terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Perdão!


Queridos leitores, e principalmente sogrão e sogrinha: gostaria de lhes pedir desculpas pela agressividade da última postagem... me excedi na minha raiva, e com essa idadade já deveria saber como controlar minhas emoções. Agora, mais calminha, vou explicar-lhes o motivo de tanto ódio momentâneo no coração.

Domingo passado teve o Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano. Como eu já havia mencionado anteriormente, não perderia o programa por nada, uma vez que o show do intervalo seria comandado pelo The Who. Assim, mesmo com toda a leitura e trabalhos que tinha que entregar esta semana na Universidade, resolvi ir com o Bruno na casa dos Colleman para não assistir ao show sozinha em casa.

Enquanto o jogo rolava, eu fiquei isolada no quarto lendo e estudado a Doutrina Kirkpatrick, para então escrever uma análise crítica sobre o documento. Só parei para ver o show, e ainda assim quase não curti nada, porque o povo não parava de discutir o jogo e eles até abaixaram o volume da TV nesta hora, uma afronta! Mesmo assim, vi os 20 minutinhos de show, só com clássicos da banda, ignorando as conversas paralelas.

Voltei para meu confinamento e para a odiosa doutrina Kirkpatrick, cuja leitura imprimiu todo o ódio em meu coração, que mais tarde seria destilado na última postagem. Jeane Kirkpatrick foi uma cientista política, professora e conselheira do governo de Ronald Reagan, e no final da década de 70 ela escreveu este artigo "Dictatorships and Double Standards", apregoando que os governos militares da América Latina deveriam ser mantidos, uma vez que os latino-americanos não estavam preparados para a prática da democracia.


Olha a cara da bruxa! Já morreu, coitada...

O que a motivou a escrever o artigo, foi a "desastrosa" administração anterior a Reagan, liderada pelo presidente Carter, que por sua vez, adotou uma política baseada nos direitos humanos, atacando veementemente as ditadutas sulamericanas, impondo-lhes sanções e cortes de regalias, como auxílio militar, através de venda de armas, e econômico, através de empréstimos exorbitantes que só faziam aumentar nossas dívidas.

Antes de Carter, nunca na história desse país os Estados Unidos se incomodou com seu status de super potência imperialista, mas depois da Segunda Guerra, e principalmente após a intervenção no Vietnam, os conceitos de imperialismo e de direitos humanos entraram em voga. Havia muita pressão por parte da opinião pública e da mídia, tanto dentro como fora da América do Norte, o que fez o democrata Carter redirecionar as manobras da política internacional americana para uma doutrina de não-intervenção, incentivando a democracia e a modernização dos países da América do Sul.

Seus esforços, embora decisivos para a abertura política de países como Brasil, Argentina e México, foram interpretados como um desastre pela oposição Republicana, devido à perda de importantes aliados militares no Iran e em Nicarágua. Também nesses países havia governos militares repressivos, que sem a ajuda dos Estados Unidos, foram atacados por guerrilhas revocucionárias socialistas que, assim que tomaram o poder, se tornaram pedras no sapato dos americanos.

Dentro deste contexto, Jeane Kirkpatrick, anti-comunista até a alma, advertiu: os Estados Unidos estavam perdendo terreno, e a União Soviética expandindo sua deplorável ideologia socialista no nosso hemisfério. Para reparar os danos causados pela política mela-cueca do Carter, ela defendia a retomada das relações internacionais com os governos militares, não importando o quão repressivos eles fossem, uma vez que os movimentos revolucionários eram tão ou mais violentos do que os governos de extrema direita. Ela dizia: entre o totalitarismo comunista e as autocracias militares, fiquemos com os militares, já que os danos provocados pelos últimos não atingiam os Estados Unidos, muito pelo contrário, ajudavam a conter a expansão soviética no combate aos movimentos de esquerda, que viam nos Estados Unidos o pior inimigo.

Seu desprezo pelos direitos humanos e sua prepotência imperialista me deram nos nervos. Mas o que meu deu mais raiva mesmo, foram as verdades incômodas de sua análise. Ela ridicularizava a tentativa de Carter de democratizar a América Latina, simplesmente porque a instauração da democracia é um processo complicado, que depende de fatores econômicos, sociais, culturais e políticos.

Antes de tudo, um país para ser democrático, deve ter uma sociedade relativamente rica. Isto é, ter uma classe média-alta substancial, uma população alfabetizada, disposta a participar politicamente, desempenhando seus deveres de cidadão. Além disso, os líderes de setores importantes da sociedade (políticos, líderes de sindicato, etc.), devem ser honestos, e obter sua força somente por meios legais, evitando a violência e as fraudes, e devendo aceitar a derrota, quando esta se fizer presente. Agora me digam vocês... essa nossa democracia fajuta não se explica através desses preceitos?

E não dá uma raiva de saber que não temos uma saída? Afinal, se um dia tivemos uma classe média substancial... hoje ela se diluiu e emburreceu. Nossa participação política se resume ao voto obrigatório. E honestidade entre políticos é piada. Aliás, ser honesto no Brasil não é virtude, é burrice! Afinal, o Brasil é dos espertos... é o não é o caso de trocar de povo?

Por tudo isso, e por uma condição física de dor nas costas e TPM, me excedi no ódio. Mas cá estou para pedir-lhes desculpas, e para dividir minha frustração em relação ao futuro do meu país.

7 comentários:

Ivo e Fátima disse...

Olha eu aqui de novo!

Sogrão

Ivo e Fátima disse...

Pandinha linda

Em primeiro lugar, o show do intervalo foi muito fraco - o som estava horrível com muito barulho de fundo, foi curto (quando vi já tinha acabado...), meio que mal filmado. Para mim foi uma decepção total, já que tinha me preparado para ver em HD e com som 5.1. O HD até que deu, mas o som era um 2.0 dos mais vagabundos. Além do mais, eu estava torcendo pelos Colts, mas eles fizeram bobagens demais no 3° e no 4° quartos.

Quanto ao post, quem ficou chocada foi só a Sogronis. Eu te falei que concordava com gênero número e grau com as posições que você externou. Veja só as "democracias" latino americanas: Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Cuba... O interessante é que ditadura de esquerda é elogiada, enquanto as de direita são execradas.

Na realidade, na comparação, o Brasil não está tão mal. Pelo menos liberdade de imprensa (isso é, se nos abstrairmos do caso do Estado de São Paulo) nós temos.

Vamos parar por aqui que tenho que sair.

Beijos

Sogrão

Ivan disse...

O que posso eu comentar (what can I say...), diante do alto grau de periculosidade inteligentícia que detectei, ao ler estas últimas postagens e comentários (e especialmente após digerir a postagem "fora-povo" e os respectivos comments, linkados aqui, os quais fui lá e li?)

Talvez apenas solicitar encarecidamente à Alexandra que supere a frustração em relação ao futuro do seu país, pois, afinal, você também faz parte deste "show" (assim, no fundo, frustração com o Brasil é frustração conosco mesmos).

E mais, forçando mais um pouquinho a amizade, o povo brasileiro não merece plenamente a crônica veríssima (possivelmente outra apocrifia engraçadinha mas no fundo masoquista, de brazuca que quer jogar a toalha...).

Não jogue a toalha, Alexandra!

(e agora delirarei e forçarei mais a amizade)

Eu sei que você nunca se renderá, Xanda, pois você acredita na humanidade - senão não teria se lançado em tantas e tão sublimes aventuras: a música, as viagens, as leituras, a política, as blogagens sinceras, e, fundamentalmente, o amor e o casamento...

(minha nossa, bobeou e amanhã eu acordo e me alisto no exército da salvação...)...

fatima disse...

Xâncica, não mereço tanto perdão...sou uma alienada. Fiz uma postagem ontem e sumiu! P que P... As vezes dou uma vacilada destas e levo um pito daqueles do oráculo, que nunca vacila hehe
Seus textos podem estar meio acidos ultimamente, embora devidamente fundamentados e merecidos pelos compatriotas, mas não deixam de refletir a qualidade e a clareza das suas idéias.
Continuo achando que você merece uma coluna entre os melhopres comentaristas da Gazeta do Povo.
Um beijo
Sogronis orgulhosis

Talita disse...

Sua indignação é a de todos os brasileiros decentes Xandinha, não é falta de fé na humanidade mas um um pedido de socorro aos humanistas íntegros que ainda existem, graças sos céus! Não precisa pedir desculpas por querer um Brasil melhor pra todos pois este deveria ser obrigação de todos os rasileiro...se isto serve de consolo...

(http://blogs.cultura.gov.br/valecultura/)o povo está se preparando física e psicologicamente para "lo difrute de eso que se conoce como la ópera".Isso pode não ser um modelo de atitude de um presidente, mas é o que o nosso comumente faz, rsrs de vale em vale os brasileiros "enchem o papo"

"O povo quer comida diversão e(...) como em disse nosso poeta roqueiro,
entao Pani et Circense para nós também.

Este Vale eu quero também...

Talita disse...

Sua indignação é a de todos os brasileiros decentes Xandinha, não é falta de fé na humanidade mas um um pedido de socorro aos humanistas íntegros que ainda existem, graças sos céus! Não precisa pedir desculpas por querer um Brasil melhor pra todos pois este deveria ser obrigação de todos os rasileiro...se isto serve de consolo...

(http://blogs.cultura.gov.br/valecultura/)o povo está se preparando física e psicologicamente para "lo difrute de eso que se conoce como la ópera".Isso pode não ser um modelo de atitude de um presidente, mas é o que o nosso comumente faz, rsrs de vale em vale os brasileiros "enchem o papo"

"O povo quer comida diversão e(...) como em disse nosso poeta roqueiro,
entao Pani et Circense para nós também.

Este Vale eu quero também...

Panda disse...

Sogrão! Sério que vc nao gostou do show?! Eu achei que a filmagem tava mesmo deixando a desejar, e o som, como tava meio baixo mesmo, não percebi que tinha muito barulho... mas eu adorei!!! Afinal, qualquer coisa seria mais legal do que essa tal doutrina Kirkpatrick!!!

Sogrinis, obrigadis mas você é suspeitis, né... fico feliz em dizer que tenho mais um 100 para minha coleção, desta vez sobre a minha análise da revolução Cubana.

Ivânico amigo, agradeço sua preocupação... mas não se incomode, este vomitar de desaforos não é mais que uma prova do amor que tenho pelo meu país!!! Ainda quero encontrar uma solução... nem que seja teórica, afinal, vai que vira doutrina, hehehehe...

Mamis amadis, que saudades!
É circo e pão, e tá mais que bão!
Que bela iniciativa para lançar apenas no final de um mandato, hein... eis o governo pregando mais uma peça no povo! Porém, se por uma bênção divina o governo mudar, espero que mantenham a iniciativa... já imaginou que emoção ir no cinema pela primeira vez? Eu lembro do ET até hoje... e quantos anos eu tinha? Quatro?

Beijos