sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Tomou?
Alice cuidando muito bem da tia Panda! Quem mama não chora né Alice? Sem dúvidas a mais linda convidada da festa!
A Festa!
Nada melhor e mais divertido que reunir os amigos pra comemorar seu aniversário pela terceira vez no ano!!! É que 33 merecem 3 festas. Obrigada sogrão e Fatiminha pelo altíssimo padrão de qualidade que mais uma vez proporcionaram à Panda e sua trupe. E obrigada aos amigos e principalmente aos familiares presentes. Afinal a presença de vcs foi o principal componente da festa! \o/
domingo, 18 de dezembro de 2011
Chegamos na Terrinha
Recepção calorosa no Aeroporto Internacional de Curitiba. Chegamos salvos porém pouco sãos e muito estressados. Uma das malas - justamente a de presentes - foi extraviada em Miami. Fora isso e o fato de o Bruno ter ficado sem cuecas e meias - já que elas eram o aparador de objetos na mala - tudo foi perfeito!
Passei a tarde em salões de beleza. Descobri que meu cartão da Caixa foi cancelado. Cheguei em casa e tinha um jantar daqueles padrão Fátima. Linguado com amêndoas e/ ou alcaparras.
O que mais gostei do primeiro dia; de chegar vivinha; das flores que a Vó Vivinha me deu. Do banho de salão no salão da Amanda. De ouvir programa bom de blues na rádio E-Paraná. De andar de PT Cruiser. De abraçar todos, especialmente Pedro que não víamos há muito tempo!
Do que não gostei; de chegar sem uma mala. De ter tido pesadelos. Dor nas costas pegando feio. Espirrando feito condenada. Gripe de avião. Ar condicionado de avião me mata.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
The Mean Sisters
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Glúteos Poliglotas (Ou Poemas Que Engolem)
a toda hora
nádegas
mucos, muslos, músculos
(ou poemas que engolem glúteos poliglotas)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Inside Your Heart
Musiquinha nova inspirada numa noite sem meu amor, e em todos os ídolos da minha adolescência, cujos posters eu pendurava na parede do quarto e beijava muito, e sobre os quais eu não cansava de desenhar corações com meu nome dentro.
Publiquei então a "musiquinha fresca" há algumas postagens atrás, e para a minha sorte, o vídeo caiu nos olhos (e ouvidos) de Rodrigo Stradiotto, amigo músico e produtor curitibano que conheci há mais de dez anos (e que por sinal, faz pelo menos 10 que não nos vemos) quando eu ainda era integrante do Wasted - minha primeira banda.
Fazia tempo que eu estava mandando indiretas musicais pro Rodrigo. Eu o cito, por exemplo, nas entrevistas que dei pro Defenestrando e Sobretudo. E também por vias mais diretas, passei a intimá-lo no twitter. O ultimato foi via twitcam, enquanto eu dava uma de apresentadora de programa culinário. E no dia seguinte - sim, um dia depois - recebi uma mensagem dele pedindo meu email para que ele pudesse enviar uma "surpresinha." Ela veio em questões de segundos, e em questões de segundo aquelas harmônicas doces de guitarra começaram a soar e quando o teclado entrou eu entendi tudinho!
A verdade é que desde que ouvi o trabalho que ele vem desenvolvendo com o Luís Henrique Pellanda (O Eletroficção) e as produções musicais que ele fez pro Caio Marques, eu fiquei muito afim de trabalhar com o Stradiotto, e portanto aguardem, que de onde saiu essa virão muitas outras!
Então, com vocês, Inside Your Heart!
Composição e voz: Xanda Lemos. Instrumentos, arranjo e produção: Rodrigo Stradiotto.
O primeiro single de um novo projeto.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Boas Festas!
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Apostasia
O outro é infiel, o outro não tem alma, o outro é imperdoável. Para os fanáticos fica fácil aceitar a morte daqueles que não compartilham sua fé, pois entre eles não há mera diferença de opinião, mas uma distinção de espécie. Se Deus é o que define o ser humano, e alguém renega Deus, logo converte-se em renegado. Por isso, poucos atos de liberdade são tão definitivos quanto aos de apostasia, quando se admite a possibilidade de um dogma estar equivocado, e de não haver problema algum em desconfiar dele.
Fato é que todos temos um fanático formigando nas veias, louco para sair se o que se põe em jogo é o que entendemos por liberdade, país, família. Pois para domar o fanático, há que se liberar o apóstata. Fazer da apostasia parte de nossa educação existencial: ainda que logo voltemos a acreditar em deuses e axiomas, façamos a la Pierre Menard: as palavras podem até ser as mesmas, mas já têm significados distintos.
Teríamos que renunciar nosso nome repetidamente. Renunciar essa voz que nos define e nos faz sentir seguros. Eleger o nome da pessoa que mais desprezamos, de quem mais ativamente ignoramos. Dar-nos como nome o nome de uma pedra ou de um mal estar. E se, ao retornarmos para o nome que nos deram sem nos perguntar, pudermos abraçá-lo como um presente livre de qualquer linhagem, estaremos melhor preparados para amansar essa parte em cada um de nós, ávida por sangue.
Eis um belo texto do meu amigo Yuri Herrera. E juro que a versão original, em espanhol, soa muito melhor do que essa presunçosa tradução não juramentada. Recomendo. O original está postado aqui.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Minha Lista de Aniversário e Natal 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
Pergunte ao Pó
Ask the Dust by Xanda Lemos
Fiz essa música em agosto, inspirada num personagem do John Fante chamado Arturo Bandini, do livro Pergunte ao Pó. Li este livro há muitos anos atrás, e lembro-me de ter ficado profundamente marcada por ele. A sensação maior ao lê-lo era de revolta. Indignava-me as tempestades que Bandini fazia em copos d'água, e por isso mesmo, eu tinha certeza, sua vida era uma vida de merda.
Eu conheço muitos Bandinis, e às vezes eu mesmo me torno um. Então fiz a canção pra mim, pra eu parar de me incomodar e de ser mal agradecida, e ficar só reclamando. Meus problemas são mesmo insolúveis? Vale a pena sacrificar vidas inteiras por causa de coisas tão ínfimas?
E por fim, essa é só uma demo que será futuramente gravada com mais cuidado.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
Vergonha!
Filho de comandante da PM de SP é acusado de agredir mulher
Ele foi detido sob a suspeita de ter batido em garota de programa numa casa noturna
Adriano Soronsen Camilo, filho mais velho do comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, foi detido, por votla das 5 horas deste sábado, acusado de agressão contra uma garota de programa, ocrrida dentro de uma casa noturna em Santana, na zona norte de São Paulo.
De acordo com a assessoria da PM, ao ser procurado, ainda de madrugada, o comandante-geral afirmou que seu filho é maior de idade e que deve responder por seus atos como um cidadão comum. Ainda segundo a PM, o filho do alto oficial é divorciado e mora com outra mulher.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Adriano foi levado para o 9º Distrito Policial, no Carandiru, seria elaborado um Termo Circunstanciado (TC), empregado quando o crime é considerado uma infração de menor potencial ofensivo.Esta matéria da Revista Veja saiu hoje e foi divulgada no tuíter primeiro como: filho de comandante é preso por agredir mulher. Depois a matéria foi re-divulgada: filho de comandante é acusado de agredir mulher. Chamou-me a atenção a mudança da chamada. Mas logo notei que essas são apenas as sutilezas de um jornalismo medíocre e de um sistema de injustiças bem lubrificado.
Para evitar especulações, o coronel informou aos seus comandados que não iria ao 9º DP.
De preso, o tal do filho do coroné passou a assinante de um termo circunstanciado, que é um documento que, pelo visto (eu nunca tinha ouvido falar), ameniza o crime. Porque é claro. Bater em mulher é uma infração de menor potencial ofensivo. Por que? Porque era uma garota de programa e estava numa boate? Ou porque o agressor é filhinho de comandante? Ah! Tenham dó! Isso sim é crime, discriminação, um insulto, uma violação dos direitos humanos, cruelmente institucionalizada e mediocremente divulgada. País de merda. Leis de merda. Revista de merda.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Social Construct or Social Constraint?
Tudo que não se pode explicar e definir e delimitar claramente é descrito assim, como uma "construção social" que muda de acordo com cada contexto histório, político, econômico, conjuntural, isso sem mencionar a relatividade das perspectivas micro (individual, psicológica) e macrocósmicas, e blá blá blá.
Toda a ladaínha pra explicar que esses conceitos e essas instituições que a sociedade cria, não importa onde nem pra quem nem o momento, nos é imposta para "dar sentido" a nossa vida. Aham.
Há sempre uma voz fora de você que insiste em te lembrar. Aja de acordo com as expectativas, preze pela previsibilidade, porque o sucesso depende de sua capacidade de não subverter essas instituições, os social constructs da vida. Andar na linha. Seguir à risca. Jamais dar motivo para que os outros se espantem. Invariavelmente somos todos uns bundões. Damos a Cesar o que é de Cesar, e somos tristes para sempre, amém.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
TODAY I WOKE UP KINDAKINK!
OH, YES IT IS!
Meu coração estava cheio de certezas ontem antes do show: uma delas dizia que seria um saco ficar ouvindo a banda de abertura e esperar a hora do Ray Davies subir no palco. Eu estava redondamente enganada. The 88 não só abriu o show com músicas próprias maravilhosas, como demonstrou uma competência sonora que eu só vi nos shows do Supergrass e do Paul McCartney. Eu, na minha já conhecida ignorância e prepotência musicais (geralmente as pessoas ignorantes são as mais prepotentes, notaram?) não sabia que a banda era, de certa forma, um novo The Kinks: a banda de apoio do Ray.
ALL THE GOOD TIMES RIGHT HERE IN CHARLOTTE!
Lá estava eu com meu marido, um livro da Opereta, um CD dos Criaturas, camiseta da Giannini, lencinho no pescoço, chapéu coco e um cartaz: YOU REALLY GOT ME! FROM BRAZIL JUST TO SEE YOU! Of course vocês vão dizer que mentirosa, ela mora lá, nem foi só pra ver o Ray Davies. Oh well. Fodam-se vocês que me condenam. Se existe essa coisa de predestinação então o motivo musical maior de eu ter vindo morar pra Charlotte foi a noite de ontem. Paul que perdoe, mas é que os shows do Filmore são assim, tão emocionantes porque mais intimistas.
HE IS NOT LIKE EVERYBODY ELSE, INDEED.
Meu coração disparou com aquele mi menor rasqueado das mais agudas pras graves. Um Filmore ainda tímido, só eu mais meia dúzia de fanáticos cantava a plenos pulmões completamente convencidos de que nós éramos diferentes dos demais. Justamente era com essa música que abríamos tantos shows dos Criaturas. A emoção só éstava começando. Depois de I'm Not Like Everybody Else ele cantou Waterloo Sunset e poxa vida, eu soluçava, eu chorava tanto, tanto, mas tanto, que o Bruno ficou com vergonha e disse: behave! Waterloo Sunset foi o pôr do sol mais lindo que já ouvi. Um pôr do sol cantado por Ray Davies no Dia de Finados e todas as metáforas do mundo se desfizeram em lágrimas. Eu estava chorando, mas estava feliz. Eu podia chorar e lavar a alma assim em show do Ray Davies uma vez por mês e viveria feliz para sempre, como nos contos de fada.
Eis que depois de ser ovacionado, Ray chama os meninos da The 88 e canta uma canção nova que dizia It's Here That I Belong - ou algo parecido. Tudo fez tanto sentido, aquela sonzeira, o rock, claro que ele queria dizer. Adoro um banquinho e um violão, mas com banda é tão mais rock'n'roll, é tão mais o que eu soul.
TILL THE END OF THE DAY
Behave? Em show de rock? Tst. Levantei minha bunda da cadeira pra buscar uma cerveja, e nunca mais sentei, porque depois de Till the End of the Day veio uma emendada atrás da outra, eu dancei e cantei e me esguelei e tanto, sem me importar com a voz rouca no dia seguinte. Queria que o Ray escutasse meus backings. Estavam lindos! Tanto que o cara da mesa de som virou pra trás em Sunny Afternoon e me elogiou. Notando seu British Accent, perguntei em lágrimas (claro que eu chorava enquanto cantava) se ele não entregaria o cartaz que fiz com tanto carinho pro Ray. Ele disse claro que sim! E de quebra, demos o CD e o livro da Opereta. E o Bruno, enquanto eu tietava os The 88, ficou cuidando pra ver se o técnico não ia esquecer o cartaz e o material ali no chão, onde ele tinha deixado até terminar de desligar os equipamentos. Felizmente, o cara saiu da cabine com o cartaz, o livro e o CD embaixo do braço!!!
WE REALLY GOT HIM!
Ao fim do show a tímida plateia não queria deixar o Ray ir embora. Ele voltou duas vezes. O primeiro bis foi pra tocar You Really Got Me. Depois ele tocou David Watts e umas tantas outras que eu não lembro. Eu estava em êxtase. No fim do show conversamos com a banda de apoio, além de lindos e talentosos, os meninos eram muito simpáticos! Compramos dois discos da banda, ainda não ouvimos tudo, mas o que já escutamos agradou-me muito. Recomendo.
Infelizmente, não falamos com o Ray, mas afinal! A Well Respected Man como Ray Davies já seria importunado por uma fila de fãs que o aguardavam ansiosamente no lado de fora do Filmore Theater... e já tínhamos conseguido entregar disco, livro, cartaz, pro cara do som. Os meninos da banda quando me viram falaram: you were the girl with the sign, right? Então eu consegui muito mais do que eu queria: além de me fazer notar em um bom show de rock, fiz novos amigos (todos se comoveram com a minha comoção, tiravam foto de mim com o cartaz, bla bla bla), e de quebra uma banda nova que preste!
THERE IS TOO MUCH ON MY MIND
Uau. Foi demais. E tudo que eu disser aqui será uma mera descrição inútil. Foi muita emoção. Uma emoção monstra. Emoção um grau além. Melhor mesmo só se TODOS vocês estivessem aqui com a gente.
*Não anotei o set list e pra variar não tem nenhuma review do show nos jornais charlatões de Charlotte. Mas estão aí destacadas algumas canções que lembrei de cabeça. O show durou aproximadamente duas horas, mas ecoará para sempre aqui na caixa acúsica retumbante do meu peito: tum tum, Ray Davies, Ray Davies, Ray Davies, tum tum... Ray Davies, tum tum...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Caros Finados
Gostosura ou travessura?
Nessa segunda de outono, 31 de outubro. Último dia: outubro ou nada. Dias das Bruxas. Não saí de casa. Não cruzei com gato preto. Não saí caçar saci. Nem me deparei com monstrinhos na porta perguntando: trick or treat?
Gostosura ou travessura? Nem um nem outro: vida dura. Tese tá atirada pra tudo quanto é canto. Ideias misturadas. Confusas. Como esses livros todos, por aqui espalhados. Eu olho pra eles, assim, cada qual marcado numa página, se eu acho o que eu procuro. Olho pra mim e dou um suspiro. Quase fico com dó. Mas ah. A gente precisa começar de algum lugar. O caos por exemplo. O caos é um lugar. O caos é um bom começo. Eu mereço. Eu mereço.
sábado, 29 de outubro de 2011
Lula, Chávez, Castro e o Câncer
Apesar de estar fudidíssima aqui com a tese, não pude resistir (e protelar é meu nome, muito prazer) a tecer uma breve reflexão sobre o que tenho lido (e tuitado) a respeito do infortúnio de nosso digníssimo EX-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pelo menos oficialmente, o Lula não é mais o presidente do país, então por favor, desejem melhoras ao ex-presidente, ao EX-presidente. O Lula ainda manda nessa merda, isso não pode, a gente tem que desvencilhar o Lula do governo (e antes dele o Sarney e toda sua corja), e exigir, principalmente, que institucional e politicamente, faça-se o mesmo.
Vivemos hoje sob uma ditadura mascarada e perversa, a ditadura da burrice, do medo, da violência, da injustiça, da impunidade e da intolerância. Não sou conservadora, de extrema direita, não. Eu só sei o que é ter qualidade de vida, e não aceito ver um povo votar em palhaços e achar que tudo tá lindo, porque não tá! Falta boa educação, saúde, dignidade, segurança, vergonha na cara, falta tudo nesse país!
É bom lembrar que eu não nasci burguesa, fui filha de operário que venceu na vida, sempre trabalhei pra caramba, e votei no Lula, inclusive, até ele ser eleito pela primeira vez. Acreditava na mudança. Só que fiquei muito decepcionada, e não acho que o Brasil tenha a envergadura moral de se gabar de uma economia frouxa que flutua e depende de tantos outros fatores internacionais, sobre os quais - e por sermos tão idiotizados e marginalizados - não temos nenhum controle.
Mas agora, voltando ao assunto, impossível não traçar paralelos do Lula no Brasil com Chávez na Venezuela, os dois fumando charutos com Castro em Cuba, os dois aí lutando contra o câncer. Aqui se fuma, aqui se paga.
Vejam bem. A piada pode até ser de mau gosto. Mas estava pronta. E nem é piada. É constatação.
Mais de mau gosto ainda é ter câncer e depender do SUS. Essa sim deve ser uma piada que não tem graça nenhuma.
E não. Não estou fazendo propaganda contra charutos cubanos, nem contra os trabalhadores do SUS. Nem (ou somente) uma campanha antitabagista de ex-fumante chata que posso então até ter me tornado.
Estou manifestando meu repúdio à continuidade da ignorância cívica e da cegueira política que ela tem causado no meu país.
E deixo aqui um desejo honesto de boas melhoras ao EX-presidente.
Mas força mesmo, eu desejo é pro Brasil.
Os traços de uma traça
Hoje mesmo esmaguei outra traça.
Matei sem dó.
E no estalar do exoesqueleto frágil
Veio-me fácil a epifania.
(Incrível como esses bichos nojentos conversam comigo sempre
através de epifanias).
Tese:
Como a traça, estudantes comem livros.
Eu devoro livros...
Eu me demoro nos livros . . .
E muitos livros agora moram dentro de mim
Engulo palavras artigos resumos poemas novelas gramáticas contos
Engulo além de livros inteiros emails mensagens fotos vídeos blogs
Teorias tuits mentiras notícias e fatos
Eu sou uma traça moderna;
Virtual, cibernética, automática.
A vida traçada nos livros
Entre a universidade e a casa
Entre o escritório e a cama
Entre papéis por toda parte
Entre as traças as teses
A tela e os livros
Agora estou bem dentro deles
E os livros dentro de mim
A traça é um insentívoro artrópode,
a
Como pulga.
Com a pulga atrás da orelha
Certo? Errado!
Não necessariamente nessa ordem.
(Não, não é uma ordem, é um filo)
O nome deste filo, "artópodes," vem do grego arthros, ou articulação, seguido de podos, que significa pés. Em suma, quer denotar que os pés das traças não são articulados, mas outros apêndices, como pernas, antenas e órgãos bucais e digestivos, são.Pés que como apêndices desarticulados de livros não servem para nada
Órgãos bucais, sistema digestivo voraz
Pernas antenas rabos anéis
E teses! E livros!
Nunca! Jamais me livrarei dos livros.
Ei-la, pois ela, traçada,
A vã epifania de uma traça
A melhor fisiologia metafórica
Da vida do estudante.
Mas que tão mais sem graça, né,
do que a vida de um amante.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Cuecas Bélicas
Revoluções não são nada sem romantismo. Revoluções perderam todo o sentido. Todas as minúcias das revoluções hoje tão bem documentadas, estudadas, re-inventadas. Temos acesso a tantas e variadas perspectivas: cada qual com suas farsas e sua parcialidade obrigatória, porque a imparcialidade nada mais é do que uma frieza, um distanciamento falso, vã tentativa de impessoalizar essas tragédias políticas, sociais, econômicas, que mais do que isso, são tragédias individuais, essas não, nunca saem nos jornais.
Revoluções vitoriosas já nascem fracassadas. Porque depois da vitória, vem a realidade: demolir estruturas não é o mais difícil. Reconstruí-las é que serão elas. E assim, toda revolução é seguida de uma decepção, e de novo fracasso: revoluções invariavelmente desembocam sempre neste lugar comum que é o lugar nenhum.
Hoje manifesto meu profundo desprezo pela raça e sua inacreditável disposição bélica.
Espero a paz invadir e dominar o planeta.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Temores Noturnos
O peixe morre pela boca. Escuto claramente essas palavras vindo da boca da minha avó. Estou louca? Vejo minha vó logo ali fazendo sua prece fervorosa, de olhos fechados, tirando com as unhas os cravinhos que crescem bem onde os cabelos limitam a testa. Todas essas profecias, populares ou não, minha vó dizia num tom de indiscutível sapiência. E toda contradição do mundo se encontrava nos olhos azuis da minha vó – profundos e calmos – e nas sobrancelhas sempre alertas, preocupadas, cansadas, sofridas. E que certamente já tinham sido menos ralas. Ela ia assiduamente na igreja, e ir na igreja era tudo que ela fazia além de cuidar da casa, do marido, dos filhos, dos netos. Vivia uma vida dedicada a Deus e às criaturas que Deus havia posto na vida dela. Era duma doce amargura. Às vezes tinha acessos de raiva ou de culpa. Ela chorava bem baixinho. E se algum neto lhe perguntasse o que foi vó por que vc tá chorando ela soltava todos os cachorros da alma. Uma alma sempre presa na gaiola, como aqueles canarinhos do meu avô. Em dias de inspiração, ela fazia discursos. Dizia com desdém nada religioso que os negros eram raça de Caim, que Deus marcou a pele daquela raça para sempre. Eu me admirava: como alguém que ia na igreja podia ser tão racista. Eu tinha alguns bons amigos “da raça de Caim” e nenhum deles matou seus irmãos, e o carinho e a amizade que tínhamos uns pelos outros me faziam muito mais sentido do que aquela história odiosa, descaradamente narrada logo no começo da bíblia.
A bíblia começa com o caos, logo vem um dilúvio e seguem-se muitas guerras e tudo isso pra que, pra terminar com um apocalipse. Uma promessa de júbilo seguido de um terrível juízo final, a bíblia, como todas as narrativas trágicas, é incapaz de explicar o mundo e de encontrar uma solução pra os problemas que sabe muito bem apontar. A bíblia, como as tragédias gregas, também acaba num mais do que manjado deus ex-machina.
Casa de vó. Paredes de cal. Teto sem forro. Chão de lajotas. Galhos de louro pendurados na janela. Aquele quadro, o quadro do menino chorando, cujo artista tinha "vendido a alma ao diabo." Aquele quadro a minha tia arrancou da parede indignada, virou ele de lado e nos mostrou a boca do diabo engolindo o menino que chorava, o coisa ruim tinha chifre, tinha até uma língua de fogo. O diabo era enganador. Minha tia dizia isso enquanto nos levava pro quintal. Logo ateamos fogo no quadro, o menino queimou, como no inferno, e ele estava chorando, o artista que vendeu a alma ao diabo também ia queimar e chorar no inferno, como o menino. Eu que, em comparação com o resto da família, era uma pequena burguesa, já sabia. Toda aquela pobreza me incomodava. Eu tinha medo das lagartixas nos desvãos das telhas. E impressionava-me as venezianas que não fechavam direito. O vento encanava pelas frestras e balançava a cortina. Eu tinha muito medo de lobisomem e sentia pelo menino que chorava, sentia por tê-lo ateado fogo. O menino tinha virado cinzas e o vento soprava as cinzas na janela.
Eu tinha acabado de aprender esta palavra: pai, o que é sadomasoquista? É alguém que sente prazer no próprio sofrimento e no sofrimento dos outros.
No embalo do sono, a voz da minha vó sussurra. Não me diga que sabe todas as respostas. Porque eu também sei as respostas e por todos os motivos do mundo eu juro, sabê-las não faz a menor diferença.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Confissão
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O Caso do Quibe
sábado, 1 de outubro de 2011
A Ilíada no Guairinha
Oi, vocês! Tudo bem por aí? Por aqui tudo ótimo! Uma loucura, como sempre, mas como sempre, a gente dá conta do recado!
Falar em recado, tenho um recado que me foi enviado por um amigo, que também foi meu professor de Latim na UFPR.
Uma pena que eu só vi o e-mail agora, senão teria divulgado antes.
Mas nunca é tarde! E mesmo se for, antes tarde do que nunca!
Repassando:
"Pessoal, Hoje e amanhã (dias 1-2 out.), às 20 horas, no mini-auditório do Teatro Guaíra, récita do Canto I da Ilíada, tradução de M. Odorico Mendes, na interpretação da atriz Claudete Pereira Jorge, com entrada franca. O diretor Octavio Camargo está liberando a entrada só hoje e amanhã. Basta dizer na bilheteria que é convidado dele. A apresentação já viajou por diversas cidades do Brasil e de outros países. Vale muito a pena, principalmente num palco como o do mini, com iluminação especial. Homero é o educador da Grécia. Odorico é inimitável. A Claudete é uma das mais refinadas rapsodas da companhia Ilíada-Homero. Ouvindo bem é que se aprende. Imperdível. Alessandro"
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Sinais Sonoros
E assim nasce um novo som... do mundo das ideias para o mundo real de Panda Lemon Orchestra
sábado, 17 de setembro de 2011
Enquanto os homens jogam poker...
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
I need a deadline!
Foi o que pedi a Jerry.
A partir de agora
Não tem mais desculpa
"Under Pressure"
É minha trilha sonora.
Uma semana pra entregar as primeiras 20 páginas.
Sete dias. Só sete!
Sete é tese ed sart rapa tefren.
Sete também é um número bom. Número da sorte. Número místico!
Sete cores no arco-íris.
Sete maravilhas do mundo!
Sete dias da semana.
Sete notas musicais: dó ré mi fá sol lá si.
Sem contar, é claro, sustenidos nem bemóis.
Nossa! Sete pode ser também um número bem assustador.
Bicho de sete cabeças, gato com sete vidas, guerra dos sete anos, piratas dos sete mares e por aí vai.
Sete anões.
Sete pecados capitais.
Sete vezes setenta e sete.
Sete moradas celestes.
Falando em sete, ontem foi dia sete de setembro!
Dia da pátria e aniversário da Tati.
Mandei os parabéns.
Não sei se recebeu.
Tati tá ficando velha?
Antes ela do que eu.
Com quem será... bla bla bla blá...
É pique! É pique!
Rá!
Tim!
Bum!
Tati! Tati! (várias vezes)
Obs.: Entre coices e açoites e silêncios e eternas noites, no fundo quem é irmão sabe que mesmo amor de mula é amor que estimula.
Beijos desta mula manca e muito maluca e que nunca se manca,
Panda.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Hipocrisia X Honestidade
Hoje tuitei uma frase que certamente derivou de meus estudos freudianos, na qual dizia para não nos iludirmos. Conviver harmoniosamente exige de cada um de nós um certo grau de hipocrisia. Perdi dois ou mais seguidores.







































