domingo, 17 de abril de 2011

Desanuviar...




Pausa para uma respiração semi-breve. Para atualizar os leitores e acalmar as afobações acadêmicas.

Bom, se eu disser que por aqui tá tudo tranquillo, não será eufemismo, mas sim hipocrisia.

À medida em que o fim do semestre se aproxima, me dou conta de que precisava no mínimo de mais uma semana pra conseguir fazer tudo bem feitinho. Mas bem feito pra mim! Quem mandou deixar tudo pra última hora? Eu e essa mania de achar que funciono melhor sob pressão.

Tanta coisa pra fazer que não sei por onde começar. Correndo contra os prazos, ontem terminei um trabalho e um livro pra amanhã. Ainda não comecei o trabalho nem as leituras de terça, pois sexta tem a conferência em que eu vou apresentar e também tenho que mandar bem ali, se quiser ser selecionada para futuras apresentações em Conferências de Estudos Latino Americanos. Barra.

E terça, para animar esse desânimo, chegam sogrão e sogrinha!!!!

Por outro lado, já tô com a consciência pesada por antecedência, pois sei que serei uma host ausente, com aquele humor que vcs devem imaginar - principalmente agora que parei de fumar. E pra piorar, eles vão ficar só uma semana! Ou seja, não vai dar nem tempo de eu curtir os meus in-laws.

Mas pelo menos vai ser bom pro Bruno... terá a exclusividade do colinho dos pais sem a interferência incomoda de minha amada pessoa.

Dizem as más línguas que o Bruno acha que seus pais gostam mais de mim do que dele! Claro que não é verdade. Principalmente agora, em que não sou mais aquela garotinha linda e adorável, mas sim ocupada, mal-humorada, cheia de despudores e pedanditsmos acadêmicos!

Nem eu tô me aguentando, gente, talvez até por isso tenha evitado de escrever aqui. Mas a boa notícia é que daqui um ano estarei à beira da loucura, pronta pra pular no pescoço do meu diploma. Daí será a vez do Bruno enlouquecer com mestrado.

Enfim, quero ir pro México e pro Peru e pra Portugal e Pra Espanha e pra Inglaterra e pra Alemanha e pra Itália e pra França. Viajar e aprender vivendo, não estudando.

Mas essas já são outras histórias. Voltarei para o calabouço acadêmico! Uma ótima semana a todos!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ferramentas Modernas para o Ensino de Segunda Língua.






Este semestre meus alunos estão fazendo uma pesquisa sobre aspectos culturais do Brasil. Além da pesquisa, eles precisam preparar um power point e uma breve apresentação oral. Claro que em Português. Os assuntos que eles escolheram são os mais variados. Capoeira, Escravidão no Brasil, Cinema Novo, Tropicália, Chico Buarque, Carnaval, Festa Junina, e por aí vai...


Na conferência que fui no mês passado, uma das professoras mostrou os trabalhos que ela tem desenvolvido com seus alunos usando essa maravilhosa ferramenta: o Voice Thread. Fiquei encantada. Ao invés de fazer apresentações orais (que, na hora H bate aquele nervoso, dá branco, pigarro, tosse, coceira, paralisia, dor de barriga), eles podem gravar as falas no conforto de casa, quantas vezes quiserem, até ficar bom. Daí é só chegar na classe e mostrar o trabalho. Graças à tecnologia das universidades americanas, todas as salas de aula têm computador, telão, acesso à internet... uma beleza!


Fiz esse exemplo pra mostrar como funciona. Depois posto aqui o resultado do trabalho dos meus pupilos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Atualizações!

 Minha linda sobrinha-neta: seu sorriso me completa!

Sim, eu sei. Ultimamente não tenho tido tempo para postar aqui. As tarefas são muitas, incessantes.

Como de costume, dois livros pra ler por semana, trabalhos para escrever, pesquisa de mestrado, planos de aula, dar aula, cuidar do meu amor e da nossa casa, da saúde, do tratamento vip das visitas, do visual. Simplesmente muita coisa. Muita coisa boa, não posso reclamar de nada! Mas também não posso postar mais com tanta frequência, o que me deixa jururu e com muitas saudades de vocês, dos seus comentários!

Como se não bastassem todos os meus afazeres, sabe, eu sempre arrumo mais sarna pra me coçar. Inventei de apresentar em conferências, a minha primeira foi sábado passado. A convite de minha supervisora, dei uma palestrinha de 20  minutos na AATF-AATSP Conference sobre como incorporar cultura na sala de aula. Mostrei o trabalho de alguns alunos e algumas atividades para uma plateia de professores de língua estrangeira. Sendo minha primeira vez, não foi perfeito, mas foi oááátimo! Pois além de compartilhar, aprendi muito com as outras apresentações. E de quebra fui convidada pelo presidente da associação (americana de teachers de spanish e português) para apresentar num encontro maior, que será em outubro, em Winston-Salem. Ainda preciso escrever meu abstract. Amanhã, provavlemente!

O lance é que tudo é meio em cima da hora, e na sexta passada ainda fui com o Bruno, o Mike e a Belinda no show do Yes. Confesso que esse show seria mais para eu conhecer a banda, porque eu nunca ouvi Yes em toda a minha vida. Além do mais, eu tava precisando de um show de rock, e acreditei que uma banda clássica dos anos 70 poderia acalmar meus nervos acadêmicos. Tirando "Owner of a Lonely Heart" (que sinceramente nunca achei que fosse deles), não dancei e não curti. Mas também não me arrependi. Foi bom sair de casa, ir num lugar diferente com amigos queridos, e depois flanar pela cidade em busca de uma padaria-armazém-livraria bacana 24 horas.

Neste lugar trabalha a Hope, aquela vizinha com quem voei, no último verão, de parasailing. Falando nisso, mês passado passou voando. E eu e o Bruno fomos passar um fim de semana na casa deles lá em North Myrtle Beach pra comemorar nosso aniversário. Mesmo lá, tive que ler e escrever um trabalho, óbvio. Mas ainda assim molhar os pés no atlântico norte e congelar os ossos ao som das ondas, pisar na areia... deu pra dar uma recarregada nas energias!

Nesse ínterim, algumas ofertas e oportunidades de emprego já apareceram, pra dar aula em outra instituição, pra traduzir capítulos de livros pro português. Trabalhos que tenho negado mui polidamente, na lucidez de precisar focar, e de dizer um não de quando em vez.

Nem só de sins viverá o homem. Mas também nem só de nãos, né. Então pensei, por que não apresentar em uma conferência de estudos latino americanos? Por que não sobre música, algo que mais se relacione à área da minha tese? Então o Lydio, dia desses no skype, me deu um toque das palestras-show dele, que estão fazendo o maior sucesso por aí.

E aí tem essa conferência anual da UNC, William Brown Jr, que este ano será sobre "displacement." O palestrante convidado é um diretor de cinema cubano de quem sou fã, Sergio Giral (serrrio riral)! Na hora que recebi o email divulgando me deu uma vontaaaade de mandar uma proposta. Depois de muito matutar e ruminar a ideia, cheguei à conclusão de que eu estava mesmo era com uma saudade louca de tocar e cantar. Plim! Não exitei.


Essa história de não dar tempo é um saco, mas é muito verdade. Em tempos em que o tempo falta, temos que unir o útil ao agradável. Por isso minha tese ser sobre o rock brasileiro. E por isso mandei uma proposta - que já foi aprovada!!! - de tocar e falar do disco do exílio do Caetano Veloso (1971). O disco a que eu e a Tati nos referíamos, nos velhos tempos, como "o disco da ovelha", por causa do casaco de pele que ele está usando na capa.

Por que este disco?

1. Por ser aaaaall about displacement. O título da minha palestra vai ser "Songs of Exile."

2. Por trazer canções em inglês.

2,5. Por razões óbvias.

3. Por significar tanto para mim, neste exílio voluntário, ter um banquinho, um violão, e uma plateia ávida por escutar coisas velhas-novas.

4. E para subverter, tropicalizar um pouquinho esse meio acadêmico, meio autoritário e formal demais.

E é claro, para o meu currículo, essas apresentações fazem a diferença. Meu próximo passo é publicar em jornais acadêmicos. Em inglês vai ser meio difícil, mas tá, tamanduá, devagarinho eu chego lá.


E agora vou voltar a corrigir as pilhas de provas, composições, e ler os livros, e treinar canções, e fazer os resumos, as reflexões, e poxa vida... dormir que é bom? Escrever no blog que é bom? A vida passa tão rápido!

Vai me dando um desespero, e vou dando muito pitaque porque sério, minha cabeça está borbulhando, meu cérebro fervendo, e vai me dando uns ataques sentimentais e filosóficos e as patadas da Panda rolando soltas no Twitter, aqui no blog, no facebook, por email... desculpem àqueles a quem minha prepotência impulsiva tenha magoado. Afinal quem sou eu... só estou procurando ser alguém melhor e muitas vezes não tenho ajudado. Não importa quantos livros a gente leia, quantas teorias aprenda, ou desenvolva, ou ou ou, caralho, a gente sempre erra.

E errar é a forma mais humana de aprender.

Porque a universidade é MUITO desumana. Hahaha.

E Parabéns, Curitiba veia! 318 anos. Rio Belém Rio Belém, nunca mais to de bem. Não sei se perceberam mas o novo visu do blog agora tem um novo feed, em que vocês podem ler minhas últimas patadas em tempo real. É o primeiro ícone grandão no canto superior direito. Mesmo quando não tiver notícias no blog, terão 4 frases minhas pendendo ali. E sigam-se os bons!

Gente me internem. Estou mesmo dando choques. Bzzz. Bbzzz.

Daqui a pouquinho estarei aí.

quarta-feira, 23 de março de 2011

É Primavera!


E as camélias do meu quintal desabrocharam para dar as boas vindas às visitantes do mês, vó Diva e Terezinha. Que se foram ontem, e que devido à loucura escravagista universitária mal tive tempo de paparicá-las... Mas enfim pude me divertir um pouco em meio aos trabalhos e leituras.

Fase turbulenta individual e coletiva, semana de desastres e como se não bastasse mais as frustrações com Obama e outra guerra...

Mas isso nao é tudo. As camélias desabrocham no nosso quintal e enchem meus olhos de otimismo! Dias melhores virão!

E a rapidez com que as pétalas se desmancham soa mais como um aviso: aproveite as belezas e as delícias da vida porque são/somos breves!!!
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quarta-feira, 2 de março de 2011

O que acontece em Curitiba?

Mesmo estando longe, tenho mergulhado fundo nas mudanças pelas quais Curitiba tem passado. É tanta notícia maluca!!! Tudo começou com o Fábio largando a Reles pra seguir carreira solo, de Sertanejo Universitário. Um baque! Uma ironia quase perversa. Tudo bem que ser brejeiro, alegre, cantador e contador de histórias - e até meio brega - o Fábio Elias sempre foi:

"E quando o tempo se distrair/ Deixando a cicatriz no meu sentinmento" - rimando com  -"Verei um mundo novo em mim . . . deixando um lamento", é um romantismo ingênuo e humilde, e sim, brega.*

Mas era o máximo, porque era rock, e principalmente, porque era a Reles. Nada a ver com Sertanejo Universitário,  um estilo que  pela própria inconsistência do nome (porque sertanejo, que devia ser, não é, e universitário, que não podia ser, é), condena e denuncia uma decadência não somente estética e musical, mas moral e ideológica. Não do Fábio, mas do Brasil. E não só no Brasil. Aqui nos States não é diferente. Decadence avec elegance é coisa do passado.

Falar em passado, não contarei aqui a velha história dos grandes festivais (que não vivi), em que os universitários não somente consumiam, mas produziam o fino da bossa, o chumbo grosso da música de protesto, a inovação estética de uma fusão da MPB consagrada com a rebeldia alienígena do rock na tropicália. Ou dos conceitos inrotuláveis de um Neima (Ney Matogrosso), ou da contracultura polêmica de um Lobão. Definitivamente, hoje carecemos de discurso, de inovação criativa, de massa cinzenta mesmo, na música. Imbecilizamo-nos todos, quando na verdade temos muito mais ferramentas e informação para evoluir do que aqueles velhos nomes tiveram quando jovens. Mas nós nos acomodamos. E nesse contexto, se apegar à erudição pra dizer que tem bom gosto é um ato um tanto quanto óbvio, e não menos medíocre.

Mas agora vamos focar no que há de bom... outra grande mudança aí na terrinha, desde que me mudei pra aqui, foi a eclosão do Garibaldis e Sacis na cidade.

Voice over narration: Em biologia, eclosão refere-se à abertura natural de um ovo incubado fora do corpo da mãe, uma vez completo seu desenvolvimento embrionário.

Resumindo, eclosão nada mais é que a ruptura de uma casca - a casca do ovo em que Curitiba por muitos anos se confinou, e a qual malucos, Garibaldis e Sacis quebraram com a maior descontração carnavalesca. Simples assim? Uma ova! Demorou anos. Desde 98 se não me engano. O que era contra-cultura virou mainstream, mas passou  primeiro por um processo, e foi crescendo aos poucos.

O mesmo não se pode dizer da Rádio Paraná Educativa em 2011. Quando recebi aqui via skype, blog e e-mail,  a notícia de que a Educativa revolucionou a música paranaense, fui na fonte conferir. Passei dias ouvindo a rádio pela internet, e apesar de ter escutado Criaturas (ainda que só as antigas) e muitas outras bandas das quais eu gosto por simples obrigação suspeita, eu achei a programação uma grande merda. Ultimamente estava melhorando. Mas careceu de planejamento, cuidado e estratégia.

Confesso!!!

Eu sempre tive um gosto musical meio elitista - em casa era só alta e nacionalista cultura, caetano e chico buarque - e bem por isso fui ouvinte e telespectadora da Educativa por muitos anos, e fiquei feliz quando consegui inflitrar algumas de minhas músicas na programação de uma rádio pela qual cultivava laços afetivos, tanto de amor como de ódio (no que se refere ao ódio, mais à TV por exemplo, quando o Ciclojam saiu do ar e o Enfoque passou a ser uma só vez por semana, na gestão do Requião). 

Subitamente, na gestão Richa, os paranaenses que passaram a tocar, aos montes, na rádio Educativa, lembraram aos ouvintes de como somos "xaropes," amadores, e de como a imensa esmagadora maioria ainda está longe de atingir um patamar radiofônico! Eis aí a  primeira grande lição que essa história nos passou. Músicos, aprendamos a encarar a arte como um trabalho - dediquemos no mínimo 4 horas por dia para isso, e procuremos sempre a ajuda de profissionais. Não de amigos. 

Abro um parêntesis: (É claro que tem coisa boa, interessante, bem gravada, e que merece ser tocada. Mais do que simplesmente merecer serem tocadas, no entanto, essas músicas que são excessão à regra de amadorismo não merecem ser colocadas no mesmo "balaio de gatos," num random sem nexo, sem nenhum critério de estilo!)

Que critério usaram? Tocar o Paraná? Um bairrismo anêmico, nocivo, forçado, inútil, que nunca fez parte da nossa cultura - mas que agora, com Garibaldis e Sacis, já começa a se modificar NATURALMENTE. Cultura não se enfia "goela a baixo." Cultura se negocia constante e lentamente.

O que aconteceu na Rádio Educativa foi um laspo convulsivo - vamos vomitar a música do Paraná! - uma falta completa de tato e inclusive de estratégia política. Foi também uma falta de respeito não somente com o ouvinte de anos, mas inclusive com o prórpio artista paranaense, cuja música se utilizou em vinhetas, sem no entanto ter autorizado sua utilização para tal fim. O que seria crime, vira favor ao artista.  E assim, não podemos reclamar, porque afinal, estamos tocando na rádio. Isso é meio insultante! Favorece-se, enfim, a perpetuação de um sistema nepótico e clientelista que  vem impedindo - desde a era colonial - o nosso país de sair da mediocridade!!!

Mas voltemos ao que há de bom... Quem imaginaria que depois da feirinha estariam os curitibanos de todas as espécies - os hippies, os punks, os Mods, os conservadores, os intelectuais, os artistas, os anônimos, e todos juntos, cantando e dançando e fazendo ciranda no Largo da Ordem? Curitiba está quebrando sua casca!

Eu acredito na força da música do Paraná. Mas acredito que ela caberia em programas especiais, de acordo com estilos que se justificam, dentro de uma programação direcionada tanto a ouvintes antigos, como novos. Já apitei desde o início e repito agora: gosto do Tupan, mas ele não previu as consequências antes de mudar bruscamente uma rádio que é - sempre foi - patrimônio da elite paranaense. Não precisa ser expert nem em arte, nem muito menos em política, pra saber que contra elites nada se impõe, tudo se negocia. Toda mudança exige um período de transição, pela qual a Educativa nunca passou. Simplesmente mudou. E a saída de Tupan na rádio agora refletiu a mesma mudança brusca. Para toda ação, uma reação.

Eu lamento o que aconteceu, e acho que agora que o elástico esticou e arrebentou, perdeu muito da flexibilidade. Espero que a música paranaense que tocava antes da gestão Tupan continue, e que mais espaços se abram, mas favorecendo uma aproximação QUALITATIVA, ao invés de QUANTITATIVA.  Clamo pela volta do CICLOJAM, e por que não do CALEIDOSCÓPIO (de mesmo produtor, mas o último na extinta Estação Primeira).
 
 
*RELESPÚBLICA, "Por Você," em As Histórias são Iguais, 2005. Nada contra o Fabelinha. Sim, não Parei! de ser fã e adimiro a coragem, a alegria e o talento dele, e principalmente, respeito seu direito de cantar o que quiser, onde quiser, pra quem quiser.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O sol se pondo no nosso quintal

Para meu tio, que foi hoje para a outra margem do rio; João Batista Azevedo
Cada dia que nasce, anoitece.
Uns nascem mais tristes...como hoje.
E anoitecem bonitos assim,
e a vida continua, e o amor continua...
E a vida quando acaba,
Tambem anoitece bonita, e continua?
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

As depiladoras que me desculpem...





... mas protestar é fundamental. Se existe UMA coisa da qual me arrependo muito em minha vida, foi ter me depilado pela primeira vez. Afinal pêlos por que tê-los é uma ótima pergunta, mas pêlos, porque depilá-los, é ainda melhor. Não que eu queira virar naturista. Não há nada mais desagradável do que um sovaco de mulher peludo e suando. Ou uma virilha selvagem. Defendo a depilação nesses dois lugares estratégicos - e  por favor, meninas, não usem gilete. 


Mas o fato é que a indústria da depilação desenvolveu uma forma cruel de ganhar dinheiro. Você vai no salão pra depilar a virilha e elas já perguntam, vai fazer o ânus?, naquela naturalidade que só as depiladoras têm. Você está sem dúvidas numa posição de desvantagem, morrendo de dor, estirada humilhantemente naquela maca nada estética, uma luz iluminando todos os poros do seu corpo nu, melecado daquela cera fedorenta. Tantos insultos sinestésicos confundindo sua capacidade de raciocínio lógico, e a mulher perguntando - sempre sorrindo - se você  também fará o ânus? Ah, tenha dó. Dá vontade de dar chutão na cara, e virar aquele baldinho elétrico de cera quente na cabeça dela, porque tem muito cabelo ali. Quem sabe assim ela tira o sorrisinho sádico da cara.

Mas os seus instintos bem domados pela indústria depiladora fazem você sublimar o ódio numa lágrima que teima em cair bem pelo cantinho do olho, fruto da dor, e da total resignação ao liso. Eu achava que ver estrelas era coisa de desenho animado, mas sempre depois de uma puxada daquelas, em que os seus pêlos são arrancados com violenta veemência, as estrelinhas e passarinhos e asteriscos sempre aparecem. Efeito da luz na cara, da dor da puxada, do cheiro da cera, e do sorrisinho sádico da depiladora.

Não contentes em depilar sua virilha, a perna inteira, e o sovaco, elas olham os pelinhos da sua cara e dizem, mmmm, e esse bigodinho? Que bigodinho? Loirei o bigodinho, não era pra você ver. Mas não adianta. Elas têm olho clínico. Loirar pra quê? Tira, arranca o mal pela raiz que nasce menos. Você, como  eu já disse, está numa posição delicada. E no fundo o bigodinho é um estigma que toda mulher quer evitar. Aí você acredita na mais óbvia lorota de depiladora! E três semanas depois os pêlos nascem em dobro, mais grossos, irregulares, uns encravam, dá até espinha, você tira com a pinça, se machuca e mancha a pele. Depilar a cara é burrice. Mas uma vez depilado, depilado muitas vezes será.

E não é só isso. Da última vez que fui me depilar no Brasil, a mulher enfiou cera no meu nariz! E antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ela meteu a cera nos dois buracos, fiquei sem ar, tive que respirar pela boca e assim não pude dizer nada. Só depois que ela puxou e muitas lágrimas saíram, eu perguntei num insulto você tá louca, mulher? Pra que arrancar os pêlos do meu nariz? Eu lá tenho pelo saindo pelo nariz? Naquela época não tinha. Mas depois daquele dia, agora vira e mexe tenho que aparar as fossas nasais. Eu deveria processar o salão Marly!

Mas enfim. Hoje sofri, vi estrelinhas, enquanto me livravra sofregamente dos pêlos pra poder ir pra praia,. E tive uma "visage". Subitamente, a parede mostarda do salão ficou cinza,  a luz foi se apagando e vi  muitas almas sendo depiladas, sofrendo horrores. Era uma visão do inferno, calderões de cera, e demoninhos depiladores com aquela espátula na mão, aquele cheiro de enxofre, igualzinho o da cera. Esta visão foi um exagero de estilo, claro, e provavelmente resultou do livro que li na semana passada sobre uma mística negra, que era escrava num convento em Lima, Úrsula de Jesus. Ela então dizia nos idos de 1600: quanto mais se mortifica em vida, menos tempo sofrerás no purgatório. Era o meu delírio, querendo achar uma razão pra estar ali, naquela posição desagradável, com uma vietnamita me depilando e falando um inglês que eu não entendo, mas com o mesmo sorrisinho sádico na cara. Pior é quando ela abre a porta e começa a falar em vietnamês com as manicures. Raios! O que será que ela tá falando? Nossa, cancela a próxima cliente! Tem um panda na minha maca!

Uma hora e meia depois, chego em casa deprimida, com a pele toda irritada dessa cera maldita com cheiro de enxofre. Fui direto pro banho. Tamanho era meu abatimento que o Bruno - que aliás é quem mais se regozija quando volto da depilação - começou a pesquisar remoção permanente a laser. Uma fortuna... mas quem disse que um lugar no céu custa barato? Afinal não quero viver o resto da vida no purgatório, digo, depilatório, escrava da cera. 

Portanto irmãs adolescentes lindas porém inseguras, não deixai-vos seduzir pelo sorrisinho das depiladoras. Virilha, meia perna, axila e olhe lá. Não vá fazer ânus, abdome, face. Expurgue essas possibilidades antes de entrar na salinha. Mantenha seus pelinhos naturais onde for possível.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sabor do Pecado

Mas eu to perdida!!! Nem mamis pode me salvar ja que ela tambem faz os bolos mais deliciosos... Agora a Belinda me vem com essas delicias pecaminosas. Nem 3 horas de Wii vao compensar as calorias. Mas enfim. O que eh bom eh para ser apreciado sem culpa.
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sábado, 29 de janeiro de 2011

As Profecias Pandísticas

E assim que foi banida de um dos santuários do Eden Fraternal, eis que a Panda avistou uma sarça ardente, que em voz estrondosa anunciou:

1. Tristes serão aqueles incapazes de se alegrar com a felicidade alheia.

2. Sozinhos pra sempre serão aqueles incapazes de perdoar.

3. Assumir e arcar com as responsabilidades é o primeiro passo para a sanidade física e mental.

4. Melhor uma bunda gorda e amada, do que uma bunda magra e amarga.

5. Dinheiro está para o sucesso, assim como a felicidade está para uma cutis invejável.

6. A vida é curta demais para ficar só reclamando e se lamentando.

7. Mais vale um livro na cabeceira do que um computador no quarto. 

8. Atrás das nuvens ou do outro lado do globo, o sol brilha todos os dias para todos.

9. Nada é impossível, até que se prove o contrário. 

10.  Sem metas ninguém anda pra frente.

11. Se alguém é incapaz de compreender o seu amor, é porque não merece seu amor.

12. A inveja é uma merda.


Panda chorou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E vendo o Senhor que ela chorava, chamou-a do meio da sarça, e disse: Panda, Panda! Respondeu ela: Eis-me aqui. E disse o Senhor: Não chores. Escrevas. E assim Panda obedeceu, e obedecendo, escreveu. E mesmo expulsa de um dos santuários do Eden fraternal, entendeu que o Eden sempre fora um inferno. E comprendeu que se de lá fora expulsa, era porque ser expulsa de lá seria bom. E Panda sorriu, e viu que era bom.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nova Postagem

Aluá, meu coração!

Adorei sua pole, com gostinho de ineditismo neste blog abandonado até mesmo pela escritora, sem falar nos mais assíduos visitantes!!! Quando todo mundo parece que tá off, vem vc arrasando e liderando os comments!

E ainda por cima sua alma rara, pura aura de bondade, foi a única capaz de elogiar meu ET anão!!! Nem sogrinha nem mãezinha botaram muita fé no meu talento gangrenado de forjar mini-avalanches para fazer boneco de neve. Mas enfim. Contanto que neve, continuarei tentando!

Fatimoca!

Obrigada pelo incentivo... vc ainda verá... meu próximo boneco vai ter bolsa Michael Kors e NEFEFÉR da Ralph Lauren!

Mamis amadis,

Estou com saudades! Favor consultar um profissional da rede de computação para averiguar o bug nos comments. Vou remover essa verificação de palavras idiota porque onde já se viu, se nem minha mãe pode comentar aqui então coméquefica? 

Sogrão - vou considerar essa ignorada no post anterior mera abstinência lógica de engenheiro; já que você acompanhou via skype o feitio do ET, e depois recebeu por e-mail a primeira foto com a manchete "ET de Varginha aterrissa em Charlotte e testemunha vitória suada dos Bobcats", sem notar perdeu a pole, mas preferiu não lamentar. E as pedras já rolaram? Espero que sim!!!!

Meu povo!

Como podem ler... Estou enlouquecendo de saudades!

De todos aqueles que sabem, na superfície borbulhante de seus corações, que eu estou com saudades, que eu penso, sinto a falta, que torço, que sonho com vocês!!! 

Porém também entristeço, e amaldiçôo o silêncio inaceitável - quanto mais nessas épocas tecnológicas - de vocês.

Portanto, quem não quiser receber a Praga das Doze Pandas ou a Uruca das Sete Xandas, que se manifeste bravamente, via comment, skype, facebook ou email!

Repasse essa mensagem para 5 pessoas que você sabe que eu gostaria que recebesse esta mensagem e algo muito importante acontecerá às 3:54 da próxima terça-feira!

Repasse essa mensagem para 10 pessoas que vc sabe que estão com saudades minhas e o mundo não acabará em 2012!

Ligue nas rádios - ou passe uma mensagem para sua lista de e-mails - solicitando o Sexo Dedo, e qualquer resquício de Praga das Doze Pandas ou das Sete Xandas não mais surtirá efeito entre nenhum de vós!

Rárárárárá....

Um beijo e um queijo...

E depois não digam que eu não aviseeeeei.