijos a todos e especialmente ao meu amor, à minha mãezinha, ao sogrão e à sogrinha e às minhas amigas Latinamericanistas, e professores do meu comitê, e amigos de departamento que sempre confiaram na minha capacidade e me incentivaram DIARIAMENTE em TODAS as minhas conquistas.