domingo, 19 de agosto de 2012

Breve elogio aos doentes do pé



Ontem tive minha primeira balada forte aqui em Charlotte. Uma memorável girls' night out. Fomos num bar-restaurante chamado COSMOS, que até às 11 funciona como um sushi-bar e restaurante comuns. Depois tem aula de salsa, bachata, merengue e outras danças latinas. E de repente aquilo se transforma num inferninho, com gente de todos os tipos, cores, raças, credos, cheiros e religiões, dando muito sentido ao nome do lugar.

Vestida elegantemente, mas acima de tudo, com um traje recatado, o meu primeiro choque foi reparar a forma ousada de como as meninas se vestem, e o segundo, a naturalidade com que assumem seus sobrequilos e celulites.

Finalmente, o queixo caiu quando presenciei um casal dançando com uma destreza tal que entre aquilo e o vulgar não havia muita diferença. E depois de mais uns drinks, os dançarinos carpichavam ainda mais nos movimentos.

Notando meus olhos incrédulos, minha amiga perguntou: so what? Don't you dance like that in Brazil? E eu disse, hell no, we fuck like that in Brazil. Depois confessei. É claro que no Brasil tá cheio de gente que faz da dança a dança do acasalamento. Mas enfim. Tô velha. Algumas cenas eram disgusting.

E talvez não haja nada mais dose do que dançarinos amadores talentosos e afetados. Seus trajes moderninhos, aquela calça justa nas pernas e meio cagada na bunda, a cueca aparecendo. Os que não usavam baby look, vestiam camisa de seda meio aberta, pulseiras, anéis, corrente no pescoço. Eram a personificação perfeita do estereótipo "amante latino," mas sem o bigodinho -- o que de certa forma era um pouco frustrante. Gente! Onde foram parar os bigodinhos?

Ontem eu vi o lado brega da latinidade pulsar à flor da pele. Brilhar, reluzir de suor.

Logo me peguei agradecendo. Me veio uma paz, alívio e orgulho enormes de ter me casado com um gentleman latino de elegância italiana, que sabe seduzir, sem saber dançar.

Aos doentes do pé, rendo minha homenagem.

Sua timidez e seu recato, e até mesmo suas desengonçadas tentativas de dar uns passos quando seus pares insistem para que dancem, são infinitamente mais louváveis e atraentes.

Deve ser por isso que bons dançarinos são solteiros, e bons maridos não sabem dançar.

2 comentários:

Talita disse...

Muito engraçado, tô até vendo sua cara de desaprovaçao, rsrs
E perguntando interiormente quecotôfazenoaqui???
Que bom, dessa breguice acho que todos da família somos imunes, rsrs
Mas valeu pela diversão pelo menos? rsrs

Panda Lemon disse...

Hahaha, mamis! Valeu, me diverti moiiintooo!
Deveria ter tirado umas fotos, sairia uma revista inteira, certamente chamada COSMOS.