sexta-feira, 28 de agosto de 2009

São tantas emoções!!

Ufa! Que semaninha corrida esta. Não deu tempo pra nada, foi chegar de viagem e cair na puxada rotina de mestranda e professora!

Chegamos de viagem na sexta passada, há exatamente uma semana e, além de cursos, eventos de boas vindas, testes de proficiência na língua para poder dar aula, as aulas começaram e com elas páginas e mais páginas de textos para ler, livros pra comprar, apresentações pra preparar além é claro de ter de preparar as aulas que eu dei...

Dou aula para duas turmas todas as terças e quintas; uma delas tem 30 alunos, a outra, 24. Não sabia que tinha tanto gringo querendo falar português por aqui! Mas eles são muito apaixonados pelo Brasil e estão fazendo essa aula para tentar uma bolsa de intercâmbio.

Eu como professora até que levo jeito. Meu "chefe" aqui acabou de me escrever dizendo que estava bem feliz comigo, pois um dos alunos dele que também faz aula comigo me elogiou bastante e está adorando as aulas.

Uhu! Professora Zagonel mandando bem, mas ainda insegura e meio barata tonta, muito nervosa mas também disfarçando bem pra não transparecer pros meus alunos, que variam de 18 a 60 anos de idade. Uns falam espanhol e misturam tudo! Outros nunca tiveram contato e não têm a mínima noção de nada. Mas esta diversidade é apenas um dos desafios... outro é lidar com os equipamentos das salas de aula, que além do quadro negro (que na verdade não é negro, mas branco) tem telão pra usar o computador, um retropojetor chamado doc-cam, tudo que você tem que controlar com uns mil botõezinhos naquele "púlpito", mas ontem eu já me virei melhor.

E como estudante, estou fazendo 3 matérias, das quais 2 delas estou gostando muito, a outra sou a única estrangeira e tenho vergonha de falar alguma coisa e falar errado... afe!!! Mas logo passa... essa foi apenas a primeira semana e logo eu me acostumo com este novo sistema de ensino, tão diferente do Brasil!

Mas que dá vontade às vezes de chamar "eu quero a minha mãe", isso dá!!!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Paul Mc'Cartney em Atlanta


15 de agosto de 2009. Acordamos depois de uma noite bem dormida e fomos tomar aquele café reforçado americano. Omelete, torrada, cereal, iogurte, frutas, wafle, pankakes - comemos muito, primeiro porque nos empolgamos com aquelas maravilhas ali dispostas na maior abundância e, segundo porque sabíamos, inconscientemente, que aquilo ali seria a nossa refeição do dia até uma hora da manhã do dia seguinte.

Chegamos no Piedmont Park ao meio dia - eu e o Bruno descemos para ir pra fila e o Ivo e a Fátima ficaram com o carro para passear pela cidade. Eles foram ao museu de arte moderna e num shopping comprar o tênis do sogrão e almoçar. Eu e o Bruno ficamos torrando no sol e sobrevivemos daquelas aguinhas coloridas vitaminadas que passavam entregando pros que estavam sendo castigados pelo calor na fila. Foram 4 horas de revezamento entre sol e sombra até abrirem os portões e a gente sair correndo pra tentar pegar um lugar mais perto possível. Graças à minha insistência para avançarmos mais e mais e mais, conseguimos ficar a uns metros do palco. Ali foi outra espera angustiante. O show do Paul seria somente às nove da noite. Lá pelas cinco e meia conseguimos nos encontrar com Ivo e Fátima. Às sete entrou uma banda irlandesa muito falcatrua e brega bragarai, aí o nosso humor - que já estava seriamente abalado pelo sol, pela fome e pela vontade de fazer xixi - foi por água abaixo.

A fila tinha lá seus atrativos!

O Bruno me olhava como quem dizia: se você não fosse minha mulher e eu não te amasse muito, provavelmente eu te mataria por ter me convencido desta ideia estúpida de ficar na fila desde o meio dia. E eu absorvendo seu olhar penetrante, dizia: Daqui a pouco o Paul chega e renova nossas energias!

Chegou a hora em que não aguentei mais de fome nem de vontade de ir no banheiro e me aventurei a sair do nosso lugar. A ida foi tranquila, não tinha fila pro banheiro, facilmente achei uma barraquinha com aquelas iced lemonades deliciosas, comprei uma pra cada um, uma água, uma coca, coloquei tudo dentro de uma caixa de papelão e encarei a aventura de voltar. O parque já estava quase lotado e ninguém queria me deixar passar para a frente. Mesmo assim, entre cotoveladas, xingões e pisões de pé, consegui achar nosso "spot" sã e salva, um pouco trêmula de fome, de cansaço, de nervoso. Mas cheguei. E o sorvetão foi uma injeção de ânimo. Depois dele todo mundo voltou a sorrir!

E o sol foi baixando, a noite caindo, o meu coração palpitando até que as luzes do Palco se apagaram, e um foco só se acendeu. No telão, ninguém mais que o Paul chegando no palco. No palco, ninguém mais que o Paul dando tchauzinho pra galera. "Hello, Georgia!" Eu não acreditei. Meu queixo caiu. Não gritei, não bati palma, não tirei os olhos dele. E foi com Drive My Car seguida de Jet que ele abriu o show. Daí sim ninguém conseguiu ficar quieto, pulamos, cantamos, gritamos, assobiamos...



Depois de anunciar que aquela noite era o quadragésimo aniversário do Woodstock ele tocou Flaming Pie. As músicas de sua carreira solo não animavam tanto o povo quanto às dos Beatles, é claro, mas ainda assim, ouviam-se muitas vozes acompanhando todas as canções. Do último disco ele tocou umas 3 canções, e nenhuma do anterior - o Chaos and Creation, o que de certa forma me deixou um pouquinho na vontade.

Quando ele foi pro piano e tocou The Long and Winding Road eu não pude conter as lágrimas. Chorei de soluçar, tamanha emoção. No telão, fotos dos Beatles ajudavam a dar aquele clima de "where have all the good times gone". Todo mundo cantando junto, e o coro era afinadíssimo, composto de cerca de 50 mil pessoas entre vovós, coroas, jovens e crianças. (xiii, será que eu , com 30, me incluo nas coroas ou na ala jovem?)



Foram mais de duas horas ininterruptas de muito rock'n'roll e nem os 20 minutos de chuva torrencial esfriaram o ânimo da multidão. Pelo contrário, foi uma bênção derramada dos céus, um banho muito bem vindo depois de todo aquele suadô da espera. Black Bird foi entoada por todos embaixo de muita chuva, após ele ter dado uma breve contextualização histórica da música, composta após tomar conhecimento da forte discriminação racial nos EUA na década de 60.

O show contou ainda com três momentos especiais: uma homenagem a Jimmy Hendrix , uma ao George Harrison (Something tocada no cavaquinho!) e outra ao John Lennon, na qual a multidão, com as mãos para cima e os dedos em V cantavam: "All we are saying is give peace a chance".

A penúltima música, Live and Let Die (antes de Hey Jude só ao piano), teve efeitos especiais de explosões, chamas e fogos de artifícios. E para uma platéia animada, um bis de três músicas (Day Tripper, Lady Madonna e I saw her standing there) não bastou, ele teve que voltar para um grand finale. Uma sequência de mais 5 canções, que incluiu Yesterday, Helter Skelter e o medley de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, seguido por "oh yeah, all right, are you gonna be in my dreams tonight", depois "and in the end... the love you get... is equal to the love you give... aaahhhhh!" pra fechar o show com chave de ouro.



Resultado: quase 3 horas de show, e sogrão e Fatiminha não acreditaram que ainda tinham fôlego pra encarar tal maratona. Pularam e dançaram tanto quanto qualquer jovenzinho ali presente. Aceitaram com naturalidade e simpatia os nossos vizinhos que puxavam um fuminho e ficaram tão extasiados e agradecidos por termos os convencido a irem no show que deu até um orgulho na gente.


Simplesmente, o melhor show das nossas vidas. Sir Paul é um popstar, e certamente sabe que todos os receios que tinha quando compôs "When I'm 64" (will you still feed me, will you still need me when I'm 64?) não se justificam. Com 67 anos ele ainda arranca gritinhos histéricos das cocotas e sabe que sim, hell yes mil vezes sim, a gente ainda precisa dele!

Para acessar o setlist do show, clique aqui. Assim que eu editar os filminhos, vou postá-los aqui. Por enquanto pode se deliciar com este que achei no youtube.


domingo, 23 de agosto de 2009

Sogrão e Fatiminha - a chegada

14 de agosto de 2009. Saímos de Charlotte às seis da matina para buscarmos o Ivo e a Fátima no aeroporto de Atlanta às 10:35. Foram exatamente 4 horas de estrada pela Interstate 85. Nem preciso dizer que o encontro foi emocionante!


Também pudera... Fatiminha e sogrão não viam o primogênito havia exatamente 6 meses e 15 dias! Depois de abraços, fofocas em dia, expectativas quanto aos nossos planos para a viagem, fomos para o centro de Atlanta.



Passeamos um pouco no Centenial Olimpic Park (que mais parece uma praça do que um parque mas tudo bem), mandamos um Subway e tocamos pro Georgia Aquarium, o maior aquário do mundo. Fantástico!



Incrível mesmo, tem aquário para tudo quanto é lado, na parede, no chão, no teto - estes davam-nos a impressão de que os peixes estavam flutuando! Enfim, tinha aquário de todos os tamanhos exibindo animais aquáticos de todas as espécies: baleia, tubarão, dragão do mar, jacaré, morsa, piranha, arraia, siri, caranguejo, estrela do mar, anêmonas felpudas e grudentas, água-vivas, enguias...


Ao todo são 5 galerias, cada qual mais impressionante do que a outra. Era tão lindo, tão mágico, tão, tão, tão sem palavras para explicar, que às vezes eu até perdia o fôlego, pois a impressão que dava era que eu estava mesmo em baixo d'água. Liiindooo. Valeu cada centavo dos 27 dólares investidos.


Logo em frente ao aquário tem o Mundo da Coca-Cola, pois Atlanta é a cidade onde o néctar dos deuses, o líquido negro do capitalismo, o refrigerante mais tomado no planeta - foi inventado. Esse programa foi meio sem-graça - acho que depois do aquário, nada teria muita graça naquele dia, a gente já estava podre, e além do mais fora os refrigerantes de todas as partes do mundo para você experimentar à vontade, as outras atrações não eram lá grande coisa.


É... Teve um filminho 4-D cujo plot principal consistia na busca da fórmula secreta da coca-cola que também foi engraçadinho, a cadeira mexia, espirrava água, saía arzinho, então você tomava uns sustos e dava umas risadas, mas ainda assim nada demais.


Finalmente seguimos para nosso hotel em Stone Mountain - uma cidade na região metropolitana de Atlanta que tem este nome por abrigar a maior montanha de granito do mundo. O hotel fica dentro de um parque, que além da montanha tem trilhas, trenzinho, campo de golfe, lagos, museu e muitas outras atrações legais. Mas como estávamos podres e já estava anoitecendo, só demos um mergulho na piscina antes de jantar e depois fomos dar uma volta até o pé da montanha. Assim que voltamos pro nosso quarto, desmaiamos sonhando com o dia seguinte, que seria o grande dia: show do Paul no Piedmont Park!

Welcome Again!

Supers Panda, Sogrão e Sogrinha tomando mini-sorvetes no Georgia Aquarium

Pois bem, meus queridos leitores! Cá estou de volta para um breve esclarecimento de por que estou há tanto tempo sem atualizar o blog. Primeiramente, como alguns de vocês já sabem, durante nossa viagem para Atlanta e depois para Las Vegas não tive acesso gratuito à internet. Assim sendo e tendo tantos outros programas para fazer, não tive tempo nem disposição para me dedicar a um relato fidedigno destes eufóricos e maravilhosos dias que passamos junto com Sogrão e Sogrinha.

Outro motivo é o incício das aulas, que começam amanhã! Tive que atenter a workshops e eventos de boas vindas durante toda sexta-feira e até o meio dia de sábado. Por isso estava prevendo uma atualizacão do Diário somente para a segunda-feira, já que pensei que iríamos passear no domingo - aproveitando o último dia de férias. Mas não temos mais fôlego! Diversão também cansa muito depois dos 30, sô.

Então preparem seus corações para as cenas das próximas postagens... elas foram elaboradas especialmente para dividir com vocês, caros leitores, todas as emoções das últimas aventuras zagonélicas. Enjoy!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Atenção Leitores

Este blog está temporariamente fora do ar para nos recuperarmos do melhor show de nossas vidas com merecidas férias em Las Vegas. Hoje a noite tem Love. Uhuuu. Bjos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Caso do Quebra-Cabeça


Mais uma postagem dedicada ao Daniel, mas desta vez sem muitos agradecimentos, uma vez que ele fez questão de comprar um quebra-cabeças de mil e quinhentas peças, mas abandonou o serviço logo no começo. Porém, ele ajudou a montar a borda e um pouquinho do céu situado no canto esquerdo superior do quadro, antes mesmo de chegar nos montes, portanto, foi só um pouquinho de céu mesmo.

Como tudo tem seu lado bom, terminar o trabalho sozinha serviu para matar o tempo e a saudade dele e da vó, pois durante a estadia deles aqui montar quebra-cabeças foi uma atividade recorrente. Tanto que o Daniel se empolgou e ficou achando que após montarmos um de 750 e outro de mil peças, um de 1500 seria fichinha.

O legal de montar quebra-cabeças é que você se sente, de uma certa forma, um pouco Deus na criação. No incício era o caos. Aos poucos, você vai dando forma ao todo, monta o limite das outras formas. Daí você separa o que é céu, o que é água, o que é terra, o que são flores... e óbvio, nem tudo são flores. Você precisa de um dia de descanso. E quando menos percebe, tudo faz sentido, as peças se encaixam e pronto!

Aprendi a gostar de quebra-cabeças com minha querida amiga Mara Fontoura, e toda vez que me proponho a montar algum, inevitavelmente lembro-me das noites em que nos reuníamos, a fim de montarmos aqueles puzzles gigantes, de 5 mil peças! Entre algumas cervejas e muita risada, a diversão era garantida! A expressão "traz o martelinho" também veio pra ficar. Quando uma peça parece que é, mas não encaixa, a gente chama o martelinho, pra enfiar a pecinha na marra. Claro que o martelinho não existe. É apenas uma metáfora para a expressão "puta merda"!

Bom, minha gente! Hoje é dia de fazer as malas pois amanhã de madrugada seguimos para Atlanta pra buscar Ivo e Fátima e, no sábado, vamos ao show do Paul. Domingo, seguimos pra Las Vegas que segunda-feira temos um encontro marcado com o Love, do Cirque du Soleil. E depois vamos passear no Grand Cannion. E claro, ir nuns cassinos para investir algum dinheiro na sorte. Vai que...

Agora que toquei nesse assunto de sorte, apostas, cassinos, lembrei de mami, da música que ela tanto gostou no disco do Simon & Garfunkel, então, mami, essa vai pra você. Somente o Lule viu a nossa versão dessa música, fizemos um ótimo dueto via skype pra ele.

Roving Gambler (American Tradional Song)




I am a roving gambler
I gamble down in town
Wherever I meet with a deck of cards
I lay my money down
I lay my money down
I lay my money down

I had not been in Washington
Many more weeks than three
When I fell in love with a pretty little girl
She fell in love with me
She fell in love with me
She fell in love with me

She took me to her parlor
She cooled me with her fan
She whispered low in her mama's ear
"I love that gamblin' man
I love that gamblin' man
I love that gamblin' man"

"Oh Mother, dear Mother
Why do you treat me so?
The love I feel for the gambling man
No human tongue can tell
No human tongue can tell
No human tongue can tell"

"Oh daughter, dear daughter
diririririiiii.... bla bla bla....
With a gambler go
With a gambler go
With a gambler go"

I've gambled down in Washington
I gambled down in Spain
I'm going down to Georgia
To gamble my last game
To gamble my last game
To gamble my last game

I am a roving gambler
I gamble down in town
Wherever I meet with a deck of cards
I lay my money down
I lay my money down
I lay my money down

I had not been in Washington
Many more weeks than three
When I fell in love with a pretty little girl
She fell in love with me
She fell in love with me
She fell in love with me

She took me to her parlor
She cooled me with her fan
She whispered low in her mama's ear
"I love that gamblin' man
I love that gamblin' man
I love that gamblin' man"

"Oh Mother, dear Mother
Why do you treat me so?
The love I feel for the gambling man
No human tongue can tell
No human tongue can tell
No human tongue can tell"

I've gambled down in Washington
I gambled down in Spain
I'm going down to Georgia
To gamble my last game
To gamble my last game
To gamble my last game...


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O caso da cerca (antes e depois)

Assim era a cerca aqui de casa.


Depois que eu e o Daniel lavamos, ela ficou assim:


Foram 3 horas e meia de trabalho pesado, embaixo de um sol de 35 graus! No dia seguinte meus braços ficaram imprestáveis de tanto esfregar a m... da cerca!

Bom, dedico esta postagem ao Daniel porque sem ele, certamente a cerca continuaria sujismunda, pois eu jamais conseguiria terminar o trabalho sujo sozinha. Valeu a força, Danico!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

I love you!




I love you
(Xanda Lemos e Bruno Zagonel)

It isn't easy, it isn't easy, it isn't easy
It's been harsh times
There's no believing but still we're trying
To be strong instead of crying

So if I'm smiling now
I don't know why, I don't know how
Everything is driving me crazy
Everything is hiding, looking so hazy

Where am I, where am I?
Who am I, who am I and what am I looking for?
Why do I do what I do if I don't know
Who is it for?

And if I care, will it be different?
And if I dare, will it matter at all to you?
I love you, I love you, I do...

Presentinhos da Vó Vivinha!


Vó, aqui estão as fotos das banquetas que você nos deu e que não chegaram a tempo de você ver!


E tá vendo aquela bolsa lindona ali na mesa? Então, foi essa bolsa que você me deu, já que aquela outra que tínhamos visto já tinha sido vendida...

E amanhã vamos jantar num restaurante bem chique para comemorar nosso primeiro ano de casados, outro presente que você também nos deu!

Somos infinitamente gratos a esses presentinhos, mas de todos os presentes que ganhamos, o melhor de todos certamente foi sua visita e a do Daniel!!!

Aguardamos vocês ano que vem! Beijos e mais beijos da Xanda e do Bruno.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cá com meus Platões...

A Morte de Sócrates de Jacques Louis David, 1787

Na falta de assuntos mais práticos, resolvi dedicar esta postagem às inquietações filosóficas às quais tenho me submetido através da leitura de Platão, de quem todos certamente já ouviram falar, mas poucos, infelizmente, já se atreveram a conhecer mais a fundo. Eu, inclusive, conheço Platão desde que me tomo por gente, e nunca havia lido nada dele, com excessão apenas do famoso Mito da Caverna, que na minha ignorância da época (eu devia estar na oitava série) não achei nada demais.

Não que hoje seja muito diferente. Em termos de leituras platônicas, continuo dentro da caverna e delas só tenho projeções trepidantes e deformadas numa parede irregular, úmida e escura. E ao me dedicar a tal estudo, devo confessar que tenho me deparado com uma angustiosa sensação de inabilidade filosófica, pela dificuldade de acompanhar o obtuso raciocínio dos pensadores.

Esta dificuldade tem exigido de mim uma leitura minuciosa e repetitiva - e, mesmo assim, pouco elucidativa - de muitos trechos dos diálogos escritos por Platão, tornando-a deveras cansativa e desafiadora. Como se o próprio exercício de leitura fosse uma forma didaticamente imposta pelo filósofo para nos ensinar, logo de cara, que a gente não sabe nada!

Outra dificuldade que o sujeito pós-moderno poderá encontrar ao se aventurar nas páginas platônicas é de cunho histórico, sociológico e político. Impossível obter pleno entendimento dos conceitos e das condutas filosóficas gregas sem ter, no mínimo, um parco conhecimento da história da Grécia Antiga, da organização social da época e de como a vida daqueles homens era de certa forma inseparável da política e, finalmente, de como a política era inseparável da religião, denominada por nós como "mitologia grega".

Isso exige de nós uma certa dose de desprendimento para que não deixemos de considerar a sabedoria dos filósofos pelo fato de muitas vezes ela estar baseada em crenças religiosas que hoje sabemos não passar de mitos. Por tudo isso, é preciso admitir que ler Platão , para o sujeito pós-moderno, é um grande pé no saco.

Creio que grande parte do fator Platão-pé-no-saco deve-se à nossa atual conjuntura, ao nosso estado quase letárgico de pensamento. Nossa geração desaprendeu a filosofar, a questionar, a desafiar conceitos pré-estabelecidos. Na escola, tudo o que aprendemos são conceitos prontos para serem internalizados - instituídos como verdade plena, até que o vestibular nos separe, de uma vez por todas, destas verdades fixas, nos deixando num vazio filosófico sem precedentes.

A maioria dos sistemas educacionais não ensina o sujeito a construir conceitos, idéias e opiniões, não admite-o questionar, nem a se deter um momento que seja em divagações sobre o bem e o mal, sobre a justiça e a injustiça, sobre a virtude e a iniquidade humanas. Esses são assuntos muito vagos, que não caem no vestibular e que por isso mesmo não carecem de ser abordados. E assim, quando admitimos, impotentes, estarmos num mundo vil e cruel, onde nem sequer com a justiça divina podemos contar devido à nossa impossibilidade de fé nas crenças ou nas tradições, a nossa incapacidade filosófica não nos permite identificar que é justamente a falta desta prática que nos levou a construir essa sociedade doente.

Assim, seguimos alienados, incapazes de analisar nossa própria condição. Não questionamos nada e muito menos nos revoltamos com isso. Aceitamos. Engolimos. Sujeitamo-nos ao nosso limítrofe e ordinário mundinho, porque pensar cansa, entristece, empobrece. Uma virtude a menos para o homem, a de pensar. Talvez prevendo isto que Sócrates tenha preferido beber cicuta ao invés de continuar ensinando seus discípulos.

Ao ser condenado por sua amada cidade, Atenas, à pena de morte, Sócrates não demonstrou nenhum receio, de boa vontade foi se confinar na cadeia esperando o dia de morrer. Ao ser questionado por seus amigos, discípulos e homens de grandes posses que certamente o poderiam livrar da condenação, ele se resignou à sua sentença, na esperança de que no Hades ele poderia continuar sua prática filosófica, ao lado de grandes homens que por lá já estavam. Estava excitadíssimo por conhecer Homero! Pobre Sócrates. Na minha opinião, sua tranquilidade ante a morte certamente se devia mais ao cansaço de viver uma vida miserável em nome da justiça, do bem e da virtude, numa sociedade que ele viu se corromper e decair justamente por se afastar desses conceitos que ele tanto prezou por viver e ensinar. Morreu de bom grado, pois morreu sabendo ter cumprido sua missão na terra mesmo sendo ignorado por muitos e odiado pelos mais poderosos. Certamente o inferno não poderia ser pior.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Onde mesmo eu estava?

Pois é! Andei meio desligada do blog - parte por preguiça, outra parte por falta de inspiração - e nem lembro mais o que já narrei e o que ainda merece ser narrado! Na verdade nada de muito excepcional tem ocorrido desde que vó e Daniel se foram, deixando muita saudades por aqui...

Dia primeiro de agosto fez 6 meses que a gente mora nos States. Incrível como o tempo passa rápido. E eu de férias todo esse tempo! Quer dizer, férias vírgula, porque vida dona de casa também dá trabalho e, pior, um trabalho que nunca cessa! Acaba de limpar já tá sujo de novo. Afe!

Mas não tenho do que reclamar não. Dona de casa na américa é outra coisa, minha gente. Aqui tudo é prático - desde a disposição da cozinha até os itens de limpeza - os paninhos que vêm como aqueles baby wipes já com desinfetante são uma mão na roda. Sem falar na máquina de lavar louça. E na máquina de secar roupa, não tem que ficar estendendo nada no varal, nem recolhendo, nem dobrando. E a maioria das roupas que saem da máquina já sai pronta pra dobrar e guardar na gaveta, sem necessidade de passar. Assim sendo, não há o que reclamar mesmo.

Os negócios na faculdade é que complicaram, tive que dar entrada num tal de EAD - Emplyment Authorization Document - pois como serei funcionária do Estado da Carolina do Norte, não posso trabalhar sem esta autorização emitida pelo Serviço de Imigração Norte Americano (USCIS). O lance é que tal documento só será analisado pela imigração daqui 3 meses, e sem ele não posso receber a bolsa, então até lá vou ter que trabalhar voluntariamente e, pior, vou ter que pagar o semestre sem ser enquadrada no que eles chamam de "in state tuition", que em resumo é um valor quase simbólico se comparado ao "out of state tuition", e cobrado somente para quem mora aqui há mais de um ano, ou para quem é nascido na Carolina do Norte, ou para quem é professor. Resumindo mais ainda: sem a autorização da imigração não posso ser contratada pela UNC, não sendo contratada não serei professora e não sendo professora, não tendo nascido aqui e não estando aqui há mais de um ano, vou ter que pagar uma fortuna que não tenho pelo semestre.

Mas eu já estou mexendo os meus pauzinhos, tentando acelerar o processo e, pra falar a verdade, estou confiante de que tudo dará certo no final, porque comigo sempre é assim, sempre tudo dá certo no fim.

E para falar mais verdade ainda, nem quero ficar tendo dores de barriga por causa disso não. O que não me sai da cabeça agora é que logo logo vamos para Atlanta nos encontrar com Ivo e Fátima e juntos veremos o show do Paul Mc'Cartney!!! E depois do show iremos a Vegas assistir ao Love e passear no Grand Canyon, ou seja... antes da faculdade começar ainda muitas águas vão rolar!