segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Second Day in San Francisco




O segundo dia em São Francisco foi de tirar o fôlego em ABSOLUTAMENTE TODOS os sentidos possíveis. Devido à diferença no fuso, acordei às 6:40 da manhã e saí caminhar pela vizinhança. A mais ou menos três quadras do apartamento onde estamos tem um tal de Dolores Park. Aí pensei bom, já que vou caminhar, vou caminhar no parque.

MANHà

Um frio de lascar. Viro a esquina da igreja (Mission Dolores) e vejo alguns moradores de rua acordando. Um velho cabeludo da barba grisalha embrulhava suas tralhas. Uma mulher loira e descabelada dobrava os cobertores. Dois jovens continuavam deitados em seus sacos de dormir encardidos e fedorentos. Mais à frente outro já vinha bem acordado, com tudo embaladinho e guardado no carrinho de supermercado que ele empurrava, pronto para mais um dia. 

Eis que chegando no parque, vi uma legião de sem-tetos, uns que carregavam suas casas -- sacolas imensas -- nas costas, andando devagar, pareciam caracóis. Outros loucos amanheciam fumando e bebendo e me viam passar, serelepe, com meu traje fitness, limpinho, e meu novo tênis de caminhada com cadarço amarelo-limão. Quanto contraste!

Um levantou num pulo e fez uma pose estranha: socou a mão esquerda na palma da mão direita como quem diz eu sou canhoto e vou te dar uma porrada, mas depois levantou o pé direito no joelho esquerdo num balé maluco, e logo abriu os braços e projetou o quadril pra frente, girou o corpo e com a mão esquerda lançou uma bola inexistente no ar. Entendi que aquilo era uma espécie de jogo de baseball imaginário. Ele mesmo lançava a bola e ele mesmo se preparava com seu taco invisível pra rebater, e depois de rebater ele mesmo saía correndo pra pegar a bola e se jogava e escorregava no chão pra alcançar a base. Uma loucura. 

Subi a ladeira. Na volta, o mesmo lunático me aguardava. Fui passando e numa fração de segundos o cara abaixou as calças e sacudiu as genitálias para mim, sorrindo feliz, ou talvez rindo da minha cara. Minha sorte foi que pra baixo, todo santo ajuda. Eu corri. Corri bem rápido e cheguei em casa sã e salva e sim, um pouco assustada.

TARDE

Após o episódio bizarro do Dolores Park, saímos tomar café da manhã e seguimos de metrô para o centro da cidade. Lá pegamos o Cable Car, um velho bonde que sobe e desce ladeira até o Fisherman's Wharf, a principal atração turística na orla da San Francisco Bay. 


Primeiro fomos num museu muito divertido de antigos jogos mecânicos e eletrônicos. Depois percorremos as lojinhas e atrações do Pier 39, de onde se avista a mitológica ilha de Alcatraz. Também dá pra ver uma porção de leões marinhos, pelicanos, e pessoas e artistas de toda espécie. E um burburinho incessante de gente de toda parte do mundo. 


Almoçamos com uma vista panorâmica maravilhosa, céu azul, mar verde e prata, e a Golden Gate Bridge unindo tudo. Seguindo as recomendações do meu querido amigo (o escritor Mexicano) Yuri Herrera, alugamos bicicletas e camelamos 15 quilômetros até chegar na ponte, dos quais uns 4 foram só de subida (sem falar que erramos o caminho e subimos uma montanha completamente íngreme e desnecessária).

FIM DE TARDE


Pedalando nas alturas. Ventania. Do lado esquerdo o Pacífico se estendia no infinito e desenhava um horizonte incerto, perdido entre as brumas do céu e do mar. Atrás e em frente, montanhas; rochas milenares, escuras e silenciosas. Acima de nós as altíssimas estruturas e os cabos que sustentam a maior ponte suspensa do mundo (desde 1937) desapareciam nas nuvens. Do lado direito a cidade reluzente, refletindo uma réstia de sol que a neblina deixava passar. Um espetáculo.


Mais 15 quilômetros pedalando no sentido contrário da ponte e depois pela orla da baía, devolvemos as bikes e voltamos pra casa de ônibus, exaustos. Como disse no início desta postagem, o segundo dia em São Francisco foi de tirar o fôlego em todos os sentidos... 

NOITE

Zzzzzzz....




The fog over Golden Gate Bridge gives it a halo of mystery and glory. We bike-crossed it yesterday afternoon and that was the most exciting and adventurous moments of our trip. The hight is just incredible. The view, breath taking. The wind, as sharp as a knife, keeps blowing strong from the Pacific Ocean, sometimes howling, while the sea under us is constantly groaning, insensible to the stillness and the silenceness of the mountains. (Now I do not only invent words, as I'm probably inventing worlds with no cars or trucks zooming in and out across the bridge; which was actually the only sound I could really hear, besides, of course, sometimes, the wind).

By Beat-Panda Lemon

2 comentários:

Ivo disse...

Pandinha linda

Que excelente sugestão que deu o teu amigo.

Quando estivemos na ponte, só caminhamos atá o primeiro pilar. Atravessá-la deve ser uma experiência única mesmo.

Beijos

Sogrão

Panda Lemon disse...

Excelente sim, mas também aterradora! Quando vc pega o vento de frente cada pedalada é uma luta! E ali nas estruturas onde o vento faz a curva então a gente quase era empurrado da bicicleta!

Da próxima vez tem que ir de bici!

Bjos