Era noite, eu falava com um amigo coisa qualquer por
telefone, quando presenciei do outro lado da janela a cena mais chocante do
dia. A luz da cozinha atraía naturalmente os insetos, que tontos, davam cabeçadas
no vidro, como murros em ponta de faca.
A voz do meu amigo desapareceu bem quando o grilo surgiu. Veio de
um salto na escuridão, em direção à luz. Tuc. Bateu na janela e foi logo amortecido
pela teia, que chacoalhou ativando os instintos assassinos da obscura operária.
Com agilidade hostil, a aranha avançou. Embrulhou o animal, girando-o entre as oito patas peludas. Foram duas ou três voltas em
menos de uma fração de segundo.
Mas o grilo, bem diante dos meus olhos – sua cabeça grande, olhos
compostos, longas antenas e pequenas pinças bucais mastigadoras – não estava
disposto a morrer. Escapou da teia, deixando para trás uma de suas pernas
traseiras, que a aranha agarrou como um troféu, e depois devorou, com gosto, em sua
ceia.
Do lado de cá da janela, ouço a voz do meu amigo. Súbito fade
in nos meus ouvidos. I'm sorry, what did you say, eu perguntei, sem lhe contar do trágico
espetáculo que tinha visto.
3 comentários:
grilo danado esse! a coragem em pessoa... é desesperador mesmo ser devorado por uma aranha...ui! vc ficou olhando até o fim,??? Espantoso... eu teria fechado os olhos em menos de um segundo... linda...
Moral da estória:Nào entregue os pontos, não e amedronte seja lá qual for o tamanho e fúria do seu adversário, lute, lute e tudo pode acontecer até mesmo vc se safar com nosso herói da saga...
Eu fiquei olhando sim, Cris, junto com o Yuri e a Alice que acompanharam a ceia na teia por Facetime.. Hehehhe....
Sim, mamis! Mas não se esqueça que há uma outra moral nessa história. A da aranha. Ei-la: mais vale uma perna na mão do que muitas pulando.
Beijos meus amores, obrigada pela visita voltem sempre e comentem.
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