quinta-feira, 3 de novembro de 2011

TODAY I WOKE UP KINDAKINK!

Há algum tempo atrás, quando ainda não fazia ideia de que iria presenciar um show tão arrebatador do Ray Davies, participei de uma daquelas brincadeiras inúteis de mural de facebook, em que você escolhe músicas de seu artista preferido para se descrever. Eu escolhi THE KINKS. Ei-la:

Você é um homem ou mulher: Little Women
Descreva-se: I'm Not Like Everybody Else! I Am Free, a Phenomenal Cat, and sometimes a Dedicated Follower of Fashion
Como você se sente: There's Too Much on My Mind
Descreva o local onde você vive atualmente: Dead End Street
Se você pudesse ir a qualquer lugar, onde você iria? A House in the Country in The Village Green Preservation Society at Oklahoma U.S.A.
Sua forma de transporte preferido: Gotta Get the First Plane Home
Seu melhor amigo? A Well Respected Man
Você e seu melhor amigo são: very Fancy
Qual é o clima? Sunny Afternoon
Hora do dia favorita: Till The End Of The Day
Se sua vida foi um programa de TV, o que seria chamado? Where Have All The Good Times Gone
O que é vida para você: Time Will Tell
Seu relacionamento: You Really Got Me
Seu medo: It's Too Late 
Qual é o melhor conselho que você tem a dar: The World Keeps Going Round
Pensamento do Dia: Get Back in Line
Meu lema: Got to Be Free



OH, YES IT IS! 

Meu coração estava cheio de certezas ontem antes do show: uma delas dizia que seria um saco ficar ouvindo a banda de abertura e esperar a hora do Ray Davies subir no palco. Eu estava redondamente enganada. The 88 não só abriu o show com músicas próprias maravilhosas, como demonstrou uma competência sonora que eu só vi nos shows do Supergrass e do Paul McCartney. Eu, na minha já conhecida ignorância e prepotência musicais (geralmente as pessoas ignorantes são as mais prepotentes, notaram?) não sabia que a banda era, de certa forma, um novo The Kinks: a banda de apoio do Ray.  


ALL THE GOOD TIMES RIGHT HERE IN CHARLOTTE!

Lá estava eu com meu marido, um livro da Opereta, um CD dos Criaturas, camiseta da Giannini, lencinho no pescoço, chapéu coco e um cartaz: YOU REALLY GOT ME! FROM BRAZIL JUST TO SEE YOU! Of course vocês vão dizer que mentirosa, ela mora lá, nem foi só pra ver o Ray Davies. Oh well. Fodam-se vocês que me condenam. Se existe essa coisa de predestinação então o motivo musical maior de eu ter vindo morar pra Charlotte foi a noite de ontem. Paul que perdoe, mas é que os shows do Filmore são assim, tão emocionantes porque mais intimistas. 

HE IS NOT LIKE EVERYBODY ELSE, INDEED.

Meu coração disparou com aquele mi menor rasqueado das mais agudas pras graves. Um Filmore ainda tímido, só eu mais meia dúzia de fanáticos cantava a plenos pulmões completamente convencidos de que nós éramos diferentes dos demais. Justamente era com essa música que abríamos tantos shows dos Criaturas. A emoção só éstava começando. Depois de I'm Not Like Everybody Else ele cantou Waterloo Sunset e poxa vida, eu soluçava, eu chorava tanto, tanto, mas tanto, que o Bruno ficou com vergonha e disse: behave! Waterloo Sunset foi o pôr do sol mais lindo que já ouvi. Um pôr do sol cantado por Ray Davies no Dia de Finados e todas as metáforas do mundo se desfizeram em lágrimas. Eu estava chorando, mas estava feliz. Eu podia chorar e lavar a alma assim em show do Ray Davies uma vez por mês e viveria feliz para sempre, como nos contos de fada.

Eis que depois de ser ovacionado, Ray chama os meninos da The 88 e canta uma canção nova que dizia It's Here That I Belong - ou algo parecido. Tudo fez tanto sentido, aquela sonzeira, o rock, claro que ele queria dizer. Adoro um banquinho e um violão, mas com banda é tão mais rock'n'roll, é tão mais o que eu soul.

TILL THE END OF THE DAY


Behave? Em show de rock? Tst. Levantei minha bunda da cadeira pra buscar uma cerveja, e nunca mais sentei, porque depois de Till the End of the Day veio uma emendada atrás da outra, eu dancei e cantei e me esguelei e tanto, sem me importar com a voz rouca no dia seguinte. Queria que o Ray escutasse meus backings. Estavam lindos! Tanto que o cara da mesa de som virou pra trás em Sunny Afternoon e me elogiou. Notando seu British Accent, perguntei em lágrimas (claro que eu chorava enquanto cantava) se ele não entregaria o cartaz que fiz com tanto carinho pro Ray. Ele disse claro que sim! E de quebra, demos o CD e o livro da Opereta. E o Bruno, enquanto eu tietava os The 88, ficou cuidando pra ver se o técnico não ia esquecer o cartaz e o material ali no chão, onde ele tinha deixado até terminar de desligar os equipamentos. Felizmente, o cara saiu da cabine com o cartaz, o livro e o CD embaixo do braço!!!

WE REALLY GOT HIM!

Ao fim do show a tímida plateia não queria deixar o Ray ir embora. Ele voltou duas vezes. O primeiro bis foi pra tocar You Really Got Me. Depois ele tocou David Watts e umas tantas outras que eu não lembro. Eu estava em êxtase. No fim do show conversamos com a banda de apoio, além de lindos e talentosos, os meninos eram muito simpáticos! Compramos dois discos da banda, ainda não ouvimos tudo, mas o que já escutamos agradou-me muito. Recomendo.

Infelizmente, não falamos com o Ray, mas afinal! A Well Respected Man como Ray Davies já seria importunado por uma fila de fãs que o aguardavam ansiosamente no lado de fora do Filmore Theater... e já tínhamos conseguido entregar disco, livro, cartaz, pro cara do som. Os meninos da banda quando me viram falaram: you were the girl with the sign, right? Então eu consegui muito mais do que eu queria: além de me fazer notar em um bom show de rock, fiz novos amigos (todos se comoveram com a minha comoção, tiravam foto de mim com o cartaz, bla bla bla), e de quebra uma banda nova que preste!

THERE IS TOO MUCH ON MY MIND

Uau. Foi demais. E tudo que eu disser aqui será uma mera descrição inútil. Foi muita emoção. Uma emoção monstra. Emoção um grau além. Melhor mesmo só se TODOS vocês estivessem aqui com a gente.

*Não anotei o set list e pra variar não tem nenhuma review do show nos jornais charlatões de Charlotte. Mas estão aí destacadas algumas canções que lembrei de cabeça. O show durou aproximadamente duas horas, mas ecoará para sempre aqui na caixa acúsica retumbante do meu peito: tum tum, Ray Davies, Ray Davies, Ray Davies, tum tum... Ray Davies, tum tum...

3 comentários:

Ivo disse...

Noooossssaaaa!

Sogrão

Ivo disse...

Nooooossssaaa de novo!
Fatimins

Panda Lemon disse...

Noooooooooooossssaaaaaa pela terceira vez!

Ainda estou em êxtase do show.

Aaaaahhhh!