segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Paul Mc'Cartney em Atlanta


15 de agosto de 2009. Acordamos depois de uma noite bem dormida e fomos tomar aquele café reforçado americano. Omelete, torrada, cereal, iogurte, frutas, wafle, pankakes - comemos muito, primeiro porque nos empolgamos com aquelas maravilhas ali dispostas na maior abundância e, segundo porque sabíamos, inconscientemente, que aquilo ali seria a nossa refeição do dia até uma hora da manhã do dia seguinte.

Chegamos no Piedmont Park ao meio dia - eu e o Bruno descemos para ir pra fila e o Ivo e a Fátima ficaram com o carro para passear pela cidade. Eles foram ao museu de arte moderna e num shopping comprar o tênis do sogrão e almoçar. Eu e o Bruno ficamos torrando no sol e sobrevivemos daquelas aguinhas coloridas vitaminadas que passavam entregando pros que estavam sendo castigados pelo calor na fila. Foram 4 horas de revezamento entre sol e sombra até abrirem os portões e a gente sair correndo pra tentar pegar um lugar mais perto possível. Graças à minha insistência para avançarmos mais e mais e mais, conseguimos ficar a uns metros do palco. Ali foi outra espera angustiante. O show do Paul seria somente às nove da noite. Lá pelas cinco e meia conseguimos nos encontrar com Ivo e Fátima. Às sete entrou uma banda irlandesa muito falcatrua e brega bragarai, aí o nosso humor - que já estava seriamente abalado pelo sol, pela fome e pela vontade de fazer xixi - foi por água abaixo.

A fila tinha lá seus atrativos!

O Bruno me olhava como quem dizia: se você não fosse minha mulher e eu não te amasse muito, provavelmente eu te mataria por ter me convencido desta ideia estúpida de ficar na fila desde o meio dia. E eu absorvendo seu olhar penetrante, dizia: Daqui a pouco o Paul chega e renova nossas energias!

Chegou a hora em que não aguentei mais de fome nem de vontade de ir no banheiro e me aventurei a sair do nosso lugar. A ida foi tranquila, não tinha fila pro banheiro, facilmente achei uma barraquinha com aquelas iced lemonades deliciosas, comprei uma pra cada um, uma água, uma coca, coloquei tudo dentro de uma caixa de papelão e encarei a aventura de voltar. O parque já estava quase lotado e ninguém queria me deixar passar para a frente. Mesmo assim, entre cotoveladas, xingões e pisões de pé, consegui achar nosso "spot" sã e salva, um pouco trêmula de fome, de cansaço, de nervoso. Mas cheguei. E o sorvetão foi uma injeção de ânimo. Depois dele todo mundo voltou a sorrir!

E o sol foi baixando, a noite caindo, o meu coração palpitando até que as luzes do Palco se apagaram, e um foco só se acendeu. No telão, ninguém mais que o Paul chegando no palco. No palco, ninguém mais que o Paul dando tchauzinho pra galera. "Hello, Georgia!" Eu não acreditei. Meu queixo caiu. Não gritei, não bati palma, não tirei os olhos dele. E foi com Drive My Car seguida de Jet que ele abriu o show. Daí sim ninguém conseguiu ficar quieto, pulamos, cantamos, gritamos, assobiamos...



Depois de anunciar que aquela noite era o quadragésimo aniversário do Woodstock ele tocou Flaming Pie. As músicas de sua carreira solo não animavam tanto o povo quanto às dos Beatles, é claro, mas ainda assim, ouviam-se muitas vozes acompanhando todas as canções. Do último disco ele tocou umas 3 canções, e nenhuma do anterior - o Chaos and Creation, o que de certa forma me deixou um pouquinho na vontade.

Quando ele foi pro piano e tocou The Long and Winding Road eu não pude conter as lágrimas. Chorei de soluçar, tamanha emoção. No telão, fotos dos Beatles ajudavam a dar aquele clima de "where have all the good times gone". Todo mundo cantando junto, e o coro era afinadíssimo, composto de cerca de 50 mil pessoas entre vovós, coroas, jovens e crianças. (xiii, será que eu , com 30, me incluo nas coroas ou na ala jovem?)



Foram mais de duas horas ininterruptas de muito rock'n'roll e nem os 20 minutos de chuva torrencial esfriaram o ânimo da multidão. Pelo contrário, foi uma bênção derramada dos céus, um banho muito bem vindo depois de todo aquele suadô da espera. Black Bird foi entoada por todos embaixo de muita chuva, após ele ter dado uma breve contextualização histórica da música, composta após tomar conhecimento da forte discriminação racial nos EUA na década de 60.

O show contou ainda com três momentos especiais: uma homenagem a Jimmy Hendrix , uma ao George Harrison (Something tocada no cavaquinho!) e outra ao John Lennon, na qual a multidão, com as mãos para cima e os dedos em V cantavam: "All we are saying is give peace a chance".

A penúltima música, Live and Let Die (antes de Hey Jude só ao piano), teve efeitos especiais de explosões, chamas e fogos de artifícios. E para uma platéia animada, um bis de três músicas (Day Tripper, Lady Madonna e I saw her standing there) não bastou, ele teve que voltar para um grand finale. Uma sequência de mais 5 canções, que incluiu Yesterday, Helter Skelter e o medley de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, seguido por "oh yeah, all right, are you gonna be in my dreams tonight", depois "and in the end... the love you get... is equal to the love you give... aaahhhhh!" pra fechar o show com chave de ouro.



Resultado: quase 3 horas de show, e sogrão e Fatiminha não acreditaram que ainda tinham fôlego pra encarar tal maratona. Pularam e dançaram tanto quanto qualquer jovenzinho ali presente. Aceitaram com naturalidade e simpatia os nossos vizinhos que puxavam um fuminho e ficaram tão extasiados e agradecidos por termos os convencido a irem no show que deu até um orgulho na gente.


Simplesmente, o melhor show das nossas vidas. Sir Paul é um popstar, e certamente sabe que todos os receios que tinha quando compôs "When I'm 64" (will you still feed me, will you still need me when I'm 64?) não se justificam. Com 67 anos ele ainda arranca gritinhos histéricos das cocotas e sabe que sim, hell yes mil vezes sim, a gente ainda precisa dele!

Para acessar o setlist do show, clique aqui. Assim que eu editar os filminhos, vou postá-los aqui. Por enquanto pode se deliciar com este que achei no youtube.


11 comentários:

Alessandra Pilar disse...

Ráááá... ganhei do Sogrão! Nem acredito!!!!!!

Alessandra Pilar disse...

É, pra gente que aguarda o momento tão especial fica ainda mais gostoso a espera depois de ler teu post. Que delícia Panda, emoção total. Sabia que seria espetacular como foi. Eu to pronta, e espero que os shows aqui no Brasil se confirmem mesmo. Esse eu não perco, faça chuva ou faça sol. bjos amada

Panda disse...

Pilar, sem dúvida alguma é um show imperdível e que vale a pena esperar e pagar por cada centavo.

E apesar de eu ter me esforçado, é impossível traduzir em palavras tudo que foi o show. Só mesmo presenciando o espetáculo pra saber.

Em breve os relatos de Las Vegas, Grand Cannion e o Love.

Beijos, gatam!!! Saudades de tu tb!

Flávio Jacobsen disse...

Maravilha!

Talita disse...

O que não fazemos pra ver um idolo, não é?Passar fome, calor,levar chingos, pisões no pé, tomar chuva, fuminho por tabela, vale tudo pra depois nos derretermos em lágrimas de legítima devoção!Imagino que muito mas muito lindo mesmo o show, ele aparece numa foto aí com o Baixo que tem uma réplica igualzinha lá no Hard Rock Café em NY!!!Eu tirei uma foto desse baixo, olha lá no meu orkut...
Eu ia chorar o tempo todo no show...Vcs são felizardos mesmo!
...(suspiro), rsrs...vou no próximo, podem apostar!

When I get older loosing my hair...

Ivo e Fátima disse...

Pandinha

Sogrão em Indianapolis respeitosamente reconhece a derrota para a Pilar - mas hoje não teria nunca como ganhar, afinal passei o dia ou em aeroportos, ou voando ou em reuniões. Agora que sobrou um tempinho para ver a postagem da qual tanto já comentamos ao vivo.

Beijos

Sogrão

Panda disse...

Valeu Flavião! Cara, acredite ou não, o primeiro colega que fiz na universidade é um americano que estudou em Curitiba e conhece o famoso "Flavio Jacobsen", hehehe...

Mami! Acho que esse azar de pegar muito sol e muita chuva sem comer nada nem ir ao banheiro é totalmente atribuído a mim. Eu só fiz isso duas vezes na vida, de me sacrificar numa fila ou pra comprar o ingresso ou pra garantir um bom lugar: a primeira no show do Chico Buarque e agora no Paul. Mas só por eles mesmo, mais ninguém. os outros shows legais que fui cheguei até além da hora prevista pra nao correr risco de pegar fila. Mami, tudo indica que ele vai pro Brasil em breve, não perca por nada nesse mundo, vale muito a pena, muito mesmo!

É Sogrão, mas a Pilar merece!!! Afinal suas últimas poles foram muita moleza. Vc ali na outra sala me ouvindo digitar era de se suspeitar que iria dar uma conferidinha no blog, just in case... hehehe...

Talita disse...

Vou fazer de tudo pra ir, mesmo só não vou torrar ao sol na fila, rsrs...
Foi no meu orkut conferir a foto do Baixo do Paul que tirei em NY?
E o que vcs farão no niver do Bruno, vai ter festa?
Que presentão pra ele heim papi e mami pra dar colinho...
Vcs foram pra Nevada de carro?Qtas horas de trajeto?Fizeram o mesmo caminho que os pioneiros né?
Diz pro Bruno que desde já que eu quero tudo de bom, todo sucesso que ele merece e muita saúde e amor ao lado da filhinha mais doce e meiga que eu tive!

bjs quadruplos!

Tete disse...

Oi Xanda...fazia tempo que não escrevia, mas , lia...
O show deve ter sido maravilhoso! Ainda bem, pois a espera foi sofrida!
Gostaria muito de presenciar meu irmãozinho dançando animado no show....acho que esta cena eu nunca vi! rsrsrsrs
Saudade de vocês!
Beijos

Flávio Jacobsen disse...

Deus do céu, Xanda, cê acrdita quando vc falou que tava em North Caroline a primeira coisa que pensei, mas beeeeeeeem vagamente foi no Jason? Eita mundão pequeno, hein? ele é de História, estudou na reitoria aqui e tal. Lembro que eu curtia ficar no boteco com ele praticando inglês noite adentro, quando eu tava estudando no Celin. E era muito legal. Ele fala português super bemn, também. Nossa, ele é muito louco, não dê bebida a ele. Cachaça nem pensar! hahaha. manda um abraço! Que legal essas coisas desse mundão de nosso senhor, hein? Tudo de bom, neguinha. Vai firme aí, gênia da raça!

Tati Lemos disse...

So tenho uma coisa a dizer...
doo...