segunda-feira, 21 de maio de 2012

Quarta Musical

L.A. é uma cidade enorme, cercada por mar, montanhas, e muitos outros antros de beleza, de fama, arte, música, teatro. Malibu, Santa Monica, Beverly Hills, Hollywood, são  apenas algumas cidades satélites que orbitam em torno de L.A. Aos poucos, meus ouvidos moucos foram se acomodando aos ruídos graves -- sim, eu tentava explicar pro Bruno como cada cidade tem um tom -- de Los Angeles. Demorou dois dias para eu me acostumar. É que assim, logo de cara, depois de San Diego, L.A. me pareceu pouco intimista, muito extravagante e grande demais, exigente demais, obstruída, ocupada demais. Foi quando nosso querido Zé Emílio Rondeau, que passou anos de sua vida aqui (digo lá) em L.A., me advertiu: "Curta L.A. com carinho que ela responde bonito." 


Vista de Downtown L.A.

Rondeau -- jornalista, filmmaker, escritor e produtor -- já tinha nos mandado uma lista de coisas imperdíveis pra fazer em L.A.  A lista, que foi publicada para um público mais amplo numa dessas revistas famosas, foi sendo "customizada" via facebook. Conforme eu ia postando algumas fotos no meu mural, Rondeau ia comentando e provocando: "Se não forem na Amoeba você e Bruno são mulher do padre." Assim, com um guia turístico personalizado nos dando dicas lá do Brasil, começamos a desbravar as delícias de L.A.

A calçada toda cravada de Grammies 


Iniciamos nossa quarta-feira visitando o Grammy Museum, que para mim, usando as palavras de Cazuza, foi um museu de grandes novidades. De caráter completamente tecnológico, educacional e interativo, o Grammy Museum dá uma verdadeira aula de indústria cultural. Além das linhas do tempo e dos mapas de epicentros musicais -- programas desenvolvidos com tecnologia touchscreen para contar com música, fotos, fatos, a história da música mundial e americana -- o museu tem figurinos, instrumentos, equipamentos, documentos, tem tanta coisa que em um dia só fica impossível curtir tudo.

Love when Mabeibe smiles!


Antes de seguirmos nossa excursão musical, aproveitamos para almoçar em um restaurante simpático que ficava entre o museu e o estacionamento onde deixamos nosso Jeep. Bruno pediu um hamburguer e eu uma salada muito esquisita, com folhas baby, frango, laranja, cenoura, e castanha de caju! E o molho era doce. Com a fome que eu estava, comi tudo e achei uma delícia. Ao fundo uma movimentação de câmeras, luzes e muita ação. Era a produção do programa American Idol, se preparando para mais uma seleção de futuros artistas potenciais. Quase me inscrivi. Haha. Claro que não. No, no, no. I don't wanna be the next American Idol (minha próxima música).

Nos bastidores do American Idol

Depois do almoço fomos para a Amoeba, uma loja (e também uma gravadora) imensa de discos, CD's, até fita K-7, filmes, fotos, revistas, livros, tudo, mas tudo mesmo, sobre música. A loja é um galpão enorme, você entra e tem vontade de ter um ataque, porque sabe que será impossível sair de lá com tudo que você gostaria de levar sem fazer um rombo na sua conta bancária. Como a gente já tava meio pobre, compramos somente um box dos Stones com 3 CDs e um livro. Tivemos que decidir entre esse e o box do Velvet Underground e outro do Bob Dylan. Ó, dívida cruel. (Ps.: dívida mesmo, porque dúvida não, qualquer um que levássemos teria sido uma boa compra).

Amoeba Records: uma perdição de achados musicais

Da Amoeba seguimos para a Guitar Center, a original, a maior de todas, que conta inclusive com sua própria calçada da Fama. A loja por dentro -- tirando o anfiteatro e o número absurdo de guitarras em exposição -- se parece com todas as outras. Eu já tinha me esquecido como me irrita entrar nessas lojas de música aqui nos States. Primeiro porque aqui você pode tocar qualquer instrumento. Isso não seria um problema se a maioria das pessoas que testam os equipamentos não fosse um bando de amadores sem o mínimo talento, que só sabem tocar o rife de Sweet Child of Mine - o novo Stairway to Heaven. É uma cacofonia insultante de clichés musicais. Então demorei pra entrar. Fiquei encaixando minhas mãos nos moldes das mãos de grandes guitarristas e depois me enfiei lá na última sala de violões clássicos, e fiquei matando minha saudades de tocar violão até dar a hora de ir embora.

Mãos nas mãos do guitar hero da minha juventude, Slash!

Fim de tarde fomos para o Griffith Observatory ver o sol se pôr! Dentro do observatório tem muitas coisas interessantes, como um Pêndulo de Foucault, e outros equipamentos e experimentos científicos muito malucos. Eu, na minha ignorância astronômica, não fazia ideia de que Foucault era um físico e que o pêndulo era um experimento para comprovar a rotação da terra sobre seu próprio eixo, oh well, nem sei se é isso mesmo. Mesmo depois de ler a respeito, ainda não consegui compreender como o pêndulo funciona. Segundo a Wikipedia:

Domo de um dos telescópios abertos para visitação


Sem se levar em conta a rotação da Terra as equações do movimento são as do pêndulo simples, ou seja: \left \{ \begin{matrix} x'' = - \omega^2 x\\ y''= - \omega^2 y \end{matrix} \right.
onde ω é a oscilação própria do pêndulo simples, ou seja:
\omega = \sqrt{g/l}
Entenderam? Não? Tst, tst, tst... pô, gente, é um pêndulo simples! Hahahaha. Ta bom. Eu confesso, também não entendi lhufas!

Pôr do Sol em L.A.


O mais legal do Griffith Park é que você consegue ver a cidade inteira numa vista panorâmica de perder o fôlego.

Quiz: quantas cores tem um só horizonte em L.A.?


Além do quê, a gente pôde entrar num daqueles domos de astrônomo, e ver Venus pelo Telescópio! Foi lindo! Assim, no Griffith vimos L.A. anoitecer lá do alto, e de lá pudemos constatar: que cidade linda! Que lugar maravilhoso! Que vontade de ficar aqui!

The City of Angels...


Não tem como não se apaixonar por uma cidade que anoitece assim... com tantos tons... com tanto céu, com tanto mar, com tantas luzes, e com tantos lugares lindos como esse. Daqui também tivemos uma das melhores vistas do famoso letreiro de Hollywood, que pode ser visto de longe, de vários pontos da cidade. Não sei se alguma das trilhas do parque nos levaria até ele, mas com a minha pata injuriada, nem pudemos percorrê-las. Fica pra uma próxima!

Olhem só o meu gL.A.mour!


5 comentários:

Ivo disse...

Pandinha linda

Quando eu e a Fátima estivemos em Élêi 15 anos atrás, não achamos a cidade tudo isso que você achou. Talvez porque na época não tivemos o "nosso" Zé Emílio Rondeau para nos dar todas as dicas do mundo.

De tudo o que você contou hoje, só vimos o Griffith, com o o seu pêndulo de Foucault que realmente vale a pena.

Vamos ver se numa próxima aproveitamos melhor.

Beijos do Sogrão

Ivo disse...

Esqueci de dizer - você está uma verdadeira "movie star" nessa última foto, hem?

Panda Lemon disse...

Obrigada sogrão!

Sua nora é cleptomaníaca e uma irmã desnaturada, mas por outro lado é também uma nora muito L.A.gante!

Talita disse...

Linda essa minha filha, e ainda como se nao bastasse esbanja eL.A.gancia!

Panda Lemon disse...

Obrigada, mamis!

\o/