sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Connecticut


É quase meu aniversário eu sei. Mas hoje venho aqui lamentar. Com o coração pesado, de luto. Péssimo pesadelo. Incompreensível. Cruel. São incomensuráveis as perdas dessas famílias.

Agora eu me pergunto: que tipo de experiência tiveram esses atiradores malucos, a ponto de terem se tornado tão vis? E como sujeitos dessa estirpe conseguem obter, legalmente, tais letais máquinas mortíferas?

Quão doloroso será o final de ano para esses pais? Eu não sei, nem você sabe, Obama, nem ninguém que teve a sorte de não ter sido eles. Sabemos que é triste e injusto, e só.

Por isso eu gosto dos Pandas. Os Pandas passam metade da vida lutando pela vida. Porque eles, ao contrário de muitos de nós, amam e valorizam a vida. Sabem que ela é frágil. Sabem que o tempo para viver naturalmente acaba. De modo que ninguém nunca verá um panda assassino matando seu pai panda, sua mãe panda, e vinte pandinhas na escola. Prefiro os pandas porque, sendo pandas, são mais humanos do que nós.

Se dia 21 o Mundo Acabar...

...vou morrer no palco com os Bad Folks!


Para mim é muito mais do que uma honra fazer parte desses momentos históricos! Bad Folks é, sem dúvidas, uma das melhores bandas que Curitiba já teve. Esta festa anual já está se tornando uma tradição na cidade, e como de costume, eles convidaram outros artistas para celebrar! Viver a música, a arte, a amizade, o amor, e claro, o rock'n'roll! Nos vemos lá?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Inferninho Astral em Flat Rock

Eu no centro de Hendersonville, nas montanhas da Carolina do Norte.

Em contagem regressiva para o fim do meu inferno astral, procuro com esta postagem amenizar os azares que rondam estes dias que precedem meu aniversário.

Eu tenho um sério problema de estabanamento desde que nasci, e este parece ser o maior agravante do meu inferno astral: ando me esbarrando nas quinas, quase caindo de escadas e quase virando o tornozelo, já torcido muitas vezes, mas como nada de muito grave ocorreu até então, vou atravessando o  inferninho bem feliz. Colecionando roxos, arranhões e vitórias.

Este fim de semana fomos para as montanhas, e considerando a dificuldade de algumas trilhas -- condição em muito piorada pelo final do outono e a quantidade de folhas no chão, que escondem possíveis armadilhas como buracos, pedras e desníveis -- a expedição foi um sucesso. Conhecemos pequenos paraísos fantasmagóricos, já que a paisagem não estava lá aquelas coisas, tudo muito seco, frio, e desolado... acresça-se a isso os sons agourentos dos corvos e a possibilidade de encontrar com algum urso. Ué, no meio de um inferno astral, nunca se sabe o que pode aparecer no caminho. Mas afortunadamente não topamos com nenhum black bear. Apesar de sermos parentes, tenho a impressão de que eles não gostam muito de Pandas.

Bruno na beira da cachoeira.

Sábado à noite, depois de explorarmos vales e montanhas, fomos assistir uma adaptação do Nutcracker (o famoso Quebra-Nozes) do Tchaicovsky. Um teatrinho muito batuta que fica bem em cima da Flat Rock, pedra gigantesca que dá nome ao lugar. A adaptação do ballet ficou muito boa, que incluiu vários tipos de danças modernas e não somente ballet clássico. Musicalmente, porém, a peça deixou a desejar, os arranjos ficaram muito aquém da delicada grandiloquência sinfônica da obra original, que nunca ouvi ao vivo e pensei que esta seria uma oportunidade. Fuen, fuen, fuen. Além da adaptação, era tudo gravação. Mesmo assim, foi lindo, lindo! Deu vontade de sair dançando!

Muito bem! Faltam 5 dias para meu aniversário e para o dia da minha formatura, e a única queixa mais contundente que eu tenho é que NINGUÉM do meu Brasil emocional (digo, das pessoas que realmente fazem parte do que reconheço como meu lugar no Brasil) estará aqui pra me ver. Chuif!

Mas como eu digo, antes um queixume do que uma queixada. Que As Sete Pandas me protejam das argruras do inferninho astral e que me permitam chegar aí no Brasil com todas as vossas encomendas (que de pouco em pouco, foram muitas) na próxima segunda, ao lado do meu querido domador e marido Bruno.

Até loguinho!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Lista de Presentes 2012



Meus caros!

Por incrível que pareça, já estamos naquela época do ano em que ele passou e ninguém viu! Para alguns este momento é de extrema depressão. Para mim, no entanto, é o momento mais esperado do ano inteiro. Afinal, e muito por gostar de ganhar (e de dar) presentes, adoro ir para o Brasil no Natal, e adoro fazer festas de aniversário.

Este ano tenho mais motivos ainda pra comemorar, porque o dia da minha formatura coincidiu com meu aniversário. Melhor para mim, que terei três motivos para ser presenteada: aniversário, formatura e Natal... se o mundo fosse acabar em 2012, eu morreria feliz!

Mas como ele não vai acabar, viverei feliz. Principalmente se ganhar alguns dos itens desta lista... Mas os amigos que eventualmente queiram me surpreender, sintam-se à vontade. Para os que preferem não arriscar, aqui vão as minhas sugestões!

Beijos a todos!


·      Livros:
·       Eu não sou cachorro, não – Paulo Cesar Araújo
·       Dias de Luta – Ricardo Alexandre
·       Renato Russo: o filho da revolução – Carlos Marcelo
·       Roberto Carlos em Detalhes (aquele que era meu e foi extraviado)
·       Quaisquer coletâneas da Mafalda em espanhol - Quino
·       Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil – Leonardo Narloch
·       1822 – Laurentino Gomes
·       Casa Grande e Senzala, Gilberto Freyre
·       Adaptação de Casa Grande e Senzala para quadrinhos, Gilberto Freyre (Editora Letras e Expressões, 2012)
·       Cultura Brasileira e Identidade, Renato Ortiz
·       O Homem e seus Símbolos, Carl Gustav Jung

·      DVD’s ou Blu-ray’s:
·       Rock Brasileiro: História em Imagens (2009)
·       Rock Brasília (2011)
·       Estômago
·       Tropa de Elite
·       Cidade de Deus
·       Cidade dos Homens
·       O Povo Brasileiro (coleção, Darcy Ribeiro)


·      Roupas e Acessórios:
·       Conjunto de prata: colar, pingente, anel e brinco
·       Camisa branca de manga comprida (tamanho 42 ou G)
·       Uma jaqueta da Nike oficial da seleção brasileira (tamanho G), nas cores vermelha ou amarela.
·       Uma sandalinha de couro estilo romano (tamanho 37)
·       Calça fusô (bootleg, ou seja, corte reto pra não ficar agarrada na batata da perna) de algodão nas cores preta, vinho ou grafite (tamanho 42, ou G)
·       Lenços para o pescoço


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Xanda em Washington



Como boa brasileira, adoro voltar às raízes e retornar à finalidade primeira deste blog, fazendo jus ao seu nome. Afinal, e antes de tudo, isso é um Diário de Bordo. Então contarei um pouco das minhas mais recentes experiências em Washington D.C., a capital dos United States of America.


Primeira Missão

Aterrissei no Ronald Reagan sexta-feira, às onze e meia de uma manhã ensolarada e sob o efeito caótico de cólicas galopantes, vários buscopans e um esplendoroso céu azul. De todos os motivos que me levaram a Washington, o primeiro (e oficial) era o Seminário de Agenda da Georgetown University (SAGU), sobre Práticas de Ensino de Português como língua estrangeira. Principalmente agora que terminei o mestrado e fui formalmente contratada pela UNC, sinto-me mais motivada a participar de tais eventos. Além de conhecer pessoas (e aprender coisas) novas, estas conferências são oportunas desculpas para simplesmente sair da rotina, relaxar, botar o pé na estrada e desvendar novos horizontes.

Segundas Intenções 

Como diz meu nobre amigo Zé Ivan, a Xanda tem que chegar chegando. Sabendo já de antemão que na Georgetown University está Bryan McCann -- autor do melhor estudo já feito sobre a institucionalização do samba no Brasil -- resolvi entrar em contato com ele e tentar marcar um encontro. Sempre muito atencioso, respondeu-me prontamente dizendo que teria um tempinho na sexta-feira à tarde. Então daria certo pra eu chegar no hotel, desbravar um pouco os arredores da Universidade e visitá-lo antes da conferência começar, às 6 da tarde. É óbvio que minha visita destilava terceiras intenções. Georgetown poderá vir a ser um dos meus paradeiros futuros, afinal esta é uma das instituições que me interessam para o PhD. Neste caso, é sempre melhor estabelecer contatos prévios, evitando assim ser apenas um mais nome em meio muitos nomes num monte de papel. 

O Seminário

Rendeu muito. Menos formais e competitivos do que conferências de história, seminários de  ensino de língua são eventos de colaboração acadêmica. Todo ano, professores de português atuando nos Estados Unidos reúnem-se para discutir e pensar o ensino da língua. Vem gente de tudo quanto é canto pro SAGU, mas a maioria dos professores era de lá. Davam aula em escolas e universidades, travalhavam em ONGs, nas embaixadas, dando aula pra diplomata, políticos, empresários. Estamos construindo um momento histórico da profissão. Nunca antes na história desse país o português brasileiro esteve tão em voga! Agora é a hora de aproveitar e aperfeiçoar isso. 

Há sempre uma primeira vez...

No SAGU tive a oportunidade de conhecer o Professor Dr. José Carlos Paes de Almeida Filho, um dos lingüistas mais atuantes na área de PLE (Português como língua estrangeira). No sábado à noite, depois de um dia inteiro de aulas, palestras e apresentações, houve uma  confraternização com quitutes e vinhos deliciosos. Fiquei muito emocionada pois pela primeira vez ganhei um sorteio. O prêmio, um livro do Dr. Zé Carlos. 

Com o autor do livro: Prof. Dr. Zé Carlos Paes de Almeida Filho

P.S.: O contraste de usar o título de doutor e o apelido Zé Carlos foi proposital, pra traduzir a aura hierárquica e a informalidade do professor. Embora um fodão na sua área, ele é um ser humano  incrível. Simples, simpático, atencioso, muito brilhante e muito humilde. Enfim, creio serem essas as características de um ser realmente sábio. Afinal, ser inteligente é fácil, mas ser inteligente sem ser babaca é que são elas... 

Lá também conheci uma garota de Paranaguá, a Daniele. Incrível como ela tinha cara de curitibana, e mais que isso, cara de Daniele! Morena, bonita, com os olhos levemente puxados e um sotaque que deu saudades de casa (e do meu hall de Danis). Mas olha que incrível, ela dá aulas para a força aérea americana! Aliás, você sabia que há uma proliferação de bases aéreas norteamericanas  no Brasil? Por que será hein, eu me pergunto. E o marido dela tem uma churrascaria brasileira. Pena que eu não fui comer lá... mas se há sempre uma primeira vez, então na próxima, com certeza.

Georgetown, Washington D.C. e seus Monumentos Nacionais

Georgetown University: prédio que vemos da entrada principal.

O distrito de Georgetown, onde fica a Universidade, é um setor antigo e de arquitetura extremamente europeia. Tem casas ali que datam de mil e seiscentos e bolinhas. A Universidade foi fundada em 1789, sendo a mais antiga instituição jesuíta dos Estados Unidos. Apesar de antigos, os prédios estão muito bem conservados e limpos. Com seus sobrados coloridos, calçadas de tijolos, ruas de paralelepípedo (e ainda mais agora que as casas e os postes estão enfeitados com guirlandas e luzes de Natal,) Georgetown é um distrito muito charmoso. Vale  a pena conhecer.


Abraham Lincoln: o homem que aboliu a escravidão e garantiu que os Estados fossem unidos.

Como esta foi minha primeira visita a Washington D.C., não poderia deixar de conhecer aqueles pontos turísticos mais manjados, como o Memorial do Lincoln, a Casa Branca, o Arquivo Nacional, a Biblioteca do Congresso, o Obelisco, e os museus que ficam nos parâmetros do que eles chamam de "National Mall." O nome não mente. O passeio é de fato uma vitrine a céu aberto que exacerba e escancara a grandiosidade do nacionalismo americano.


Water Mirror e Washington Monument fotografados do Lincoln Memorial

Deslumbrada com a beleza e o zelo com que eles tratam seus monumentos nacionais, comecei a caminhada pelo Lincoln Memorial. De lá se tem uma vista maravilhosa da piscina que eles chamam de Water Mirror, do Obelisco, e do U.S. Capitol, onde republicanos e democratas se reúnem desde 1800 para tomar as decisões mais importantes do país. 


U.S. Capitol Building

O parque é repleto de memoriais: além do Lincoln, tem o memorial da Guerra da Coréia, da guerra do Vietnam, o Roosevelt Memorial, Martin Luther King Memorial, Thomas Jefferson Memorial, é monumento que não acaba mais, todos às margens do Rio Potomac... foram bem uns cinco quilômetros de caminhada.

Dos oito museus visitei apenas o National Gallery of Art, onde pude contemplar as obras dos grandes artistas  do impressionismo e do modernismo europeus, além de conferir, na ala de arte contemporânea, uma mostra maravilhosa das gravuras e colagens de Roy Lichtenstein.

Go Home! I wanna go home!

Viajar, conhecer cidades novas, sentir os ritmos e pulsações e as diferentes urbanidades, seus sotaques e até mesmo suas tensões raciais, que parecem ser mais evidentes na cidade grande, é sempre muito interessante. Mas voltar pra casa não tem preço. Depois de conhecer mais e tanto admirar a cultura patriota americana,  e descobrir outras facetas étnicas e raciais que se enredam formando este tecido social diversificado de Washington (o que lhe confere um constraste que poderíamos chamar de bairrismo cosmopolita) foi bom chegar em casa e descansar ao lado de mabeibe. Enfim, não há melhor lugar que o nosso lar, que os braços, abraços, beijos e sorrisos do meu amor, que foi me buscar e depois preparou um jantar delicioso com picanha ao alho... mmmm... mabeibe is awesome.