sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Confissão


Mensagem de S. F. Aqui estão as fotos daquele dia! Que fotos? Que dia? Que tipo de carência alguém precisa sentir pra abrir as fotos daquele dia inexistente, mandadas por um desconhecido? A internet é uma rede de solidões. Deleto. Belk lowest prices. Imprima o cupom. Tudo com cinquenta por cento de desconto. Chegaram novos vinhos na adega do World Market. Perco a paciência, seleciono tudo. Plim! Deleto.

Abro twitter, orkut, facebook, meu blog. Em cada site um eu diferente. Muitos eus que eu construo, e atrás dos quais meu verdadeiro eu se esconde. Não me culpo. Finalmente, eu creio, é dado ao homem – ao menos aos que têm acesso a essas redes sociais – o poder de decidir o que de si se quer mostrar, ou melhor, o que faz questão de aparentar ser. 

Crio cada perfil com esmerada criatividade e sofisticação; uma dose de humor, outra de insolência, um certo despudor e um rigor calculado com as palavras. Essa sou eu, muito mais interessante na net, e talvez, ainda que para poucos, não menos interessante na vida real. Na vida real tudo é mais complicado, mais cru, menos glamour. Na vida real não podemos bloquear ninguém, nem deletar spams: vizinho pentenlho, carros de sorvete, ligações de telemarketing, junk mail, nada disso é evitável. 

Eu gosto da minha vida virtual. É puro narcisismo – ainda que  infundado. Meus perfis são fruto de um ego imensurável que venho alimentando desde que descobri o talento sagaz de me construir virtualmente. Em pixels, html, nessas linguagens estranhas, parece tão mais fácil de expressar mentirinhas! Aludo-me ao mundo apenas em parcelas ínfimas. Fragmentos de realidade manipulada, que eu mesmo leio e acredito.

A vida que aqui está é a vida que eu quis dividir com vocês, leitores assíduos ou audiência imaginária. Isso não faz da minha vida uma farsa, mas tão pouco uma verdade absoluta. Ora, as coisas que eu omito diriam muito mais sobre mim do que todos os mil milhões de caracteres presentes nas trezentas postagens, nos três mil e tantos tuíts, nas atualizações de perfil e status. E ainda assim, eu me perco por horas escrevendo, lendo e me admirando. Como eu sou linda, como eu sou criativa, como minha vida é boa, como eu escrevo, enfim… como eu rezo bem esse rosário de filosofias baratas.

Eu sou muito convencida! Meu ego não cabe em mim, e por isso eu preciso esparramá-lo aqui e ali… onde não vou incomodar ninguém, a não ser aqueles que se dão o luxo de serem incomodados. 

2 comentários:

Ivo disse...

Pandinha linda

Quando eu crescer vou querer escrever tão bem quanto você. Uma delícia te ler.

Sogrão

Panda Lemon disse...

=D
Eeee!
Sograo de volta à pole position!!!

\o/