segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nessa Quinta!


Tomou?

Alice cuidando muito bem da tia Panda! Quem mama não chora né Alice? Sem dúvidas a mais linda convidada da festa!


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A Festa!

Nada melhor e mais divertido que reunir os amigos pra comemorar seu aniversário pela terceira vez no ano!!! É que 33 merecem 3 festas. Obrigada sogrão e Fatiminha pelo altíssimo padrão de qualidade que mais uma vez proporcionaram à Panda e sua trupe. E obrigada aos amigos e principalmente aos familiares presentes. Afinal a presença de vcs foi o principal componente da festa! \o/


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domingo, 18 de dezembro de 2011

Chegamos na Terrinha

Recepção calorosa no Aeroporto Internacional de Curitiba. Chegamos salvos porém pouco sãos e muito estressados. Uma das malas - justamente a de presentes - foi extraviada em Miami. Fora isso e o fato de o Bruno ter ficado sem cuecas e meias - já que elas eram o aparador de objetos na mala - tudo foi perfeito!


Passei a tarde em salões de beleza. Descobri que meu cartão da Caixa foi cancelado. Cheguei em casa e tinha um jantar daqueles padrão Fátima. Linguado com amêndoas e/ ou alcaparras.


O que mais gostei do primeiro dia; de chegar vivinha; das flores que a Vó Vivinha me deu. Do banho de salão no salão da Amanda. De ouvir programa bom de blues na rádio E-Paraná. De andar de PT Cruiser. De abraçar todos,  especialmente Pedro que não víamos há muito tempo!


Do que não gostei; de chegar sem uma mala. De ter tido pesadelos. Dor nas costas pegando feio. Espirrando feito condenada. Gripe de avião. Ar condicionado de avião me mata.


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

The Mean Sisters


Antes de saber se vamos pousar ou não, pousam sobre mim todas as angústias do mundo. O ritual do medo da morte: pedir perdão pelos pecados, e lamentar todas as coisas que deveriam ter sido mas que não foram. Se o avião cair, não terá sido profecia. Mas uma cruel fatalidade. 

* * *

Um balé louco com as mãos e um som tonto e roco na garganta. Era isso que eu fazia pra irritá-la. E a assustava só pelo prazer de vê-la apavorada. Armava ciladas pra esfolá-la no asfalto. Fui um verdadeiro monstro. Mas, um monstro criado por ela. Por tantas maldades cometidas pela pobre criança, doente e ingênua, à outra - mais feliz e saudável. A sorte era o que as separava do abismo fatal da morte uma da outra. Mesmo assim, viviam se matando e dizendo num silêncio interminável: pra mim vc morreu. Pra mim vc é nada. Traidora. Gorda. Falsa. Jararaca.

Eu tenho pena. Pois quando a sorte se for para o abismo fatal da morte -- e não sei por quê, toda vez que eu pego um avião eu penso nisso -- que dor terrível vai nos unir pra sempre, depois que a separação não tiver mais volta! Que inferno, que culpa indomável corroerá as nossas entranhas como vermes na carne putrefada tanto da viva quanto da morta? Esses maus fluidos nos afogam de dentro pra fora. Por que haveria a impossibilidade do amor entre duas irmãs? Que sacrifício inútil de vidas! Não bastavam ser incompatíveis. Tinham que ter tanta má vontade. Tara por cultivar feridas. Triste, tétrico e patético. E insultantemente desnecessário. Ter que vir a morte, para descobrir quanto amor desperdiçado.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Glúteos Poliglotas (Ou Poemas Que Engolem)

no som
das imagens
da tv

essa língua estranha
poluída mente sonora
que nem precisa decifrar

para sorvê-la
ouvi-la
inventá-la

pra dizê-la
pronunciá-la
imaginá-la

pra abordá-la e, por que não
comê-la
e desejá-la como agora

inspenish, ininglish
right now
a toda hora

nádegas
mucos, muslos, músculos
(ou poemas que engolem glúteos poliglotas)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Inside Your Heart

 Inside Your Heart by Xanda Lemos



Musiquinha nova inspirada numa noite sem meu amor, e em todos os ídolos da minha adolescência, cujos posters eu pendurava na parede do quarto e beijava muito, e sobre os quais eu não cansava de desenhar corações com meu nome dentro.

Publiquei então a "musiquinha fresca" há algumas postagens atrás, e para a minha sorte, o vídeo caiu nos olhos (e ouvidos) de Rodrigo Stradiotto, amigo músico e produtor curitibano que conheci há mais de dez anos (e que por sinal, faz pelo menos 10 que não nos vemos) quando eu ainda era integrante do Wasted - minha primeira banda.


Fazia tempo que eu estava mandando indiretas musicais pro Rodrigo. Eu o cito, por exemplo, nas entrevistas que dei pro Defenestrando e Sobretudo. E também por vias mais diretas, passei a intimá-lo no twitter. O ultimato foi via twitcam, enquanto eu dava uma de apresentadora de programa culinário. E no dia seguinte - sim, um dia depois - recebi uma mensagem dele pedindo meu email para que ele pudesse enviar uma "surpresinha." Ela veio em questões de segundos, e em questões de segundo aquelas harmônicas doces de guitarra começaram a soar e quando o teclado entrou eu entendi tudinho! 


A verdade é que desde que ouvi o trabalho que ele vem desenvolvendo com o Luís Henrique Pellanda (O Eletroficção) e as produções musicais que ele fez pro Caio Marques, eu fiquei muito afim de trabalhar com o Stradiotto, e portanto aguardem, que de onde saiu essa virão muitas outras!


Então, com vocês, Inside Your Heart! 


Composição e voz: Xanda Lemos. Instrumentos, arranjo e produção: Rodrigo Stradiotto


O primeiro single de um novo projeto.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Boas Festas!










Por aqui as festas já estão em andamento e o Santa já trouxe muitos presentes, a começar pelas visitas maravilhosas! Obrigada Mana, Sávio, Bia e Gabi! Vocês são oátimos e enchem nossa casa de som e alegria!

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Apostasia

O outro é infiel, o outro não tem alma, o outro é imperdoável. Para os fanáticos fica fácil aceitar a morte daqueles que não compartilham sua fé, pois entre eles não há mera diferença de opinião, mas uma distinção de espécie. Se Deus é o que define o ser humano, e alguém renega Deus, logo converte-se em renegadoPor isso, poucos atos de liberdade são tão definitivos quanto aos de apostasia, quando se admite a possibilidade de um dogma estar equivocado, e de não haver problema algum em desconfiar dele. 

Fato é que todos temos um fanático formigando nas veias, louco para sair se o que se põe em jogo é o que entendemos por liberdade, país, família. Pois para domar o fanático, há que se liberar o apóstata. Fazer da apostasia parte de nossa educação existencial: ainda que logo voltemos a acreditar em deuses e axiomas, façamos a la Pierre Menard: as palavras podem até ser as mesmas, mas já têm significados distintos. 

Teríamos que renunciar nosso nome repetidamente. Renunciar essa voz que nos define e nos faz sentir seguros. Eleger o nome da pessoa que mais desprezamos, de quem mais ativamente ignoramos. Dar-nos como nome o nome de uma pedra ou de um mal estar. E se, ao retornarmos para o nome que nos deram sem nos perguntar, pudermos abraçá-lo como um presente livre de qualquer linhagem, estaremos melhor preparados para amansar essa parte em cada um de nós, ávida por sangue.


Eis um belo texto do meu amigo Yuri Herrera. E juro que a versão original, em espanhol,  soa muito melhor do que essa presunçosa tradução não juramentada. Recomendo. O original está postado aqui

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Minha Lista de Aniversário e Natal 2011

Atenção! Os itens riscados estão fora da lista! Thanks to Pilar e Ivan.



Meus amados, dia 15 de dezembro faço 33.
Pela primeira vez terei mais idade do que dentes.
E daqui pra frente, a gente sabe, a diferença só tende a aumentar!
Mas deixemos isso pra lá. Vamos ao que interessa!

Presentes! Eu adoro ganhar presentes.

Mas cruuuuuuzes! Como estão caros os livros no Brasil, hein!
A sabedoria aí custa uma fortuna!
Não me admira nada o povo continuar na ignorância.

Mas vcs sabem. Estou escrevendo minha tese: e livros, filmes, DVDs são meu tesouros.

Queria começar com um artigo baratinho, a Breve História do Rock de Ayrton Mugnini. Ou com um básico ABZ do rock brasileiro do Marcelo Dolabela, 1987. Raridade. Se alguém achar na prateleira dum sebo, ótimo. Senão, só clicar no título/link que dá pra comprar online, no Mercado Livre.

Mas cuidado com fraudes ao comprar online! E é bom agilizar, porque vamos ficar no Brasil somente entre 17 e 30 de dezembro. O correio já saiu de greve?

Tem que pensar tudo isso.

Afinal, essa é A Moderna Tradição Brasileira, que por sinal é o nome de outro livro que quero muito. Quem escreveu foi Renato Ortiz, grande filosofo brasileiro! Vocês conhecem? Já leram? Se ainda não fica aí a dica. Deixa o Nietzsche de lado e se afunda em filosofia tupiniquim da boa! Precisamos de mais Renatos Ortiz. Mais filósofos brasileiros.

Outros livros que fariam minha tese mais feliz são: A aventura da Jovem Guarda de Paulo de Tarso C. Medeiros. Tropicália: A História de Uma Revolução Musical, do maravilhoso Carlos Calado. Rock Underground, de Pablo Ornelas Rosa. Eu não sou cachorro, não de Paulo Cesar Araújo. Dias de Luta, de Ricardo Alexandre. E por fim, Meu Nome Não é Johny do Guilherme Fiuza; Renato Russo: o filho da revolução, de Carlos Marcelo; e Almanaque do Rock, do Kid Vynil.

Um livro que não pode faltar na minha biblioteca (que vocês estão me ajudando a construir!) é o Pequeno Livro do Rock, do Hervé Bourhis. Ouvi dizer que é história em quadrinhos. Vou adorar analisar essa pequenice!


Agora chega de livros né, nunca que vou conseguir ler todos.

Para descansar entre uma leitura e outra, vou assistir uns filmes e DVDs que por sinal também poderão contribuir com a tese. A tese. Ai a tese!

Bete Balanço (1984)
Rock Estrela (1985)
Rádio Pirata (1987)
Um trem para as estrelas (1987)
Cazuza: o tempo não pára (2004)
Wood & Stock: sexo, oregano e rock’n’roll (2006)
Meu nome não é Johny (2008)
Rock Brasilreiro: História em Imagens (2009)
Rock Brasília (2011)

Então é isso! Quem quiser me presentear tem aproximadamente 20 opções dos mais variados preços! Aceito cópias usadas, xerox e pirata, tá! Valendo o ditado do cavalo dado…

sábado, 19 de novembro de 2011

Pergunte ao Pó



 Ask the Dust by Xanda Lemos

Fiz essa música em agosto, inspirada num personagem do John Fante chamado Arturo Bandini, do livro Pergunte ao Pó. Li este livro há muitos anos atrás, e lembro-me de ter ficado profundamente marcada por ele. A sensação maior ao lê-lo era de revolta. Indignava-me as tempestades que Bandini fazia em copos d'água, e por isso mesmo, eu tinha certeza, sua vida era uma vida de merda.

Eu conheço muitos Bandinis, e às vezes eu mesmo me torno um. Então fiz a canção pra mim, pra eu parar de me incomodar e de ser mal agradecida, e ficar só reclamando. Meus problemas são mesmo insolúveis? Vale a pena sacrificar vidas inteiras por causa de coisas tão ínfimas?

E por fim, essa é só uma demo que será futuramente gravada com mais cuidado.

sábado, 12 de novembro de 2011

Vergonha!

Filho de comandante da PM de SP é acusado de agredir mulher

Ele foi detido sob a suspeita de ter batido em garota de programa numa casa noturna

Adriano Soronsen Camilo, filho mais velho do comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, foi detido, por votla das 5 horas deste sábado, acusado de agressão contra uma garota de programa, ocrrida dentro de uma casa noturna em Santana, na zona norte de São Paulo.
De acordo com a assessoria da PM, ao ser procurado, ainda de madrugada, o comandante-geral afirmou que seu filho é maior de idade e que deve responder por seus atos como um cidadão comum. Ainda segundo a PM, o filho do alto oficial é divorciado e mora com outra mulher.   
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Adriano foi levado para o 9º Distrito Policial, no Carandiru, seria elaborado um Termo Circunstanciado (TC), empregado quando o crime é considerado uma infração de menor potencial ofensivo.
Para evitar especulações, o coronel informou aos seus comandados que não iria ao 9º DP.
Esta matéria da Revista Veja saiu hoje e foi divulgada no tuíter primeiro como: filho de comandante é preso por agredir mulher. Depois a matéria foi re-divulgada: filho de comandante é acusado de agredir mulher. Chamou-me a atenção a mudança da chamada. Mas logo notei que essas são apenas as sutilezas de um jornalismo medíocre e de um sistema de injustiças bem lubrificado.

De preso, o tal do filho do coroné passou a assinante de um termo circunstanciado, que é um documento que, pelo visto (eu nunca tinha ouvido falar), ameniza o crime. Porque é claro. Bater em mulher é uma infração de menor potencial ofensivo. Por que? Porque era uma garota de programa e estava numa boate? Ou porque o agressor é filhinho de comandante? Ah! Tenham dó! Isso sim é crime, discriminação, um insulto, uma violação dos direitos humanos, cruelmente institucionalizada e mediocremente divulgada. País de merda. Leis de merda. Revista de merda.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Social Construct or Social Constraint?

Lendo esses artigos sobre raça e sexualidade e comportamento humanos, notei algo interessante.

Tudo que não se pode explicar e definir e delimitar claramente é descrito assim, como uma "construção social" que muda de acordo com cada contexto histório, político, econômico, conjuntural, isso sem mencionar a relatividade das perspectivas micro (individual, psicológica) e macrocósmicas, e blá blá blá.

Toda a ladaínha pra explicar que esses conceitos e essas instituições que a sociedade cria, não importa onde nem pra quem nem o momento, nos é imposta para "dar sentido" a nossa vida. Aham.

Há sempre uma voz fora de você que insiste em te lembrar. Aja de acordo com as expectativas, preze pela previsibilidade, porque o sucesso depende de sua capacidade de não subverter essas instituições, os social constructs da vida. Andar na linha. Seguir à risca. Jamais dar motivo para que os outros se espantem. Invariavelmente somos todos uns bundões. Damos a Cesar o que é de Cesar, e somos tristes para sempre, amém.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

TODAY I WOKE UP KINDAKINK!

Há algum tempo atrás, quando ainda não fazia ideia de que iria presenciar um show tão arrebatador do Ray Davies, participei de uma daquelas brincadeiras inúteis de mural de facebook, em que você escolhe músicas de seu artista preferido para se descrever. Eu escolhi THE KINKS. Ei-la:

Você é um homem ou mulher: Little Women
Descreva-se: I'm Not Like Everybody Else! I Am Free, a Phenomenal Cat, and sometimes a Dedicated Follower of Fashion
Como você se sente: There's Too Much on My Mind
Descreva o local onde você vive atualmente: Dead End Street
Se você pudesse ir a qualquer lugar, onde você iria? A House in the Country in The Village Green Preservation Society at Oklahoma U.S.A.
Sua forma de transporte preferido: Gotta Get the First Plane Home
Seu melhor amigo? A Well Respected Man
Você e seu melhor amigo são: very Fancy
Qual é o clima? Sunny Afternoon
Hora do dia favorita: Till The End Of The Day
Se sua vida foi um programa de TV, o que seria chamado? Where Have All The Good Times Gone
O que é vida para você: Time Will Tell
Seu relacionamento: You Really Got Me
Seu medo: It's Too Late 
Qual é o melhor conselho que você tem a dar: The World Keeps Going Round
Pensamento do Dia: Get Back in Line
Meu lema: Got to Be Free



OH, YES IT IS! 

Meu coração estava cheio de certezas ontem antes do show: uma delas dizia que seria um saco ficar ouvindo a banda de abertura e esperar a hora do Ray Davies subir no palco. Eu estava redondamente enganada. The 88 não só abriu o show com músicas próprias maravilhosas, como demonstrou uma competência sonora que eu só vi nos shows do Supergrass e do Paul McCartney. Eu, na minha já conhecida ignorância e prepotência musicais (geralmente as pessoas ignorantes são as mais prepotentes, notaram?) não sabia que a banda era, de certa forma, um novo The Kinks: a banda de apoio do Ray.  


ALL THE GOOD TIMES RIGHT HERE IN CHARLOTTE!

Lá estava eu com meu marido, um livro da Opereta, um CD dos Criaturas, camiseta da Giannini, lencinho no pescoço, chapéu coco e um cartaz: YOU REALLY GOT ME! FROM BRAZIL JUST TO SEE YOU! Of course vocês vão dizer que mentirosa, ela mora lá, nem foi só pra ver o Ray Davies. Oh well. Fodam-se vocês que me condenam. Se existe essa coisa de predestinação então o motivo musical maior de eu ter vindo morar pra Charlotte foi a noite de ontem. Paul que perdoe, mas é que os shows do Filmore são assim, tão emocionantes porque mais intimistas. 

HE IS NOT LIKE EVERYBODY ELSE, INDEED.

Meu coração disparou com aquele mi menor rasqueado das mais agudas pras graves. Um Filmore ainda tímido, só eu mais meia dúzia de fanáticos cantava a plenos pulmões completamente convencidos de que nós éramos diferentes dos demais. Justamente era com essa música que abríamos tantos shows dos Criaturas. A emoção só éstava começando. Depois de I'm Not Like Everybody Else ele cantou Waterloo Sunset e poxa vida, eu soluçava, eu chorava tanto, tanto, mas tanto, que o Bruno ficou com vergonha e disse: behave! Waterloo Sunset foi o pôr do sol mais lindo que já ouvi. Um pôr do sol cantado por Ray Davies no Dia de Finados e todas as metáforas do mundo se desfizeram em lágrimas. Eu estava chorando, mas estava feliz. Eu podia chorar e lavar a alma assim em show do Ray Davies uma vez por mês e viveria feliz para sempre, como nos contos de fada.

Eis que depois de ser ovacionado, Ray chama os meninos da The 88 e canta uma canção nova que dizia It's Here That I Belong - ou algo parecido. Tudo fez tanto sentido, aquela sonzeira, o rock, claro que ele queria dizer. Adoro um banquinho e um violão, mas com banda é tão mais rock'n'roll, é tão mais o que eu soul.

TILL THE END OF THE DAY


Behave? Em show de rock? Tst. Levantei minha bunda da cadeira pra buscar uma cerveja, e nunca mais sentei, porque depois de Till the End of the Day veio uma emendada atrás da outra, eu dancei e cantei e me esguelei e tanto, sem me importar com a voz rouca no dia seguinte. Queria que o Ray escutasse meus backings. Estavam lindos! Tanto que o cara da mesa de som virou pra trás em Sunny Afternoon e me elogiou. Notando seu British Accent, perguntei em lágrimas (claro que eu chorava enquanto cantava) se ele não entregaria o cartaz que fiz com tanto carinho pro Ray. Ele disse claro que sim! E de quebra, demos o CD e o livro da Opereta. E o Bruno, enquanto eu tietava os The 88, ficou cuidando pra ver se o técnico não ia esquecer o cartaz e o material ali no chão, onde ele tinha deixado até terminar de desligar os equipamentos. Felizmente, o cara saiu da cabine com o cartaz, o livro e o CD embaixo do braço!!!

WE REALLY GOT HIM!

Ao fim do show a tímida plateia não queria deixar o Ray ir embora. Ele voltou duas vezes. O primeiro bis foi pra tocar You Really Got Me. Depois ele tocou David Watts e umas tantas outras que eu não lembro. Eu estava em êxtase. No fim do show conversamos com a banda de apoio, além de lindos e talentosos, os meninos eram muito simpáticos! Compramos dois discos da banda, ainda não ouvimos tudo, mas o que já escutamos agradou-me muito. Recomendo.

Infelizmente, não falamos com o Ray, mas afinal! A Well Respected Man como Ray Davies já seria importunado por uma fila de fãs que o aguardavam ansiosamente no lado de fora do Filmore Theater... e já tínhamos conseguido entregar disco, livro, cartaz, pro cara do som. Os meninos da banda quando me viram falaram: you were the girl with the sign, right? Então eu consegui muito mais do que eu queria: além de me fazer notar em um bom show de rock, fiz novos amigos (todos se comoveram com a minha comoção, tiravam foto de mim com o cartaz, bla bla bla), e de quebra uma banda nova que preste!

THERE IS TOO MUCH ON MY MIND

Uau. Foi demais. E tudo que eu disser aqui será uma mera descrição inútil. Foi muita emoção. Uma emoção monstra. Emoção um grau além. Melhor mesmo só se TODOS vocês estivessem aqui com a gente.

*Não anotei o set list e pra variar não tem nenhuma review do show nos jornais charlatões de Charlotte. Mas estão aí destacadas algumas canções que lembrei de cabeça. O show durou aproximadamente duas horas, mas ecoará para sempre aqui na caixa acúsica retumbante do meu peito: tum tum, Ray Davies, Ray Davies, Ray Davies, tum tum... Ray Davies, tum tum...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caros Finados

A morte. A inevitável maldita das gentes. A tal única certeza sorumbática. Abjecto final de todos. A morte da carne. 

O fim? 

O espírito dá um suspiro e sai. Vamos zabedê pra onde?
Vamos dançar entre a árvore e o bonde?

Dar uma volta na rua? Soltar, expandir-se no espaço? 
Há um melhor lugar aqui, ali, lá! Por aí tem tanto lugar! 

Voar.
Ir de barco.
Atravessar pro outro lado.
Luminosas estrelas que nunca se apagam.
Não dá pra voltar?
Aguarde e verá.

A saudade.
Pra sempre? 
Será?
Sim, senhor.
O amor. 

Lembranças que ficam, memórias tácteis
Saborosas sinestesias sonoras 
Sorrisos saudosos
Solitários e mudos

Pai, vô, vó, padrinho, 
tio, tia, primo, vizinho, 
amigos, vocês, do lado de lá
Aguardem sem pressa. 
Nosso dia virá. 

Gostosura ou travessura?


Nessa segunda de outono, 31 de outubro. Último dia: outubro ou nada. Dias das Bruxas. Não saí de casa. Não cruzei com gato preto. Não saí caçar saci. Nem me deparei com monstrinhos na porta perguntando: trick or treat?

Gostosura ou travessura? Nem um nem outro: vida dura. Tese tá atirada pra tudo quanto é canto. Ideias misturadas. Confusas. Como esses livros todos, por aqui espalhados. Eu olho pra eles, assim, cada qual marcado numa página, se eu acho o que eu procuro. Olho pra mim e dou um suspiro. Quase fico com dó. Mas ah. A gente precisa começar de algum lugar. O caos por exemplo. O caos é um lugar. O caos é um bom começo. Eu mereço. Eu mereço.

sábado, 29 de outubro de 2011

Lula, Chávez, Castro e o Câncer



Apesar de estar fudidíssima aqui com a tese, não pude resistir (e protelar é meu nome, muito prazer) a tecer uma breve reflexão sobre o que tenho lido (e tuitado) a respeito do infortúnio de nosso digníssimo EX-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelo menos oficialmente, o Lula não é mais o presidente do país, então por favor, desejem melhoras ao ex-presidente, ao EX-presidente. O Lula ainda manda nessa merda, isso não pode, a gente tem que desvencilhar o Lula do governo (e antes dele o Sarney e toda sua corja), e exigir, principalmente, que institucional e politicamente, faça-se o mesmo.

Vivemos hoje sob uma ditadura mascarada e perversa, a ditadura da burrice, do medo, da violência, da injustiça, da impunidade e da intolerância. Não sou conservadora, de extrema direita, não. Eu só sei o que é ter qualidade de vida, e não aceito ver um povo votar em palhaços e achar que tudo tá lindo, porque não tá! Falta boa educação, saúde, dignidade, segurança, vergonha na cara, falta tudo nesse país!

É bom lembrar que eu não nasci burguesa, fui filha de operário que venceu na vida, sempre trabalhei pra caramba, e votei no Lula, inclusive, até ele ser eleito pela primeira vez. Acreditava na mudança. Só que fiquei muito decepcionada, e não acho que o Brasil tenha a envergadura moral de se gabar de uma economia frouxa que flutua e depende de tantos outros fatores internacionais, sobre os quais - e por sermos tão idiotizados e marginalizados - não temos nenhum controle.

Mas agora, voltando ao assunto, impossível não traçar paralelos do Lula no Brasil com Chávez na Venezuela, os dois fumando charutos com Castro em Cuba, os dois aí lutando contra o câncer. Aqui se fuma, aqui se paga.

Vejam bem. A piada pode até ser de mau gosto. Mas estava pronta. E nem é piada. É constatação.

Mais de mau gosto ainda é ter câncer e depender do SUS. Essa sim deve ser uma piada que não tem graça nenhuma.

E não. Não estou fazendo propaganda contra charutos cubanos, nem contra os trabalhadores do SUS. Nem (ou somente) uma campanha antitabagista de ex-fumante chata que posso então até ter me tornado.

Estou manifestando meu repúdio à continuidade da ignorância cívica e da cegueira política que ela tem causado no meu país.

E deixo aqui um desejo honesto de boas melhoras ao EX-presidente.

Mas força mesmo, eu desejo é pro Brasil.

Os traços de uma traça



Hoje mesmo esmaguei outra traça.
Matei sem dó.
E no estalar do exoesqueleto frágil
Veio-me fácil a epifania.

(Incrível como esses bichos nojentos conversam comigo sempre
através de epifanias).

Tese:
Como a traça, estudantes comem livros.

Eu devoro livros...
Eu    me    demoro     nos    livros . . .
E muitos livros agora moram dentro de mim

Engulo palavras artigos resumos poemas novelas gramáticas contos
Engulo além de livros inteiros emails mensagens fotos vídeos blogs
Teorias tuits mentiras notícias e fatos
Eu sou uma traça moderna;
Virtual, cibernética, automática.


A vida traçada nos livros
Entre a universidade e a casa
Entre o escritório e a cama
Entre papéis por toda parte
Entre as traças as teses
A tela e os livros

Agora estou bem dentro deles
E os livros dentro de mim


A traça é um insentívoro artrópode,
            a
Como         pulga.

Com a pulga atrás da orelha
Certo? Errado!

Não necessariamente nessa ordem.
(Não, não é uma ordem, é um filo)
O nome deste filo, "artópodes," vem do grego arthros, ou articulação, seguido de podos, que significa pés. Em suma, quer denotar que os pés das traças não são articulados, mas outros apêndices, como pernas, antenas e órgãos bucais e digestivos, são.
Pés que como apêndices desarticulados de livros não servem para nada
Órgãos bucais, sistema digestivo voraz
Pernas antenas rabos anéis
E teses! E livros!


Nunca! Jamais me livrarei dos livros.

Ei-la, pois ela, traçada,
A vã epifania de uma traça
A melhor fisiologia metafórica
Da vida do estudante.

Mas que tão mais sem graça, né,
do que a vida de um amante.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cuecas Bélicas

Gaddafi nos States, Kadafi no Brasil, cada qual com seu cadáver, o cadáver principal da Líbia. Os rebeldes já sem motivos para matar desperdiçam munição e metralham o céu. Kadafi morreu ou não morreu? Morreu, morreu. Antes ele do que eu. Oh well. O mundo é cruel. E forças terríveis continuam maquinando tudo, movendo o mundo, onde está o amor? A revolução acabou, e agora José? E agora você?

Revoluções não são nada sem romantismo. Revoluções perderam todo o sentido. Todas as minúcias das revoluções hoje tão bem documentadas, estudadas, re-inventadas. Temos acesso a tantas e variadas perspectivas: cada qual com suas farsas e sua parcialidade obrigatória, porque a imparcialidade nada mais é do que uma frieza, um distanciamento falso, vã tentativa de impessoalizar essas tragédias políticas, sociais, econômicas, que mais do que isso, são tragédias individuais, essas não, nunca saem nos jornais.

Revoluções vitoriosas já nascem fracassadas. Porque depois da vitória, vem a realidade: demolir estruturas não é o mais difícil. Reconstruí-las é que serão elas. E assim, toda revolução é seguida de uma decepção, e de novo fracasso: revoluções invariavelmente desembocam sempre neste lugar comum que é o lugar nenhum.

Hoje manifesto meu profundo desprezo pela raça e sua inacreditável disposição bélica.

Espero a paz invadir e dominar o planeta.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Temores Noturnos


O peixe morre pela boca. Escuto claramente essas palavras vindo da boca da minha avó. Estou louca? Vejo minha vó logo ali fazendo sua prece fervorosa, de olhos fechados, tirando com as unhas os cravinhos que crescem bem onde os cabelos limitam a testa. Todas essas profecias, populares ou não, minha vó dizia num tom de indiscutível sapiência. E toda contradição do mundo se encontrava nos olhos azuis da minha vó – profundos e calmos – e nas sobrancelhas sempre alertas, preocupadas, cansadas, sofridas. E que certamente já tinham sido menos ralas. Ela ia assiduamente na igreja, e ir na igreja era tudo que ela fazia além de cuidar da casa, do marido, dos filhos, dos netos. Vivia uma vida dedicada a Deus e às criaturas que Deus havia posto na vida dela. Era duma doce amargura. Às vezes tinha acessos de raiva ou de culpa. Ela chorava bem baixinho. E se algum neto lhe perguntasse o que foi vó por que vc tá chorando ela soltava todos os cachorros da alma. Uma alma sempre presa na gaiola,  como aqueles canarinhos do meu avô. Em dias de inspiração, ela fazia discursos. Dizia com desdém nada religioso que os negros eram raça de Caim, que Deus marcou a pele daquela raça para sempre. Eu me admirava: como alguém que ia na igreja podia ser tão racista. Eu tinha alguns bons amigos “da raça de Caim” e nenhum deles matou seus irmãos, e o carinho e a amizade que tínhamos uns pelos outros me faziam muito mais sentido do que aquela história odiosa, descaradamente narrada logo no começo da bíblia.

+++

A bíblia começa com o caos, logo vem um dilúvio e seguem-se muitas guerras e tudo isso pra que, pra terminar com um apocalipse. Uma promessa de júbilo seguido de um terrível juízo final, a bíblia, como todas as narrativas trágicas, é incapaz de explicar o mundo e de encontrar uma solução pra os problemas que sabe muito bem apontar. A bíblia, como as tragédias gregas, também acaba num mais do que manjado deus ex-machina. 

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Casa de vó. Paredes de cal. Teto sem forro. Chão de lajotas. Galhos de louro pendurados na janela. Aquele quadro, o quadro do menino chorando, cujo artista tinha "vendido a alma ao diabo." Aquele quadro a minha tia arrancou da parede indignada, virou ele de lado e nos mostrou a boca do diabo engolindo o menino que chorava, o coisa ruim tinha chifre, tinha até uma língua de fogo. O diabo era enganador. Minha tia dizia isso enquanto nos levava pro quintal. Logo ateamos fogo no quadro, o menino queimou, como no inferno, e ele estava chorando, o artista que vendeu a alma ao diabo também ia queimar e chorar no inferno, como o menino. Eu que, em comparação com o resto da família, era uma pequena burguesa, já sabia. Toda aquela pobreza me incomodava. Eu tinha medo das lagartixas nos desvãos das telhas. E impressionava-me as venezianas que não fechavam direito. O vento encanava pelas frestras e balançava a cortina. Eu tinha muito medo de lobisomem e sentia pelo menino que chorava, sentia por tê-lo ateado fogo. O menino tinha virado cinzas e o vento soprava as cinzas na janela.

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Mas a história que mais me impressionava era a do papa. O papa é a besta. E o número da besta é seiscentos e sessenta e seis. Lá ia minha vó nos mostrar em qual versículo na bíblia isso estava escrito, pegava caneta e papel pra fazer as contas e nos provar que o que estava escrito na coroa do papa, somando tudo em números romanos, dava seiscentos e sessenta e seis. Seus olhos enérgicos se arregalavam harmoniosamente acompanhando o tom de voz que ora subia, ora sussurrava. O conto do vigário era um conto apocalíptico misterioso, e era tudo verdade, ela insistia, jurava por Deus, por Deus! Tudo que estava por vir era tão terrível, mas por quê? Por quê?! Porque o homem pecou! Mas se Deus era Deus por que ele era tão contraditório, por que ele nos deu o livre arbítrio se ele é o alfa e o ômega e tudo sabe, tudo vê? Se o verbo se fez carne, e a carne é fraca, então qual era a de Deus? Deus me parecia um tanto quanto sadomasoquista.

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Eu tinha acabado de aprender esta palavra: pai, o que é sadomasoquista? É alguém que sente prazer no próprio sofrimento e no sofrimento dos outros.

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Então Deus era sadomasoquista, eu logo concluí. Minha felicidade de aplicar uma palavra nova num contexto completamente inusitado foi logo arrebatada por dois tapas que levei na boca. Minha vó nunca tinha me erguido a mão. Nunca mais você diga isso, filhinha. Isso aí que você disse é uma blasfêmia! E blasfemar é o único pecado que não tem perdão! Segurei o choro. Por dentro eu blasfemava ainda com mais revolta, porque meus primos, escondidos atrás da saia da minha vó, riam de mim com os olhos, depois debocharam livremente, eu ia queimar no inferno junto com o menino que chorava.

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Eu sabia que já estava perdida, mas mesmo assim eu pedi, implorei a Deus, por favor me perdoe. O papa era a besta, e tinham também os quatro cavaleiros do apocalipse e as trombetas e o juízo final e minha vó emendava tudo, tinha horas que ela perdia o fôlego e a última palavra saía sufocada, esprimida no peito, seus olhos lacrimejavam não sei se de emoção ou falta de oxigênio. Eu era pequena, eu temia e admirava e amava muito a minha vó e aquela pele linda, branca, sulcada pelas marcas de um tempo do qual ela pouco falava. Ela vivia para lembrar somente das coisas de Deus e das histórias inconsistentes que faziam tanto sentido porque eram simplesmente a palavra de Deus. Mas por que ainda hoje, por que agora? Você mesmo dizia que se você aparecesse depois da morte não seria minha vó. Satanás é astuto. Astuto e sedutor eram o adjetivos que você usava. E me instruiu a dizer as seguintes palavras caso lhe viesse a encontrar um dia post mortem: Jesus me cobre com seu sangue! O sangue de Cristo tem poder. Eu me recuso a dizer essas coisas porque afinal se você veio até aqui e não foi pra dizer nada, eu também vou me calar e dormir.

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No embalo do sono, a voz da minha vó sussurra. Não me diga que sabe todas as respostas. Porque eu também sei as respostas e por todos os motivos do mundo eu juro, sabê-las não faz a menor diferença. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Confissão


Mensagem de S. F. Aqui estão as fotos daquele dia! Que fotos? Que dia? Que tipo de carência alguém precisa sentir pra abrir as fotos daquele dia inexistente, mandadas por um desconhecido? A internet é uma rede de solidões. Deleto. Belk lowest prices. Imprima o cupom. Tudo com cinquenta por cento de desconto. Chegaram novos vinhos na adega do World Market. Perco a paciência, seleciono tudo. Plim! Deleto.

Abro twitter, orkut, facebook, meu blog. Em cada site um eu diferente. Muitos eus que eu construo, e atrás dos quais meu verdadeiro eu se esconde. Não me culpo. Finalmente, eu creio, é dado ao homem – ao menos aos que têm acesso a essas redes sociais – o poder de decidir o que de si se quer mostrar, ou melhor, o que faz questão de aparentar ser. 

Crio cada perfil com esmerada criatividade e sofisticação; uma dose de humor, outra de insolência, um certo despudor e um rigor calculado com as palavras. Essa sou eu, muito mais interessante na net, e talvez, ainda que para poucos, não menos interessante na vida real. Na vida real tudo é mais complicado, mais cru, menos glamour. Na vida real não podemos bloquear ninguém, nem deletar spams: vizinho pentenlho, carros de sorvete, ligações de telemarketing, junk mail, nada disso é evitável. 

Eu gosto da minha vida virtual. É puro narcisismo – ainda que  infundado. Meus perfis são fruto de um ego imensurável que venho alimentando desde que descobri o talento sagaz de me construir virtualmente. Em pixels, html, nessas linguagens estranhas, parece tão mais fácil de expressar mentirinhas! Aludo-me ao mundo apenas em parcelas ínfimas. Fragmentos de realidade manipulada, que eu mesmo leio e acredito.

A vida que aqui está é a vida que eu quis dividir com vocês, leitores assíduos ou audiência imaginária. Isso não faz da minha vida uma farsa, mas tão pouco uma verdade absoluta. Ora, as coisas que eu omito diriam muito mais sobre mim do que todos os mil milhões de caracteres presentes nas trezentas postagens, nos três mil e tantos tuíts, nas atualizações de perfil e status. E ainda assim, eu me perco por horas escrevendo, lendo e me admirando. Como eu sou linda, como eu sou criativa, como minha vida é boa, como eu escrevo, enfim… como eu rezo bem esse rosário de filosofias baratas.

Eu sou muito convencida! Meu ego não cabe em mim, e por isso eu preciso esparramá-lo aqui e ali… onde não vou incomodar ninguém, a não ser aqueles que se dão o luxo de serem incomodados. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Caso do Quibe

O primeiro quibe foi assim, meio que como o primeiro beijo. Insosso. Sem sal. Muito hortelã. Molhado demais. Decepcionante. Mas foi com vontade, com carinho, e é lógico, com medo e receio. Como se não bastasse tanta apreensão, vocês homens lá, sempre colaborando com o nervosismo de nós, mulheres. Muita expectativa pra cozinhar o prato mais famoso da sogra. Poxa vida! Competir com comida de mãe? É muita pretensão e, por que não? Até uma covardia. Mas enfim. Até que no fim pra um primeiro quibe nem ficou tão mau assim.


sábado, 1 de outubro de 2011

A Ilíada no Guairinha



Oi, vocês! Tudo bem por aí? Por aqui tudo ótimo! Uma loucura, como sempre, mas como sempre, a gente dá conta do recado!
Falar em recado, tenho um recado que me foi enviado por um amigo, que também foi meu professor de Latim na UFPR.
Uma pena que eu só vi o e-mail agora, senão teria divulgado antes.
Mas nunca é tarde! E mesmo se for, antes tarde do que nunca!


Repassando:
"Pessoal, Hoje e amanhã (dias 1-2 out.), às 20 horas, no mini-auditório do Teatro Guaíra, récita do Canto I da Ilíada, tradução de M. Odorico Mendes, na interpretação da atriz Claudete Pereira Jorge, com entrada franca. O diretor Octavio Camargo está liberando a entrada só hoje e amanhã. Basta dizer na bilheteria que é convidado dele. A apresentação já viajou por diversas cidades do Brasil e de outros países. Vale muito a pena, principalmente num palco como o do mini, com iluminação especial. Homero é o educador da Grécia. Odorico é inimitável. A Claudete é uma das mais refinadas rapsodas da companhia Ilíada-Homero. Ouvindo bem é que se aprende. Imperdível. Alessandro"

Então é isso! Se aí estivesse, certamente diria "sou convidada do Diretor" e iria. A última peça que assisti no Guairinha foi Esperando Godot, do Samuel Beckett. Não era convidada do diretor, o Flavio Stein, mas mesmo assim foi oátimo. Quem puder então, por favor, vá por mim e depois venha fazer uma panda feliz, comentando aqui e dizendo como foi. 

Um abraço e aos interessados, clique aqui para mais informações.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sinais Sonoros





E assim nasce um novo som... do mundo das ideias para o mundo real de Panda Lemon Orchestra

sábado, 17 de setembro de 2011

Enquanto os homens jogam poker...



Enquanto isso, os homens se posicionam
Cinicamente nesta mesa redonda.
Eles distribuem suas cartas.

Small blind. Big blind.
Todos fazem suas apostas.
Uns fogem.

Engolem a seco, experimentam bebidas.
Riem e se divertem e gargalham e falam alto
E contam o quanto ainda resta de suas fichas.

Enquanto isso o tempo se esgota.
O dinheiro se esgota.
A sorte se esgota e, junto com ela
Esgotam-se as chances de ganhar.

A paciência e a vida um dia também vão se esgotar.
No entanto ninguém gosta de pensar nisso.
Portanto vamos. Vamos jogar!

*Poeminha dedicado ao Bruno e seus comparsas. 

Ps.: Nunca vi minha casa tão cheia de estranhos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

I need a deadline!



Foi o que pedi a Jerry.
A partir de agora
Não tem mais desculpa

"Under Pressure"
É minha trilha sonora.

Uma semana pra entregar as primeiras 20 páginas.
Sete dias. Só sete!
Sete é tese ed sart rapa tefren.

Sete também é um número bom. Número da sorte. Número místico!

Sete cores no arco-íris.
Sete maravilhas do mundo!
Sete dias da semana.
Sete notas musicais: dó ré mi fá sol lá si.
Sem contar, é claro, sustenidos nem bemóis.

Nossa! Sete pode ser também um número bem assustador.

Bicho de sete cabeças, gato com sete vidas, guerra dos sete anos, piratas dos sete mares e por aí vai.

Sete anões.
Sete pecados capitais.
Sete vezes setenta e sete.
Sete moradas celestes.

Falando em sete, ontem foi dia sete de setembro!
Dia da pátria e aniversário da Tati.

Mandei os parabéns.
Não sei se recebeu.
Tati tá ficando velha?
Antes ela do que eu.

Com quem será... bla bla bla blá...

É pique! É pique!

Rá!
Tim!
Bum!
Tati! Tati! (várias vezes)

Obs.: Entre coices e açoites e silêncios e eternas noites, no fundo quem é irmão sabe que mesmo amor de mula é amor que estimula.

Beijos desta mula manca e muito maluca e que nunca se manca,

Panda.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Hipocrisia X Honestidade



Hoje tuitei uma frase que certamente derivou de meus estudos freudianos, na qual dizia para não nos iludirmos. Conviver harmoniosamente exige de cada um de nós um certo grau de hipocrisia. Perdi dois ou mais seguidores. 

Ninguém gosta de ler e ouvir "verdades" (ponho entre aspas pela mera inconsistência do termo, o que poderá ser discutido em futura postagem). E toda vez que isso acontece, geram-se conflitos (ou unfollows).

Em nossa sociedade, a honestidade é geralmente relacionada à falta de tato, de educação ou de respeito; à delicadeza de elefante; ou à qualidade de tonto, trouxa, bobalhão; oposto de esperto. Como se lê, as metáforas para a honestidade não são nada incentivadoras.

Dizer o que pensa, com todas as letras, é politicamente incorreto. Devemos usar eufemismos. Pensar duas vezes, ou simplesmente calar a boca. Falar menos. Pensar mais. Escrever só as palavras mais doces, pois as palavras - doces, amargas, inúteis, tanto faz - depois de ditas, não voltam mais. Deixemos as palavras mudas. Sejamos honestos: todos temos de ser hipócritas!

Mas eu não consigo. Eu falo demais. Penso demais. Amo demais. Corro demais. Me acho demais. 

Se eu não escrevesse tanto, talvez não alimentasse essas três féreas Fúrias, Eríneas que já vêm com cada pessoa.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Votem em Luiz Rocha no Conexão Vivo!

Para votar acesse: http://luizrocha.conexaovivo.com.br


Talento nato que vem de Minas, amigo virtual de quase uma década, quase uma década de admiração mútua. Nunca conheci Luiz Rocha pessoalmente, mas desde as épocas Criaturescas trocamos orkuts e-mails e links e acompanhamos, via internet, cada um a produção do outro. E não sei se por semelhança física ao Du Gomide (que gravou nosso Sexto Dedo), se por compartilharmos os mesmos gostos por Chico e Noel, ou se por puro amor que tenho aos mineiros, eu sempre gostei muito desse Luiz Rocha Plan, (era o nome dele no orkut, se não me engano).


Agora ouvindo a voz dele, vendo os vídeos dele, e dançando a música dele, eu entendo que não foi por mera semelhança, nem por ironia, nem por amor à Minas, mas por talento mesmo. So please, ajudem a divulgar tuitando, compartilhando no facebook ou no seu blog. Porque diferente de tantas merdas que existem por aí, o som dele é bom e será ainda melhor quando fizer muito sucesso. Então ajudem!

Vejam só que clipe lindo gravado às oito da manhã de uma segunda-feira na Rua XV em Curitiba.


A nossa cidade é um cenário perfeito. Um beijo a todos!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nesta Sexta tem Rock!



Permitam-me empregar o lugar comum e o trocadilho idiotas, mas sexta a festa vai ser animal. Crocodilla, Cachorro Grande, e as gatas (e o gatinho) da Uh! La La! vão invadir a praia da playboyzada do Batel para o lançamento do disco - produzido por André Abujamra - da Crocodilla. A banda, que toca "rock de verdade" (uso o lugar comum como oposição ao rock coloridinho, ao roquinho mequetrefe chupado dos anos 60, ao rockão americano grandioso de sempre. E antes que eu me justifique mais, foda-se os que dão chiliquinho por ouvir "rock de verdade", tá?).

Pra quem ainda tá por fora, a banda curitibana Crocodilla foi a vencedora do concurso da Kaiser Sound e agora os meninos estão dando o que falar e causando sensação nas marias bandas daquelas bandas. Também! Não é só porque meu filho postiço e meu sobrinho são respectivamente o baterista e o front man da banda. Eles são tudo uns lindos sim (diferente dos feiosos caras da Cachorro!), e muito talentosos. E têm uma energia e uma sonoridade diferente, empolgante. Se vc não conhece, recomendo.

http://bandacrocodilla.tumblr.com
http://twitter.com/BandaCrocodilla
http://www.myspace.com/crocodilla


Repassando a Promoção da CROCODILLA:


Quer ganhar um par de ingressos e ainda tomar uma cerveja com as bandas no camarim no show do dia 26/08 com Cachorro Grande, Crocodilla e Uh La La?
Siga a Crocodilla no twitter, de um RT no vídeo de divulgação junto com uma frase dizendo porque você quer ganhar essa promoção: @bandacrocodilla + http://www.youtube.com/watch?v=wtKrschxu5o + (frase)
as duas frases mais criativas ganham os pares de ingressos e ainda tem direito a tomar uma cerveja com as bandas no camarim antes do show.
Os nomes serão anunciados no dia do show, sexta-feira (26/08), pelo twitter da banda.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nesta quinta tem novidade!


Eita semana boa para se estar em Curitiba! Nessas horas eu fico jururu de morar fora. Mas enfim, quinta tem esse evento, sexta tem a mega festa da Banda Crocodilla (divulgo despues). Mas por aqui sexta tb tem party, afinal, it's a very special date: niver do Bruno. Para comemorar bem, esperamos sinceramente que Irene fique pelas bandas do Caribe. Um beijo apressadinho. Parabens Bernadete por mais um livro publicado! Tia porreta que temos, hein? Bye bye, e aproveitem esta semana maravilhosa!


domingo, 21 de agosto de 2011

Mea Culpa



Poxa, Panda. Como seu blog está abandonado de leitores, observou Bruno em tom de irônica constatação. Eu dei de ombros e disse como quem não me incomodava com a fatalidade da coisa: Normal. Um blog é sempre abandonado primeiro pelo blogueiro. E pam! A consciência pesou e logo me obriguei a sentar e escrever, nesse domingo de cigarras ensurdecedoras, que se despedem, desesperadas, de mais um verão. Fim de estação.

Sempre achei todo domingo muito poético e meio depressivo por natureza. Fim de fim semana, véspera de segunda-feira, dia de recomeçar a rotina de imutável labuta, de aula ou trabalho. Eu na verdade não posso reclamar. Não trabalho na segunda, então domingo ou segunda pra mim tanto faz. Só que hoje foi especialmente mais depressivo porque acordei com dorzinha chata, com tpm ingrata. Ficar assim justo agora? As aulas começam na terça pô!

Estou negociando com meu corpo, e sei que tudo vai dar certo. Ele ainda está revoltado do tratamento de choque que está recebendo: subitamente nicotina nunca mais. Cerveja, corta! Alface, pica. Cenoura. Fruta, arroz integral, selvagem, pratos coloridos. Mamis fica balanceando os alimentos e dando um outro ritmo pra nossa rotina. Como acho que todos os que nos visitaram já devem saber, mamis também enfrenta catarses, e tem momentos de rara epifania familiar. Apesar de discordarmos em muitas coisas, concordamos em outras várias, e se algo nos incomoda a gente começa a cantar e tudo se resolve, como mágica! 

Gosto de como mamis narra as suas histórias. E de como Bruno as escuta, acata, ou contesta. Até as palavras mais duras, cheias de ressentimento de culpa, fluem mais doces na sua voz. Gosto de quando ela diz uma coisa qualquer, sabendo decididamente que queria dizer outra. Gosto de como eu e o Bruno nos olhamos, enquanto ela se justifica, apresenta argumentos, tenta convencer, e no fim simplesmente se declara vencedora. Ela reclama que já perdeu muito, que agora ela só tem a ganhar. E realmente!

Gosto principalmente das nossas vãs filosofias matinais e divagações exaltadas no crepúsculo tardino de Charlotte. Sim, vivemos lindos dias em Charlotte! Oh my God! Será que isso não faz de nós tremendos charlottões? 

A Primeira Oração

Queridos leitores, perdoai por minha ausência. Perdoai porque pequei.
Confesso que apesar de não mais fumar e de beber menos, entreguei-me a outros vícios. Um vício de ler, refletir e aprender sempre, e outro, muito pior, de viver tuitando, que na verdade está se mostrando incompatível com o primeiro. Mamis diz que eu estou com aquela doença, Blackberry. Eu digo eu não tenho Blackberry, eu tenho Droid da Samsung. Mas também tenho composto músicas e tocado instrumentos e escrito páginas da minha dissertação, que na cabeça está tomando mais forma do que na tela, e que na prática ainda tem muito chão.
Assim, foi por isso que vos abandonei, caros leitores. 
E por isso sei que tivestes motivo para abandonar-me.
Porém, perdoai. 
Vigiai e orai.
Visitai e comentai.
É tudo que vos peço,
Em nome da Panda,
Amém.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pandacast #2 - Sobre a Poesia

Dedico essa postagem aos meus sogros, que me presentearam com as obras completas de Drummond. Enjoy!