quarta-feira, 29 de março de 2023

10 coisas que aprendi no doutorado

Em 17 de dezembro de 2022 eu recebi meu diploma de Ph.D. em História pela Emory University. Foram sete anos de trabalho duro e pouco remunerado, mas também de muita aprendizagem e expansão dos meus horizontes intelectuais, emocionais, corporais, neurológicos. Em meio ao alívio da conquista e à urgência da busca de empregos numa era de múltiplas crises, reflito sobre dez lições simples, algumas dolorosas, que aprendi nessa jornada.


1. Aprendi a normalizar o burnout. Se você não ficar maluco, ansioso, deprimido e se perguntando "o que eu estou fazendo aqui?" é porque supostamente você não está fazendo o mínimo necessário. 

2. Não existe trabalho, capítulo, artigo, ou texto pronto que não possa ser melhorado.

3. Os melhores feedbacks vêm não apenas dos orientadores especializados na área em que você estuda, mas de leitores que têm pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema.

4. Da microhistória à long durée de Braudel, toda história é apenas uma interpretação possível de ínfimos fragmentos do tempo e realidade. 

5. Memórias não são confiáveis nem definitivas, pois elas mudam e dependem menos dos fatos do passado do que do presente.

6. Todo documento, artefato, e toda narrativa histórica omite mais do que relata. Ou:

7. O que não está nos arquivos às vezes diz mais sobre a história do que o que está arquivado. 

8. Não existe nada mais idealista do que a objetividade histórica. 

9. Documentos oficiais são produzidos para moldar narrativas, e portanto, podem ser tão questionáveis quanto as narrativas ficcionais ou de história oral. 

10. Doutorado é pior que jazz... muita nota, pouca nota ($$$) e no fim, ninguém nota... 

Um comentário:

Ivo disse...

Muito sangue, suor e lágrimas, como dizia Winston Churchill!