segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Por que não me ufano (muito) de meu país...

Bom... primeiro porque no dia do meu aniversário (15 de dezembro), quem ganhou um presentão foram os deputados e senadores, que se auto promoveram num aumento de 61,8% em seus salários. O único partido que foi contra à resolução absurda foi o PSOL.

Dois dias antes do Natal, foi publicado um relatório de desmatamento ilegal na Amazônia. Houve um aumento de 548% na degradação florestal, somando 188 quilômetros quadrados na região de Rondônia. Em 2009 a degradação somava 29 quilômetros quadrados. E quem é que vai fazer alguma coisa? Lula não fez. Dilma fará?

E o Ministério do Meio Ambiente já havia constatado em junho que o desmatamento no Pantanal era maior que o da Amazônia! 

Uma pesquisa do IBGE mostrou que o número de domicílios vagos no Brasil seria suficiente para resolver o atual déficit de moradia do país, e ainda sobrariam casas. E a pesquisa não conta as casas de veraneio que passam inabitadas a maior parte do ano.

Tiririca é eleito para o congresso nacional com mais do dobro de votos do segundo mais votado... palhaçadas por palhaçadas, pelo menos ele é um palhaço profissional. Mas discordo de sua campanha:  com ou sem Tiririca, pior que isso sempre fica...

Dia primeiro de Janeiro de 2011, ao acompanhar a cerimônia de posse, divaguei abertamente no facebook: se a nossa presidenta for tão competente quanto é elegante, então estaremos todos perdidos!

A violência no Rio sendo abusivamente "erradicada" com mais violência. Tapa-se o buraco, que é muito mais embaixo, com a peneira. O problema do tráfico de drogas não é somente as drogas, nem só falta de oportunidade... mas a facilidade e a comodidade do "emprego." Pra que estudar, trabalhar em empreguinho meia-boca, quando se pode fazer fortunas mandando no morro e trabalhando quando bem quer, no conforto de suas mansões na favela? 

A crise brasileira é a pior de todas: é uma crise moral. Bolsa família é importante, mas pouco ajuda neste quesito. A moral de um país não se levanta com poder aquisitivo para consumo. Nem com taxa de mortalidade caindo, e nem com nenhum dado apenas quantivamente calculado. A moral de um país só se levanta quando há justiça social, e as leis se fazem cumprir, e quando a educação de base - que começa na família - é eficiente.

É nisso que precisamos investir. No caráter do nosso povo... num país onde o mundo é dos espertos, quem trabalha duro é otário, e quem é honesto é o que geralmente se fode. Ah, assim não dá pra se ufanar de nada. Beijar a bandeira vira hipocrisia, e por isso é que só ostentamos nosso lábaro estrelado em tempos de copa... e falando em copa... nem isso! Dunga e sua selecinha pouco colaboraram para nos ufanarmos  do nosso gigante, que continua deitado eternamente em berço esplêndido.

O gigante tem que acordar de uma vez, minha gente... caminhar pra frente... ser um país realmente de todos, e não só dos deputados e senadores e banqueiros e dos mesmos políticos corruptos de sempre, nem só dos pobres que, como Lula mesmo um dia condenou, votam pela barriga. A história tem que mudar... precisa investir em educação. Em arte. Em cultura. Em saúde. Na eficiência das leis, na necessidade de se colocá-las em prática, e de diminuir as burocracias, os desperdícios, as roubaheiras.

Não me ufano muito do meu país porque discordo do que a grande maioria pensa: não está tudo lindo. Pelo contrário: muita atenção e cuidado são necessários neste momento. Porque esse espetáculo do crescimento de que tanto falam é uma tendência mundial terceiro-mundista, não foi mérito do Lula. E, se seguir as tendências cíclicas da história? Irmãos, lembrai-vos do milagre econômico de 70, que uma década depois não passou de uma piada sem graça!

Enfim... existem sim, muitos motivos pelo qual me ufano de meu país. Aqui resolvi escancarar o pessimismo, já que para mim o otimismo patriótico não passa de um mito, criado por um português (Vaz de Caminha,) e reencarnado por Afonso Celso, em 1900, quando escreveu um "opúsculo"com o título de "Porque Me Ufano de Meu País." Dizia ele:

"As páginas que aí vão — escrevi-as para vós, meus filhos, ao celebrar a nossa Pátria o quarto centenário do seu descobrimento. Sorri-me a esperança de que encontrareis nelas prazer e proveito.

Consiste a minha primordial ambição em vos dar exemplos e conselhos que vos façam úteis à vossa família, à vossa nação e à vossa espécie, tornando-vos fortes, bons, felizes. Se de meus ensinamentos colherdes algum fruto, descançarei satisfeito de haver cumprido a minha missão.

Entre esses ensinamentos, avulta o do patriotismo. Quero que consagreis sempre ilimitado amor à região onde nascestes, servindo-a com dedicação absoluta, destinando-lhe o melhor da vossa inteligência, os primores do vosso sentimento, o mais fecundo da vossa atividade — dispostos a quaisquer sacrifícios por ela, inclusive o da vida."

Lá ele implantou na nossa veia brasileira essa percepção de povo feliz, alegre, festeiro. Plantou o nosso otimismo, e os primeiros mitos nacionais de grandeza, de futuro promissor. E otimisticamente, declarou:

"Nenhum problema insolúvel, nenhum perigo inevitável ameaça o desenvolvimento do Brasil. [...] Apenas duas apreensões assaltam o espírito de quem medita sobre os seus destinos, se continuar a ter maus governos e instituições incompatíveis com a sua índole"

111 anos depois, por causa do meu próprio patriotismo - não cegamente otimista, mas pessimisticamente rabugento, confesso - o adjetivo insolúvel é por mim questionado. Para mim, o texto deveria ser revisto:

"Dois problemas insolúveis ameaçam o desenvolvimento do Brasil."

Maus governos, e instituições corrompidas, a começar pela mais sagrada delas: a família.

Que 2011 seja um ano de reconstrução. De celebração do caos como elemento indispensável à criação. De mais paz, de mais perdão, de mais paciência, menos consumismo, menos degradação. E principalmente para o Brasil, desejo melhores votos (hehehehe).

Não pensem que estou esnobando... que estou americanizada... que estou cuspindo no prato que comi. Não. Asseguro: amo o meu país e com muito mais conhecimento de causa do que antes. E a maior prova deste amor é a sensação de responsabilidade que tenho de representar aqui fora o que é ser brasileiro.

Pra frente Brasil! Salve a seleção! Boa sorte e punho forte à nossa primeira presidenta! 

Beijos politizados!

4 comentários:

erica_assayd disse...

Nada a acrescentar [só a refletir]... Simplesmente parabéns pelo texto! Adorei, adorei, adorei.

Ivo e Fátima disse...

Pandinha linda

Quando você resolve por prá fora, você é foda mesmo, hem?

Beijos do Sogrão.

Panda disse...

Ericaaaaa!!!! Saudades... Que bom que gostou minha prima linda! Eu tb adorei adorei adorei te ler por aqui!!!

Sogrão, queridão! Estava raivosa não... só um pouco incomodada com as notícias que leio diariamente no meu novo Samsung droid... hehehe

Ivan disse...

Xanda:

acuso recebimento desta postagem, que muito me animou, apesar de eventuais divergências.

Falando em politização, algumas coisas talvez possam te alegrar:

no Estado do Paraná, o governador eleito é do PSDB, e são 43 prefeitos pe-ésse-debistas, incluindo os de Curitiba e Ponta Grossa.
(Fonte: http://www.psdb-pr.org.br/)

Além do Paraná, o PSDB também vai governar os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Alagoas, Pará e Roraima.

O PSB vem a seguir, com seis governos estaduais. PT e PMDB têm cinco cada um. DEM tem dois, e o PMN um.

Fonte: lista de governadores eleitos em 2010 ->
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_publicacao=35119&cod_canal=21