segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Estrondoso Final de Dois Mil e Treze no Brasil

Meu amado irmão Gu, com sua esposa Amanda e o pequeno Nick no colo! 

Enfim, resta-me uma fresta de tempo pra registrar as últimas aventuras em território nacional e já vou dizendo: não foram poucas, nem amenas. Fortes emoções, agonizantes imprevistos, todo tipo de espetáculo -- do barraco ao show de rock -- mas todos com final feliz!

De Charlotte a Miami, e de lá pra Curitiba, chegamos no Aeroporto Internacional Afonso Pena às seis da manhã. Passamos pela imigração e fomos interceptados pela receita federal. É de vocês essa mala? Sim. Temos que abri-la. Vocês estão trazendo algum produto orgânico? Acho que não ou Não que eu lembre. Depois de vasculhar nossa mala, a moça foi ficando nervosa por não encontrar a coisa que o raio-x tinha acusado. O Bruno então lembrou-se de uma pêra que trazia na mochila; ele disse Moça, tem essa pêra que eu trouxe de casa e esqueci de comer. A moça parou a fuçação aliviada, claro, só podia ser a pêra. Mesmo que estivesse na mochila, e não na mala interceptada, só podia ser a pêra. Tirou da gaveta uma faca ordinária, dessas de serra e cabo azul, partiu o fruto em dois, e esborrifou uma tinta rosa em cada metade. Respondendo ao nosso olhar intrigado, disse que fazia isso para evitar afrontas; outros passageiros já sugeriram que ela aprendia os produtos para comer depois, Vê se pode?, e nos fez assinar um papel da execução sumária da pêra e fomos liberados.



É sempre um triunfo atravessar aquelas vitrines automáticas que dividem o público dos viajantes, e ter como pano de fundo um fabuloso mural de azulejos do Poty. À medida que assomamos vamos discernindo as caras e os sorrisos ansiosos dos que esperam alguém chegar. A hora mais feliz é quando localizamos os nossos adoráveis, ah, os corações palpitam! E depois de abraços e beijos cheios de saudade no saguão, vamos pagar o tchíquetchi de estacionamento conversando amenidades da viagem.

Pôr do sol depois da chuva em Curitiba
(vista da sacada do apartamento da tia Cati e da vó Rosa)


Percorremos tranquilamente a Avenida das Torres vazia, e mais ou menos reformada. As obras foram abandonadas pela metade por falta de pagamento do governo à empreiteira responsável, o Oráculo das Araucárias (vulgo Ivo) nos informa. Sem dúvidas, chegamos ao Brasil. O Brasil dos trambiqueiros, das obras inacabadas, das favelas maquiadas, dos vendedores de Gazeta nos sinais... enfim! É bom chegar em casa!

Deza e a namorada da vez, Vina, Yan, Babi, Diego, Debi, Cris, Bruno e Bozo

Chegamos chegando, aniversário, boas vindas, dia de festa! O almoço com a família foi excelente, Porco no Rolete, e de sobremesa o bolo famoso de mamis, e depois foram chegando os amigos e a festa foi ficando cada vez mais animada!

Arte de Fabiano Vianna para o show dos Criaturas.
Show com Gianninis, Cosmonave, Criaturas e o Escambau.

Até que o primeiro ensaio dos Criaturas depois de 11 anos sem tocar juntos foi melhor do que todos imaginavam, e mesmo com o impacto emocional do imprevisto que interrompeu a festa e rendeu olho roxo, boca inchada, unhadas e arranhões e hematomas no braço, tudo simplesmente transcorreu da forma como deveria ter sido. A festa sim, na hora perdeu a graça, mas nem tudo estava perdido!


Zé, eu e Deza. Babi não apareceu na foto!
Ensaio único e geral dos Gianninis: let's rock!


Os dias passaram cheios de compromissos, como é de costume no Brasil. Os ensaios diários dos Criaturas foram ficando cada vez melhores, e nos dando mais confiança. E em somente um ensaio, os Gianninis também acertaram as 6 músicas que abririam a noite. E nenhum show seria um fiasco. Na verdade a gente já tinha desencanado: o que importava era a festa. E que festa. Bar lotado. Público animado. Todos sabiam nossas músicas de cor, melhor até do que nós mesmos. Todos dançando e cantando e sim, chorando, rendendo homenagens ao Rafa. Foi lindo! Tantos amigos que revimos...  uma noite memorável!

Meu sobrinho Yan no show da Cosmonave


O Natal entretanto foi um pouco estranho, a gente no afã de estar em todas, acabou não curtindo bem nenhuma festa, apesar é claro de termos enchido a pança (e a cara) com as mais deliciosas especiarias natalinas, como reza a tradição.

Caetano, Fátima, Ivo, eu e Bruno posando para a tradicional foto natalina!

E com a notícia indigesta da cirurgia do meu irmão, eu não estava muito em clima de festa... no hospital eu não parava de chorar, e realmente o caso era complicado como meu coração sentia, mas depois o visitei na UTI, lúcido, um pouco abatido, mas fazendo piada de si mesmo, eu pensei Deus, será que era preciso tanto drama, mas só pensei, não questionei porque sim Deus escreve torto por linhas certas, ou escreve certo por linhas tortas, não importa, o que importa é que estamos vivos, e vivos, nos amamos!

Mamis feliz com sua prole toda reunida!
Cris, eu, Tati, ela, Vini, Amanda, Gabi, Luiza e Gu.

O calor escaldante foi amenizado com cerveja, ventiladores, banhos de piscina no clube, e até um passeio no Rio dos Papagaios. Na volta pegamos aquele trânsito infernal de férias de verão paranaense: o oeste do estado em peso rumo às praias, e nós ali, afunilados. O Rio dos Papagaios pra quem não sabe fica entre Curitiba e Ponta Grossa: foi ali que eu e o Bruno nos conhecemos de verdade. Foi ali que tudo começou. E por tudo isso foi um pouco decepcionante chegar no nosso "santuário" e ver ele coberto de cocô de cabra e de bosta de vaca.



A hora dos bois beberem água.

Além do mais o rio estava seco, a água parada, quente, meio morta... e para completar, a gente tomando banho avista aquela cena surreal, bois e vacas surgindo no horizonte, avançando no pasto em nossa direção. Mugiam bravamente seus longos e monótonos emes e nos encaravam. Mmmmmm! Mmmmmmm! Ficamos imóveis, a Cris quase entrou em pânico, até que eu e Cecília amansamos os bovinos que por sua vez não quiseram papo, mas nos deixaram passar, em paz, rumo à beira da estrada. Que aventura.

Eu e a Cris no Largo da Ordem, visitando a Feirinha Hippie e depois a mesquita.

Ano Novo foi uma grande festa, os fogos só que deixaram a desejar -- acho que a queima de fogos desse ano refletiu a crise econômica que nosso país atravessa e que o governo em vão tenta maquiar -- mas a gente festou até seis e meia da matina e só não vimos o sol nascer porque pra variar, em Curitiba, quase todo dia amanhece nublado.

Vini, Nick e tia Panda e um ex-bolo de cenoura.


Nossa volta dia dois de janeiro foi tranquila, paramos em Miami para uma noite romântica de despedida de férias, ficamos num hotel em South Beach, à beira mar, e nos sentimos roubados num restaurante na Ocean Drive (noventa dólares por uma margarita!, mas pelo menos ela nos rendeu 150 milhas no cartão). A margarita me deixou zureta e eu perdi minha ID, aí de manhã a primeira coisa foi ir no departamento de polícia registrar o documento perdido, mas o policial disse que não, que bobagem, não precisava, então alugamos uma bicicleta e fomos passear até a hora de voltar pro hotel e fazer as malas.

Rolezinho de bike em Miami.
Chegamos em Charlotte e nosso carro não funcionava: tínhamos esquecido o farol aceso. O frio que fazia drenou toda a bateria. Conseguimos com que o pessoal do estacionamento fizesse uma chupeta e chegamos em casa sãos, cansados e salvos! Agora era só desfazer as malas, lavar um mundaréu de roupas e se preparar porque segunda já começava a lida. Assim é a vida! Que 2014 seja um ano mais aprazível e que as tretas de dois mil e treze fiquem por lá mesmo, no passado, amém!

E que meu irmão se recupere e que, junto com o seu, nossos corações se renovem! E que nossa família maravilhosa continue exercitando diariamente o perdão e o amor que por muito tempos nos recusamos a praticar.

E finalmente que os meus adoráveis Sogrão e Fatiminha continuem cada dia mais porretas, sempre nos recebendo com tanto primor, e cuidando de nós, e me aninhando no seio desta família linda que eu tive a sorte de fazer parte! Obrigada por tudo.

Famíias! Eu amo vocês!

3 comentários:

Ivo disse...

Pandinha linda!

Que coisa boa ler o teu blog de novo! Não deveria nunca ficar meio que abandonado por tampo tempo. Encontre mais tempo para nos deliciar com os teus textos primorosos.

Pode saber, nós SEMPRE vamos receber vocês com o maior amor, que é o que mais importa. O primor e a aninhada no seio da família são meras consequências!

Beijão do Sogrão

Má Zagonel disse...

Já estamos com saudades :/

Panda Lemon disse...

Sogrão querido! É verdade que eu não deveria ficar tanto tempo longe do blog... mas eu sou muito sem-vergonha e preguiçosa! E às vezes nem é falta de tempo, mas de inspiração, hahaha! Obrigada pelo carinho, beijos mil!

Má, nós por aqui também já estamos com saudades! Aguardamos sua visita, venha logo! Bjos mil