domingo, 30 de dezembro de 2007

30/12/2007 - Tempestade de Neve


O ano está acabando, incrível como nem vi passar. Já vai fazer um mês que estou aqui, e parece que cheguei ontem. Aqui os dias passam mais rápido, sim, pois anoitece às cinco da tarde. As festas começam mais cedo, e meia noite já tá na hora de ir pra cama. Mas doce ilusão a minha ser este um bom hábito. Meia noite aqui significa cinco da manhã no Brasil. Vou sofrer pra me acostumar de novo com esse horário.

Hoje o trabalho foi fácil, já não estou demorando tanto, mas ainda sou meio devagar. A minha manager está de férias e só volta dia 5 pro trabalho. Até lá nenhuma esperança de mudar de emprego. Mas enfim. Comprei um super creme protetor para minhas mãos, além de esparadrapo para vedar as luvas. E assim hoje não tive contato com os produtos corrosivos. Meus machucados estão melhorando, mas a textura da minha mão está ainda de arrepiar. Áspera como lixa. Descascando, em algumas partes.

Hoje saí do trabalho meia hora antes porque não tinha mais o que fazer. Mas não conseguir chegar em casa mais cedo, pois houve um acidente na estrada e o trânsito estava congestionado. O trajeto, que demora doze minutos de ônibus, durou uma hora e quinze. Além do quê, o cara não parou no meu ponto, então tive que caminhar mais ou menos um quilômetro debaixo de uma tempestade infernal de neve. Cheguei em casa mais branca que a barba do papai noel. Daí comi minha marmita de ontem, que esqueci de levar pro trabalho, tomei um banho, botei meu pijama, fiz minhas unhas, e agora vou assistir Piratas do Caribe na minha caminha.

sábado, 29 de dezembro de 2007

29/12/2007 - Crazy Brazilian Girl



Aproveitei que hoje também estava de folga e fui até Frisco comprar um celular e uma calça de neve para mim, pois a temperatura aqui está cada vez mais baixa e minhas calças jeans, mesmo reforçadas com os famosos mijões e meia-calças, não estão mais adiantando para esquentar minhas pernocas. O lago da foto aí ao lado (no canto superior esquerdo desta página) já está completamente congelado, incrível de acreditar.


No ônibus pra Frisco acabei encontrando com cinco dos dez brasileiros do meu grupo, cada um subiu num ponto diferente… se a gente tivesse combinado, não teria dado certo, hehehe... tá todo mundo com as mãos ferradas e puto da cara com o emprego. Eles também vão reclamar dos tais químicos.


E mais uma vez, eu estou reclamando de barriga cheia, pois alguns deles estão trabalhando no Lake Side, onde os apartamentos são mais antigos e têm lareiras de verdade, e não a gás, para limpar. Além do mais, para ir de um apartamento para outro, eles precisam andar bastante na neve, e não têm carrinho para carregar as parafernalhas (roupas de cama, toalhas, produtos de limpeza, sacos de lixo, etc.). Ô, dó!


Cheguei em casa às cinco e meia da tarde e a Britney estava chorando de dor de dente. Agora mesmo a JJ e o Elder levaram ela pro hospital, porque dentista aqui e a essa hora, além de ser caro para caralho, é difícil de encontrar.


Acabei de fazer uma janta bem gostosa, brócolis refogado com alho, arroz integral, salada de folhas com molho de gengibre, e uma carne ao molho madeira, dessas que vêm prontas, só pra aquecer no microondas. Vou preparar minha marmita para amanhã e deixar o resto pra galera se fartar.


Ai, ai… que saudades do meu gatinho… Bruno, querido, você é o melhor marido do mundo, sabia! Eu aqui no meio dessa homarada toda, só fico pensando em como eu tenho sorte de ter um cara como você.


E ai, ai, de novo! Trabalhar amanhã, que saco, afff, cansa só de pensar. Por isso, meus caros, agora vou nanar pra me preparar pro lelêlerê desta semana…

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

28/12/2007 - Day off


Não fiz exatamente nada. De bom, só falei com o Bruno pela internet, tirei uma soneca de tarde e depois que acordei e vi que meus dedos estão mais inflamados, fiquei puta e mandei um e-mail pra minha manager. Eis:

Hi!

How are you

I'd like to talk to you about my job. I got my hands really hurt because of the chemicals we use for cleaning, even though I have used latex gloves all the time. I almost can't even type you this message because I have cuts in most of my fingers, and they hurt a lot.

The fact is, if I got these cuts in one week of work, I don't know what is going to be of my hands when the end of february comes and I'll leave. I need my hands for everything, I play the guitar and now when I get home tired from work I just can not do what I like more in my life. This really upsets me!

To tell you the thruth, our travel agent told us, when we were still there in Brazil, that we would have many choices here concerning jobs, and that we would be supposed to make interviews, etc... we got really surprised when we got here with a stablished position already.

I know it is not your fault, I hope you understand what I'm trying to say... but if I knew that I was going to be a housekeeper, sincerely, I would not have come. I'm just not prepared to this kind of job.

And now that I'm here, and fell in love with this place, my question is: is there any possibility to change my position, or, if there is not, what can we do about these injuries in my hand.

I hope to hear from you soon, and thank you very much.

27/12/2007 - Part II Getting Wasted

Ontem não fui jogar sinuca, mas fizemos uma festinha aqui em casa. Fiz caipirinha a noite inteira, alguns trouxeram cerveja, outros uísque, enfim… todo mundo ficou “borracho”. Mas eu não estou de ressaca, só tomei caipirinha... eis as fotos!

Começo de festa todo mundo comportado. Dustin à esquerda, e dois pretendentes da Britney, Brendon ao meio e Paul com o violão.





Depois de preparar algumas caipiras, eu peguei a viola pra fazer um som. Beatles, Kinks, Bowie, e é claro, Xanda Lemos. Homem Mosca é o maior sucesso.






E a cozinha começou a ficar zoneada, a galera mais solta, mais gente foi chegando, até a Amber, minha companheira de quarto que não gosta de festas se divertiu!





Lá pelas tantas o Tonny me perguntou what does caipirinha means, eu eu disse, it means little country girl! Ué, e não é (interrogação)






O Elder e a JJ chegaram da janta e tentaram, em vão, dormir no quarto ao lado... mas a cama deles fica exatamente colada na parede da cozinha, então desistiram e juntaram-se a nós!



E até o Matt, um dos guris que eu não vou muito com a cara, apareceu. Vejam só porque eu não gosto dele... e digam se não tenho razão. Se bem que nesta foto ele até parece simpático. But look at his stupid cowboy hat!


Chapéu estúpido, mas todo mundo quis tirar uma foto com ele... inclusive eu.



Quase meia noite. Todo mundo pra lá de mahakesh, não sei quem teve a grande idéia de trazer uma canetinha e todo mundo sacaneou com a cara de todo mundo. Eu desenhei bigodes no Paul, que riscou a cara do Tonny, que desenhou um bigode em mim, que completei o risco na cara dele imitando uma cicatriz e juntei a sobrancelha do Dusting, que desenhou um coração no pescoço da Britney, e assim em diante... bando de retardados! Abaixo Paul e Tonny.





Fim de festa, todo mundo trincado, começando a ficar sem noção, então achamos melhor acabar com a festinha... we were all stoned in Keystone.


THE END.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

27/12/2007 - Por que sair sem maquiagem é pedir pra queimar a cara…


Finalmente entendi por que as americanas não saem de casa sem antes se maquiar. É que aqui faz um frio cortante, de rachar os lábios e de fazer suas maçãs do rosto virarem maracujás de gaveta. O frio resseca e queima, literalmente, a cara da gente!

Portanto, não é por serem peruas que as americanas se maquiam, mas sim por serem cuidadosas. As maquiagens desempenham o papel determinante da proteção, e é por isso que hoje eu, aqui, sempre saio maquiada, até mesmo pra trabalhar.

Falando em trabalho, hoje foi tranqüilo. Fiz apenas regular cleans e um back to back. Regular clean é a limpeza mais moleza de todas, só tira o lixo, troca as toalhas que estão no chão e arruma a cama. Às quatro da tarde já tava pronta pra ir pra casa, e cá estou, atualizando este blog. Vou tomar um banho e ver se arrumo companhia pra sair jogar sinuca. Amanhã e depois estou de folga mesmo…

Hoje ganhei um casaco da Britney, esse que estou vestindo na foto. Presente de aniversário e de natal atrasado!

26/12/2007 - Hard Job

Eu, Brendon e Britney

Mais um dia duro de trabalho… oito horas e meia de jornada sem pausa, apenas meia hora pro almoço. Todos os quartos que fiz hoje foram back to back, o que significa que os hóspedes deixaram o quarto e novos hóspedes entrarão no mesmo dia. Ou seja, tem que limpar tudo, cada milímetro, geladeira, fogão, pia, todas as louças, banheiro, tudo! Minhas mãos estão machucadas por causa dos químicos que usamos para limpar. Eles penetram na pele, mesmo usando luvas. Oh, man, actually I wasn’t born for this kind of job… cheguei em casa quase nove horas da noite, menos 26 graus lá fora, tomei um banho bem quente e uma dose de uísque que os amigos da Britney me ofereceram. Eles estavam aqui quando eu cheguei. Um deles não me lembro o nome, o outro é o Brendon, um garoto muito legal que monta motores para carros antigos, motores turbinados, para corrida. Muito interessante. Lá pelas dez fui visitar o Paul porque fiquei sabendo que ele foi parar no hospital com pedra no rim… mas foi uma visitinha rápida, ele estava realmente de mau humor e eu que já tive esse negócio sei que, com aquela dor, fica impossível ser simpático. Então voltei pra casa e entrei debaixo das cobertas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

25/12/2007 - Merry Xmas!



Como disse para o meu amor, hoje trabalhei que nem uma égua véia, feriado aqui, metade do quadro de housekeepers de folga, e quem trabalhou hoje trabalhou dobrado. Tô podre, e não fiz nada além de trabalhar. Hoje nevou o dia inteiro e está exageradamente frio, bem mais que os outros dias. Teve almoço de natal na faixa pros empregados do resort e fiz então minha segunda verdadeira refeição aqui. E viva o Natal!


Vocabulário Keystoneano

Alex - meu apelido para os americanos mais chegados.

Amber - minha companheira de quarto texana, gorducha e querida; mas se irrita e me irrita facilmente, ainda não sabe aproveitar a vida; não gosta de limpeza nem de festas e tem visível tendência à depressão e ao estresse.

Andrew - ver Elder.

Beer Pong - curioso jogo em em que cada dupla fica do lado de uma mesa de ping pong, diante de seis copos de cerveja dispostos em forma de pinos de boliche, dentro dos quais a dupla adversária deve acertar a bolinha, fazendo a outra dupla beber.

Britney - minha companheira do quarto atravessando a cozinha, gosta de festas e se apaixona por vários garotos ao mesmo tempo, encontrando grande dificuldade em se decidir com qual deles quer ficar.

Bruno - 1. Meu amor, homem da minha vida, gosta de festas, e atualmente sente a minha falta tanto quanto eu sinto falta dele. 2. Curitibano da mesma agência que a minha, atualmente está procurando desesperadamente um lugar pra morar.

Caroline - japinha carioca, muito gente fina, que fez parte do meu grupo de treinamento.

Casa dos guris - dois apartamentos do bloco em frente ao meu, onde festas ocorrem com freqüência e boa música pode ser ouvida, tanto mecânica como ao vivo.

Christina - uma americana careca que conheci na casa dos guris, bem divertida e inteligente, com fortes tendências bissexuais.

Dario - curitibano da mesma agência que a minha, atualmente está procurando desesperadamente um lugar pra morar.

Dillon - cidade vizinha onde se encontram os bancos, correios, supermercados, shoppings, teatro, cinema, qualquer coisa, a um preço menos esfaqueador.

Dos Locos - bar e restaurante mexicano onde tem mesa de sinuca e vários tipos de cerveja, o verdadeiro point de Keystone.

Dustin - um dos meus melhores amigos aqui; ente da família dos vermelhos, praticante do snowboard e de alma pura e aberta; gosta de festas e é perdidamente apaixonado por uma garota que não gosta mais dele; atualmente sofre de amor.

Elder - meu companheiro do quarto atravessando a cozinha, australiano, namorado da JJ, gosta de festas.

Frisco - próxima cidade depois de Dillon, onde tem o Wall Mart.

Free bus - todas as rotas gratuitas de ônibus em Keystone, desde que você seja funcionário do resort ou tenha um cartão de turista em temporada.

Guris - Solar, Paul, Jimmy, Dustin, Sen, Matt e Tony. Gostam de festa.

Grocery store - mercadinho ou loja de conveniências.

Housekeeping - meu trabalho, vulgo camareira.

Housing - o famoso pombal americano, onde eu e todas as pessoas que trabalham nas montanhas moram.

I.D. - toda vez que vou à Liquor Store comprar bebidas eles pedem para ver minha identidade. No início senti-me lisonjeada, mas agora sei que eles pedem a identidade até para o velho mais barbado. Lei é lei. É assim que as coisas funcionam por aqui.

I’ve broken my seal, man! - expressão para designar a primeira ida ao banheiro depois de algumas cervejas, significando que a partir de então terá de fazê-lo repetidas vezes.

Jamie - amiga da Amber, que é também muito querida e que não sabe aproveitar a vida, não gosta de festas e atualmente está em busca de um namorado que tope casar virgem.

Jayme - gaúcho bonitão e simpático que mora em Araraquara-SP e que também veio se aventurar em Keystone.

Jimmy - americano gordinho muito divertido, com quem gosto de conversar porque ele me corrige, me ensina, me pergunta como são as coisas em português, e me faz me sentir mais à vontade nesta terra estranha.

JJ - minha companheira de quarto atravessando a cozinha, namorada do Elder, gosta de festa e emite uns sons peculiares para expressar frio, alegria, fome e cansaço.

Kimber - típica americana loira e peituda, que mora numa casa em Dillon onde ocorrem festas com freqüência nas quais se pode praticar o Beer Pong.

Leo - meu supervisor no trabalho. Mexicano que fala inglês com sotaque engraçado o que por vezes dificulta a comunicação entre ele e seus imediatos.

Louis - americano, toca guitarra com os dentes, não gosta nem desgosta de festas.

Maria - catarinense que trabalha na Grocery Store aqui do Sunrise Housing, e que demorou para eu descobrir que era brasileira. Isso explica o porquê de sempre ter música brasileira tocando no mercado. Música ruim, diga-se de passagem.

Matt - 1. Dos guris é o que eu menos tenho afinidade; americano com cara de quem comeu e não gostou e que não tem muita coisa na cabeça. 2. Rapaz bonito que não sente frio, anda de camiseta na neve, é de Denver e atualmente mora em Dillon.

New Mexico - lugar onde JJ nasceu e onde ela e Elder foram passar o Natal.

Oh my Gosh! - expressão muito utilizada pelos americanos quando algo dá quase certo ou tudo dá errado.

Paul - americano, toca violão direitinho e quer fazer algumas aulas comigo. Forte candidato entre os pretendentes da Britney.

PBR - abreviação da cerveja Pabst Blue Ribbon; a PBR está para a América do Norte como a Kaiser está para o Brasil.

Quick Silver I - condomínio residencial que fica na frente do meu housing e que dá nome ao ponto de ônibus que você deve descer para vir aqui em casa.

Raven - corvo, belo pássaro negro que emite um som agourento e que gosta de sobrevoar a neve; aparentemente se alimenta de lixo.

River Run - meu setor de trabalho, onde encontram-se os melhores hotéis, restaurantes e as melhores pistas para esqui e snowboard de Keystone.

Sacar la basura - tirar o lixo em espanhol.

Sen - russo de sexualidade indefinida e senso de humor afiado e prático, gosta de festas e de música eletrônica, odeia franceses e futebol.

Scott - americano bonitão e simpático que conheci na palestra que todos os funcionários do resort devem assistir antes de começar a trabalhar; esqueceu as luvas no ônibus, as quais devolvi dois dias depois após contatos por e-mail. É apresentador de um programa na MTV americana.

Solar - um dos meus melhores amigos aqui; americano e bom cantor, com apurado gosto musical. Gosta de festas.

Sunrise Housing - o lugar onde eu moro.

That’s sick, dude! - “massa, cara“; “muito louco, meu“; “do caralho“, etc.

That pissed me up! - me deixou fulo da vida, de cara, isso me deixou puto.

Tony - americano com a cara mais comprida que já vi em toda minha vida. Gosta de festa.

Under zero - a temperatura aqui diariamente, caia neve ou faça sol.

Wilder - gurizinho que toca guitarra muito bem, mas se perde por querer demosntrar seu excesso de virtuosismo. Gosta de festas e atuamente concorre entre os pretendentes da Britney.

Verônica Fuentes - minha chefe da Guatemala, de meia idade e muito simpática e bonitona, talvez com os olhos muito saltados, mas de puríssimo azul.

Xmas - abreviação de Christmas.

Yankees - no meio deles que eu estou, tentando me acostumar a tudo, ao frio, à cultura, ao jeito anasalado, enjoado e rápido deles conversarem, a eles, enfim. Sem dúvida me sinto um alienígena por aqui. Mas vim em paz.

Zummies - a loja de roupas e acessórios para os praticantes do snowboard, sensação do inverno por essas bandas.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

24/12/2007 - Christmas Party

Depois de um dia duro de trabalho, cheguei em casa e a Britney estava chiquérrima, me esperando para ir na ceia natalina dos guris. Eu disse que não ia, estava cansada do trabalho e meio deprê, sabem né, natal longe da família, das pessoas que eu amo… mas ela me disse que eles tinham ligado e que todos estavam esperando por mim. Sendo assim, me arrumei bem lindona e fui.

A família do Paul veio passar o natal com ele, e pela primeira vez vi a casa deles arrumada. Os pais e os irmãos do Paul são oátimos, foram muito simpáticos e a ceia estava deliciosa: tinha peru, risoto de fungi, purê de batatas com alho e bacon, salada de vagem, milho e folhas, pães e uma torta de abóbora para sobremesa. Me fartei de tanto comer, e de fato, essa foi a minha primeira refeição de verdade aqui.


Bom, tudo que eu tenho a dizer é que meu natal foi emocionante, porque vi que também aqui tem gente que se importa comigo… é difícil não se sentir sozinha, mesmo estano no meio de tanta gente... e fazer novos amigos também não é nada fácil quando não se domina a língua, mas tive sorte de encontrar pessoas tão queridas, que me fazem sentir bem!

Mas vou ficar por aqui e deixar que as fotos contem o resto…




segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

23/12/2007 - Lazy on a Sunday afternoon

Outside my window is a tree...

Frio, muito frio. Não tive coragem de sair da cama até uma da tarde, quando a fome falou mais alto e eu tive que preparar um rango. A Amber e a Jamie levantaram cedo pra ir adivinha aonde… na igreja! Foram à caça, eu sei. Durante este tempo só li e falei com o Bruno o dia inteiro pela internet. Tirei uma soneca de tarde. A JJ e o Elder foram para New Mexico passar o natal com a família dela. Fiquei tirando a música Anyway do Paul Mc’Carney, que o Bruno me mandou por e-mail sem nem fazer idéia de que, desde que eu cheguei aqui, essa música não me sai da cabeça, principalmente durante o banho.

De noitinha a Britney chegou aqui com o Wilder e os roomates dele, fizemos um sonzinho esperto e eles saíram logo depois. Nem tô acreditando que amanhã é véspera de Natal. Sem a JJ e o Elder aqui fico meio perdida… já que a Britney é festeira, mas tem a turma dela e, às vezes me parece que ela só me convida pra sair quando é muito necessário, tipo, quando fica muito feio ela ir sozinha em algum lugar… sabe Deus…

Amanhã vou provavelmente passar o Natal na casa dos guris. Anyway, não vou festar muito, já que vou ter que trabalhar no feriado.

Saudades, sem dúvidas, do meu Brasil. Pretendo fazer um boneco de neve amanhã, até comprei cenouras para fazer o nariz. Prometo tirar uma foto e publicar na próxima postagem.

Merry Christmas!

domingo, 23 de dezembro de 2007

22/12/2007 - Beer Pong

Quote the raven - Nevermore!

Nossa, mas que povo doido! Vocês não têm noção. Embora haja uma regra clara que grande parte do mundo é retardada, o grau de retardadisse dos americanos me assusta. Chamam isso de diferenças culturais. Pois bem. Já estou começando sacar essas diferenças, e tentando respeitá-las, claro, apesar de algumas me incomodarem realmente.


Por exemplo: estava eu na casa do Dusting e chegaram dois outros carinhas. Eles sentaram, se apresentaram, tudo normal. De repente um deles soltou um sonoro peido. E o outro outro, logo em seguida. E os dois começaram a competir, ó senhor, na frente de uma lady como eu. Não tive escolha senão levantar e disfarçadamente sair pra cozinha. E eu, que adoro rimar, falei pro Dusting: Dusting, this is disgusting!


As garotas não ficam atrás não, soltam arrotos mais que os garotos. Daqueles altos, assustadores. Toda hora, em qualquer lugar. Lembro da primeira vez que peguei o free bus. Uma garota sentou do meu lado e deu um arrotão. Tomei um susto lazarento e comecei a dar risada. A garota me olhou como se a esquisita fosse eu. E de fato…


Mas vamos ao meu dia. Acordei cedo, tomei café, fiz as unhas, tomei banho, almocei, saí com o Elder para comprar o presente de natal da JJ (eles fizeram as pazes naquela noite mesmo), voltamos pra casa, ele foi trabalhar e eu fui na lavenderia, fiquei lá esperando uma hora e meia até lavar e secar tudo enquanto lia Os irmãos Karamasovi, depois voltei pra casa, encontrei a JJ e a Britney, elas saíram jantar, me convidaram mas eu não tava afim, depois voltaram, eu fui com a JJ buscar o Elder no trabalho, fomos na casa de umas amigas deles, estava rolando uma festinha cheia daqueles americanos entojados que a gente vê em filmes, as garotas todas putinhas loucas para dar mas dando uma de santa, os garotos com aqueles queixos protuberantes se achando o máximo, aquela música americana insuportável, rap, sei lá, putz, que dureza foi esperar a JJ e o Elder ficarem afim de vir embora.


Um frio, um frio que vocês não têm noção, minha gente, não dava nem pra sair pra for a da casa pra fumar um cigarro e ficar longe daquela festinha americana de merda. O jeito foi esperar. Me esparramei na frente da lareira e fingi que tava dormindo.


Até que o Ched, um gordinho bobão mas até que simpático, veio me convidar pra ser dupla dele no beer pong. Um jogo estúpido, porém divertido, em que cada dupla fica do lado de uma mesa de ping pong, diante de seis copos de cerveja dispostos em forma de pinos de boliche, dentro dos quais a dupla adversária deve acertar a bolinha, fazendo a outra dupla beber. Se você acertar a bolinha direto no copo, o adversário só toma aquele copo. Se os dois da mesma dupla acertarem o mesmo copo, a dupla adversária toma três copos. Se você quicar a bola na mesa uma vez antes de acertar, a dupla adversária é obrigada a tomar dois copos. E o objetivo do jogo é deixar a outra dupla bêbada, eliminando todos os copos.


Mas quando eu estava começando a me divertir e pegar o jeito da coisa, a JJ e o Elder vieram me chamar pra ir embora. Fui com o maior prazer. Aquela música e aquela gente já estavam me dando nos nervos.


Cheguei em casa e já tava me aprontando pra dormir, mas a Britney me chamou para ir no Paul junto com ela. Eles tão no maior affair, então eu disse que não, que ela que fosse sozinha, pra ver se finalmente rolava alguma coisa entre eles. Mas ela implorou, não, não posso ir sozinha, fica chato, blá blá blá, eita mas essa americanada é complicada… daí fui né, fazer o quê… fiquei lá uns dez minutos bocejando, pedi desculpas e disse que queria dormir. Deixei os dois sozinhos lá e quando a Britney saiu pra cozinha pegar a chave, eu olhei pro Paul e disse: você faça alguma coisa, don’t expect her to make the move, man, e olha só, ele finalmente tomou uma atitude! Veio deixar ela aqui em casa no maior dos amassos! É isso aí, meu povo… Xanda Lemos unindo e confortando corações em Keystone!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

21/12/2007 - Knock Knock… housekeeping!



Hoje limpei meu primeiro quarto sem o supervisor e ele só veio checar se estava tudo tinindo. Tirei nota dez. Demorei quatro horas num quarto que deve ser limpo em apenas duas, mas ele disse que é normal e que com o tempo vou conseguir ser mais rapidinha.

Olha, eu estou adorando trabalhar com isso! Amanhã e domingo eu folgo pra entrar com tudo na segunda-feira de natal. Daí vai ser pesado, vou ter que limpar os fornos engordurados do peru, afff…

Acabei que não saí ontem, a Britney perdeu o celular no caminho e fui ajudá-la a procurar, e quando voltamos, Elder e JJ estavam em pé de guerra, ficaram brigando até sei lá que horas…

Agora vou tomar um banhão arregado e procurar alguém pra ir jogar sinuca comigo, já que ontem fiquei só na vontade.
Não falei com o Bruno ontem nem hoje… isso me deixou meio down… por isso vou deixar aqui um poema pra ele. O eu lírico é o Bruno, e o ela e o você do poema são eu.

Flores de Inverno

ela não tem em suas mãos
as flores da primavera
as flores de inverno
invadem seu caderno
e vão pro verão
do sul do Brasil
leves flutuando como a neve

e num balão a solidão
se foi nesta jornada
tudo que eu quero
é tirar ela do sério
e vê-la sorrir
e todos verão
nosso amor é tanto e tão moderno

o nosso amor, só ele dá
as flores da primavera
as flores de inverno
as dores do inferno
da separação
mas meu coração
sempre bate à porta do seu peito

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

20/12/2007 - Água, água, muita água!


Às seis da manhã acordei com uma dor terrível no abdome, que começou a se alastrar pelo corpo inteiro. De repente meus dois braços começaram a formigar e a encolher, até eu ficar com patinhas de T-Rex. Acordei a Amber e todo mundo com meus berros apavorados, eu pensei que estivesse sofrendo uma metamorfose, ou que estivesse morrendo mesmo. O Elder e a JJ levantaram para me levar no hospital e me deram um copão de água: toma e se vista, eles disseram, pode ser desidratação. Tomei a água com um esforço sobrenatural e em dez minutos a dor começou a passar e eu voltei ao normal, como num passe de mágica.

Olha, foi a pior sensação de toda a minha vida. Eu tava definhando e completamente consciente disso. Meus músulos simplesmente começaram a se retrair e a encolher, o que causou a dor fora do comum. Mas graças ao Elder e à JJ, ela até já teve a mesma coisa, consegui me acalmar… porque eu tava já psicologicamente abalada. Durante o dia tomei umas vinte garrafinhas de água e nunca mais vou deixar de tomar vinte garrafas de água por dia.

Fui trabalhar normalmente, e hoje o dia foi corrido! Minha equipe se dividiu em grupos e tivemos que limpar oito apartamentos. Por incrível que pareça foi divertido! Pelo menos não cansou tanto quanto ficar só olhando…

E agora adivinha só o que estou tomando? Água?

Não, uma cervejinha bem gelada… aaaaaahhhhhhhhhhhh! Daqui a pouco vamos sair jogar sinuca, eu, JJ e Elder. E quando eu voltar vou tomar mais um litro de água.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

19/12/2007 - Reclamando de barriga cheia

Eu com a jaqueta do meu uniforme!


Meu segundo dia de treinamento foi tranqüilo, tive só que ficar olhando o cara limpar pra aprender como se faz.

Minha equipe de treinamento é composta por dez pessoas, todos brasileiros, são três garotos, sendo dois de Curitiba e um do Rio Grande do Sul, e mais sete meninas, três do Rio e quatro de Curitiba, já contando comigo. Eles chegaram aqui na sexta passada, uma semana depois que eu, e não conseguiram o housing pra morar. Estão tendo de gastar uma grana em hotel, pagando por dez dias o que eu pago no mês.

Ontem as coordenadoras americanas do nosso programa de intercâmbio vieram acalmá-los e conseguiram casas de família pra eles ficarem a um preço mais barato, mas as casas ficam nas cidades vizinhas, pois aqui em Keystone não tem mais nada mesmo. Tudo lotado. E pra piorar, as casas onde alguns deles vão ficar são de mexicanos, pessoas que não falam inglês, ou seja, se o objetivo deles era aperfeiçoar o inglês, também serão lesados nisso.

Por isso não posso reclamar. Sempre digo: minha bunda não é grande somente para ocupar lugar no espaço. Sou muito sortuda. Ah, sim! Por falar em rabo grande, me aguardem. Já tô emagrecendo porque estou comendo bem no café e uma coisinha aqui outra ali de três em três horas durante o resto do dia. Até hoje não tomei nenhum gole de refrigerante e só comi um donnut. Estou resistindo bravamente ao fast food americano. E com os exercícios diários do housekeeping, pretendo ficar bem gostosona!

Hasta la vista, hermanos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

18/12/2007 - Primeiro dia de treinamento

Onde eu fui me meter!

Olha, eu era feliz e não sabia. Fui hoje pro treinamento e só de ficar vendo e ouvindo tudo que vou ter que fazer me deu vontade de sair correndo. Sinceramente, não que eu tenha algum preconceito com serviços de limpeza, mas ai, vai ver eu tenha, sei lá, me sinto humilhada… eu pago para alguém fazer isso em minha casa e quando eu penso que vou ser chique, viajando pro exterior com trabalho garantido, me deparo com esta triste realidade: ter de limpar a merda dos americanos!

Uma bosta, literalmente. Arrumar a cama dos americanos. Trocar a toalha dos americanos. Aspirar o pó dos americanos. Deixar tudo no quarto dos americanos tinindo pra eles sujarem de novo e pra eu limpar tudo de novo. Puta que pariu, mas vamos lá, fazer o quê, vou encarar né. Eu lá não sou tão dondoca a ponto de tremer na base. Sei que a Dinda vai baixar em mim e eu vou limpar tudo no maior lerê, feliz da vida, e vou ganhar muito dinheiro pra ir torrar em alto estilo na Disney com meu maridão.

Sim porque o meu amigo Zé me ensinou algo muito importante: sempre devemos enxergar o lado bom das coisas (acho que ele leu aquele livro Poliana). E o lado bom de ser faxineira é que aqui os caras valorizam esse tipo de trabalho pesado, sendo que o melhor salário de todos os subempregos que eles aqui oferecem para nós, cucarachas, é o de housekeeping, ou room attendant, whatever.

Mas é isso aí, meu povo! Tô legal, não se preocupem comigo porque só as maravilhas deste lugar já fazem valer a pena ser empregadinha por três meses. E uma empregadinha chique, diga-se de passagem. Amanhã meu ski pass fica pronto e vou aprender a esquiar no fim de semana. E como já dizia Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Beijos e desculpem os palavrões, mas eu adoro o poder de expressão que as palavras de baixo calão possuem.

17/12/2007 - Correndo atrás das flores



Hoje meu dia foi simplesmente maravilhoso! Fui em busca das flores que meu adorável marido me mandou. Era pra ter sido uma surpresa. Mas infelizmente nem tudo são flores… e por motivos de força maior, as flores - que eram para estar aqui no sábado, data do meu aniversário - foram entregues somente hoje e no lugar errado, onde fui buscá-las.

De qualquer maneira, isso mudou completamente o meu dia, o meu humor, o mau humor. Fiquei rindo à toa a ponto de me perguntarem por que eu estava rindo!

Encontrei o Solar de noite e ele disse que me viu passar, e eu perguntei quando, ele respondeu: quando você estava com um balão. E eram as flores!

O que eu gosto no Bruno… ele sempre me surpreende. E assim ele me prende, pra sempre junto dos seus braços, aonde eu sinto, mesmo estando longe, que é o melhor lugar do mundo para se estar!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

16/12/2007 - Caipirinha neles!


Durante o dia não fiz nada além de ficar recortando figuras e palavras de revistas pra colar na parede. Meu quarto é tão vazio, tão sem graça, então resolvi aproveitar a ociosidade e a solidão para enfeitá-lo. Como enfeites de Natal custam caro por aqui, usei a criatividade e improvisei um canto natalino. Não canto de canção, canto de cantinho mesmo.


Meu canto natalino

Também criei algumas poesias concretas… ê, falta do que fazer… fico aqui só olhando para as paredes mesmo, então, por que não enchê-las de figuras e palavras? Tá ficando legal! A Amber chegou e gostou das pequenas mudanças, e realmente, elas fazem uma diferença...


Olhar pras paredes agora é menos entediante.

De noite tava deprê. Queria sair. Mas todo mundo trabalha na segunda, e eu só começo a trabalhar na terça, então seria a minha grande chance de curtir uma balada antes de dar duro. Mas sozinha não tava afim. Fiquei em casa, esparramada pelo chão mais do que batatinha quando nasce, ouvindo e deletando alguns arquivos do meu gravador para dar espaço para novas canções. Deu uma saudaaaade, ouvir a voz do Bruno, do Caetano, da Eliza, da Deza, do Zé Ivan (a gente jogando imagem e ação, tem gravado quase uma hora de bobagens!), a Cosmonave no rádio, eu e o Fábio Elias e as nossas canções do Cansei de ser Pobre (um projeto musical que nunca saiu da mesa do bar), então fiquei aqui me torturando com lembranças do Brasil. Ah! Mas o que eu ri!!! Enfim! Foi mais um conforto do que uma tortura.



Lá pelas oito da noite a Britney apareceu com três gurizinhos aqui em casa e uma vodka. Eu tinha comprado limões pra temperar salada e fazer limonada suíça, mas diante daquela garrafa de vodka tive a grande idéia de introduzi-los ao mais famoso brazilian drink, a Caipirinha. Nem preciso falar que eles adoraram e enlouqueceram no segundo copo.

E os limões acabaram mas a festa tinha só começado. Fomos então para o outro bloco, na casa do Solar e do Dusting, creio que já falei desses amigos (ver post 14/12/2007). Lá fizemos o de sempre, jam session com cerveja.


Jimmy and Dusting


E desta vez lembrei de levar a máquina!

Wilder, um guri de 18 anos que detona no violão, mas diz que seu instrumento de verdade é a bateria.

Solar, Paul and Britney.

domingo, 16 de dezembro de 2007

15/12/2007 - Meu aniversário!


Auto-retrato depois de um bom trato

Parabéns para mim!
Nesta data tão linda!
Muito frio muita neve!
E eu tô com quase trinta!



Vinte nove anos… afff, como já estou velha. Mas me sinto como se tivesse… sei lá, dezesseis.


Bom, meu aniversário pode não ter sido o mais agitado do mundo, mas foi oátimo. Primeiro, acordei com a grande notícia de que a Cosmonave, banda dos meus sobrinhos, saiu na capa da Gazetinha. Acessei a matéria por internet e não me contive de orgulho e de emoção! Foi certamente um presente e tanto pra mim.



Cosmonave prestes a decolar


Depois a Amber acordou e me entregou um cartão de aniversário assinado por ela, pela Jamie e pela Britney. Muito fofas. Sem falar que ela me fez omeletes com bacon para o café da manhã.
Fiquei o dia inteiro morgando, fazendo as unhas, banho de creme nos cabelos, me dei de presente um fino trato, já que tava nevando e fazendo onze graus negativos lá fora e não me deu coragem de sair.



Vix! Já to com rugas nos olhos!


De noite partimos o bolo que a Amber preparou, que por sinal estava uma delícia! Ia sair com a JJ e com o Elder (ou Andrew, eu não sei qual nome vem antes) mas, de uma hora pra outra, comecei a passar muito mal, me sentir cansada, com falta de ar, ânsia de vômito, dor de cabeça, o coração acelerado, as pernas trêmulas, cruz credo, pensei que fosse morrer… tive que me deitar e fiquei fritando na cama durante uma hora mais ou menos, tomando muita água e esperando o mal estar da altitude passar. Assim, perdi a festa, caí no sono, acordei lá por onze e meia da noite com a Amber e a Jamie conversando sobre decepções amorosas, a Jamie chorando, ai, meu Deus, eu não mereço!

Uma careta para essas garotas caretas!

Lá eu dando conselhos novamente, desta vez pra Jamie. Vinte anos, quer um namorado novo pra esquecer um tal de Zak, um cara que ela ama mas que não ama ela, e então eu disse que Keystone era o lugar mais indicado para encontrar um namorado, já que deve ter uns dez homens pra cada mulher aqui… sério, aqui é o “Mundo de Marlboro”! Vocês lembram das propagandas do Marlboro, com aqueles americanos altos, queixudos, de olhos claros, bonitões, então, aqui está cheio deles. Mas que fique claro que nenhum supera o meu gatão, o mais lindo do mundo...

Então, mas continuando a história, ela disse que todos aqui só querem sexo, e ela quer casar virgem! Bom, neste caso, eu disse vai na Igreja, minha filha. Ela simplesmente adorou a idéia, parou de chorar, e eu me senti um pouco mais útil, embora tenha falado aquilo meio que tirando um sarro, na brincadeira, hehehe…

Não me sinto diferente com 29, embora hoje de manhã, justamante hoje, eu tenha encontrado um fio de cabelo branco em minha cabeça… na realidade passar o aniversário longe das pessoas que eu amo e que me amam é um tanto frustrante. Triste… desolador. Mas ah! Não vou reclamar mais.

sábado, 15 de dezembro de 2007

14/12/2007 - Véspera de aniversário



Acordei cedo pra assistir ao Keynotes, uma palestra que todos os contratados da Vail Resotrs devem assistir antes do treinamento. Foi legal, esclarceu várias coisas a respeito dos benefícios que tenho aqui (quatro aulas de ski e snowboard de graça por mês, 50% de desconto em restaurantes, nos elevadores e teleféricos, no aluguel de equipamento…) e também coisas sobre segurança, metas da empresa, enfim…

De tarde não fiz exatamente nada além de ler e tocar violão… lá pelas seis fui com o Elder e a Lauren num botequinho tomar uma sopa. Fiquei assistindo os caras esquiarem de noite, muito animal.

Quando a Lauren deixou a gente aqui de novo encontramos o Dusting e o Solar, dois rapazes muito legais, americanos, que conheci na segunda-feira no bar. Eles vieram nos convidar pra uma marguerita party na casa deles. O Elder não foi já que a JJ não pode beber por causa dos remédios, então fomos eu, a Lauren e a Britney. Lá tinha mais um monte de americano, duas garotas chamadas Cristina, um russo gayzinho que me desafiou no dardo e saiu perdendo, e mais um monte de gente que não lembro o nome. Fizemos uma jam session (alguns deles sabem tocar e cantar muito bem) e incrível, os caras conhecem Zombies, Kinks, ou seja, meu repertório do Gianninis é o maior sucesso por aqui…

A festa tava boa mas foi me dando um sono, tomei duas margueritas e fiquei bem locona (segundo eles a bebida aqui sobe mais rápido por causa da altitude), mas quem disse que eles me deixaram ir embora… não consegui sair de lá até dar meia noite pra cantar os parabéns. Que bonitinho! Ah, adorei… os americanos são oátimos!

13/12/2007 - Um dia em Frisco

Eu e Amber no free bus

Amanheceu um dia lindo e ensolarado e fui com a Amber no correio, que fica em Dillon, para eu abrir a minha P.O. Box, uma espécie de caixa postal para receber cartas e os documentos do banco. Depois fomos até Frisco, que fica mais ou menos a uma hora de Keystone, e lá passamos quase o dia inteiro passeando e fazendo compras pro meu aniversário. Os ônibus aqui são de graça, isso é ótimo. Dá pra fazer um tour pelas montanhas sem gastar um puto.

Chegamos em casa e eu estava com uma dor de cabeça animal, além de cólica… descobri que essas dores de cabeça quase insuportáveis são efeito da altitude. Estamos a algumas milhas acima do nível do mar e aquela sensação que descrevi de pequenos terremotos dentro de mim é de fato uma sensação física: falta de ar repentina e náuseas de vez em quando. Não, não estou grávida! Tudo isso é efeito colateral do ar rarefeito e seco das montanhas. Normal, eles disseram, demora uns 15 dias pro nosso corpo se habituar.

Hoje recebi um e-mail da minha manager: amanhã às oito da manhã vou ter uma aula de como trabalhar no Keystone Resort… e terça começa meu treinamento. Então, já vou começar a fazer dinheiro. Que bom porque já tava demorando.

No mais, este é meu sétimo dia em terras estrangeiras e aquele banzo do início parece ter passado. Certamente tinha a ver com minha TPM e com o choque térmico e psicológico de estar de repente sozinha num lugar estranho. Mas agora já estou me habituando… I’m a quite sociable person and I’m doing good! They say I’m awesome!

Porém, apesar de ter superado grande parte do medo, a saudade do Brasil só aumenta a cada dia… saudades da família, dos amigos… E de você, Bruno, meu amor. Não fazia idéia de quanta falta você me faz… te amo muito e não paro um minuto de pensar em você.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

12/12/2007 - Dia inútil, porém mais feliz



Acordei cedinho pra estar às oito no hotel e ver se finalmente começava a trabalhar. A maldita manager não estava e eu fiquei esperando ela até meio dia. Ia esperar o dia inteiro, mas o rapaz do setor de recursos humanos disse pra eu ir, que eles entrariam em contato comigo por e-mail dizendo quando voltar. E adiantou que novas turmas de treinamento começam somente segunda que vem e que provavelmente eu só trabalharei a partir de então.

Voltei pra casa, almocei e fiquei a tarde inteira lendo, mexendo no computador, montando este blog… de tardinha a Britney chegou super feliz que tinha passado no teste de mecânica para operar os teleféricos. Ela ia sair comemorar e eu ia jogar boliche com a JJ. Porém, a JJ foi parar no hospital com inflamação nos rins e eu acabei saindo com a Britney. Fomos num bar aqui em Keystone mesmo. Estava cheio e eu conheci muita gente nova, todos americanos!

Eles me adoraram e eu me diverti muito. Eu não sei, eles consideram muito exótico alguém do Brasil no Colorado. E realmente… eu pelo menos sou completamente diferente do povo daqui. Mas estou com sorte. Todas as pessoas que conheci até agora, até os rapazes de ontem no bar (que geralmente são americanos e muito novos, exatamente como aqueles carinhas idiotas que a gente vê em filmes) são inteligentes, comunicativos, e todos têm sido muito simpáticos, me ajudando no inglês, me incentivando a ser more outgoing, como eles falam…

Acho que depois de ter chorado ontem tudo que não chorei desde o aeroporto em Curitiba, fiquei mais aliviada… e minhas vibrações por aqui estão começando a melhorar. Mas ainda sinto aquela sensação estranha, de pequenos terremotos abalando pedaços dentro mim.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

11/12/2007 - Dia triste e inútil



Não fiz exatamente nada. Li um pouco, dormi, comi, tomei banho e só. Lá fora nevou o dia todo e eu não tive coragem nem vontade de sair. Hoje é pra ser meu último dia de folga. E eu assim espero, cansei de não fazer nada. Fiquei com dor de cabeça, chorei um monte de saudades… fiquei pensando em como seria bom voltar. Mas depois que chorei tudo, me senti uma idiota. Mal cheguei, nem comecei a trabalhar, nem sonho em inglês ainda, e já estou pensando em voltar. Não, não está na hora de voltar porra nenhuma.


Bem, agora já estou melhor. Mal vejo a hora de compor… sinto que a inspiração está próxima. Ah, sim, hoje foi aniversário da Amber. Ela chegou do trabalho deprimida, bem mais do que eu. E eu acordei com ela chorando, era mais ou menos meia noite. Aí comecei a consolá-la, e acabou que eu voltei a chorar também e ela que teve que me consolar! Que cena ridícula… enfim, acabamos assistindo a um filme piegas e eu fui dormir às três da manhã.

10/12/2007 - Um dia cheio

Bem cedinho fui pro hotel para ver se eu começava a trabalhar, mas a minha manager só volta na quarta, provavelmente então eu comece a trabalhar na quinta ou, se eu tiver sorte, na quarta mesmo.


Voltei pra casa e fui a Dillon novamente, desta vez de ônibus e com a Amber, para abrir uma conta no banco, de modo que eu tenha cheque para pagar meu alguel (eles só aceitam cheque ou cartão). Voltamos de carona com um amigo da Amber e chegando aqui, começamos a arrumar nosso quarto (a parte dela que tava muito suja e zoneada). Já está bem melhor…


De tardinha o Andrew me chamou pra ir num bar tomar uma cerveja e fomos eu, ele e a Cristine, uma americana meio bossalzinha. O bar era legal, uma pizzaria na verdade, e o cara não me cobrou pelos três canecos de chopp!


Andrew e Cristine


Voltamos e a JJ fez tacos para a janta. Estavam uma delícia!


Tenho falado diariamente com o Bruno e isso me conforta… de todos no Brasil, dele é de quem tenho mais saudades…

09/12/2007 - Primeira quase encrenca

JJ me levando às compras

Acordei antes de todos e fui tomar um banho. Quando saí, JJ e o namorado estavam se aprontando, ele para trabalhar e ela para fazer compras. Como eu não tinha nada, nem comida, nem roupa de cama, pratos, talheres, nada mesmo, fui junto com ela para a cidade ao lado, chamada Dillon, onde as coisas são mais baratas.

Na volta, depois de guardar tudo, JJ e Britney chamaram Amber e eu pra convsersar. Elas propuseram uma mudança de quarto. De fato, a Amber tinha me falado que ia pedir pra Britney pra elas duas mudarem. Mas a proposta delas era eu sair do quarto em que eu tinha acabado de me instalar para o quarto da Amber, e o casal ficar no meu lugar. Eu pedi desculpas e disse que não, que por mim tudo bem se eles mudassem, mas eu tinha acabado de chegar e estava cansada de ficar carregando tudo pra lá e pra cá. Amber estava indo trabalhar e não poderia arrumar as coisas. Ficou então decidido que ia ficar do jeito que estava.

Um pouco depois, porém, a JJ fechou a cara e começou a chorar. De repente começou a empacotar tudo e disse que ia embora. Não entendi e de fato não liguei esta reação dela à minha negativa quanto à mudança. Então o namorado dela chegou e veio falar comigo, explicou que eles e a Amber não se davam e perguntou se eu não podia fazer alguma coisa pra eles não irem embora. Entendi que a minha única opção seria mudar de quarto, e assim o fiz. Ele chamou um amigo e os dois mudaram tudo. Fui falar com a JJ e expliquei a ela que, se eu soubesse da situação incômoda entre eles e a Amber, eu teria topado antes. Ela me pediu desculpas e agradeceu, e realmente, acho que será melhor para todos nós esta mudança.

08/12/2007 - Home sweet home



Hoje que já estou instalada num quarto decente fiquei mais tranqüila. A minha mudança foi trabalhosa. Tive que trazer uma mala de trinta quilos pro terceiro andar, de escada! A sorte foi que subi primeiro com o violão e quando entrei no quarto tinha alguém na cozinha fazendo comida. Era a Amber, uma textana que eu conheci ontem lá no apartamento fedorento.





Ela me ajudou com a mala e ainda me chamou pra almoçar. Depois instalou meu computador, enfim, ela foi realmente muito querida, como ela de fato é. Na verdade aqui dois apartamentos compartilham a mesma cozinha e o mesmo banheiro. Ela fica no quarto ao lado, atravessando a cozinha.



Quando tudo ficou pronto, Britney, minha companheira de quarto, chegou. Ela é da California e é super organizada. Ainda bem, pois o quarto da Amber e do casal que mora ali com ela é uma zona!

Este casal, Elder e JJ (Jeniffer Jones), é de New Mexico e os dois são muito divertidos. Aliás, todos aqui estão sendo muito legais comigo. Eles me convidaram pra tomar uns tragos e depois fomos num outro apartamento onde estava tendo uma festinha.

Chegou uma hora que eu não entendia mais nada, nem uma palavra do que eles falavam. Não sei se por estar cansada, ou por ter bebido um pouco, ou por estar ficando de saco cheio daqueles americanos que estavam na festa...

Então saí à francesa e vim pro quarto dormir.

07/12/2007 - Subindo as Montanhas Rochosas do Colorado

Amanheceu nevando, uma neve fininha, rala. Mal via a hora de chegar em Keystone e me afundar na neve.

A Fernanda me deixou num terminal de ônibus de onde pude ir para o DIA - Denver International Airport. De lá peguei um shuttle, uma espécie de van, para as montanhas. No caminho tivemos de enfrentar uma forte tempestade de neve, o que atrasou a minha chegada no Resort. Não tive tempo de preencher todas as fichas porque tudo aqui fecha às cinco da tarde. Aliás, aqui, cinco da tarde já é tarde da noite.
Bem, se não tive tempo de preencher as fichas de trabalho, tempo não tive para dar entrada em minha nova casa por 3 meses. Então eles me colocaram num quarto provisório sujo e fedorento com mais um monte de gente que também não conseguiu se registrar.

Antes de chegar neste quarto, fiquei esperando a mulher com quem eu tinha falado voltar pra me indicar em qual dos blocos eu ficaria. Então chegou um cara com uma pá de neve e me perguntou se era eu que tinha acabado de chegar, num inglês pior que o meu. Ele era mexicano, e eu fiquei realmente assustada com a pá e não soube o que responder. Ele então disse que podia me ajudar com a bagagem, encostou a pá e pegou uma das minhas mochilas. Hehehe… me assustei à toa.

Tentei ligar pro Bruno e não consegui. Isso só aumentou a minha frustração em relação ao meu primeiro dia atolado na neve.