quarta-feira, 29 de junho de 2011

Moral da História



Muitas pessoas preferem acreditar que as coisas acontecem na vida simplesmente por predestinação, porque Deus quer. Maria, a Louca - rainha de Portugal nos idos do século XVIII e comecinho do século XIX - acreditava piamente nesta doutrina apregoada pela Santíssima Igreja Católica, e preferiu não vacinar seu filho, então herdeiro do trono real, contra a varíola. Ela argumentou, isso quando ainda era lúcida, que quem havia de decidir sobre viver ou morrer não éramos nós, os homens, mas Deus. Que grande ato de fé, os padres então disseram. E de ignorância, dizemos hoje nós!

É claro que seu filho morreu de varíola - porque Deus também gosta de escrever torto por linhas certeiras - e o resto nós sabemos bem (ou pelo menos, deveríamos): a rainha pirou e Dom João VI, jamais preparado para herdar a coroa, teve que assumir o trono. Fugiu de Napoleão, deixou Portugal a ver navios, abandonou os súditos às moscas francesas (e depois inglesas) e veio para o Brasil devendo as calças pra Inglaterra. Viveu uma vida infeliz com uma esposa espanhola que nunca o amou, nem ao Brasil. Definitivamente, Deus não era Brasileiro então (se fosse, estaria mais pra Português).

Acreditar que infortúnios são castigo divino é uma forma de diminuir nossa responsabilidade perante a vida, uma forma de não encarar as consequências de nossas atitudes - ou da falta delas - de frente. Esperar que bênçãos caiam do céu e manter a fé em Deus podem até ser atos saudáveis, desde que sejam tão somente uma força de renovação espiritual. Há de se manter a fé - seja em você, em Deus, no Buda, no que representar para você uma força maior - pois já dizia um dos príncipes da máfia do dendê, Gilberto Gil: a fé não costuma faiá. Ela é força propulsora da ação.

A vida é um eterno jogo de sim e não. Não existe talvez para sempre. A gente precisa tomar decisões, assumir o risco, segurar as rédeas cada qual de seu destino e fazer ele andar pra frente ou para trás, conforme as atitudes que tomamos. Tá, tudo bem, eu sei. Não há lugar mais comum do que dizer que a vida é um jogo. Mas a metáfora é sim muito boa, a vida é um jogo de erro e acerto. Quem não joga, não se diverte, nem sai do lugar. Fica naquela casinha limítrofe no meio de um tabuleiro enorme, enquanto a areia da ampulheta escorre na constante curvilínia do tempo, que tudo insiste em engolir e deteriorar. Por isso é importante que você saia do lugar o quanto antes, e tente percorrer o maior número de caminhos possíveis. Obstáculos aparecem para ser superados. Erros existem para serem cometidos, e com eles, novas aprendizagens virão. E não importa quanto tempo perdido, é sempre tempo de recomeçar, de tentar outra rota, mudar de direção. A vida não tem um sentido. Tem vários. A gente fica questionando qual é o sentido da vida. Ah, vá! Temos mais o que fazer!

E o tal jogo da vida, todo mundo sabe que fim vai dar. O que acontece no meio é o que faz a diferença. Se nesse ínterim o passado não acrescenta nada, e o futuro não te espera cheio de sonhos, é porque você está jogando seu presente no lixo e perdendo a única oportunidade que você tem pra acrescentar novos espaços, estratégias, novas formas ao jogo. Péin! Péin! Péin! Atenção! Você está mandando mal, usando uma estratégia que não funciona. Mas não desista!

Dicas. Se precisar de ajuda, não exite em pedir a alguém que lhe estenda a mão. O máximo que vai ouvir é um não. E com boa fé e força de vontade, as portas se abrem. Demonstre sua gratidão sempre que tiver oportunidade. A gratidão é a moeda corrente com mais poder de conquista. Sem ela você não consegue absolutamente nada de bom.

Essas são lições que aprendi com a história, com a bíblia, com as Revistas Seleções, com a literatura, e lições que aprendi com pessoas que eu admiro e que estão vencendo na vida... eu estou longe de ser um exemplo de vida admirável, a ser seguido, mas posso me orgulhar de minhas conquistas - algumas delas registradas nesse blog. Aqui no blog também está registrada a minha gratidão às pessoas que me estenderam a mão - muitas vezes sem eu precisar pedir. Sem vocês, meus pais, família, maridão, amigos, mestres, e nao só os que me afagam, mas até aqueles que me jogam pedras, sem vocês, meus caros, eu jamais teria chegado onde cheguei.

Muitíssimo grata!

Um beijo de alguém que adora viver, e cometer erros, e tentar de novo, e que nunca deixou um só minuto de sonhar - e que no momento está por demais ocupada realizando sonhos, mas ainda assim, tentando pretensiosamente ajudar outras pessoas a conquistarem os seus.

5 comentários:

Ivan disse...

Uma postagem bem especial mesmo. E pra mim significa, além de tudo, que devo lutar contra a obsessão de passar a madrugada na frente do computador.

Portanto agora vou literalmente ao encontro dos meus sonhos, deixando protestos de estima e consideração à Xanda, ao seu maridão Bruno, aos pais, família, amigos, mestres, consoladores e apedrejadores -

Xanda: você já chegou bem longe e está a caminho de muito mais conquistas. Sua trajetória é e será sempre uma inspiração, que este seu amigo (e fã numa recíproca percepção de amizade, simpatia e - ouso dizer - admiração) registra e agradece aqui novamente.

Ivan

Panda disse...

Obrigada pelo carinho, carissimo e admiravel Ivan!

Eu tamem luto contra a mesma obsessao notivago-computadoristica.

Um bjo carinhoso em vc e sua family! Viu no meu mural do face q aparece o quadro da Gi na foto do Bruno e minha mamis?

Sogrão orgulhosão disse...

Pandinha linda

Que poderia eu acrescentar depois de tão boa crônica, ainda mais magistralmente comentada pelo Ivan?

Está mais do que na hora de você começar a mandar os teus textos para um jornal e começar a ser colaboradora frequente - só engrandeceria o jornal que te publicar.

Beijos do Sogrão

Panda disse...

Ixi, sogrão! Eu gosto de escrever só quando estou inspirada. Esse lance de ter assunto pra escrever semanalmente deve requerer uma certa dose de silêncio e observação que não são do meu feitio.

Por isso me contento em escrever quando dá na telha e ainda assim agradar a minha meia dúzia de leitores assíduos.

Um beijo e obrigada pela correção gramatical!

Verbos auxiliares devem ser conjugados sempre.

Hehehe.

Gil disse...

=))

Beijo, Mrs. Xanda.