segunda-feira, 11 de agosto de 2014

As Brumas de Grandfather Mountain

A gente na entrada da trilha e a placa avisando, be prepared! 

Este fim de semana resolvemos encarar uma aventura radical por dois motivos: primeiro, para comemorar nosso aniversário de casamento. Sim! Parece que foi ontem, mas já tem seis anos! Segundo, para aproveitar o final do verão e curtir um fim de semana inteiro nas montanhas, fazendo algo desafiador ao lado da Luiza que, sendo filha do meu irmão ~ um aventureiro nato ~ já devia estar achando a vida nos States muito pacata.

 Bruno e Luiza ao povo brasileiro: aquele abraço! 

A Grandfather Mountain fica a mais ou menos duas horas de Charlotte, entre Linville e as cidades de Boone e Blowing Rock. Além da ponte pênsil, suspensa num abismo de uma milha de altura, o parque tem zoológico, museu, e onze trilhas de dificuldades variadas, das quais algumas eu e o Bruno já havíamos desbravado separadamente; eu com o nosso amigo Rato, e o Bruno com o Caetano, quando ele esteve aqui. Naquela primeira ocasião eu e o Rato pegamos chuva na serra e não aproveitamos bem as trilhas. Fizemos uma só, até a ponte, provavelmente a mais fácil delas. Depois o Bruno e o Caetano foram pra lá num dia ensolarado, e puderam fazer esta trilha mais desafiadora que eu jamais pensei que seria capaz de fazer, tanto o Bruno falou que quase morreu de medo, que precisava de preparo físico, que se um bobeasse morria. Mas me encorajei, depois alguns meses de corrida e caminhada, julguei estar mais em forma para encarar a aventura. Rá!

Vilinha comercial no centro de  Blowing Rock
Chegamos em Blowing Rock na sexta-feira à tarde, debaixo de muita chuva, e ficamos num hotel bem batuta. Blowing Rock é uma cidade pequena e pitoresca, típica das montanhas norte-americanas. No sábado pela manhã acordamos e fomos tomar um café bem reforçado antes de encarar a escalada.

"Neblina baixa, sol que racha" não funciona nas montanhas. 

Na estrada a visibilidade era zero, não chovia muito, mas a neblina era densa. A gente já sabia que não ia ver aquele mar azul de montes, mas isso não nos desanimou. Estávamos indo mais pela aventura do que pela vista. Em vinte minutos chegamos no parque, pagamos vinte dólares por cabeça e recebemos um CDzinho explicativo, que vai dando várias informações interessantes conforme você vai passando pelo caminho até o topo. 

A ponte que atravessa a garganta da montanha a 1.62Km de altura

No topo tem a ponte. No lado oposto da ponte, a ponta de um abismo. No lado oposto do abismo, quase invisível, o pico mais alto da Grandfather Mountain, nosso destino. Vamos encarar? Fomos.



A vida é fichinha gente. A caminhada é que é dura.
Sabe a metáfora da vida ser uma dura caminhada? Esquece a vida, pensa só numa dura caminhada! A trilha era íngreme, e cheia de obstáculos: pedras, lama, mato, bicho. Bicho! Aquela montanha você tem que aproximar com respeito. Além de subir e descer os vales agarrando-nos em rochas e às vezes até em cordas, tivemos inclusive que encarar uma cobra no caminho!

Seria Lúcifer na floresta? Não, tadinha. Essa era do bem.

Para nossa sorte, era uma cobrinha sossegada, ela nem se importunou com a nossa presença. Continuou bem feia e horrorosa no meio da trilha, provavelmente aproveitando a tímida réstia de sol que o meio-dia traria para nós naquele sábado.

Lu e eu, a eremita das montanhas.
Depois, no topo, entramos literalmente nas nuvens! E na descida, chuva! Escorrega mas não cai. Ainda bem. Olha! Foi realmente uma aventura daquelas! Cansa só de lembrar. A Luíza, no auge de seus dezesseis, com as juntas novinhas em folha, ia serelepe e saltitante nos guiando na frente. A danada às vezes nem usava as escadinhas que tinha pra subir ou descer de uma pedra pra outra. Saltava e escalava com a destreza de uma montanhista nata. E eu atrás ia me superando, o Bruno me dando apoio moral.

Grandfather Gap tem escadinha. Imagina se não?

No final da caminhada minhas pernas estavam que nem mais existiam, meus joelhos rangendo, meus pés doíam, meus músculos tremiam, e a minha respiração arfando no peito molhado de chuva e suor e tudo isso junto era o que me lembrava de que eu não estava morta! Juro. Houve momentos em que eu pensei que eu não ia chegar no carro nunca... podem ir sem mim! Vou virar a Panda eremita das montanhas.

Eu pensando puta merda paguei vintão pra sofrer!

No dia seguinte não havia uma parte do meu corpo que não doesse. Agora, por exemplo, enquanto eu escrevo e rio, dói os dedos e o abdome. Mas o importante é que atingimos os nossos objetivos que eram 1) fazer a trilha e escalar até topo e 2) seguir até a Indian Cave, que nem era uma caverna, era uma gruta bem aberta e meio sem graça.

Felizes celebrando os seis anos de casório!

Ao todo foram três horas e meia de caminhada, alguns mil metros de elevação, nem sei quantas milhas de distância, mas milhas suficientes para dar uma fome daquelas. Mesmo assim, antes da janta, passamos fazer uma visitinha pro meu primo urso, que mora lá no parque. 

Ursinho fofinho perdido nas brumas da Grandfather Mountain

Depois de tanto esforço, nada melhor do que repor as energias com um bifão no ponto... e domingueira acordamos tarde, tomamos um tradicional café da manhã americano com direito a pancakes ovos batatas e bacon e voltamos pra Charlotte exaustos, mas inteiros, e acima de tudo, vitoriosos!

(Toca o tema Carruagem de Fogo)

~ f i m ~

2 comentários:

Ivo disse...

Pandinha linda
Que aventura!
Mas eu vou deixar para ir lá quando eu "virar" um feliz vovô.
Afinal, não é a Grandfather Mountain?
Beijos mil do Sul do Brasil
Sogrão

Panda Lemon disse...

Sogrão!!!

Estamos providenciando para que na próxima visita você possa fazer jus à trilha da montanha do avô.