
Em meio a toda loucura do semestre, e com o vencimento do contrato de um ano de aluguel nesta pequena mansão na qual moramos, tomamos uma sábia e emocionante decisão de comprarmos um lar, para completar nosso Sonho Americano.
Na atual conjuntura econômica, em que o setor habitacional estadounidense se decompõe, é fácil achar uma casa boa, bonita e barata. Economicamente falando, a hora de comprar é agora, em que estamos provavelmente no auge da depressão -- a não ser que o Obama consiga afundar ainda mais este barco já a pique, o que não é de todo impossível. Enfim, sabemos ser uma casa um investimento importante, mas de fato o valor que pagamos neste aluguel pode muito bem cobrir um "Mortgage" (horrenda palavra que reflete o seu sentido, "prestação") e ainda manter todas as despesas de uma casa que será nossa, num futuro distante, mas sempre vindouro.
Na "pió" das hipóteses, vendemos a casa pelo preço que já pagamos, e saímos no zero a zero, com a vantagem de ter o dinheiro de volta e teoricamente, ter morado alguns anos "de graça". Uso as aspas porque sabemos bem, nada nessa vida é de graça. Anyway, obviamente, se continuarmos alugando, tal vantagem inexiste. Por tudo isso, começamos o nosso House Hunting em fevereiro.
Perdi a conta de quantas casas fomos ver. Até então nenhuma delas parecia agradar o nosso gosto. Queríamos uma casa de um andar só, primeiro porque a conta de gás no inverno quadruplica numa casa de dois andares. Segundo porque uma casa menor é sempre mais fácil de limpar. E finalmente porque quando as vós vierem nos visitar, não terão que se incomodar com o sobe e desce de escadarias.
Achar uma casa que seja a nossa cara e que caiba no nosso bolso não é tarefa fácil. Ainda mais pra nós, que somos meio excêntricos mesmo sem sermos milionários. Nossa casa tem que ter 4 quartos. Um quarto pra nós, um quarto de visitas, um quarto de estudos, ou escritório, e é claro, nosso quarto de música, que afinal de contas a gente já passou da idade de tocar na garagem. A garagem, por sua vez, deve ter espaço suficiente para comportar dois veículos e um tanque de lavar roupas, pois pasmem, aqui as lavanderias são especialmente planejadas para ter somente as máquinas de lavar e de secar. Tanque aqui nos States, que não seja de guerra, é coisa do passado. Mas "a gente mulheres do terceiro mundo" sente falta de um tanque que só! Pergunte pra minha mãe, pra Fátima e pra vó!
Outra coisa que adoraríamos ter na nossa casa ideal, é um quintal que não seja tão grande como este da casa que alugamos, mas que também não pequeno demais, dando espaço assim, para a possibilidade de se plantar uma horta e também de futuros pandas povoarem o backyard. Além disso, a casa deve ser bem localizada, entre a Universidade e o trabalho do Bruno, para não aumentarmos muito nossa conta de combustível, nem o tempo gasto entre casa e trabalho. Mais uma limitação de área seria a vizinhança. Tem risco de enchente? Qual é o índice de criminalidade do local? As escolas do distrito são boas? Tem centros comerciais por perto ou o lugar é totalmente isolado? Tudo isso pensando numa possível revenda do imóvel num futuro próximo, mas sempre vindouro.
Obviamente, a casa perfeita, incluindo as taxas de serviço e os impostos, deve caber no nosso budget, se possível diminuindo o montante que temos gasto neste primeiro ano com aluguel e contas de água, luz, telefone, gás... Como podem ver, levamos tudo isso em consideração e, com tantas exigências, foi difícil encontrar a casa que se adequasse a elas e que a ambos agradasse.
Ontem* saímos mais uma vez em busca da casa ideal com a nossa "realtor" Judy, agente imobiliária que já trabalhou com outros funcionários da empresa do Bruno e nos foi por eles indicada. Ontem, pela primeira vez, batemos o olho numa casa e de cara sentimos que aquela era a casa dos nossos sonhos! Além de conter todos os requesitos supracitados, ela tem muitas outras qualidades, como uma floresta e um riozinho que passa no fundo, banheiro com pias separadas, chuveiro separado da banheira, banheira com hidromassagem...
Voltamos pra casa felizes! Corações palpitantes! De noitinha fomos na casa de novo, e também hoje na hora do almoço, pra urubuservar a vizinhança -- aqui eles recomendam a gente fazer isso antes de dar uma oferta, assim a gente manja a movimentação do local e vê se é aquilo mesmo que queremos.
Então, hoje** fomos lá e descemos até o riacho, um riozinho que tava meio barrento devido à chuvarada do fim de semana. Bruno já imaginou a gente no verão, com os pés na água... eu tocando um violãozinho... a musquitaiada toda mutucando as canelas, e a gente feliz! De repente, quando saíamos do meio do mato, encontramos com outra "Realtor" e outra família... na hora eu gelei, e disse, Bruno, vamos já ligar pra Judy e botar uma oferta na casa. E assim fizemos.
Voltamos pra casa felizes! Corações palpitantes! Doce ilusão, que não durou sequer um dia... infelizmente antes de nós, outros interessados já fizeram uma proposta e os donos aceitaram. A nossa casa só será aquela se alguma coisa der errado no fechamento desse contrato. O que sinceramente estou torcendo para que ocorra, porque a casinha era muito batuta e seria mais ainda se fosse nossa! Mas... fazer o quê, né? Agora é procurar mais, pesquisar mais, bater mais perna... logo encontraremos nosso lar e manteremos vocês informados.
* Sábado, 13/03/2010 ** Domingo, 14/03/2010