terça-feira, 31 de março de 2009

As I Walk These Broad Majestyc Days

Walt Whitman (tradução minha)

Enquanto caminho pela imensidão majestosa dos dias de paz,
(Já que a guerra é luta de sangue extinto, em que esvai-se o Ideal fantástico
Contra probabilidades que até então sempre alcançaram gloriosa vitória),
Você caminha impaciente, talvez ainda em tempo de travar mais densas guerras,
Talvez para empenhar no tempo ainda mais terríveis desavenças, perigos,
Longas campanhas e crises sem precedentes.
Enquanto caminho solitário, desapercebido
À minha volta declaram a glória do mundo, a política, a produção,
Os anúncios das coisas legítimas, a ciência,
A aprovação do crescimento das cidades e a propagação das invenções.

Vejo os navios, (eles vão durar alguns anos)
As grandes fábricas com seus capatazes e operários,
E ouço o aval de todos, e não me oponho a eles.

Mas também eu anuncio coisas substanciais,
Ciência, navios, política, cidades, fábricas, não são nada.
Como de um grande cortejo nos chegam sons distantes de trombetas triunfantes que se movem aclamando grandes esforços,
Eles defendem esta realidade - tudo é como deveria ser.

Então a minha realidade;
O que mais é tão real quanto ela?
Libertação divina e de todos, liberdade a cada escravo na face da terra,
Fascinantes promessas de profetas iluminados, o mundo espiritual, as canções que nunca se apagam,
Os nossos sonhos, e as visões dos poetas, mais substanciais do que quaisquer outras.

Porque aguentamos tudo, digerimos tudo
E depois de todo resto estar pronto e acabado
Nós permanecemos;
Não resta nenhuma dependência a não ser no que está acima de nós
A Democracia finalmente repousa sobre nós
(Eu, meus irmãos, nós começamos isto)
E nossas visões atravessam a eternidade.

Original em http://www.americanpoems.com/poets/waltwhitman/13293

Como é difícil traduzir poema. Principalmente poemas com grau de complexidade como este. Mas ele me chamou atenção pelo tom profético. Walt Whitman (1819 - 1892) foi um dos maiores poetas norte americanos, um verdadeiro revolucionário das palavras que viveu durante a Guerra Civil nos EUA. Este poema, escrito há quase 200 anos, faz parte daquelas canções universais, que nunca se apagam... e sua visão de mundo realmente atravessou fronteiras de tempo e espaço, permanecendo verdadeira até os dias de hoje. O homem era um gênio!

17 comentários:

Ivo e Fátima disse...

Primeirão de novo!

Ráááááá

Sogrão

Ivo e Fátima disse...

Pandinha linda

Olha aí mais um dos teus incontáveis dotes: tradutora!

Ficou muito bom, o que é bastante raro em se tratando de traduções. Mais tarde vou ler o original.

Beijos do Sogrão

Panda disse...

Sogrão! Você não faz idéia, nunca tinha traduzido nada e como a gente aprende! Felizmente com internet tudo fica mais fácil, prinipalmente na busca de verbetes arcaicos que não constam mais nos dicionários atuais. E me bati pra caramba, viu, pra buscar um sentido em português para o que eu entendi em inglês. Quase deu nó no cérebro. Mas gostei do desafio, vou fazer isso mais vezes. Bjos.

diva disse...

Parabens Xanda Você está cada vez melhor.Continue.Beijos da Vó Vivinha.













parabens

Panda disse...

Veleu, vó! Saudades.

fatima disse...

Xanda você é uma panda linda e sabidona e eu sou uma ANTA!Mas juro que quando entrei ainda não tinha texto novo, aí me achei o máximo de ser sido a primeiraeiraona...doce ilusão...
Parabéns sua tradução ficou ótima e olha que eu sempre acho um horror traduções de poemas e músicas, acho que estes tipos de texto não poderiam ter tradução, ou você entende a lingua ou não entende, entendeu? Sorry...
Beijos, sua sogrinha birutinha

Panda disse...

Fatiminha linda, vc não é uma anta nada! Acho que vc devia estar com o blog aberto desde ontem, e não atualizou a página. Bjos

Luiz Borges disse...

Há algumas citações dele no filme Sociedade dos Poetas Mortos. E lendo algumas de suas poesias, há um quê de Nietzsche nelas, principalmente na elevação do "Eu".
Parabéns pela postagem
Filósofo

Panda disse...

Nossa, assisti este filme há tanto tempo que nem lembro mais. Eu conheci Whitman na faculdade... e desde então nunca mais larguei. Eu não manjo nada de Nietzsche, só sei que teve um dia que ele chorou. Hehehe... O que gosto no Whitman é da musicalidade, a poesia ritmada, sem no entanto seguir regras rígidas de rima e número de sílabas poeticas. É um verso livre, melodioso, sonoro mesmo, pois se você notar, em quase todos os poemas dele tem alusão à música (no caso deste, as trombetas). E tem uma frase do Whitman que guardo pra sempre comigo: "The strongest and sweetest songs remain yet to be sung."

Beijos

Ana B. disse...

Xanda, quando eu crescer quero ser inteligente que nem você!
Amei a tradução e apesar de concordar em número e grau com a Fátima sobre certas coisas serem intradutíveis,adorei a tradução que vc fez!
Beijão

Panda disse...

Ana, tava agora mesmo olhando seu blog pra ver se vc sanou minha dúvida! Não ter visto o Halley foi uma das maiores frustrações da minha vida! Fiquei tão jururu quando acordei no dia seguinte...

Mas pensando por outro lado, foi melhor só ter imaginado ele passando do que ver um risquinho de nada no céu. Até convercer uma criança como eu de que aquilo era o cometa, (sendo o cometa um astro enorme que orbita no espaço), acho que a frustraçao teria sido maior. É.

Mas enfim, você viu o cometa nas ruínas?????

Que bom que gostou da minha tradução. Mas se puder leia o original, é muito mais lindo. Hehehe...

Beijos!

Alessandra Pilar disse...

Oi Panda,
Muito boa a tua tradução. Deu vontade de conhecer mais desse poeta. Vou atrás. hehe. Bom, eu também concordo com as meninas sobre as traduções, tem algumas coisas que só mesmo no original, mas também depende do tradutor.
Traduzir: fazer de intérprete, interpretar. E interpretar uma poesia é uma arte para poucos. Uma ótima maneira de brincar com a língua, buscar significados.

bjos

Alessandra Pilar disse...

PS: os últimos serão os primeiros!!!

Ivo e Fátima disse...

Lançado o desafio...

Será a Pilar (que nesse foi última até eu me intrometer aqui...) conseguirá retomar o seu merecido posto de primeirona?

Aguardem a próxima postagem, neste mesmo blog e canal.

Sogrão

Panda disse...

O desafio está lançado. A postagem já está no ar. Foi dada a largada!

Quem irá conquistar a pole?

Talita disse...

A lanterninha aqui é que não, né? rsrs
Fiquei frustrada tb por não ter visto o cometa, chovia à cântaros aqui no Vale.
Xanda nunca fui apresentada a este Walt Whitman, mas gostei da frase sobre a "mais doce canção", e se vc traduziu acho que ficou linda a tradução pois vc é inspirada e eu lógico, sou mãe coruja, hehe
bjs

Panda disse...

Mami, não se preocupe, pois no meu coração sua pole já está garantida.
E se sou uma pessoa inspirada e talentosa, lembre-se de que você é uma das responsáveis. Viu, eu também sou uma filha coruja! Beijos.