![]() |
| Eu na saída do underground em Westminster |
Cinco Dias Majestosos
Vibrante: esta talvez seja uma das
palavras mais adequadas para descrever Londres. Situada no sudeste da
Inglaterra, a terceira maior cidade europeia (atrás de Istambul e de Moscou)
pulsa constantemente. Imenso coração do Reino Unido, Londres abriga cerca de onze
milhões de habitantes, dos quais estima-se que quase cinco milhões sejam
imigrantes. Um verdadeiro caldeirão de línguas e culturas. Por que será que
gente do mundo todo quer viver em Londres? Simples. A cidade é um centro
cultural mundial por excelência, líder em moda, arte, comércio, saúde,
educação, pesquisa, transporte, turismo. Um lugar onde o passado que data do
império romano ainda está vivo, podendo ser constantemente revisitado. E
onde o futuro se ergue imponente, sem nenhuma cerimônia, na transparência
metálica das estruturas dos arranha-céus. Londres é um presente que o mundo nos
oferece, berço de preciosidades arquitetônicas, artísticas, históricas e
literárias. Ao todo, foram cinco dias majestosos, que aproveitei intensamente,
como vocês irão constatar.
I’m Wandering Round and Round...
![]() |
| O sistema de transporte de Londres também contribui para que a cidade seja o maior centro turístico do mundo |
Cheguei no aeroporto de Heathrow na
quarta feira, 20 de agosto, às seis da matina. Passei pela imigração que –
quite surprisingly – não me pediu nenhum dos mil documentos listados no site. O
cara me deixou entrar depois de duas perguntinhas apenas: quantos dias vai
ficar? Cinco. Qual o motivo da viagem? Vacation. Ele me corrigiu: Holidays! E pam!
Passaporte carimbado. Saltitante, fui direto para o guichê do Heathrow Express
e comprei um ticket de ida e volta Heathrow-Paddington Station, a forma mais rápida e
barata de se chegar e sair da cidade. Custou 31 libras.
Na Paddington Station, por 36 libras,
comprei outro passe para usar trem, ônibus e metrô nas zonas principais Londres
por uma semana. Depois de pegar metrô para o meu destino, que era a Farringdon
Station, saí do underground para uma ensolarada, barulhenta, fria e movimentada
Londres!
Narrando assim parece que foi fácil né? Rárrá! Dei muitas voltas, gente. Me perdi primeiro no aeroporto, depois na Paddington Station, e finalmente, me perdi outra vez para achar o endereço do flat onde ia ficar. Tive que estabelecer assim os meus primeiros contatos com os lovely londoners. Alguns não tão lovely, claro. Mas a maioria sim: um deles inclusive desviou do seu caminho pra me levar até a St. John Street, onde eventualmente eu cruzaria com a rua que eu estava procurando. Muita gentileza!
Narrando assim parece que foi fácil né? Rárrá! Dei muitas voltas, gente. Me perdi primeiro no aeroporto, depois na Paddington Station, e finalmente, me perdi outra vez para achar o endereço do flat onde ia ficar. Tive que estabelecer assim os meus primeiros contatos com os lovely londoners. Alguns não tão lovely, claro. Mas a maioria sim: um deles inclusive desviou do seu caminho pra me levar até a St. John Street, onde eventualmente eu cruzaria com a rua que eu estava procurando. Muita gentileza!
Now, where to go?
| A torre mais famosa do Westminster Pallace |
Às dez da matina, já devidamente
instalada no apê que aluguei via Airbnb (muito mais barato que hotel) saí de guia e mapa na mão pronta para começar a explorar as
redondezas. Voltei pra Farringdon Station -- e dessa vez não errei o caminho! -- e peguei o trem para a estação de Westminster. Qual não foi minha emoção ao
emergir do subterrâneo e dar de cara com o Thames River! Às margens do qual girava a famosa London Eye! À minha direta a linda Westminster Bridge! E olhando pra cima o mais famoso ainda Big Ben! Fotos! Muitas fotos. Os sinos
badalavam e eu ria à toa! Não acreditava que eu não estava sonhando. Ou melhor do que isso, que estava realizando mais um sonho!
The Mall
| Londres é assim: arquitetura romana, gótica medieval, vitoriana, dá pra contar a história da humanidade só olhando pros prédios. |
Pela manhã explorei a pé
praticamente toda aquela região que eles chamam The Mall, com seus monumentos, praças,
igrejas, parques e prédios antigos. Ali também está a imponente Westminster Abbey,
onde as coroações e casamentos reais ocorrem desde mil seiscentos e bolinha, e
onde reis, rainhas, e grandes heróis nacionais estão enterrados. Os restos
mortais de Darwin e Newton também repousam lá. O lugar também recebeu, em 1674,
a ossada das duas crianças encontradas debaixo de uma das escadarias da White
Tower. Tudo indica serem os esqueletos dos pequenos príncipes Richard e Edward,
misteriosamente desaparecidos em 1483. Eles provavelmente foram assassinados
pelo próprio tio Richard III, que após a morte de seu irmão, o rei Edward IV, declarou-os
herdeiros ilegítimos do trono, se auto conclamou rei.
![]() |
| Nelson's Column na praça de Trafalgar |
Em aproximadamente três horas e meia
de caminhada passeei pela Parliament Square, pelo St. James Park, Buckingham Pallace e Whitehall – primeira sede da Scotland Yard, onde horse
guards fazem desfiles pomposos de hora em hora. Almocei uma barrinha de cereal
nas escadarias da Trafalgar Square, no centro da qual há a famosa Nelson’s
Column, uma coluna romana de mármore. Com 46 metros de altura, ela é cercada
por quatro leões de bronze. O monumento é uma homenagem ao Almirante que morreu
em 1805 na batalha de Trafalgar. Lá de cima ele observa a cidade numa clássica
pose de bravura.
O sol a pino deixou o tempo mais agradável, e enquanto comia admirava tudo: o sol, céu azul, nuvens, pombos, pessoas, pedintes e turistas. Ao meu lado direito, os arcos e colunas de um portal. À minha frente, o monumento, os quatro leões, e as duas fontes suntuosas com seus sereios e golfinhos vomitando água com simétrica perfeição. Contrastando com tanta seriedade clássica, no topo da escadaria à minha direita tinha um esdrúxulo galo azul, gigantesco, destoando de tudo em volta!
Curioso... o que diabos faz esta escultura ali? O que ela representa? Não sei. Certamente ela reflete um tipo de humor inglês que eu nunca serei capaz de entender. Enfim! Atrás de mim, pior que o galo, tinha um Mickey gigante, gingando desajeitadamente ao som daquela música do Michael Jackson que toca na abertura do Video Show. Era a trilha sonora para a coreografia de três dançarinos de break -- ou hip-hop -- que se apresentavam em frente da galeria nacional. Ao longo da praça uma gama de artistas, mágicos, estátuas vivas, jedais levitantes, músicos excelentes tocando e cantando a troco de centavos e o desdém dos transeúntes.
O sol a pino deixou o tempo mais agradável, e enquanto comia admirava tudo: o sol, céu azul, nuvens, pombos, pessoas, pedintes e turistas. Ao meu lado direito, os arcos e colunas de um portal. À minha frente, o monumento, os quatro leões, e as duas fontes suntuosas com seus sereios e golfinhos vomitando água com simétrica perfeição. Contrastando com tanta seriedade clássica, no topo da escadaria à minha direita tinha um esdrúxulo galo azul, gigantesco, destoando de tudo em volta!
| À esquerda a cúpula da National Gallery, e do lado direito, a torre da Igreja Saint Martin. |
Curioso... o que diabos faz esta escultura ali? O que ela representa? Não sei. Certamente ela reflete um tipo de humor inglês que eu nunca serei capaz de entender. Enfim! Atrás de mim, pior que o galo, tinha um Mickey gigante, gingando desajeitadamente ao som daquela música do Michael Jackson que toca na abertura do Video Show. Era a trilha sonora para a coreografia de três dançarinos de break -- ou hip-hop -- que se apresentavam em frente da galeria nacional. Ao longo da praça uma gama de artistas, mágicos, estátuas vivas, jedais levitantes, músicos excelentes tocando e cantando a troco de centavos e o desdém dos transeúntes.
National Gallery e National Portrait Gallery
![]() |
| Vista da London Eye |
Pra fugir do calor e do caótico,
porém fantástico, cenário da Trafalgar square, entrei na Galeria Nacional. Como
a maioria dos museus de Londres, esta e a galeria de retratos são atrações gratuitas e uma fica colada na outra. Nelas você tem
acesso às obras de artistas renomados como Monet, Degas, Van Ghog, incluindo artistas dos séculos treze,
catorze, quinze e dezesseis, até o século XX. Leonardo Da Vinci, Botticelli, Rafael,
Michelangelo, Cézanne, Velázques... para citar os que eu lembro. Dá pra gastar um
dia inteiro em cada uma delas. É uma sucessão de obras magníficas! Fiquei a
tarde toda ali, enchendo os olhos de beleza, e me sentindo muito sortuda por
ter tido a oportunidade de ver tantos quadros que nunca tinha contemplado fora
dos livros de arte.
![]() |
| Saint Martin Church |
Seis badaladas soaram da torre da Saint
Martin Church, que fica bem ao lado das galerias, me lembrando de que o tempo
passa depressa demais, e que Londres era uma cidade cheia de outras atrações. Mas meus pés estavam cansados, e apesar da minha alma estar bem
alimentada, meu estômago já roncava. Então, em jejum, resolvi entrar na igreja e
descansar um pouco. Lá, a missa acabava de começar. Um coral de quatro vozes
cantavam, à capela, aqueles hinos sacros em latim. Completamente alienada aos
ritos da eucaristia católica, fiquei bem quietinha meditando, e me emocionei
muito com os cantos. Chorei de alegria e de saudade, e principalmente, de emoção
pelo poder que a música tem de me arrebatar.
London Eye
| Esta roda gigante é a roda da fortuna. Fila o dia todo, e o ticket não é barato. Pelas minhas contas, os caras devem fazer meio milhão de libras por dia... |
Depois fui enfrentar uma hora de fila pra pegar o ticket da London Eye, e outra meia hora pra entrar na roda gigante e, realmente, vi a cidade com outros olhos. O sol se pondo, o Tames cintilando lá em baixo. No horizonte passado e futuro se derramavam numa profusão arquitetônica silenciosa! E este foi o meu primeiro dia em Londres. Foi como
deveria de ser: esplendoroso e cansativo. Tirando as 36 horas sem dormir e o
dia inteiro de bateção de perna, a fome monstra e uma bolha no pé, na manhã
seguinte, cedinho, tinha que estar na Conferência da BRASA (Brazilian Studies
Association) no Kings College – real motivo de minha visita. Assim, não fui pra
nenhum pub me embebedar. Comportada, peguei o metrô de volta pra casa, tomei um
banho, dei umas últimas editadas no meu paper e apaguei! Dormi muito bem disposta a pedalar até a universidade... mas vamos deixar os demais dias para as demais futuras postagens.






















