sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Panda Gourmet


Aproveitei o dia ensolarado para caminhar e explorar a vizinhança. Andei por quase uma hora, e se encontrei 3 vivas almas na rua foi muito. Aqui pra trás tem um bairro residencial muito chique, com direito a lago e grama verdinha. Mas a grama aí no Brasil é mais verde, pelo menos nessa época do ano em que as árvores não têm folhas e a vegetação fica meio amarelada por causa do frio.

Ao chegar em casa li mais um pouco de Marley and Me, mas só um pouco mesmo. Embora seja um bom livro (um bom livro para mim te faz chorar, rir, e te faz ficar pensando na história mesmo quando você não a está lendo) comecei a pegar uma antipatia pelo escritor, sei lá por quê. Acho às vezes ele meio meloso demais, e eu não gosto de homem muito meloso não.


De noite comecei a preparar uma jantinha pro meu amor, e fiz arroz selvagem, purê de batatas, bife e salada. Eu estou me saindo uma ótima dona de casa. Vejam que esmero... mas tenho que admitir que ainda estou longe da perfeição das refeições padrão Fátima. Tentei fazer um molho pra carne que não deu muito certo. Ficou horrível, me deu até vergonha e joguei tudo fora. E olha que pra dar vergonha de si mesmo sem ter ninguém por perto, vocês podem imaginar que boa coisa não deve ter saído...


O Bruno tem trabalhado muito, ontem ele se atrasou umas duas horas e o chefe dele só o liberou quando viu que eu estava o chamando pelo google talk, pedindo para trazer fermento. Daí foi mais uma hora até ele conseguir achar fermento, porque afinal de contas ele não sabia como se diz fermento em inglês. Chegou em casa quase 10 da noite, muito cansado, pobrezinho do meu amorzão... ainda bem que eu estou cuidando bem dele, porque no trabalho tão abusando.

Mas tenho certeza de que em breve ele será um dos manda-chuva aqui. Ele é muito esperto, inteligente, e me contou que ontem resolveu uns pepinos que ninguém estava conseguindo descascar. Que orgulho!

Ah, sim, por que diabos eu pedi fermento. Hoje quero fazer panquecas. Hmmm... vamos ver se vai dar certo, porque o Bruno comprou fermento de pão e se não me engano, fermento de pão é especial para pão. Alguém aí pode me dar uma luz?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Morgando e aprendendo

Monumento da rainha Charlotte, no CDIA
(Charlotte David International Airport
)

Mais um dia enfurnada em casa, sem fazer muito além de internetar. Mas aprendi coisas importantes... uma delas, por exemplo, foi que Charlotte não é a capital da Carolina do Norte, e sim Raleigh. Santa ignorância! Então, para compensar a gafe e evitar que eu passe informações equivocadas para frente, fiz um breve estudo sobre a cidade e vou contar pra vocês um pouco do que aprendi.

No que se refere aos dados demográficos, a população de Charlotte não chega nem perto de um milhão de habitantes. Segundo a CCD (Charlotte Chamber Demographics) eram 664.342 habitantes em 2007. Portanto, moramos numa cidade do interior mesmo. Mas Charlotte é uma das três "major towns" do estado, ao lado de Greensboro que fica mais ao norte do estado, e Fayettesville, mais ao leste.

Embora seus dados demográficos sejam despretenciosos, Charlotte é conhecida como The Queen City. Fundada em 1769 em homenagem à rainha Charlotte, esposa do então rei da Inglaterra George III, a cidade contou com imigrantes escoceses e irlandeses, o que talvez explique o sotaque estranho do inglês aqui falado. A descoberta de jazidas de ouro em 1799 e a produção agrícola de algodão e tabaco ajudaram a atrair muitas indústrias para cá, transformando-a no segundo maior centro financeiro dos EUA, atrás apenas de NY.

Então, mas chega de aulas por hoje. Quando cansei de internetar, fui ver TV e o Bruno chegou. Logo depois uma amiga minha do Martinus, a Babi, com quem não falava há mais de quinze anos, me ligou aqui em casa! É que o povo do martinão está, aos poucos, reatando os laços perdidos. Fizemos um grupo de discussão na internet e por lá todo mundo conversa, conta as novidades, troca telefones... Ela está morando em Detroit, Michigan, fazendo residência em dois hospitais. Muito incrível como tanto tempo passa e a gente continua igual, com a mesma voz, o mesmo jeitinho...

De noite fomos num pub pois o Bruno queria jogar sinuca, mas não tinha mesa de sinuca no lugar! Sentamos no balcão e pedi minha previsivel heineken, ele sua previsivel coca, e dividimos um prato mexicano de janta. Depois chegamos em casa e colocamos os Simpsons, deu aquele bode, hmmm, melhor ir pra caminha. E dormimos!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Filosofando...


Eu tive uma amiga que era irritantemente apaixonada pelos Estados Unidos. O Brasil era uma merda, bom mesmo era os EUA. Os Estados Unidos isso, os Estados Unidos aquilo... Porra, eu dizia, vai pra lá então e pára de falar mal do Brasil. E ela foi. Está aqui em algum lugar, ou pelo menos deve estar, pois nunca mais tive contato com ela.

Antes de vir pra cá, sempre torci meu nariz pra América. Mas bastou eu chegar aqui pra mudar os meus conceitos. É preciso admitir que quase tudo aqui é quase sempre melhor, mais confortável, mais prático, mais organizado. Aqui em regra tudo funciona, as normas são obedecidas, a polícia é educada, o povo é acolhedor e gosta de bater um papo. Quer te conheçam ou não, sempre te dão oi. Para mim, que sempre morei em Curitiba - onde a gente finge que não vê pra não ter que cumprimentar, e tem que ser apresentado três vezes ou mais para as pessoas começarem a te considerar um conhecido - isso é muito curioso.

Então fiquei pensando: se eu nunca tinha vindo pra cá, como eu não podia gostar daqui? Puro preconceito. Mas como e por que a gente cria esses preconceitos?

Quando me fiz essa pergunta, me veio uma lembrança da infância. Tenho uma prima americana que às vezes nos visitava, o nome dela é Chantel. No auge dos anos 80 uma americana adolescente era algo traumatizante, pelo menos para uma criança como eu. Ela usava um cabelo armadão, e vivia muito maquiada, usava roupas estravagantes e tinha hábitos alimentares duvidosos, como comer feijão frio misturado com açúcar. Sua mala era quase um container, e dentro dela tinha os mais variados acessórios, secador, laquê, maquiagem, curva-cílios, bobes elétricos, bolsas de vinil, cintos com fivelas automáticas, sapatos de plataforma, polainas com lantejoulas, roupas de couro com franjas, cruzes, aquilo era um horror. A américa para mim era uma fábrica de drag-queens. Baseei minha imagem dos americanos numa prima que só vi duas vezes nos anos 80.

Depois, quando eu comecei a formular o que propriamente seria minha visão de mundo, não pude deixar de me revoltar com as estratégias políticas norte-americanas. Com uma tendência mais ou menos comunista, que absorvi durante bebedeiras no DCE do CEFET, fui veementemente contra o capitalismo e o neoliberalismo americanos, mesmo sem nunca ter me dedicado a reflexões mais profundas sobre o que tudo isso significava para o mundo ou para mim. E o Bush foi a gota d'água. Ele, o símbolo da prepotência, do orgulho e da intolerância norte-americanas, foi o maior responsável pela minha antipatia para com este país.

Mas quando cheguei aqui notei que a maioria dos americanos, assim como eu, estava revoltada com as manobras políticas de seu governante. Então percebi que eles, os americanos de verdade, pessoas comuns como eu, não tinham nada a ver com a imagem que construí ao longo dos anos. E mais, percebi que a nossa cultura brasileira é muito influenciada pela americana, e que esta, por sua vez, é influenciada por outras culturas européias, e que afinal sempre haverá diferenças e semelhanças culturais, e que isso é que dá o maior sentido ao que somos, porque reconhecemos que fazemos parte de algo maior, mais abrangente e menos excludente do que, sem notar, queremos ser.

Os preconceitos são, antes de tudo, uma resistência ao que é novo, a tudo aquilo que é diferente de mim. Eu não gostava dos americanos porque achava que eles se achavam melhores do que nós. Detalhe, eu nunca tinha conhecido os americanos, a não ser minha prima e um pastor da igreja que costumava freqüentar, e nenhum deles me deu motivo para pensar tal coisa. Cresci com este conceito, algo ou alguém deve ter colocado isso na minha cabeça, porque eu mesmo não tinha parâmetros reais para formulá-lo, e nem tive a presença de espírito de me questionar sobre ele antes.

E olha, conheço muita gente com esta opinião, e na mesma situação de ignorância, no sentido de nunca ter vindo para cá, ou nunca ter conhecido mais do que 10 americanos para assim poder fazer uma estatística ou um estudo de caso. A verdade é que eles são - ou eram - uma potência mundial, e importaram, ou impuseram, como preferir, sua cultura em muitos países. Mas isso não é ruim. Quem não gosta de blues, ou de carro, ou de calça Levis, coca-cola, Mc Donalds, tênis All Star, que atire a primeira pedra.

Hoje eu tiro o meu chapéu pros Estados Unidos e para os americanos. Mas espero nunca me tornar uma pessoa rancorosa para com meu próprio país, porque afinal de contas, o Brasil, assim como aqui ou qualquer outro canto do mundo, tem seus encantos e seus defeitos. Hoje, graças às experiências que tive, sei que generalizar é ignorar as diferenças, as peculiaridades e a diversidade que fazem desse mundão um lugar interessante para se viver e (se) descobrir.

Winter Storm

Nosso estacionamento, 7 a.m. Vista da nossa janela.

Ontem foi o dia de fazer o blog, então passei a maior parte do tempo no computador.

O Bruno demorou pra chegar e eu só pus o nariz pra fora pra dar uma volta na vila, mas o frio que fazia me endureceu os ossos na segunda quadra. Meia-volta volver, lá estava eu em casa de novo.

De noite fiz uma janta super especial pro meu amor: macarrão integral com molho vegetariano, uma salada de alface, cenoura e brócolis com molho de gengibre. Tomamos uma taça de vinho pra esquentar. E o Bruno não ficou com dor de cabeça.

Hoje de manhã acordamos e nos deparamos com a paisagem esbranquiçada da neve que caiu durante a noite. Nada comparado ao Colorado, mas 5 cm de neve e gelo nas estradas já tiraram os charlotteanos da rotina pacata. Às 8 da manhã o noticiário anunciava mais de 40 acidentes de carro.

Agora o sol está derretendo a neve e placas de gelo estão escorrendo do telhado. Faz um barulhão, me assustei sem saber o que era, daí olhei no prédio ao lado e vi acontecer... é um perigo, se tiver alguém embaixo, periga de matar um!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Nosso flat em Huntersville

A primeira segunda-feira

Lula e Camarões de entrada em nosso jantar no Bravo! Restaurante Italiano chiquérrimo.

Acordamos às sete horas, o Bruno foi pro banho e eu fui preparar o café. Foi o primeiro dia de trabalho dele, e para mim foi o dia de maria.

Mas assim, um Mary day sofisticado, com direito a voltar pra cama depois que o Bruno saiu e ler um pouco do Marley & Me que eu comprei por sete dólares no mercado. Depois passei um café colombiano que nem é tão gostoso como falam, mas também longe de ser ruim, e comecei a lavar roupa. Lerê, lerê, arruma a cama, lerê lerê, lava a louça, lerê lerê, bota a roupa na secadora e outra leva de roupa na máquina, sobe e desce escada, passa aspirador de pó, tira o pó, varre a escada, ufa! Pausa para o almoço requentado da janta que sobrou de domingo.

Ligo a TV no noticiário local, que mais parece uma piada. O que eles noticiam aqui: um buraco na estrada, um cachorro perdido, um condomínio sendo processado porque as piscinas e áreas comuns porometidas não foram construídas, um acidente de carro sem mortos ou feridos... êta vida besta! Que delícia.

Depois de tudo arrumado, tomei banho e me arrumei pra dar uma caminhada, mas quando saí estava chovendo e eu pensei, por que não ficar em casa? Li mais um pouco, assisti mais um pouco de TV, resolvi duas palavras cruzadas ridículas de fáceis (aliás, o primeiro que vier me visitar favor trazer Coquetel nível difícil), e sentei pra começar o blog.

Lá pelas seis o Bruno chegou do trabalho, bem satisfeito e feliz. Depois de mimos e amassos no sofá, saímos comprar o cabo pra ligar nossa internet. Aproveitamos e compramos a primeira temporada dos Simpsons. Jantamos num restaurante italiano e voltamos pra casa.

De noite a vó Diva e o Ivo ligaram, assistimos a três episódios simpsonianos, escovamos os dentes e fomos nanar!

Domingo em Waxhaw

Acordamos cedinho, fiz um café da manhã bem americano, com torradas recheadas de ovos mexidos, queijo e peperone. Ficamos pesquisando algum passeio legal pra fazer e decidimos ir ao museu de Waxhaw, uma cidade histórica que fica ao sul da Carolina do Norte. A viagem dura mais ou menos uma hora e vinte, e antes de chegar na cidade a gente tem que passar pela Carolina do Sul. É como ir para Guaratuba por Garuva.



Almoçamos num restaurante bem simples, mas muito apreciado, pois não parava de entrar gente. A cidade é pitoresca, prédios antigos ladeiam calçadas, um trilho de trem separa as avenidas, tudo muito velho mas bem conservado. Visitando alguns Antiquários descobrimos verdadeiras preciosades por uma pechincha. Órgãos daqueles com pedais de sopro por 250 dólares, cristaleiras, escrivaninhas e móveis clássicos muito baratos! O que aí no mercado das pulgas não custaria menos de 5.000 reais, aqui você compra por menos de mil. Uma beleza. Se tudo der certo e ficarmos aqui, certamente vamos decorar nossa casa por uma barganha.



No museu pudemos conhecer um pouco mais da história do lugar, que foi palco da Guerra Civil Norte Americana. Cercado por mata nativa, no lado de fora há réplicas de uma aldeia indígena Sioux, de um cemitério antigo e de casas coloniais, algumas delas transportadas para o lugar, outras construídas como antigamente.


Na volta passamos pelo centro de Charlotte, que é chamado de uptown, ao invés de downtown, por estar na parte mais alta da cidade. Caminhamos um pouco, mas como era domingo e tudo estava fechado, não foi lá tão excitante. Tem muita coisa sendo construída, prédios, ruas, dá pra notar que Charlotte é uma cidade que ainda está se desenvolvendo, mas que vai crescer muito rapidamente.

Antes de ir pra casa fomos ver o pôr do sol na beira do lago que fica aqui perto.

Chegamos em casa a tempo de assistir ao Super Bowl, a final do futebol americano. Outro motivo de a cidade estar tão quieta. Vimos o primeiro tempo em casa, e o segundo num restaurante na beira do lago, onde jantamos. O bar estava cheio de torcedores fanáticos de ambos os times, que ficavam torcendo e provocando uns aos outros. Muito engraçado, e um pouco irritante para nós, meros expectadores e não entendedores das regras deste esporte.

Mas lá pro final a gente meio que já estava sacando, e realmente foi um jogo emocionante, pricipalmente no final, em que o time do Arizona alcançou Pettersburg, virou o jogo e conseguiu perder nos últimos segundos com um touchdown inesperado do time adversário, agora hexacampeão.

Chegamos em casa dez e meia da noite, prontos para dormir.

Charlotte, chegamos!

Charlotte Uptown - céu azul e a cidade de braços abertos pra nos acolher.

Depois de enchermos os pulmões com o novo e gélido ar da cidade, fomos buscar o carro que o Bruno alugou até comprarmos o nosso. Do aeroporto viemos direto para a nossa casa temporária, um confortável flat em Huntersville, tipo uma Pinhais charlotteana, só que mais rica, mais chique, mais sossegada, mais bonita, mais americana enfim. Tomamos banho, largamos as tralhas no apartamento e fomos almoçar no Red Rocks, um restaurante aqui do lado. Após o almoço fomos no mercado fazer compras.

Nossa nova casa: Birkdale Village, Huntersville.

Exaustos, chegamos em casa e iniciamos a operação organização. Guardamos as compras primeiro, depois começamos a desfazer as malas. Que canseira! Mas em menos de três horas tudo estava em seu lugar, tinindo, arrumadinho, uma beleza. Deu tempo até de ir na recepção do condomínio passar um e-mail pra vocês, pois aqui ainda não temos internet.

Oito e meia da noite resolvemos tirar um cochilo e só acordamos no dia seguinte!

Dia de ir embora

Um dia antes as nossas coisas estavam encaixotadas e prontas para entrar no container; eu sem lugar para deitar, arrumei o meu cantinho, hehehehe...

Enfim é chegada a hora. Depois de meses tendo de conviver com ansiedades e incertezas sobre nossa vinda para os States, foi até difícil acreditar que naquela sexta-feira, 30 de janeiro de 2009, nós estaríamos embarcando para Charlotte.



A despedida no aeroporto contou com a presença de amigos e familiares que representaram muito bem todos que não puderam comparecer. A sensação é brutal. O coração fica apertaaaado, e como não podem mais estar contidas, as lágrimas correm. O Bruno não chora, aguenta firme, me abraça e me sorri a cada instante. A partir de agora somos só nós dois.



Embarcamos na hora prevista, mas um problema com a documentação de dois passageiros atrasou a decolagem por meia hora. Em São Paulo a chuva forte fecha temporariamente o aeroporto de Guarulhos e nosso avião sobrevoa a cidade até ter permissão para pousar.

Com tantos imprevistos, perdemos o avião para Newark. Mas felizmente conseguiram nos relocar para outro vôo, fazendo conexão em Houston. Assim, fora o stress e a correria, embarcamos numa relax, numa tranquila, numa boa. E depois de uma eternidade, às onze e meia da manhã de sábado (duas e meia da tarde aí no Brasil) estávamos desembarcando no aeroporto internacional de Charlotte, com todas as nossas malas. A operação foi um sucesso.

Nova Lua de Mel

É assim que gosto de encarar esta aventura em Charlotte.

Vida nova, mais um grande passo rumo à felicidade.

Desde nosso casamento em agosto do ano passado, muitas coisas aconteceram, muitos sonhos se realizaram... nosso disco quase pronto, meu livro pra ser lançado, minha conclusão do curso de Letras e a transferência do Bruno para Charlotte.

Que outras histórias nos esperam? Que sonhos ainda serão realidade?

Confira neste blog!!!!