terça-feira, 15 de janeiro de 2013

2012: O ano da Panda

Alice e Vinicius brincando de massinha

De acordo com o horóscopo chinês 2012 foi o ano do Dragão. Eu, no entanto, não tenho dúvidas que 2012 foi o ano da Panda. As conquistas foram tantas, que as pequenas derrotinhas nem tiveram tempo de amargar. Enfim, formei-me Mestra em Estudos Latino Americanos e assinei contrato como professora de Português e Cultura Brasileira na Universidade da Carolina do Norte. Fora isso ganhei um certificado de reconhecimento da UNCC Graduate School pelas minhas contribuições à instituição, fui convidada a dar dois workshops de treinamento para novos estudantes internacionais da UNC, fui pra Chicago em janeiro, apresentei na Califórnia em maio, e participei de um Seminário de ensino de Português em Washington DC em novembro.

E para fechar o ano com chave de ouro, dia 16 de dezembro - um dia após meu aniversário e minha festa de formatura, que diga-se de passagem, foi uma festa de arromba - fomos ao Brasil para novas festividades natalinas. A viagem foi um pouco cansativa, tivemos que fazer conexões no Rio e em Campinas antes de chegarmos, não tão sãos, mas salvos, em Curitiba. Lógico que nenhuma canseira é capaz de minimizar a alegria de rever nossa amada família!

Apesar de nossa breve estadia, tivemos tempo suficiente para várias festas: a minha de aniversário e formatura no dia 18, a festa de 15 anos da Luiza no dia 19, as bodas de 5 anos da Lu e do Crivano e o show de comemoração de 10 anos dos Bad Folks no dia 21, as vésperas de Natal (sim, foram duas!) no dia 24. E dia 25, depois de um almoço delicioso na casa da tia Cati e depois na casa do Gu e da Amanda, segui pra São Paulo com a Cris e o Yan visitar meu querido tio Jorge.


Dia 26 passamos na chácara em Louveira, comendo lichia do pé e degustando dedinhos de pinga e de proza. Dia 27 almoçamos com meus primos Aline e Gabriel na grande São Paulo, e passamos a tarde com ninguém menos que Lobão, junto com nossa querida Rose Borges! Na sexta 29 voltamos pra Curitiba, mas nem deu tempo de descansar... fui num happy hour na Gramophone, onde pude reencontrar minha querida Mara Fontoura e outros amigos dazantiga! 

Esta viagem ao Brasil foi muito especial, pois tivemos nossos primeiros encontros com os mais novos integrantes das famílias, Nicolas  (que acabou de completar 3 meses) e Davi (que recém completou seu primeiro ano!). Bebês... Tão lindos eles são que nos deixaram com uma vontade imensa de fazer um pra nós.

Nicolov no colo da tia Panda

Dia 30 chegou voando - era hora de partir. Chegamos em Charlotte dia 31, fomos direto pro mercado e abastecemos a casa pra nossa festa de ano novo, que obviamente, foi um sucesso! E mal desfiz as malas, já tive que empacotar tudo de novo pra ir pra New Orleans. As aventuras em New Orleans, no entanto, ficarão para uma próxima postagem...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Connecticut


É quase meu aniversário eu sei. Mas hoje venho aqui lamentar. Com o coração pesado, de luto. Péssimo pesadelo. Incompreensível. Cruel. São incomensuráveis as perdas dessas famílias.

Agora eu me pergunto: que tipo de experiência tiveram esses atiradores malucos, a ponto de terem se tornado tão vis? E como sujeitos dessa estirpe conseguem obter, legalmente, tais letais máquinas mortíferas?

Quão doloroso será o final de ano para esses pais? Eu não sei, nem você sabe, Obama, nem ninguém que teve a sorte de não ter sido eles. Sabemos que é triste e injusto, e só.

Por isso eu gosto dos Pandas. Os Pandas passam metade da vida lutando pela vida. Porque eles, ao contrário de muitos de nós, amam e valorizam a vida. Sabem que ela é frágil. Sabem que o tempo para viver naturalmente acaba. De modo que ninguém nunca verá um panda assassino matando seu pai panda, sua mãe panda, e vinte pandinhas na escola. Prefiro os pandas porque, sendo pandas, são mais humanos do que nós.

Se dia 21 o Mundo Acabar...

...vou morrer no palco com os Bad Folks!


Para mim é muito mais do que uma honra fazer parte desses momentos históricos! Bad Folks é, sem dúvidas, uma das melhores bandas que Curitiba já teve. Esta festa anual já está se tornando uma tradição na cidade, e como de costume, eles convidaram outros artistas para celebrar! Viver a música, a arte, a amizade, o amor, e claro, o rock'n'roll! Nos vemos lá?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Inferninho Astral em Flat Rock

Eu no centro de Hendersonville, nas montanhas da Carolina do Norte.

Em contagem regressiva para o fim do meu inferno astral, procuro com esta postagem amenizar os azares que rondam estes dias que precedem meu aniversário.

Eu tenho um sério problema de estabanamento desde que nasci, e este parece ser o maior agravante do meu inferno astral: ando me esbarrando nas quinas, quase caindo de escadas e quase virando o tornozelo, já torcido muitas vezes, mas como nada de muito grave ocorreu até então, vou atravessando o  inferninho bem feliz. Colecionando roxos, arranhões e vitórias.

Este fim de semana fomos para as montanhas, e considerando a dificuldade de algumas trilhas -- condição em muito piorada pelo final do outono e a quantidade de folhas no chão, que escondem possíveis armadilhas como buracos, pedras e desníveis -- a expedição foi um sucesso. Conhecemos pequenos paraísos fantasmagóricos, já que a paisagem não estava lá aquelas coisas, tudo muito seco, frio, e desolado... acresça-se a isso os sons agourentos dos corvos e a possibilidade de encontrar com algum urso. Ué, no meio de um inferno astral, nunca se sabe o que pode aparecer no caminho. Mas afortunadamente não topamos com nenhum black bear. Apesar de sermos parentes, tenho a impressão de que eles não gostam muito de Pandas.

Bruno na beira da cachoeira.

Sábado à noite, depois de explorarmos vales e montanhas, fomos assistir uma adaptação do Nutcracker (o famoso Quebra-Nozes) do Tchaicovsky. Um teatrinho muito batuta que fica bem em cima da Flat Rock, pedra gigantesca que dá nome ao lugar. A adaptação do ballet ficou muito boa, que incluiu vários tipos de danças modernas e não somente ballet clássico. Musicalmente, porém, a peça deixou a desejar, os arranjos ficaram muito aquém da delicada grandiloquência sinfônica da obra original, que nunca ouvi ao vivo e pensei que esta seria uma oportunidade. Fuen, fuen, fuen. Além da adaptação, era tudo gravação. Mesmo assim, foi lindo, lindo! Deu vontade de sair dançando!

Muito bem! Faltam 5 dias para meu aniversário e para o dia da minha formatura, e a única queixa mais contundente que eu tenho é que NINGUÉM do meu Brasil emocional (digo, das pessoas que realmente fazem parte do que reconheço como meu lugar no Brasil) estará aqui pra me ver. Chuif!

Mas como eu digo, antes um queixume do que uma queixada. Que As Sete Pandas me protejam das argruras do inferninho astral e que me permitam chegar aí no Brasil com todas as vossas encomendas (que de pouco em pouco, foram muitas) na próxima segunda, ao lado do meu querido domador e marido Bruno.

Até loguinho!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Lista de Presentes 2012



Meus caros!

Por incrível que pareça, já estamos naquela época do ano em que ele passou e ninguém viu! Para alguns este momento é de extrema depressão. Para mim, no entanto, é o momento mais esperado do ano inteiro. Afinal, e muito por gostar de ganhar (e de dar) presentes, adoro ir para o Brasil no Natal, e adoro fazer festas de aniversário.

Este ano tenho mais motivos ainda pra comemorar, porque o dia da minha formatura coincidiu com meu aniversário. Melhor para mim, que terei três motivos para ser presenteada: aniversário, formatura e Natal... se o mundo fosse acabar em 2012, eu morreria feliz!

Mas como ele não vai acabar, viverei feliz. Principalmente se ganhar alguns dos itens desta lista... Mas os amigos que eventualmente queiram me surpreender, sintam-se à vontade. Para os que preferem não arriscar, aqui vão as minhas sugestões!

Beijos a todos!


·      Livros:
·       Eu não sou cachorro, não – Paulo Cesar Araújo
·       Dias de Luta – Ricardo Alexandre
·       Renato Russo: o filho da revolução – Carlos Marcelo
·       Roberto Carlos em Detalhes (aquele que era meu e foi extraviado)
·       Quaisquer coletâneas da Mafalda em espanhol - Quino
·       Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil – Leonardo Narloch
·       1822 – Laurentino Gomes
·       Casa Grande e Senzala, Gilberto Freyre
·       Adaptação de Casa Grande e Senzala para quadrinhos, Gilberto Freyre (Editora Letras e Expressões, 2012)
·       Cultura Brasileira e Identidade, Renato Ortiz
·       O Homem e seus Símbolos, Carl Gustav Jung

·      DVD’s ou Blu-ray’s:
·       Rock Brasileiro: História em Imagens (2009)
·       Rock Brasília (2011)
·       Estômago
·       Tropa de Elite
·       Cidade de Deus
·       Cidade dos Homens
·       O Povo Brasileiro (coleção, Darcy Ribeiro)


·      Roupas e Acessórios:
·       Conjunto de prata: colar, pingente, anel e brinco
·       Camisa branca de manga comprida (tamanho 42 ou G)
·       Uma jaqueta da Nike oficial da seleção brasileira (tamanho G), nas cores vermelha ou amarela.
·       Uma sandalinha de couro estilo romano (tamanho 37)
·       Calça fusô (bootleg, ou seja, corte reto pra não ficar agarrada na batata da perna) de algodão nas cores preta, vinho ou grafite (tamanho 42, ou G)
·       Lenços para o pescoço


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Xanda em Washington



Como boa brasileira, adoro voltar às raízes e retornar à finalidade primeira deste blog, fazendo jus ao seu nome. Afinal, e antes de tudo, isso é um Diário de Bordo. Então contarei um pouco das minhas mais recentes experiências em Washington D.C., a capital dos United States of America.


Primeira Missão

Aterrissei no Ronald Reagan sexta-feira, às onze e meia de uma manhã ensolarada e sob o efeito caótico de cólicas galopantes, vários buscopans e um esplendoroso céu azul. De todos os motivos que me levaram a Washington, o primeiro (e oficial) era o Seminário de Agenda da Georgetown University (SAGU), sobre Práticas de Ensino de Português como língua estrangeira. Principalmente agora que terminei o mestrado e fui formalmente contratada pela UNC, sinto-me mais motivada a participar de tais eventos. Além de conhecer pessoas (e aprender coisas) novas, estas conferências são oportunas desculpas para simplesmente sair da rotina, relaxar, botar o pé na estrada e desvendar novos horizontes.

Segundas Intenções 

Como diz meu nobre amigo Zé Ivan, a Xanda tem que chegar chegando. Sabendo já de antemão que na Georgetown University está Bryan McCann -- autor do melhor estudo já feito sobre a institucionalização do samba no Brasil -- resolvi entrar em contato com ele e tentar marcar um encontro. Sempre muito atencioso, respondeu-me prontamente dizendo que teria um tempinho na sexta-feira à tarde. Então daria certo pra eu chegar no hotel, desbravar um pouco os arredores da Universidade e visitá-lo antes da conferência começar, às 6 da tarde. É óbvio que minha visita destilava terceiras intenções. Georgetown poderá vir a ser um dos meus paradeiros futuros, afinal esta é uma das instituições que me interessam para o PhD. Neste caso, é sempre melhor estabelecer contatos prévios, evitando assim ser apenas um mais nome em meio muitos nomes num monte de papel. 

O Seminário

Rendeu muito. Menos formais e competitivos do que conferências de história, seminários de  ensino de língua são eventos de colaboração acadêmica. Todo ano, professores de português atuando nos Estados Unidos reúnem-se para discutir e pensar o ensino da língua. Vem gente de tudo quanto é canto pro SAGU, mas a maioria dos professores era de lá. Davam aula em escolas e universidades, travalhavam em ONGs, nas embaixadas, dando aula pra diplomata, políticos, empresários. Estamos construindo um momento histórico da profissão. Nunca antes na história desse país o português brasileiro esteve tão em voga! Agora é a hora de aproveitar e aperfeiçoar isso. 

Há sempre uma primeira vez...

No SAGU tive a oportunidade de conhecer o Professor Dr. José Carlos Paes de Almeida Filho, um dos lingüistas mais atuantes na área de PLE (Português como língua estrangeira). No sábado à noite, depois de um dia inteiro de aulas, palestras e apresentações, houve uma  confraternização com quitutes e vinhos deliciosos. Fiquei muito emocionada pois pela primeira vez ganhei um sorteio. O prêmio, um livro do Dr. Zé Carlos. 

Com o autor do livro: Prof. Dr. Zé Carlos Paes de Almeida Filho

P.S.: O contraste de usar o título de doutor e o apelido Zé Carlos foi proposital, pra traduzir a aura hierárquica e a informalidade do professor. Embora um fodão na sua área, ele é um ser humano  incrível. Simples, simpático, atencioso, muito brilhante e muito humilde. Enfim, creio serem essas as características de um ser realmente sábio. Afinal, ser inteligente é fácil, mas ser inteligente sem ser babaca é que são elas... 

Lá também conheci uma garota de Paranaguá, a Daniele. Incrível como ela tinha cara de curitibana, e mais que isso, cara de Daniele! Morena, bonita, com os olhos levemente puxados e um sotaque que deu saudades de casa (e do meu hall de Danis). Mas olha que incrível, ela dá aulas para a força aérea americana! Aliás, você sabia que há uma proliferação de bases aéreas norteamericanas  no Brasil? Por que será hein, eu me pergunto. E o marido dela tem uma churrascaria brasileira. Pena que eu não fui comer lá... mas se há sempre uma primeira vez, então na próxima, com certeza.

Georgetown, Washington D.C. e seus Monumentos Nacionais

Georgetown University: prédio que vemos da entrada principal.

O distrito de Georgetown, onde fica a Universidade, é um setor antigo e de arquitetura extremamente europeia. Tem casas ali que datam de mil e seiscentos e bolinhas. A Universidade foi fundada em 1789, sendo a mais antiga instituição jesuíta dos Estados Unidos. Apesar de antigos, os prédios estão muito bem conservados e limpos. Com seus sobrados coloridos, calçadas de tijolos, ruas de paralelepípedo (e ainda mais agora que as casas e os postes estão enfeitados com guirlandas e luzes de Natal,) Georgetown é um distrito muito charmoso. Vale  a pena conhecer.


Abraham Lincoln: o homem que aboliu a escravidão e garantiu que os Estados fossem unidos.

Como esta foi minha primeira visita a Washington D.C., não poderia deixar de conhecer aqueles pontos turísticos mais manjados, como o Memorial do Lincoln, a Casa Branca, o Arquivo Nacional, a Biblioteca do Congresso, o Obelisco, e os museus que ficam nos parâmetros do que eles chamam de "National Mall." O nome não mente. O passeio é de fato uma vitrine a céu aberto que exacerba e escancara a grandiosidade do nacionalismo americano.


Water Mirror e Washington Monument fotografados do Lincoln Memorial

Deslumbrada com a beleza e o zelo com que eles tratam seus monumentos nacionais, comecei a caminhada pelo Lincoln Memorial. De lá se tem uma vista maravilhosa da piscina que eles chamam de Water Mirror, do Obelisco, e do U.S. Capitol, onde republicanos e democratas se reúnem desde 1800 para tomar as decisões mais importantes do país. 


U.S. Capitol Building

O parque é repleto de memoriais: além do Lincoln, tem o memorial da Guerra da Coréia, da guerra do Vietnam, o Roosevelt Memorial, Martin Luther King Memorial, Thomas Jefferson Memorial, é monumento que não acaba mais, todos às margens do Rio Potomac... foram bem uns cinco quilômetros de caminhada.

Dos oito museus visitei apenas o National Gallery of Art, onde pude contemplar as obras dos grandes artistas  do impressionismo e do modernismo europeus, além de conferir, na ala de arte contemporânea, uma mostra maravilhosa das gravuras e colagens de Roy Lichtenstein.

Go Home! I wanna go home!

Viajar, conhecer cidades novas, sentir os ritmos e pulsações e as diferentes urbanidades, seus sotaques e até mesmo suas tensões raciais, que parecem ser mais evidentes na cidade grande, é sempre muito interessante. Mas voltar pra casa não tem preço. Depois de conhecer mais e tanto admirar a cultura patriota americana,  e descobrir outras facetas étnicas e raciais que se enredam formando este tecido social diversificado de Washington (o que lhe confere um constraste que poderíamos chamar de bairrismo cosmopolita) foi bom chegar em casa e descansar ao lado de mabeibe. Enfim, não há melhor lugar que o nosso lar, que os braços, abraços, beijos e sorrisos do meu amor, que foi me buscar e depois preparou um jantar delicioso com picanha ao alho... mmmm... mabeibe is awesome.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ação de Graças



Agradeço por este blog. Por este laptop. Por esses dedos que rapidamente digitam esta postagem e por essa mente que duvida se irei ou não publicá-la.

Agredeço também aos meus ouvidos que, funcionando perfeitamente, agora ouvem uma canção executada ao vivo por uma banda que parece acompanhar o Paul Weller e que, sim, "é o Paul Weller do Zé" -- obrigada ao Bruno que acabou de me confirmar esta informação, e ao Zé que foi ao show em Élei e depois veio nos visitar. Agradeço a todas as nossas habilidades físicas e mentais.

Agradeço às oportunidades que me surgiram, e também as que perdi, no decorrer deste ano. Agradeço aos familiares e amigos que me apoiaram e me encorajaram, me incentivaram, me inspiraram, e inclusive aos que não fizeram nada disso, e nada fazendo, não me atrapalharam.

Sou grata a tudo que tenho, e ao que não tenho -- dívidas, doenças graves, piolho, olho de peixe e outras perebas, essas coisas que a gente sem espírito nunca lembra de agradecer? Então, mas eu lembro. Eu agradeço por essas coisas que não tenho.

Agradeço à vida. Agradeço diariamente quando acordo com o beijo matinal do meu marido. Viver é melhor que sonhar. Porque é vivendo que sonhamos, e é amando a vida (e, claro, o trabalho) que realizamos os sonhos que temos.

Agradeço pelo final dos ciclos acadêmicos. Ufa, não tenho mais que pensar na tese!

E agradeço a você, leitor que me lê agora e, principalmente, aos que educadamente comentam as postagens.

Happy Thanksgiving everyone!

Amém.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Minha terra tem pinheiros e artistas deste naipe!




Conheci o Rafael através de um amigo que caiu de paraquedas um dia lá em casa, André Ribeiro. Um belo dia eu recebo um telefonema esquisito, era o André -- oi você não me conhece mas eu sou seu fã e tenho um presente pra você. Achei tudo muito estranho, mas o cara conhecia meu trabalho desde as épocas do Wasted, e ele disse que conseguiu meu telefone com uma loja de música onde eu ensaiava. E o presente era uma guitarra, a minha semi-acústica Giannini que até hoje, reformada, me acompanha aqui nos States.

André então foi me visitar, com o presente e uma garrafa de Vodka, que ele tomou quase sozinho. Eu, Bruno, e minha mãe, que fazíamos sala, o proibimos de ir embora e ele dormiu no sofá. Assim conhecemos o talentoso multi-instrumentista, banjista, bandolisnista, violonista, e guitarrista da banda Los Diaños, André Ribeiro. E foi através dele que acabamos por conhecer o Dr. Silveira, que além de pintor, desenhista, designer, é o frontman, cantor, trumpetista e compositor do Los Diaños, ao lado de Toshiro, o baixista (que também foi meu motorista naquela manhã chuvosa em que me casei). 

Eu, André, Rafael, Toshiro e Bruno chegamos a ensaiar uma ou duas vezes um projeto de músicas de cabaré, que infelizmente nunca saiu da nossa sala. Mas as lembranças boas ficaram! E só de constatar que compartilhei momentos com amigos e artistas deste naipe, me deixa muito feliz e orgulhosa! 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Just... The Who!

Ninguém gritou We are mods! We are mods!
Aposto que os velhinhos iam enfartar se fossem tocar em Curitiba.


Sexta-feira, 9 de novembro de 2012. Último dia para submeter a versão final e definitiva da tese. Processo complicado. Você passa três anos lendo, pesquisando, escrevendo, revisando. Pirando, não dormindo, comendo mal, passando mal. Até o dia da defesa em si (que foi no dia das bruxas!), em que você defende a dita, e depois de cinco minutos de deliberação (que duram uma eternidade) -- você sozinha na sala, esperando sua nota -- recebe um A, e um monte de sugestões pra melhorar mais seu "already outstanding job." São tantas emoções!

Sexta-feira, 9 de novembro de 2012. Além de toda paranoia referente à graduação, tinha que apresentar, ao meio dia, um workshop sobre transições culturais que o Center for Graduate Life me encomendou no início do semestre, para alunos e professores da Graduate School. Então enquanto eu aprontava aulas, a tese e a defesa, eu também preparava esta palestra. Uma hora e meia de duração. Dias de muita pesquisa, estudo e planejamento, e por isso mesmo, um sucesso.

Sexta-feira, 9 de novembro de 2012. Depois da palestra e de corrigir provas e de colocar no sistema um monte de notas de alunos, cheguei em casa esbaforida pra encontrar nosso ilustre hóspede, Zé Ivan, o Invisível, e meu adorado marido, Bruno, pra mais uma aventura rock'n'roll. Show do The Who em Greensboro! Nossa vizinha, Belinda, acabou comprando o ingresso que teria sido do Fábio Elias, ou do Caetano, ou do Du, ou da Taísa, ou da Lu, ou do Crivano...

Entramos no carro e, pé na estrada! Mal podíamos esperar pra ver e ouvir ao vivo uma das maiores óperas-rock da história do rock: Quadrophenia, executada pela banda que pra sempre fará parte do hall dos maiores ídolos de rock de todos os tempos: The Who!


Roger Daltrey e seu mamilo sexy. Rá, rá!


- Who??!

Puta merda! O rock é mesmo um dinossauro, espécie em extinção. Incrível a quantidade de gente que não conhece, não faz ideia, nunca ouviu falar de The Who. Roger DaltreyPete TouwshenJohn EntwistleKeith Moon? Ignorância? Insapiência? Mudança radical de geração e comportamento? Incipiente gosto de derrota musical pela indústria? Não importa! Os últimos dois não morreram, se eternizaram. E os dois primeiros continuam vivos, muito vivos, e bem vovôs, mas vovôs roqueiros, galãs, vigorosos superstars! Revivendo e fazendo história. Só quem conhece sabe o que está perdendo!

Acompanhados pelo baterista-quase-cinquentão Zach Starkey (filho de Ringo, baterista é...) do baixista Pino Palladino; do vocalista, guitarrista e irmão de Pete, Simon Towshend; dos tecladistas Chris Stainton, Loren Gold e Frank Simes -- este assina a direção musical do espetáculo -- o show é uma verdadeira maratona musical! E conta com dois multi-instrumentistas nos metais, além de efeitos visuais e sonoros, que dão um show à parte. Quando Quadrophenia and More chegou perto de Charlotte a gente nem titubeou. Vamos? Vamos! E fomos. Eu, Bruno, Zé e Belinda. 

- Let's Go to Greensboro!

Greensboro está para Charlotte assim como Ponta Grossa está pra Curitiba. Não é longe, mas é uma viagem. E pegamos um congestionamento no caminho. Chegamos na cidade com a maior cara de fome, meio mal-humorados, e concordamos que, famintos, ninguém iria curtir o show. Paramos num restaurante e pedimos um banquete: cerveja, 20 asinhas, uma pizza grande, e quatro palitos de mozzarella à milaneza para aperetivar. Quando a comida chegou, Bruno deu chilique porque viu que era um exagero, mas enfim a fome era tanta que nos empanturramos sem nenhum esforço -- exceto a Belinda que beliscou uma asinha e passou mal (como sempre... ela fez aquela cirurgia do estômago e tudo que ela come que é frito faz mal. Condição estomacal delicada). 

Zack Starkey: Ringo loiro!


- Let's see The Who!

Chegamos no pavilhão do Greensboro Coliseum e rapidamente nos dirigimos aos nossos assentos, que ficavam na pista, fila 14. A vista do palco era excelente, tirando é claro o fato de estarmos numa terra de gigantes, onde todos são mais altos que nós. Não teve problema, a gente pulou alto e ultrapassou todas aquelas carecas brancas, leques e laquês. Assim, exultantes e eufóricos, assistimos a um dos maiores e maiores shows de nossas vidas! A sensação de felicidade era tanta que só tinha uma coisa capaz de não aumentá-la ainda mais: o fato de outras pessoas que amamos não estarem com a gente lá. Fora isso, o mundo era perfeitamente quadrophênico. 

Oito e meia em ponto. As luzes se apagam. Nos telões principais, três esferas -- uma maior no meio, e duas menores ao lado -- lembravam os alvos, símbolo da aeronáutica britânica. Ou os faróis de uma vespa. Projetavam o nome da banda, como se ele boiasse na água. Nos telões inferior e laterais, retangulares e enormes, imagens de um mar revolto lambendo as rochas. Som de oceano e chiados de  ondas sonoras, uma radiola velha tocando The Who, é claro. Pouco a pouco, sintetizadores foram enchendo o ambiente de expectativa. E no palco, a meia luz desvendava os nossos astros! De repente, Pete canta...

- Is it me for a moment?  

E a banda entra. Era pra ter sido um estrondo! Mas por algum motivo ou falha no som, veio uma guitarra magrinha que não condizia com a empolgação de nosso herói. O baixo quase não se ouvia. A bateria ainda soava meio metálica. Porém, conforme o show foi seguindo, o som foi ficando mais redondo. Ou deveria dizer, mais quadrophênico?

Pete, o autor da obra... o mentor da banda? 


A obra...

Quadrophenia é um musical idealizado e escrito por Pete Towshend, o disco foi lançado em Outubro de 73. Baseados nesta obra a banda lançou, em 1979, um filme homônimo. Trata-se da história de Jimmy, um mod meio loser e depressivo, que não tinha nenhum talento e nenhuma perspectiva de vida. Só tomava boletas e arranjava tretas, junto com os demais mods, que odiavam os rockers, e vice versa.

Ps.: Qualquer semelhança com o underground do terceiro mundo não será mera coincidência. O filme, por pior que seja, inspirou gerações, inclusive a minha. Muitos dos meus amigos se auto-denominam "mods". Eu mesma fui "modificada" pela "cena" da cidade, enfim. Para muitos, só o fato de gostar de The Who já faz de você um mod. E te obriga a vestir uma parca verde, e costurar um alvo na parca, e tatuar um alvo no peito, ou no mínimo, comprar um bóton de alvo, etc. etc. etc. Enfim, copiar velhas modas europeias porque as modas novas é que são demodés.

O filme...

Muito do que passa nos telões do show são imagens retiradas do próprio filme, que eu, particularmente -- e como os leitores mais espertos já devem ter constatado -- acho bem ruinzinho. Um ator inexpressivo que tenta incorporar forçosamente a esquizofrenia quádrupla, ou quadrophenia, da personagem que, na verdade, representava a banda, composta pelos egos de cada músico do Who - Pete, Roger, John e Keith.

O plot é previsível, apesar do "open end." O cara é incapaz de se relacionar, leva um pé na bunda da gatinha, é botado pra fora de casa pela própria mãe (ao descobrir que o filho andava tomando remedinhos). Desolado, ele fode sua scooter, e logo em seguida descobre que seu maior herói, o líder da gangue mod, trabalhava como bellboy de um hotel. Jimmy então, num ato ímpar de valentia, rouba a scooter do ex-herói que tava lá, batalhando no seu sub-emprego, e foge em direção a um penhasco. Ninguém sabe se ele vai conseguir se matar ou não. Provavelmente não.

O show...


Puta show. 


O show é do caralho. E tem no mínimo dois pontos altos, que dão nó na garganta de emoção! São os tributos a Moon e Entwistle. Eles participam do show, projetados no telão. John Entwistle aparece fazendo um solo mostruoso de baixo em que Zack Starkey o acompanha com a precisão de Ringo Star, e a desenvoltura estabanada de Keith Moon. Impressionante.

E depois a banda toda toca pro Moon intercalar os versos com Roger Daltrey em Bellboy. Ele aparece sorridente no telão, e a gravação é acompanhada ao vivo pela banda. Nessa hora o olho enche de lágrima e damos três vivas à tecnologia. Portanto, barões vermelhos, podem sim, trazer o Cazuza de volta em forma de holograma. Os heróis não morrem nunca. Principalmente quando os ressuscitam.

Por não querer me preocupar com nada além daquele momento único -- afinal, estava curtindo minhas primeiras horas de "mestra" e minha atual (e relativa) liberdade acadêmica -- não gravei o show, não marquei o nome das músicas, não fui me matar pra pegar o set list no palco. Apenas aproveitei, sem me incomodar com o que eu ia escrever pra vcs depois... porque nada, absolutamente nada do que eu escreva aqui, vai traduzir o que eu presenciei lá. Quem quiser saber como foi o show, tem um vídeo aqui (escolhi o momento em que Keith Moon canta com a banda, porque nessa hora eu chorei). E o setlist você acessa aqui. Woo who! Deixo-vos com o conselho de Roger, que ao final da apresentação, com uma xícara de chá na mão, se despediu assim: sejam saudáveis, mas principalmente: tenham sorte! Até o próximo show!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obamanos em frente!


E avante por mais quatro anos! 

Quatro anos, quase, faz que eu moro aqui. E pela segunda vez voltarei ao Brasil incumbida de justificar a minha ausência nas urnas eleitorais de meu país. Não digo isso com orgulho. Exerci meu direito-dever de voto desde os 16 anos, e confesso que me dá uma agonia imensa não votar, mesmo sabendo que o meu voto não será decisivo, mesmo sabendo que os candidatos não são lá aquelas coisas. Votar é um monte de clichês. Votar é exercer a cidadania. Votar é encontrar amigos de infância -- e de ressaca -- na  sua zona eleitoral,  devido ao churrasco regado a muita cerveja no dia anterior, só por causa da lei seca. É sentir cheiro de papel na cidade. Sentir o chão grudar nos pés, de tantos santinhos. Entrar na fila e cutucar a maquininha, depois voltar pra casa pensando na sina dos mesários... Mas enfim, faz quatro anos que eu não sei o que é isso, e não me orgulho. Acredito no poder transformador das eleições!

Mas vim lhes falar desta experiência, que foi presenciar a disputa eleitoral entre Obama e Romney aqui na Carolina do Norte, um estado extremamente conservador -- quer dizer, não tão extremamente conservador quanto os estados da Carolina do Sul ou Alabama. Mas sim, conservador. O cinturão bíblico dos States. Aqui tem o maior número de igrejas por metro quadrado que já vi na minha vida, em uma quadra chega a ter duas, três... haja fiel! Mas religião não parece ser assim um empecilho para o processo eleitoral. Exceto quanto engloba tabus. A maioria dos fieis que é contra aborto vota no Romney, cuja plataforma política sustenta que, se uma mulher é estuprada, a culpa é dela. Ou vontade de Deus.  

Judeus preferem Obama. Também, depois de tanta lambeção de saco! Obama governa duas nações, uma aqui outra no Oriente Médio. Claro que tem judeu querendo voar no pescoço do Obama, dada sua falta de disposição bélica. Antes de tudo, porém, trata-se de uma indisposição econômica. Só isso que pode afetar a grandiosa belicosidade americana. Aí você pensa, tantos soldados servindo no outro lado do oceano mal vêem a hora de voltar pra casa. Mas em casa não tem empregos. Por isso tão mandando tantos latinos embora, e por isso uma certa morosidade em trazer as tropas de volta. Por isso mais e mais os latinos estão lutando guerras que são americanas, em troca de um green card que na verdade tem grandes chances de nunca ser emitido... 

É interessante olhar de dentro um país que sempre vi de fora. Admirar suas virtudes, que são muitas, e suas atrocidades, que são tantas. É interessante ver um país com cidadãos que não precisam votar, mobilizando-se voluntariamente por seus candidatos, batendo de porta em porta, telefonando pra arrecadar fundos. Praticando suas cidadanias porque querem, e não porque são obrigados. É lindo ver um debate presidencial em que os dois candidatos investem um contra o outro com a força das palavras, com posturas firmes, em tom incisivo, e com muita eloquência, um pouco de humor e sorrisos cínicos, bem verdade, mas acima de tudo, com preparo e competência. 

O melhor de tudo, porém, é ver Obama ser reeleito! Para nós, que não somos tão conservadores (porque aqui nos States todo mundo é conservador, inclusive os democratas), foi um alívio imenso o Romney não ter ganhado a disputa. Bem verdade que Romney botou medo em todo mundo, mas no fim Romney perdeu em Michigan, estado onde nasceu; em Massachusetts, estado onde ele mora; e em New Hampshire, estado onde ele tira férias. Penso se até os mórmons da igreja que ele frequenta não teriam deixado de votar nele.

Afinal, dois dos meus vizinhos que são Republicanos votaram no Obama, simplesmente porque "no Romney não, no Romney não dá."

E ontem vi meus alunos com adesivinhos na lapela dizendo: I Voted! Votar eu não posso, são ossos do exílio. Mas há um certo prazer neste voyeurismo eleitoral. Apenas observar uma nação crescer, mesmo em meio à queda livre da derradeira decadência econômica. Exultante. Obamaivos uns aos outros, irmãos! Amém.