quinta-feira, 19 de março de 2009

Sobre as Pessoas de Charlotte


Quem nos conhece sabe o quanto a gente repara nas pessoas a nossa volta. Que coisa feia, ficar reparando nos outros. Mas vamos falar a verdade, né: a gente adora comentar a vida alheia, falar mal dos outros, achar defeitos, dar opinião onde não é chamado. É quase uma necessidade humana. Hehehe... Bem, depois de um mês e alguns dias de observação, eis a conclusão a que chegamos.

As mulheres de Charlotte não seguem o profile americano de pouca bunda e muito peito. Aqui elas têm quadril, são bonitas, e raras são as muuuuito peitudas, ou queixudas demais. Tem muita mãe gostosa, magrinha, malhada. E é frequente vê-las guiando com seus maridos no banco do passageiro.

Já os homens são muito feios. Muitos parecem ter síndrome de down, com os olhos puxados e aquele olhar meio tonto. Eles andam largados, com as roupas amassadas, pelo menos os que são solteiros. Os casados são mais arrumadinhos. Mas igualmente feios.

Com os negros, o Bruno está revoltado. É que aqui eles parecem mesmo ser meio sem noção. Longe de ser racista, amo os negros, os brancos, os amarelos e os latinos, sou pela paz e absolutamente! Não trago comigo nenhum preconceito racial. O próprio Derick, um amigo do trabalho do Bruno, que também é negro, foi quem nos chamou atenção para isso.

Eles são geralmente mal educados. Vi algumas vezes jogarem lixo no chão, um deles inclusive se deu o trabalho de enfiar bem enfiadinho uma garrafa de refrigerante no meio do arbusto da praça. Daria menos trabalho dar cinco passos e jogar a garrafa na lixeira.

No cinema uma mãe, com seus dois filhos do lado, não parou de passar mensagens de texto durante o filme todo, sendo que na porta tem um aviso bem grande: TURN OFF YOUR CELLPHONE. NO TEXTING! E este aviso é reforçado antes do filme começar. Realmente incomoda ver uma luzinha piscando do meio da escuridão. Além do que, o que ela está ensinando aos seus filhos? Não obedeça as regras, as regras são para otários. Tsc tsc.

Por fim, 99% das negras alisam alisam alisam, esticam até não poder mais os seus cabelos, e algumas até tingem de loiro. E andam super produzidas, geralmente com roupas um ou dois números menores do que deveriam vestir. Mas é claro que existem excessões. E que também têm brancos porcos, amarelos mal educados, latinos sem noção... somos todos iguais. Mas sempre uns serão mais iguais que os outros.

No trânsito, não importa sexo, raça ou credo. Muita gente não tá nem aí pra semáforo ou limites de velocidade. Mas incondicionalmente, se tiver um pedestre, eles diminuem a velocidade e o esperam passar. Pelo menos isso!

Já os latinos são os que se ferram mesmo. São os que estão limpando o chão, as mesas, tirando o lixo, carregando caixa. E trabalham, como trabalham!

Os brasileiros que até agora conhecemos são gente fina. Pais de família, todos mais velhos do que nós e com bons empregos. Ainda bem, pois no Colorado, algumas pessoas já sabem, fiquei com vergonha de ser brasileira. Enfim. Estes são os profiles que temos reparado desde que chegamos, há um mês e meio atrás.

O mais difícil pra gente aqui é não ter família, ou nenhum amigo de verdade. Somente essas relações superficiais, quase "fakes", com um limitadíssimo grupo social que se resume a brasileiros que nunca conhecemos antes e o pessoal do trabalho do Bruno. E a vida sem vocês é triste, incompleta, não faz muito sentido...

Analisando nosso comportamento, sinto que ambos (eu e Bruno) estamos segurando a barra, mas um fazendo mais esforço que o outro pra demonstrar que tudo vai bem, obrigado, quando na verdade o vazio é devastador.

Bem, ante-ontem nós tivemos nossa primeira briga num restaurante irlandes, então nossas comemorações do St. Patrick's Day foram meio indigestas. Por motivos tão bestas. É o nosso emocional, começando a desabar. Normal.

Mas não é uma boa brigar numa hora dessas, em que você não tem ninguém pra conversar e fingir que não tá nem aí, até esquecer. Ficar de cara amarrada por cinco minutos quando só se tem um ao outro, pode parecer uma eternidade. Daí fizemos as pazes. E voltamos pra casa apenas com a comida entalada na garganta, o resto, a gente já tinha botado tudo pra fora no resturante. Melhor assim!

Saudades imensas de vocês!

12 comentários:

Alessandra Pilar disse...

PRIMEIRONA... RÁÁÁÁÁ!!!

Alessandra Pilar disse...

Pois então, menina. Agora já com o primeiro lugar assegurado, volto para comentar o post.
(Desculpa lá, Ivo, foi irresistível!)
Mas ficar longe de casa é um pouco assim mesmo, a gente se sente fora do berço, das raízes. Outro dia conversando com uma prima que mora no Espírito Santo ela me disse a mesma coisa, que sentia como se estivesse fora do lugar dela. E olha que ela está no mesmo país. Imagino como deve ser estranho estar tão longe em um lugar estranho. E briguinhas são absolutamente normais nesse caso. As emoções estão à flor da pele e a gente acaba jogando em cima do mais próximos, e como vcs estão sós por aí, vai acabar sobrando pro outro. Mas é uma fase de adaptação ao novo que logo passa. E ainda bem que deixaram a briga no restaurante, pois ruim é levar a encrenca pra casa né? hehe.

bjinhos e estamos aí.

Ivo e Fátima disse...

Pandinha

Primeiro de tudo, como bom esportista, minhas congratulações à Pilar!

Agora ao que interessa. Provavelmente nem na Suíça (ou no Canadá... )deixaremos de encontrar pessoas mal educadas e que não respeitam aos outros. Em alguns locais mais, em outros menos. Coisas inerentes ao ser humano.

Essa primeira pequena crise é totalmente normal, todos os "expatriados" passam por isso. O que os diferencia é a maneira de combater toda essa situação, e tenho certeza que vocês dois estão entre os mais fortes e capazes de a superar e seguir em frente. O vazio é devastador, sem dúvida, mas a união de vocês o vencerá, e em alguns meses estarão rindo do sofrimento de hoje.

Com todo o teu carisma, Xandinha, e com a mudança para a casa nova, vocês certamente começarão a se integrar perfeitamente à nova sociedade. Novos amigos logo chegarão.

Beijso do Sogrão!!!

Tete disse...

Oi Xanda!

Não tenho sido tão assidua, pois tenho trabalhado muito e até tarde!
Mas, quando posso, estou lendo e me interando das novidade.
Nossa, as negras de cabelo loiro devem ser de espantar qualquer um na rua...
Com certeza vcs dois vão se adaptar e muito bem por aí...só ter um pouco de calma.
Beijos

Panda disse...

Pilar! Parabéns pela pole! E obrigada pelo apoio.

Ifinha, vc tem razão... nosso amor supera o vazio! Mas as vezes quando o amor está magoado (felizmente isso é raro em nosso relacionamento) a gente nota que o vazio está lá, incomodando, e as pessoas que poderiam preenchê-lo estão longe, em outro continente.

Teté, entendo a correria... mas se quer um conselho, não se mate de tanto trabalhar. Não vale a pena! A gente aí no Brasil vive pro trabalho e a recompensa geralemtne é só stress. Dinheiro a mais, que é bom, nunca vem. Hehehe... beijos

Anônimo disse...

Xanda, o sentimento de vazio é mesmo grande quando estamos longe das pessoas com as quais nos indentificamos. Se eu tivesse pelo menos duas amigas no ES (para ter salvação quando uma tivesse de TPM, hehehe) até Jacaraípe teria sido bom. O que adianta morar na praia e não ter uma amiga para sentar na areia e falar da vida dos outros, pq a nossa vida não diz respeito a ninguém, hehehe!

Bjs Evi

Panda disse...

É verdade, Evi!!! Hehehe... beijos

diva disse...

Xanda Querida.
Na vida tudo passa,eu posso falar de cadeira.Pense quando a Bernadete foi sosinha para Paris.Chorou muito e acabou ficando e adorabdo.Voce esta em melhor situaçao pois esta com o teu amor.Beijos carinhosos da vó Vivinha.

Panda disse...

Obrigada pelo conforto e carinho, vó. Bjos.

Anônimo disse...

Xanda fiquei pensando sobre o fato de ter sentido vergonha de ser brasileira. Será que foi pela grande quantidade de brasileiras que trabalham como prostitutas? Talvez... Mas acho que o mais vergonhoso acontece aqui no Brasil, onde as mulheres se prostituem por nada ou pior: Aquelas que nem do ramo são e andam peladas pelas ruas, saindo com qualquer homem que pague uma refeição, melhor ainda se for gringo. Vergonha talvez porque, dos povos que q vão para os EUA, o brasileiro é o que menos se interessa em aprender a falar a língua inglesa, ficar legal no país e os q deixam pouca ou nenhuma gorjeta. Só querem ganhar um dimdim e voltar para o "amado Braza".
Deveríamos ter vergonha de nós mesmos, somos as pessoas que conseguimos estudar, temos algum esclarecimento e nunca fazemos nada para tornar nosso país melhor. Somos nós, os ferrados pelos impostos que nunca retornam, os que se aposentam com um valor nojento, os que tiveram o dinheiro preso no banco e nem deram um jeito de dar um tiro ou prender os bandidos que fizeram isso.
Não acho que não é vergonhoso o trabalho em restaurantes, nas casas e outros menos valorizados (por nós), a maior parte dessa gente tem uma vida muito confortável (exceto aqueles que economizam demais) e ainda sobra algum para ajudar a família no país de origem.
Vergonha eu tenho quando a diarista sai daqui e tem que viajar horas de ônibus para chegar na sua humilde casa alugada sem a menor expectativa de um dia comprar um carro. Vergonha eu sinto de morar num país onde a netinha dessa mesma pessoa vai nascer quase sem roupas para vestir e o pior é saber que existem muitas pessoas numa situação bem pior.

Bjs
Evi

Panda disse...

Concordo plenamente com você Evi. e, para não te deixar curiosa, o motivo pelo qual fiquei com vergonha de ser brasileira no Colorado foi porque levei dois amigos americanos numa festa de brasileiros. Meu amigo foi espancado, e minha amiga estuprada. Pensei que você sabia dessa história. Bjos

Anônimo disse...

Esse fato realmente foi horrível e vergonhoso...
Bjo
Evi