quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Constatação

O que mudou em mim
Depois que eu me mudei?
Alguém me perguntou
Certo dia em que voltei.

Inventei qualquer resposta
Só pra não passar em branco
Mas na verdade, por enquanto
O que mudou foi pouca bosta.

Continuo a mesma pessoa
Um pouco mais velha
Um pouco mais feia
Um pouco mais gorda

Mas a mesma menina boba
Zombando dos outros
Sentindo a falta dos outros
Fazendo tudo pelos outros
Dependendo da hora.

Mas o  que mudou em mim
Não foi nada
Perto do que mudou por aí
Depois que eu vim me embora.

Por que será que quando a gente se vai
Leva junto uma ideia fixa
De um lugar que era nosso
E que idealmente nunca muda?

Aprendi estudando imigração
Que o nome dessa atemporalidade
É desculturação.

Hoje estou desculturada.
Mesmo com a globalização!
Pois por mais que eu acompanhe as notícias
E nelas eu veja que as coisas não mudam
A minha história particular
Deste lugar que sempre foi meu
Essa história, que não sai no jornal
Da vida em família
Dos amigos, dos bares
Muda revolucionariamente.

E me deixa descontente
Esta triste realidade:
Na verdade eu mudei muito pouco.
E minha ausência é um fato silencioso
Que alguns sentem, e poucos demonstram.

E quando eu volto pra aí
Eu fico no limbo
Tudo mudou
Mas em mim
Nada mudou

Dentro de mim
Esteja eu aí ou aqui
Tudo resiste à mudança.

Eu queria que meus sobrinhos continuassem crianças
Eu queria me sentar naquela mesma mesa de bar
Eu queria ter fé em Deus e no mano Mateus.

Mas o bar já não existe
As crianças fizeram filhos
As reles bandas não mais existem
E o mano Mateus virou irmão na fé de Deus.

E você, Xanda Lemos, você ainda existe?

. . .

Os meus heróis játinham morrido de overdose quando eu nasci.
Mas pelo menos, eu tirei um inimigo do poder.

. . .

Eu votei sempre no Lula.
Eu me decepcionei pra caralho.
Eu não gosto da Dilma.
Eu gosto da Marina 
Mas acredito que o Serra é a única opção.

...
Só que eu não mudo nada.
Porque eu não voto nesta eleição.

Muito triste, minha constatação.

10 comentários:

Alessandra Pilar disse...

Pole

Alessandra Pilar disse...

Pandinha, minha flor.
Te conheci depois que você já tinha ido, infelizmente. Mas pelo pouco que te conheço já sei que você pouco mudou, mas é uma pessoa como poucas. Amiga e presente, mesmo estando longe. As coisas mudam, vão e vem num ritmo que é difícil para nós. Eu me sinto zonza às vezes. Meu pequeno que acabou de chegar, já está andando, falando e sendo ele mesmo. Já dependendo tão pouco de mim, que me assusta. E é essa a vida. A gente olha pra trás e vê que o tempo passa muito rápido. Tenho 31 e não vi esses anos todos passarem. Ainda ontem era criança e agora sou mãe, como pode?
Sobre o país, resta-nos a esperança de que os votantes na Marina tenham lucidez e escolham o Serra. Por que se forem cabeça dura e votarem na Dilma estamos fritos pra não dizer outra palavra aqui. Eu acredito que ainda temos esperança. Mas nesse país que elege o "Tiririca" como o mais votado para deputado federal e por São Paulo, o estado mais rico do país, tudo é possível. Então temos mesmo é que rezar por que precisamos da ajudinha divina nesse momento político.
Bjos minha flor... saudades.
Pilar

gil disse...

=)

Eu gosto.
Beijo, Xanda.

Talita disse...

Fique triste não, Xandinha com com as mudanças pois algumas são inevitáveis.Outras vem pra melhorar, outras nem tanto...mas é assim a vida.
Sua mudança de país trará benefícios intelectuais e materiais é óbvio, mas o ônus é doloroso pra os que ficam e pra quem parte também...fica a saudade ea esperança do reencontro, a torcida pra que tudo corra bem aí com vocês e com os que ficaram...

Agora quanto às mudanças políticas, se é que haverão, sei não...pra gente aqui pouco muda...

Panda disse...

Pilarzinha!!! Obrigada petit... todos nós passamos por crises de identidade né? No caso de vcs, mamães, deve ser ainda mais vertiginoso! E seja o que o povo quiser, a voz do povo é a voz de Deus, dizem... se Deus fosse brasileiro mesmo, seria oátimo.

Beijos

Panda disse...

Gil, um beijo pra vc tb!

Mamis, querida mamis! Não se preocupe, crises de identidade à parte, não quero voltar!

Porque mesmo com todos os pontos negativos - a saudade doendo de estar longe da família e dos velhos amigos, de não ver os sobrinhos crescerem, e até o fato de se ter de abandonar a velha Xanda Lemos para me tornar "Alex" ou "Professor Zagonel", tudo tem valido a pena!!!

Beijos mami, te amo. Adorei falar contigo ontem!

Alessandra Pilar disse...

Pandinhaaaa, tem promoção no blog! Quem sabe vc não ganha e presenteia Alice???? Corre lá.
bjocas!!!!

Talita disse...

Eu é que adorei ter falado com vo cê!Hoje fiquei sabendo que a Elza mamis da Evy está aqui no Brasil.Amanhã a Tati prometeu me levar lá, pra conhecer o Robertinho e abraçar a Evy e a Elza.
bjs

André Ramiro disse...

O importante é que o sangue continua quente e esse texto merece música. bjim jim

Aluá. disse...

Ô minha prima linda!!
O tempo passa rápido demais mesmo... é assustador.
Deixar a família é realmente difícil. A gente acaba se acostumando com a rotina, mas sente falta dos momentos em família, dos detalhes.
Bom... a vida é assim né?!
Apesar de sempre termos vivido longe, adoro estar na sua presença, sinto falta dela em Curitiba.
Amo você!
Beijos.
Aluá.