quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Paranoia #1: A vingança das baratas.


E disse a Barata: Eu vi o que você fez na semana passada.

Chovia muito aquela noite e eu não pude ir fumar no quintal. Chovia torrencialmente. E eu não pude dormir sem antes fumar um cigarro. Mas fumar dentro de casa podia eu tampouco. Fui para a garagem. Resolvi não acender a luz, não sei por que cargas d'água. Acendi o cigarro. A primeira tragada sempre me arranca uma careta, que apesar de estar no escuro, longe de qualquer reflexo, pude visualisar perfeitamente. De repente me dei conta de que o escuro me desviava o prazer das tragadas, como se não ver a fumaça fosse prejudicial à saúde. A garagem cheia de tralhas, e eu no escuro. Vai que uma aranha...

Assim que acendi a luz, vi uma barata. Ela estava andando, tive nítida impressão, em minha direção; fez meia volta assim que a luz se acendeu. Por sorte tinha na prateleira um aerosol para baratas, formigas e outros insetos. Não hesitei. Cheguei com a lata bem perto da cascuda e lancei o spray nas suas costas, ela tentou voar mas só andou rapidinho, tonteou, subiu na parede, caiu de costas. Mais spray na barriguinha, morre filha da puta, olha o laquê, eu sarcástica pensava baixinho e ao mesmo tempo lembrava do clássico de Kafka. Um pouco sufocada do veneno e das rajadas de fumaça que eu soprava na barata ofegantemente, dado que a garagem era fechada, resolvi apagar o cigarro e a luz, chega de inalantes venenosos por hoje, eu pensei, vou tomar um leite antes de dormir. Amanhã varro a defunta.

Abri a geladeira e cheirei a caixinha do leite, não tava azedo ainda - curioso porque já devia estar aberto há mais de uma semana. Tomei um gole meio grosso, viscoso, quase iogurte. Resolvi segurar a ânsia porque aprendi na sétima série que leite era básico e que fazia bem para ácidas intoxicações, equilibrava o PH e essa merda toda, just in case o veneno da barata se voltasse contra a envenenadora.

Subi as escadas. Como de praxe, quando cheguei no último degrau, lembrei de pegar o isqueiro na garagem, dado que aquilo é uma estufa e que o calor é infernal, vai que vaza ou explode... abri a porta, desci os dois degraus e tateei a prateleira pra procurar o isqueiro, mas não senti nada na mão, e bem estranhamente, senti algo no pé. Chutei o ar com veemência, meu chinelo voou longe, será que a porra da barata... acendi a luz. Não era a barata. Era uma legião delas, uma legião de cinco ou seis, eu confesso, mas o suficiente pra me arrancar um berro no romper da madrugada.

Peguei o veneno e jateei aos sete ventos, sacudi a roupa, comecei a me coçar inteira e estapear as pernas, a cabeça, os braços, tamanha a paranóia de que mil baratas me escalavam o corpo, tipo Indiana Jones. Tudo isso eu fazia com uma mão - e enquanto pulava como um pajé em cerimônia de cura, cuidando bem pra não pisar na barata morta e sentir aquele cleque - a outra acionava o aerosol em mim, no ar, no chão. Fiquei naquela dança patética bem umas frações de segundo até retomar o controle da situação. Muito bem! Baratas tontas, eu também. Esqueci do isqueiro e voltei pra cama só com um pé de chinelo.

Aquela noite tive muitos pesadelos e no dia seguinte acordei um caco. Vomitei uma gosma verde e espumante no chão. Na garagem, mil formigas devoravam as baratas envenenadas, e eu pensei, que porra de veneno que também mata formiga uma ova! e resmunguei escárnios inteligíveis enquanto pegava meu chinelo virado num canto. Mais veneninho, agora nas formigas. Algumas morriam, outras dispersavam, algumas nem tchum.

Maldito calor, maldito veneno, malditos insetos, preciso de um cigarro, cadê meu isqueiro?

14 comentários:

Ivo e Fátima disse...

Primeirão!!!

Sogrão

Ivo e Fátima disse...

Pandinha linda

Te confesso - fiquei na dúvida se esse teu relato seria um prenúncio de um conto Kafkiana, ou se realmente tudo isso aconteceu!!!

E, só para você saber, durante nossa estada por aí matei (a pesadas...) uma baratona na tua copa. Só quero ver se vocês tiverem que desinsetizar a casa como a gente ve em filmes, com os caras a "vestindo" com uma lona!!!

Beijos do Sogrão

Renato Quege disse...

Sensacional, Xanda!
Abração!!!!!

Alessandra Pilar disse...

hauahauahuahuahuahuahua... to aqui chorando de tanto rir da tua situação, Panda...
Aff... que bicho nojento. uiiiiiiii.
bjo
PS: Sogrão, me aguarde!

Panda disse...

Sogrão!!! Não vou esclarecer suas dúvidas para preservar o distanciamento entre leitor/autora, ainda que a autora seja a sua norinha e que o leitor seja o sogrão! E agora, o lance da dedetização, tem um bug exterminator que vem em casa de 3 em 3 meses, porque o problema de insetos em Charlotte é realmente complicado! Nunca vi tanto bicho. Acho que vou chamar o fumacê.

Valeu Renatão! Tenho muita saudades de vc e da galera da Chefa. E do seu blog também! Bjos pra todos.

É minha xará, tem que rir pra não chorar. Ontem mesmo de noite, estava escuro mas juro que vi uma barata indo pra trás da TV. Agora não sei se era verdade ou alucinação, mas meninos, eu vi. E também no carro, eu dirigindo a 60 milhas por hora e de repente senti uma porra de uma barata subir no meu braço. Paranoia cara... essas baratas estão me deixando louca. É sem dúvida a vingança das baratas pelos atentados contra elas ocorridos aqui em casa desde que o sogrão esmagou a primeira na copa! hehhehe...

Anônimo disse...

Prima, baratas são bichos nojentos...Arght...Minha sócia tem tanto panicode barata q já chegou a trancar um paciente com a barata pra fora do consultório e só abiu a porta quando ele a matou.Constumo matar baratas tb, mas tenho q gritar pra não ficar com a angustia. hauhauhau
As alucinações (KKKK) são comuns depois do trauma, tranquilize-se...
beijokas no coração
Aline

Fatima disse...

Xanda, não sei o que aconteceu com o meu conetário, sumiu...Agora perdi a graça, tava tão inspirado.
BBeijos meio chateados...cadê o meu comentario????As baratas comeram...

Alessandra Pilar disse...

Ah! Só esqueci de comentar... que foto nojenta.. arg. Dá pra ver os detalhes da bichinha. uiui.
bjo

Talita disse...

xXanda,demorô heim pras malditas aparecerem, rsrs com esse calorão aí e casas com as paredes ocas, ui, deve ser recheadas de baratas, rsrs...chama os detetizadores, ligue dja!
ontem fui jantar na casa da Nice, ela fez um delicioso yakisoba, conheci o noivo da Gi, um homem bonitão até, de 34 anos!ela está com 24...A Teté está namorando também,mas ele não estava.Elas disseram que a Karissa do Pastor Jerry mora aí em NC.Ficamos relembrando os velhos tempos de TBB...foi bom.Elas mandam bjs!

caresma disse...

Nossa Xanda posso imaginar a cena... hahahahaha rir para não chorar mesmo.. e de raiva porque depois que vc. vê uma aí começa a paranóia... aqui tbem tem muito bicho, nem na casa de praia eu vi tantas baratas como aqui. Esta semana passou uma cobrinha (falaram que é de arroizal porque aqui tem muita plantação) em frente a minha porta, em plena luz do dia e sequer reagiu a nossa presença... enfim, talvez em um país onde convivemos com tantos bichos, deve haver algum trato para todos viverem em harmonia..hahahah
Mas retornando as baratas, eu declarei guerra e comprei um kit para espantar e que eles não possam entrar pelos ralos ou outros cantos e desde então parece que o problema foi resolvido.
Ow bichinho terrível, pior que nem coragem de matar eu tenho, não aguento ver o sofrimento do bicho... enfim! o importante foi que elas foram passear por outras bandas!!! Beijo grande!

Panda disse...

Aline! Veja só em que patetadas essas baratas não meteram eu e a sua sócia! Fico feliz que estou dentro do normal uma vez que é natural ter alucinações depois de um grande trauma, porque psicólogo aqui nos States é um negócio muito caro. heheheh....

Sogrinha, não se deixe vencer pelas baratas e volte aqui colocar seu comentário inspirado!!!

Amada Mami, que saudades! Bom receber notícias da Tia Nice, da Teté e da Gica, mande um beijo pra elas tb. E elas sabem onde a Kristen mora?

Caro! Eu preciso urgentemente arrumar um jeito de afastar as baratas para que eu não mais precise matá-las com minhas próprias mãos... também tenho pena dos bichos, mas o trato de harmonia é esse: o que os olhos não vêem, o coração não sente. Se elas não aparecem, não morrem. Simples assim. Hehehe... também já nos deparamos com uma cobrinha em uma das nossas caminhadas. E como está a vida aí made in Japan?

diva disse...

Xanda,que bom que as baratas so vieram depois da minha partida.Assim não fiquei tramatizada.Elas esperaram todas as visitas retornarem ao seu pais sem baratas.Brinadeirinha. Beijos daV´Vivinha.





















brincadeirinha

Panda disse...

Tem razão Vó, elas respeitaram a visita de vcs, mas não a do sogrão!!!

Armei as arapucas aqui em casa... aquelas casinhas que atraem as baratas, infectanddo-as e consequentemente, infectando seus ninhos.

Vamos ver se resolve.

Crissie Mannich disse...

Huahuahuahauhauahuahahauhaua... fikei só imaginando... tenho verdadeiro horror a baratas!!! Principalmente do tal "cleque", ai que nojoooooooooo!!! hahaha...

Bejaum!
Saudades!
Crissie