sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

The Mean Sisters


Antes de saber se vamos pousar ou não, pousam sobre mim todas as angústias do mundo. O ritual do medo da morte: pedir perdão pelos pecados, e lamentar todas as coisas que deveriam ter sido mas que não foram. Se o avião cair, não terá sido profecia. Mas uma cruel fatalidade. 

* * *

Um balé louco com as mãos e um som tonto e roco na garganta. Era isso que eu fazia pra irritá-la. E a assustava só pelo prazer de vê-la apavorada. Armava ciladas pra esfolá-la no asfalto. Fui um verdadeiro monstro. Mas, um monstro criado por ela. Por tantas maldades cometidas pela pobre criança, doente e ingênua, à outra - mais feliz e saudável. A sorte era o que as separava do abismo fatal da morte uma da outra. Mesmo assim, viviam se matando e dizendo num silêncio interminável: pra mim vc morreu. Pra mim vc é nada. Traidora. Gorda. Falsa. Jararaca.

Eu tenho pena. Pois quando a sorte se for para o abismo fatal da morte -- e não sei por quê, toda vez que eu pego um avião eu penso nisso -- que dor terrível vai nos unir pra sempre, depois que a separação não tiver mais volta! Que inferno, que culpa indomável corroerá as nossas entranhas como vermes na carne putrefada tanto da viva quanto da morta? Esses maus fluidos nos afogam de dentro pra fora. Por que haveria a impossibilidade do amor entre duas irmãs? Que sacrifício inútil de vidas! Não bastavam ser incompatíveis. Tinham que ter tanta má vontade. Tara por cultivar feridas. Triste, tétrico e patético. E insultantemente desnecessário. Ter que vir a morte, para descobrir quanto amor desperdiçado.


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